Como o Tea Party descobriu o grande segredo da esquerda e usou-o a seu favor OU Uma lição a ser aprendida

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Podemos dizer que o Tea Party é o maior “case” de sucesso conservador recente, e tende a multiplicar seus frutos caso os acertos sejam mantidos e potencializados.

O Tea Party nada mais nada menos fez do que descobrir o grande segredo da esquerda: a organização em rede, ou como conhecemos mais popularmente, rede social.

Revoltadíssimos, jornalistas de esquerda aqui no Brasil prosseguem com a ladainha de chamá-los de “ultraconservadores”, e coisas do tipo.

Este texto da Folha não poderia ser diferente, no qual o autor (ou autora) perdeu tanto a estribeira que chamou de “grupelhos” aqueles grupos que apóiam o Tea Party.

Bizarramente, a principal crítica é relacionada ao grande trunfo deles. Veja:

Mas o que se chama de “movimento” na maior parte das vezes não passa de bandos dispersos de grupos com conexões no máximo vagas entre si e que não se engajam tanto no processo eleitoral. Uma extensa pesquisa do “Washington Post” revela que 70% dos grupos populares que dizem pertencer ao Tea Party não participaram de nenhuma campanha. Como um todo, não há candidatos “oficiais”, nem líderes nacionais. O que há é ambivalência em torno de objetivos.

Simplesmente, o Tea Party descobriu a organização em rede!

E mostrou que, se quisermos obter resultados, teremos que atuar dessa maneira.

Se estudarmos os movimentos de esquerda, vemos que eles fazem parte de uma “rede” na qual estão humanistas, abortistas, organizações de direitos gays, etc.

A rede social, em termos de estrutura social, é composta de indivíduos (ou organizações). Estes componentes são definidos como atores, que são conectados por um ou mais atributos de interdependência.

Esses atributos incluem: amizade, interesse em comum, repulsa, conhecimento, prestígio. Enfim, qualquer coisa.

Para compreender o conceito mais facilmente, vejamos o seguinte exemplo (os nomes são fictícios):

  • Gilberto Santos, 38 anos, advogado, ateu, sócio-torcedor do Inter (RS)
  • Mariana Azevedo, 22 anos, administradora de empresas, católica, sócia-torcedora do Inter (RS)
  • Alexandre Mathias, 45 anos, autônomo, espírita, sócio-torcedor do Inter (RS)

No conceito da organização em rede, temos três atores, e uma rede de torcedores do Inter.

Alguém poderia dizer: “mas que coisa óbvia, Luciano”.

Na verdade, nem é tão óbvio assim.

A questão é que para eles serem sócios-torcedores do Inter (RS), não importam seus backgrounds.

Vamos imaginar a situação oposta: para serem sócios-torcedores do Inter (RS), se eles tivessem que comportar uma grande quantidade de outros atributos idênticos, como serem da mesma religião, da mesma profissão, votarem no mesmo partido, etc.

Obviamente, o grupo “sócio-torcedor do Inter (RS)” perderia atores e provavelmente a rede em si teria mais dificuldade de ser estruturada.

Compreender uma organização em rede implica em saber a exata diferenciação entre este modelo organizacional em contraposição à organização tradicional.

Uma organização tradicional é a forma pela qual os exércitos normalmente são estruturados, assim como são montadas as estratégias de combate.

Há um líder claro, uma cadeia de comando explícita, e uma apresentação ao público que geralmente é muito coesa.

Não importa se a organização tradicional é democrática ou hierárquica, o que importa é a coesão com a qual ela se apresenta e se organiza.

Partidos políticos são organizações tradicionais. Há um líder, uma orientação clara, diretivas explícitas e daí por diante.

Qualquer organização comercial é uma organização tradicional, assim como o é a Igreja Católica.

Para facilitar ainda mais a diferenciação entre organização tradicional e organização em rede, é bom notar que no caso da organização tradicional, geralmente um participante apresenta uma opinião ou atitude em alinhamento PLENO com a organização. Já na organização em rede, ele está representando a si próprio, sem a menor necessidade de alinhamento com a organização em si, a não ser na questão da interdependência.

Quer dizer: se alguém é favor de “impostos reduzidos”, ele é parte dessa rede, mas é livre para ter qualquer atitude ou qualquer opinião que quiser em qualquer outro aspecto.

Movimentos sociais e ONGs podem se classificar tanto como organizações tradicionais quanto organizações em rede, dependendo de sua forma de atuação.

Vejamos o Tea Party.

É uma organização tradicional ou organização em rede?

Analisemos seus atributos principais: não há organização centralizada, não há dogmas específicos a não ser apoio às interdependências básicas (redução de impostos, responsabilidade fiscal, etc.), não há padrões de comportamento fixos para os participantes, etc.

Esses são os atributos de uma organização em rede.

Mesmo assim, sendo o Tea Party uma enorme organização em rede (composta de várias sub-redes, como o artigo que citei mencionou), ele tendeu a apoiar os Republicanos, pois este está mais alinhado com as principais interdependências de sua rede.

No Brasil, o PT é uma organização tradicional (como todo partido o é), que faz um excelente uso de organizações em rede, compostas de movimentos sociais, ONGs de esquerda e militantes franco-atiradores da Internet. Há uma infinidade de redes aliadas ao PT.

Assim como nos Estados Unidos, os democratas são uma organização tradicional que sempre se aliou à várias organizações em rede.

A vantagem principal da organização em rede sobre a estrutura tradicional é que a primeira é mais resiliente.

Quando José Arruda, do DEM, foi descoberto em um escândalo de corrupção, o impacto foi para o DEM, pois ele era um dos líderes do partido.

Se ele fosse participante de uma organização em rede, os impactos seriam muito menores, pois sem existir uma estrutura hierárquica, os atos condenáveis feitos por alguns de seus participantes não necessariamente estão associados à interdependência que liga os atores.

Quer dizer, é muito mais difícil combater uma organização em rede do que uma organização tradicional.

Eu não estou dizendo que é o “fim” das organizações tradicionais, que sempre vão existir. (E temos que fazer uso delas)

Mas sim mostrando que um alinhamento de organizações tradicionais com organizações em rede é fundamental.

Vejamos agora no exemplo do Mensalão do PT, que teve muito mais dimensões do que o caso do Mensalão do DEM.

A diferença, a favor do PT, é que este tem uma base composta de organizações em rede a seu favor (com militantes infiltrados na mídia, nas universidades, etc) e o DEM não tinha.

Isso nos ensina o seguinte.

Não só temos que estruturar militâncias de direita, como principalmente atuar no formato de organizações em rede, o que nos tornaria mais resilientes aos ataques oponentes.

Novamente, um exemplo vem do Tea Party.

Não raro os oponentes do Tea Party começaram a chamá-los de “racistas”.

Não demorou para vários vídeos de participantes negros e hispânicos do Tea Party se manifestarem contra isso, inclusive dizendo coisas como “eles nos chamam de racistas, mas isso é por que eles querem nos dividir… mas nós somos americanos”.

O revide foi fácil demais, pois se a união deles era somente pelas interdependências que já citei, um membro do Tea Party pode ser de qualquer sexo, cor, credo.

O conceito de guerrilha, inclusive, poderia definido como guerra em rede.

Na verdade, até já foi, pelos pesquisadores da RAND, John Arquilla e David Ronfeldt, que trataram de uma forma nova de conflitos, crimes e ativismo de menor intensidade levados a cabo por atores de redes sociais.

Um ótimo livro sobre o assunto é “Networks and Netwars”, dos dois autores:

O subtítulo, inclusive, é bem conveniente: “O futuro do terror, crime e militância”.

E isso tudo posto até aqui deve nos servir de alerta: a militância da esquerda, que já é estruturada há muito mais tempo, agora atua em rede.

A boa notícia: quando nós utilizamos o mesmo modelo de organização em rede, como o Tea Party, os resultados para a direita também tendem a ser muito bons.

É importante ressaltar a expressão “nós” quando eu defino Tea Party, pois compreendendo essa perspectiva podemos automaticamente nos colocarmos como uma rede específica, que possui interdependência com os movimentos ligados ao Tea Party, fazendo que todos sejamos partes de uma organização maior. (Não é que sejamos componentes do Tea Party, mas sim partes de uma rede maior, do qual o Tea Party, junto com suas sub-redes, TAMBÉM faz parte)

Compliquei mais ainda?

Vejamos um “case” de sucesso da esquerda para facilitar essa abordagem.

A recente aprovação em série de casamentos gays em vários países foi um ganho da esquerda, e naturalmente um ganho do humanismo. (Como já mostrei anterioremente neste blog, humanismo e esquerda são duas grandes redes, com várias interdependências)

As redes gayzistas em vários países da Europa são sub-redes destas redes maiores.

Com o advento da Internet, a comunicação entre as redes em vários países propiciou o aumento da colaboração entre elas também.

Por isso, os ganhos obtidos por uma rede em um país podem ser mais facilmente reproduzidos em outros países. (Na rede gayzista, a interdependência que os une é somente o apoio à leis que beneficiem os gays em detrimento dos heterossexuais, mas eles não precisam ser do mesmo país)

É como na guerrilha de campo, onde algo que funcionou em um combate pode ser reproduzido em outros combates. No caso da guerra ideológica em rede, esta trancende as fronteiras dos países.

Para a rede da esquerda, é estratégica a associação com a rede gayzista, pois quando mais “endeusados” os homossexuais forem, menos estes poderiam ser criticados.

O ganho obtido pela rede gayzista é claro: eles obteriam benefícios ao não poderem mais ser criticados, alcançando a classe de seres humanos superiores aos demais.

Mas o ganho obtido pela esquerda é maior ainda, pois eles teriam a partir desse ganho dos gayzistas, o pretexto para iniciar ações de criminalização do cristianismo.

E qual o motivo para a criminalização do cristianismo?

Simples. Entendendo o cristianismo como algo que beneficia a rede conservadora, para a esquerda é importante tirar poder do cristianismo, fazendo com que seus participantes se calem, entrando na espiral do silêncio. Algumas ações judiciais são suficientes para que os religiosos se calem. Ao menos por algum tempo.

Com o casamento gay sendo implementado, é dada uma autoridade ao relacionamento homossexual, e vão surgir várias críticas a isso. São nessas críticas, que os esquerdistas iniciarão, através de redes associadas (incluindo redes gayzistas), processos contra os críticos, geralmente religiosos.

A rede humanista entra em ação nesse processo realizando sistematicamente difamações contra os religiosos chamando-os de intransigentes, para que aos poucos seja mais fácil que os esquerdistas consigam obter leis contra a prática religiosa.

Os jornalistas humanistas e esquerdistas ao redor do mundo tornam-se fundamentais no agendamento de notícias para auxiliar as redes acima.

Todas essas redes estão alinhadas ao Partido Democrata, nos Estados Unidos, como aos partidos mais esquerdistas na Europa, e, aqui no Brasil, principalmente ao PT.

Já que os atores centrais dessas organizações de rede sabem claramente que quanto mais abalada a religião tradicional estiver, melhor para eles. (Pois é um foco da “rede” conservadora que será abalado)

Enfim, entendendo a organização em rede e como a militância incisiva (em associação evidente com partidos políticos de esquerda) tem sido executada, chegamos a entender a guerra em rede.

Que na verdade é a antiga forma de guerrilha.

Mas a própria guerrilha pode ser utilizada de forma estratégica, para que ao mesmo tempo forneça ganhos para os atores das redes, e também para organizações tradicionais que financiem essas redes.

Estes são os conceitos a serem dominados ao ponto da maestria: a estrutura das redes sociais (organizações em rede) e a guerra entre redes sociais (em nosso caso, guerra ideológica).

Somente assim será possível executar qualquer tipo de combate efetivo à esquerda.

O sucesso do Tea Party é a faísca de esperança para todas as redes sociais de direita ao redor do mundo.

Temos que aproveitar o momento.

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