A arquitetura de uma ditadura pelo controle “social” da imprensa

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A forma pela qual o PT está implementando a ditadura no Brasil é baseada em um conjunto de fraudes intelectuais, pela iniciativa de implementação de “conselhos de mídia”.

Se quisermos sair da ditadura, temos que conhecer essas fraudes e desmascará-las, de forma incisiva.

O estado onde iniciou-se tal idéia, como não poderia deixar de ser, é um reduto político do PT, o Ceará.

Mas agora eles já executam uma ação coordenada tentando implementar o mesmo modelo em vários estados.

A grande fraude deles é dizer que tais conselhos representam a “sociedade”. E portanto não seria um controle do estado, mas sim da sociedade.

Mas o que seria essa “sociedade”?

Na versão divulgada no site Último Segundo, já temos a definição dos 25 membros do conselho, conforme apresentados no projeto da deputada Rachel Marques, do PT.

Vejamos a lista:

  • 7 pessoas do poder público
  • 8 pessoas da “sociedade civil” (produtores e difusores)
  • 10 pessoas da “sociedade civil” (trabalhadores e consumidores)

Em relação aos 7 do Poder Público, teríamos 1 representante da Secretaria da Casa Civil, 1 representante da Secretaria de Cultura, 1 representante da Secretaria de Ciência e Tecnologia, 1 representante da Assembléia Legislativa, 1 representante do Ministério Público Federal e 1 representante das escolas de comunicação (públicas e particulares). Os quatro primeiro seriam indicadores pelos titulares das pastas, o quinto pelo Poder Legislativo Estadual, o sexto pelo procurador-chefe do Estado, e o sétimo por eleição.

Resumindo, com o estado aparelhado, são 6 votos automaticamente garantidos pelo governo (os 6 primeiros), e só poderíamos ter alguma dúvida em relação ao sétimo voto.

Vamos agora aos 8 representantes da “sociedade civil”, dentre produtores e difusores. Aqui a coisa não tem tanto mistério, e não podemos a priori considerar todos como votos do governo. Claro que poderíamos suspeitar, naturalmente, mas até o momento são votos “em aberto”.

A coisa fica definitivamente comprometida (o viés do governo petralha fica claro) com os 10 membros da “sociedade civil”, dentre trabalhadores e consumidores.

Vamos a eles:

  • (1) Um representante do Sindicato dos Jornalistas Profissionais, indicado pela diretoria do Sindjorce (que está a favor do controle)
  • (2) Três representantes de “sociedade civil organizada”, em eleição entre entidades com “atuação” na comunicação e na cultura, ou seja, ONGs de esquerda;
  • (3) Um representante do movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), escolhido em eleição pelo primeiro plenário do Conselho;
  • (4) Uma representante do movimento de mulheres, escolhida da mesma forma que o sujeito do item anterior, mas agora com indicações recebidas pela Secretaria da Casa Civil;
  • (5) Um representante do movimento de pessoas com deficiência;
  • (6) Um representante do movimento negro ou dos povos indígenas;
  • (7) Um representante do movimento de jovens ou de crianças e adolescentes (*)

(*) Todos esses elementos selecionados a partir do mesmo critério visto no item (4)

Sendo que a base do PT está nesses “movimentos sociais”, temos aqui garantidos 10 votos para o PT.

Revisando a soma total, teríamos 16 votos garantidos ao PT no “conselho” de mídia.

Claro que se fizemos uma hipótese até caridosa, poderíamos considerar uns 33% dos votos restantes para o PT, e o restante para outros partidos.

Ou seja, o conselho teria 19 votos garantidos, e 6 votos a serem disputados.

O que isso significa?

Significa que o PT coloca, de maneira dissimulada, sua patrulha para tomar conta da imprensa. É o lobo tomando conta do galinheiro.

O uso dos movimentos “sociais” é a tática do governo para garantir a ditadura.

O tal conselho, portanto, será composto de um bando de fanáticos que considera difamação toda e qualquer revelação que desmascare o PT. É claro que estes adeptos do conselho vão tachar de “difamação” a qualquer notícia que simplesmente não gostem.

Como essas ONGs de “minorias” são apenas um lugar onde pessoas remoem seus ódios e tornam-se cada vez mais fanáticos, o PT tem ali sua verdadeira tropa de choque.

Sim, pois um “movimento negro” não representa alguém que é de cor negra, mas sim alguém que é orientado a entrar em rivalidade eterna e injustificável com os brancos. Da mesma maneira os “movimentos das mulheres” não representam as mulheres, mas sim mulheres que ficam remoendo seu rancor e lançando todas as culpas do mundo sobre os homens.

Enfim, o PT, como eu já disse, é um partido que se alimenta do ódio.

Além do mais, por que não há “movimento heterossexual”, “movimento branco”, “movimento masculino” e coisas do tipo? Talvez esses não sejam “a sociedade”, na linguagem petista.

Que esse bando elencado pelo PT seja chamado de “a sociedade”, é algo que já deveria ridicularizá-los por si só.

Vejamos alguns exemplos de manifestações dos petistas em alguns fóruns, todos eles (claro) a favor do controle da imprensa.

Segue o primeiro abaixo:

Os conselhos de comunicação são uma necessidade para a liberdade de imprensa no país. Na verdade, a imprensa hoje no Brasil não é livre, por que está concentrada nas maõs de um punhado de grupos econômicos defensores dos privilégios da elite. Os grupos de comunicação terão a missão de impedir que esses grupos econômicos tenham poder ilimitado de publicarem só o que querem, impedindo a livre expressão de outras camadas sociais.

Notem a Novilíngua deles.

Para o petralha, hoje em dia não há liberdade. Motivo? Há grupos econômicos que detém o poder de comunicação.

Essa sub-fraude já é desmascarada com o fato de que Istoé e Carta Capital apóiam Lula. E a Veja é contra o governo.

Se três publicações de grande tiragem tem opiniões tão díspares, onde está a falta de liberdade?

Então, assim como a deputada Rachel, do PT, redefine “a sociedade” pelo punhadinho de pessoas de movimentos sociais de esquerda, este outro redefine a expressão “liberdade de imprensa” com “restrição do poder ilimitado de publicar o que se quer”. (É exatamente a expressão dele)

Se a situação não fosse trágica, até riríamos de petistas se engasgando tanto para mudar o significado de expressões.

Como eles não tem noção de limite, vejam esta pérola, de outro petralha:

A imprensa tem que ser controlada democraticamente pela sociedade. Não pode ficar totalmente livre nas mãos do dono do veículo de comunicação, que é uma concessão pública, sob pena de haver, como tem havido, isto sim, abuso do poder de comunicação travestido de liberdade. A grande imprensa deste país, controlada por grupos econômicos, constrói ou destrói a imagem de quem eles quiserem, conforme seus interesses e conveniências…

O truque se repete acima.

Para ele, o “controle é democrático”, por causa dos “movimentos sociais”.

E o mesmo sujeito fala em democracia, mas depois diz que a imprensa “não pode ficar totalmente livre” nas mãos do dono do veículo de comunicação.

A mesma figura diz que o “abuso do poder de comunicação” está “travestido” de “liberdade”.

O sujeito é tão celerado que não percebeu que até o ato de abusar do poder de comunicação é um exemplo de liberdade. É claro que esta pessoa terá que responder judicialmente caso publicar mentiras em suas notícias.

Ou seja, aquilo que o petista diz que está “travestido de liberdade” é liberdade em si.

E aquilo que ele chama de democrático é simplesmente a censura, que ele tenta chamar de “controle democrático pela sociedade”.

Para que eles não reclamem que só citei petistas anônimos, vejam abaixo o manifesto assinado por 60 ONGs de esquerda, todas, é claro, a favor da censura:

“Manifesto em defesa do Conselho de Comunicação Social e da democracia”

As entidades abaixo assinadas manifestam publicamente seu total apoio à criação do Conselho de Comunicação Social do Estado do Ceará e repudiam, de forma veemente, as tentativas de setores conservadores da sociedade de desqualificar a decisão da Assembleia Legislativa do Estado de propor ao governador Cid Gomes (PSB) a criação de um órgão que possibilitará a efetiva participação da sociedade cearense na criação de políticas públicas em comunicação do Estado.

Um Conselho tem como finalidade principal servir de instrumento para garantir a participação popular, o controle social e a gestão democrática, envolvendo o planejamento e o acompanhamento da execução das políticas e serviços públicos. Hoje, existem conselhos municipais, estaduais e nacionais, nas mais diversas áreas, seja na Educação, na Saúde, na Assistência Social, entre outros. Um Conselho de Comunicação Social é, assim como os demais Conselhos, um espaço para que a sociedade civil, em conjunto com o poder público, tenha o direito a participar ativamente na formulação de políticas públicas e a repensar os modelos que hoje estão instituídos.

Longe de ser uma tentativa de censura ou de cerceamento à liberdade de imprensa, como tenta fazer crer a velha mídia (nada mais que uma dúzia de famílias) e seus prepostos, o Conselho é uma reivindicação histórica dos movimentos sociais, organizações da sociedade civil, jornalistas brasileiros e setores progressistas do empresariado que atuam pela democratização da comunicação no Brasil e não uma construção de partido político A ou B. E mais, falta com a verdade quem diz ser inconstitucional o Conselho de Comunicação, pois este está previsto na Constituição, no Artigo 224, que diz “Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei”, com direito a criação de órgãos correlatos nos estados, a exemplo dos demais conselhos nacionais.

Uma das 672 propostas democraticamente aprovadas pelos milhares de delegados e delegadas da sociedade civil empresarial, não-empresarial e do poder público, participantes da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), os Conselhos de Comunicação Social são a possibilidade concreta de a sociedade se manifestar contra arbitrariedades e abusos cometidos pelos veículos, cuja programação é contaminada por interesses comerciais, que muitas vezes violam a legislação vigente e desrespeitam os direitos e a dignidade da pessoa humana.

A desfaçatez com que a velha mídia e seus asseclas manipulam a opinião pública, na tentativa de camuflar a defesa de interesses econômicos e políticos que contrariam a responsabilidade social dos meios de comunicação e o interesse público, merece o mais amplo repúdio do povo brasileiro. Eles desrespeitam um princípio básico do jornalismo, que é ouvir diferentes versões dos acontecimentos, além de fugir do debate factual, plantando informação.

É chegada a hora de a sociedade dar um basta à manipulação da informação, unindo-se trabalhadores, consumidores, produtores e difusores progressistas na defesa da criação, pelo poder público, dos Conselhos de Comunicação Social. Somente assim, o povo cearense evitará que o Governo do Estado sucumba à covarde pressão de radiodifusores e proprietários de veículos impressos que ainda acreditam na chantagem e na distorção da verdade como instrumento de barganha política.

Que venham os Conselhos de Comunicação Social, para garantir à sociedade brasileira o direito à informação plural, a liberdade de manifestação de pensamento e de criação e a consolidação da democracia nos meios de comunicação.

Assinam a nota:
Acertcom – Associação Cearense de Emissoras de Rádio e TV Comunitárias
Agência de Informação Frei Tito para América Latina (Adital)
Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço-CE)
Associação Comunitária do Bairro Ellery
Associação Comunitária do Bairro Monte Castelo
Associação Comunitária Portal do Benfica
Associação Comunitária de Rádiodifusão de Independência (ACORDI)
Associação União dos Moradores de Luta do Álvaro Weyne
Associação Zumbi Capoeira
Associação Zumbi Capoeira (Pirambu)
Centro Cultural de Arte Capoeira na veia
Centro de Apoio a Vida
Centro Popular de cultura e Ecocidadania (CENAPOP)
Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca-CE)
Cia. Tesouro Nordestino
Cia. de Teatro Arte Amiga
Cine Rua
Cipó Comunicação Interativa
Coletivo de Jovens Feministas de Pernambuco (Recife-PE)
Coral Vida e Arte
Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos)
Espaço Solidário (ESSO)
Fábrica de Imagens – Ações Educativas em Cidadania e Gênero (Fortaleza-CE)
Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ)
Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC)
Futsal Caça e Pesca
Grab – Grupo de Resistência Asa Branca
Grêmio estudantil Juventude Ativa
Grupo Aprendizes de Papel
Grupo Budega Chic
Grupo Cultural Entreface – Identidade Juvenil, Comunicação e Cidadania (Belo Horizonte MG)
Grupo Pensar Lutar e Cia. de Teatro Arte Amiga
Grupo Pensar Lutar e Vencer (Pastoral da Juventude Maraponga)
Grupo Tapa (Temos Amor pela Arte)
Grupo Vida e Arte
Instituto Jera de Feira de Santana (BA)
Instituto de Juventude Contemporânea (IJC)
Instituto Terramar
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
Juventude Atitude (CDI)
Juventude Negra Kalunga
Movimento Pró-Parque Rachel de Queiroz
ONG Catavento Comunicação e Educação
Pastoral da Juventude do Canindezinho – PJ
Rede de Adolescentes e Jovens Comunicadores e Comunicadoras do Brasil
Rede de Jovens do Nordeste
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce)
Sindicato dos Operadores de Turismo do Ceará
Sindicato dos Vigilantes do Estado do Ceará (SindVigilante)
Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Valores do Ceará (SindValores)
Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Gráfica, da Comunicação Gráfica e dos Serviços Gráficos do Estado do Ceará (Sintigrace)
Terreiro Capoeira
Tesouro Nordestino
TV UMLAW
União Brasileira de Mulheres (UBM)
União da Juventude Socialista (UJS)
Vidas e Vozes da Juventude”

Enfim, se algum petralha vier dizendo “é teoria da conspiração, é teoria da conspiração”, agora vai ficar difícil depois das 60 assinaturas dessas ONGs.

Vejam que agora a luta deles pelo controle da imprensa será feito através da repetição de frases com significados que nada tem a ver com a realidade. (Fiz questão de usar o negrito)

Se os petralhas executarem essa pregação em quantidade maior (e a tendência é que vão tentar isso mesmo), vão incutir no senso comum da população a idéia de que censura é na verdade a liberdade.

Segue a arquitetura do mantra que eles vão decorar:

  • 1. Não há proposta de censura
  • 2. Somente proposta de controle democrático
  • 3. O controle é democrático, pois é um controle da sociedade (é aqui que está o truque deles de fingir que os movimentos sociais de esquerda são a sociedade)
  • 4. Portanto, esse controle é a luta pela liberdade

Agora temos revelada a fraude definitivamente.

Os movimentos sociais são a bola da vez. De nossa parte, o desmascaramento deve ser feito em cima de todos esses que estão apoiando o controle da imprensa.

Sabemos, é claro, que estão mentindo, pois a fraude intelectual é clara demais.

Então, se essa escória quer “controlar a imprensa”, eles que sejam fiscalizados.

Somos nós que temos que fiscalizar o discurso deles e desmoralizá-los perante o restante dos brasileiros.

A guerra começou!

Os esquerdistas das ONGs vão avançar com força para conseguir dar de vez o país ao PT.

Cabe a nós revidarmos atacando justamente o exército de ONGs do governo.

É deles que o PT depende agora para se manter no poder.

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8 COMMENTS

  1. Porque será que comunistas muitas vezes se chamam de democráticos e/ou populares?
    Deutsche Demokratische Republik – República Democrática Alemã (“Alemanha Oriental”), uma ditadura comunista histórica.
    Chosŏn Minjujuŭi Inmin Konghwaguk – República Democrática Popular da Coréia do Norte, uma ditadura comunista.
    Zhōnghuá Rénmín Gònghéguó – República Popular da China (China Continental), uma ditadura comunista.
    Việt Nam Dân Chủ Cộng Hòa – República Democrática do Vietnam (“Vietnam do Norte”), uma ditadura comunista histórica, atualmente tendo absorvido a República do Vietnam (“Vietnam do Sul”).

    É uma cara de pau sem tamanho, no mínimo.

  2. Caro Luciano,

    postei este post em meu blog; espero que você não se importe.

    Estarei postando mais textos seus, do Snow, e do Francisco, e outros em meu blog; pois estou com o tempo muito curto, devido a minha pesquisa da faculdade em Filosofia da Mente, e da Religião, e NeuroCiências.

    Abraços

    PJ

  3. Art. 220, § 5º – “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”

    Alguns veículos manipulam a informação. Agora independemente do veículo, o governo controlará o que é informação.

  4. Se o governo quer quebrar o “monopólio” ou “oligopólio”, o método NÃO é criando uma outra aristocracia para controlar a informação. E sim incentivar a LIVRE-CONCORRÊNCIA nessa área, para que mais e mais empresas atuem diminuindo a parcela de outras já existentes.

    Quanto à distorções e mentiras, já existem leis suficientes para tratar disso. Distorceu, mentiu? Processe o jornalista. Simples assim.

  5. O problema é que o governo não quer quebrar o monopólio. Se pudessem todas as concessões seriam distribuídas entre eles. Acho até, que nos bastidores, situação e oposição se divirtam com a nossa ingenuidade.
    Mas o que um cidadão comum pode fazer a não ser buscar meios independente de informação? A internet, até então, é o único meio livre?

  6. Meu caro Luciano:
    Se me permite, gostaria de postar um artigo com o outro lado da questão:
    DEBATE ABERTO
    Regulação em debate: sobre inverdades e desinformação
    A grande mídia e seus aliados, ao satanizarem a iniciativa cearense, tentam, ainda uma vez mais, evitar a prática democrática legítima da cidadania que participa diretamente na gestão da coisa pública e defende seus interesses, prevista na Constituição de 1988.
    Venício Lima, na Carta Maior
    Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa
    A aprovação, no último 19 de outubro, do Projeto de Indicação nº 72.10, que propõe a criação do Conselho Estadual de Comunicação Social (CECS) pela Assembléia Legislativa do Ceará (e que ainda depende da sanção do governador do estado), detonou o último ciclo de inverdades e desinformação relativas às liberdades de expressão e de imprensa no país.
    Nos últimos meses, esta tem sido a estratégia da grande mídia e de seus aliados – desta vez, inclusive, a OAB nacional – que, sem divulgar texto e/ou discutir o mérito das propostas, trata de satanizar qualquer tentativa do Estado e da cidadania de exercer seu direito de cobrar dos concessionários do serviço público de radiodifusão o simples cumprimento de normas e princípios já inscritos na Constituição de 1988.
    Origem
    Ao contrário do que se alardeia, os Conselhos de Comunicação não são uma invenção da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). A idéia surgiu formalmente em encontro nacional de jornalistas promovido pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), com o objetivo de discutir propostas a serem apresentadas no processo constituinte, em 1986. Lá se vão, portanto, mais de 24 anos.
    Posteriormente, a idéia fez parte de Emenda Popular apresentada ao Congresso Constituinte, subscrita, além da Fenaj, pela Central Única dos Trabalhadores, pela Central Geral dos Trabalhadores, pela Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior, pela Federação das Associações de Servidores das Universidades do Brasil, pela União Nacional dos Estudantes, pela Federação Brasileira de Trabalhadores em Telecomunicações, pela Associação dos Empregados da Embratel, pela Federação Nacional dos Engenheiros, pela Federação Nacional dos Arquitetos e pela Federação Nacional dos Médicos. Além disso, assinaram a Emenda Popular os então líderes do PT Luiz Inácio Lula da Silva; do PDT, Brandão Monteiro; do PCB, Roberto Freire; do PC do B, Haroldo Lima, e do PSB, Beth Azize (ver depoimento do ex-presidente da Fenaj, Armando Rollemberg ao Conselho de Comunicação Social, disponível aqui).
    A proposta original – que tinha como modelo a Federal Communications Commission (FCC) americana – foi objeto de controvérsia ao longo de todo o processo constituinte e acabou reduzida à versão finalmente aprovada como artigo 224 da Constituição, que diz:
    Art. 224. Para os efeitos do disposto neste capítulo [Capítulo V, “Da Comunicação Social”, do Título VIII “Da Ordem Social”], o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei.
    Em 30 de dezembro de 1991, o então presidente Fernando Collor sancionou a lei nº 8389, cujo projeto original foi de autoria do jornalista, professor e senador Pompeu de Souza (PMDB-DF), já falecido, que instituiu o Conselho de Comunicação Social (CCS).
    Apesar disso, resistências articuladas pelos mesmos interesses que ainda hoje se opõem à iniciativa fizeram que sua instalação fosse postergada por mais de onze anos, até 2002. Instalado, o CCS funcionou durante quatro anos e desde dezembro de 2006 não mais se reuniu (ver, neste Observatório, “Por que o CCS não será reinstalado”, “Senado descumpre a Lei” e “Três anos de ilegalidade”).
    Conselhos municipais e estaduais
    Desde que a Constituição de 1988 foi promulgada, várias iniciativas de criação de conselhos semelhantes ao CCS surgiram tanto em nível municipal como estadual. O primeiro Conselho Municipal de Comunicação (CMC) foi criado na Prefeitura Municipal de Porto Alegre por meio do decreto nº 9426, assinado pelo então prefeito Olívio Dutra, em 5 de maio de 1989.
    Uma pesquisa realizada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), em 2009, indica que também a cidade de Goiânia (GO) chegou a ter um CMC instalado. Juiz de Fora (MG) e Anápolis (GO) prevêem a criação destes conselhos.
    Em nível estadual, algumas constituições ou leis orgânicas contemplam a criação dos Conselhos Estaduais de Comunicação Social (CECS). É o caso de Minas Gerais, Bahia, Alagoas, Paraíba, Pará, Amapá, Amazonas e Goiás. No estado do Rio de Janeiro existe uma lei que trata do assunto (lei nº 4.849/2006) e, em São Paulo, o decreto nº 42.209, de 15 de setembro de 1997, também prevê a criação de um CECS (ver “Conselhos de Comunicação são ignorados”, revista MídiaComDemocracia, pág. 8).
    No Distrito Federal, a Lei Orgânica aprovada em 8 de junho de 1993 prevê:
    Art. 261. O Poder Público manterá o Conselho de Comunicação Social do Distrito Federal, integrado por representantes de entidades da sociedade civil e órgãos governamentais vinculados ao Poder Executivo, conforme previsto em legislação complementar.
    Parágrafo único. O Conselho de Comunicação Social do Distrito Federal dará assessoramento ao Poder Executivo na formulação e acompanhamento da política regional de comunicação social.
    Na campanha eleitoral de 1994, por iniciativa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, o assunto foi discutido em debate com os candidatos a governador e todos se comprometeram a cumprir o que já constava da Lei Orgânica. O candidato Cristóvam Buarque, depois governador (1995-1998), comprometeu-se, se eleito, a enviar projeto neste sentido à Câmara Distrital em até 90 dias após sua posse. O projeto não foi enviado e, até hoje, não existe CECS no Distrito Federal.
    Em resumo: apesar de estar na Constituição da República e em várias constituições e leis orgânicas estaduais e municipais, não existe um único Conselho de Comunicação funcionando no país.
    Por que será?
    Prática democrática
    Como se pode constatar, a idéia dos Conselhos de Comunicação não surgiu na 1ª Confecom e a iniciativa cearense não é sequer a primeira. Trata-se de norma constitucional.
    Para não tornar este artigo demasiadamente longo, omito a transcrição do texto da Lei nº 8389/1991, que institui o Conselho de Comunicação Social previsto no artigo 224 da Constituição, e do Projeto de Indicação nº 72.10, aprovado pela Assembléia Legislativa do Ceará. Convido, no entanto, o eventual leitor(a) a comparar os dois textos com o capítulo “Da Comunicação Social” da Constituição de 1988.
    Quem se der ao trabalho verá que a grande mídia e seus aliados, ao satanizarem a iniciativa cearense, tentam, ainda uma vez mais, evitar a prática democrática legítima da cidadania que participa diretamente na gestão da coisa pública e defende seus interesses, prevista na Constituição de 1988. No caso, interesses em relação aos concessionários do serviço público de radiodifusão.
    Nada mais, nada menos do que isso.
    Venício A. de Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010.

    http://aureliojornalismo.blogspot.com/2010/11/sobre-regulacao-da-midia.html

  7. Aurélio,
    Há alguns problemas em seu argumento.
    Realmente, é possível existir algum controle dos meios de comunicação, mas somente no quesito regulatório em relação a itens como evitar o monopólio, por exemplo.
    Isso é totalmente diferente do controle de CONTEÚDO publicado, que é exatamente a proposta mencionada não só no Ceará como também em 6 estados.
    Também publiquei no artigo um modelo que você não refutou, na qual demonstrei a arquitetura dos conselhos, mostrando que nem de longe este conselho representaria a “sociedade”.
    O erro neste texto trazido foca em usar a expressão “controle” da constituição e achar que é o mesmo significado do “controle” no caso dos conselhos iniciados recentemente.
    O mais curioso é que o texto da Carta Capital acaba sendo a confissão de um crime ideológico, ao invés de inocentar os esquerdistas. Veja só quando o texto traz a versão original da prequel da Confecom: “Além disso, assinaram a Emenda Popular os então líderes do PT Luiz Inácio Lula da Silva; do PDT, Brandão Monteiro; do PCB, Roberto Freire; do PC do B, Haroldo Lima, e do PSB, Beth Azize”.
    Quer dizer: os picaretas estão envolvidos nisso desde o princípio, e é mais um ponto contra a esquerda.
    Ou seja, os caras estão planejando isso há muito tempo.
    Entretanto, a iniciativa da criação dos conselhos estaduais com o simulacro de que estariam sendo “controle feito pela população” (quando na verdade são alguns poucos movimentos sociais, já alinhados com a esquerda), surgiu não só no Ceará, mas em 6 estados de forma praticamente consecutiva.
    A Confecon, portanto, não CRIOU o controle de imprensa, pois a idéia de controlar a imprensa é uma obsessão da esquerda não só no Brasil, como em todos os países onde eles se instauraram.
    Isso nos já sabíamos.
    Mas todas as iniciativas de controle de imprensa que surgiram inicialmente (sendo no Ceará onde ocorreu a primeira iniciativa) vieram de deputados do PT ou de partidos correlacionados.
    Aurélio, foi bom você ter se esforçado, mas você acabou sem requer não só deixando de refutar meu texto, como também tornando-o mais sólido e embasado.
    Obrigado,
    LH

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