Uma vitória de Richard Dawkins OU A crueldade do silêncio

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Depois do vídeo, vejam o post publicado na Canção Nova (e curiosamente omitido pela mídia anti-religiosa nacional):

O arcebispo André-Joseph Léonard, que chegou às manchetes dos últimos dias por suas declarações sobre a Aids, a pedofilia e a homossexualidade, recebeu neste sábado um “tortaço” na cara, enquanto rezava uma missa na catedral de Bruxelas.

A reportagem é publicada no síte Religión Digital, 06-11-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O incidente foi registrado em vídeo por uma pessoa que gravava a liturgia na catedral de São Miguel e Santa Gudula, e que posteriormente foi publicado pelo portal católico Gloria TV e pelo jornal flamengo De Standaard em sua página web.

Nas imagens, pode-se ver Dom Léonard no altar enquanto o coro canta. Uma pessoa se aproxima dele com a torta na mão e a joga em seu rosto.

O arcebispo de Bruxelas-Malines permaneceu em seu lugar enquanto seus assistentes lhe ajudavam a limpar o rosto e os óculos.

Léonard pareceu levar com bom humor o episódio, já que até provou os restos da torta e comentou que estava “muito boa”.

O movimento religioso Pro Sanctitata, para quem Léonard rezava a missa de hoje, não fez alusão ao incidente em sua página da Internet.

No entanto, o jornal flamengo Het Nieuwsblad reúne algumas declarações da porta-voz francófona do arcebispado, Claire Jonard, e do abade Patrick Vanderhoeven, mestre de cerimônias da catedral bruxelense, nas quais confirmam que o arcebispo prosseguiu a celebração, e que o arcebispado se recusou a apresentar uma denúncia contra a pessoa que investiu contra Léonard.

“Não temos nem idéia de quem se trata, nem de quais eram suas intenções “, comentaram.

Léonard foi duramente criticado na Bélgica por suas palavras sobre a homossexualidade, que neste ano ele comparou com a anorexia, o que levou diversos grupos gays a apresentar uma denúncia contra ele em um tribunal de Bruges (noroeste da Bélgica) por uma suposta violação da legislação contra a discriminação.

Por outro lado, ele assinalou que a Aids é “uma espécie de justiça imanente” e, sobre os casos de pedofilia na Igreja, defendeu que os padres que não estão atuando não devem ser julgados.

Ainda que eu não concorde com a opinião dele de que os padres que não estão atuando não devem ser julgados, nada justifica um ato de agressão como aquele visto no vídeo acima.

Se bem que mais uma vez tenho que constatar o óbvio, que eu já mencionei há muito tempo atrás.

É claro toda a campanha de rejeição à religião vai gerar, aos poucos, atos de violência.

Quando gente como Richard Dawkins publicou suas diatribes, eles sabiam exatamente aquilo que estavam criando, que é uma sensação de ódio profundo em camadas da sociedade contra a religião.

Ao falar do livro de Dawkins, pouco depois da publicação de “Deus, Um Delírio”, Olavo de Carvalho escreveu o seguinte, lembrando inclusive o caso de Diderot:

O caso de Diderot é particularmente ilustrativo. Em A Religiosa ele conta a história de uma pobre moça mantida num convento contra a vontade. A imagem abominável das freirinhas prisioneiras, posta em circulação por ele e por outros iluministas muito antes da publicação póstuma do livro em 1796, tornou-se um símbolo condensado de todos os crimes que o furor da propaganda anticristã atribuía à Igreja. Na voragem da Revolução de 1789, o símbolo transfigurou-se em crença literal. Muitos dos revolucionários que invadiam conventos, matando monges e freiras a granel, juravam piamente estar fazendo isso para libertar as virgens encarceradas que, segundo imaginavam, deviam superlotar os porões dos claustros. Quando oitenta abadias, monastérios e casas de religiosas de Paris já tinham sido invadidos e muito sangue derramado, a Assembléia Constituinte, perplexa, recebeu a notícia de que por toda parte as freiras e noviças tinham sido unânimes em proclamar a fidelidade ao seu estado, mesmo quando já iam subindo a escada da guilhotina. Tal era o espírito das “prisioneiras”.

Diderot, embora morresse cinco anos antes da Revolução, não pode no entanto ser facilmente desculpado pelos efeitos criminosos de um ódio que ele instigou conscientemente. Não o pode, sobretudo, porque ele sempre esteve informado de que não havia e não podia haver nenhuma prisioneira nos conventos, de que todas as freiras estavam ali por vontade própria, inclusive aquela em que ele se inspirou para escrever o romance, a irmã Delamarre, do convento de Longchamps. Foi tudo uma falsificação premeditada.

Durante muito tempo, o mundo inteiro acreditou na versão de Diderot, que afirmava ter em seu poder a documentação completa do caso Delamarre. De fato, o dossiê estava nas mãos dele, mas desapareceu logo depois de publicado o romance. Reencontrado em 1954 pelo pesquisador George May, sua leitura mostra que Diderot estava ciente dos seguintes fatos:

1) Em Paris havia quatro tribunais, eclesiásticos e civis, para julgar solicitações de dispensa da carreira monástica, e a regra geral era atender a todos os pedidos.

2) A seleção das monjas era rigorosíssima. O empenho da Igreja era livrar-se das falsas vocações, e não retê-las à força.

3) Exatamente ao contrário de uma prisioneira do convento, a irmã Delamarre era a porteira, tinha as chaves e podia entrar e sair quando quisesse.

4) O único processo aberto pela srta. Delamarre era uma pendência de espólio com uma parente. Para receber a herança, um título nobiliárquico, a freira tinha de deixar a ordem religiosa. Mas logo depois, tendo desistido de disputar o legado, ela voltou alegremente ao convento.

Diderot sabia de tudo isso, e a correspondência entre ele e seu amigo Jacob Grimm mostra que o romancista “estourava de rir” (sic), com a falsificação meticulosa que ia armando em torno da história. Divertia-se não só com a alegria feroz de caluniar, mas chegava ao requinte de uma crueldade mental muito mais direta. Ao marquês de Croismarre, cristão piedoso que entre lágrimas lhe escrevia preocupado com a sorte da moça, Diderot respondia com invencionices inquietantes, enfatizando os sofrimentos da infeliz no claustro e degustando até o fim o prazer de manter angustiado o pobre homem. Não espanta que Diderot fosse o escritor predileto de Karl Marx, outro sociopata sádico.

Outros documentos encontrados por Georges May, posteriores ao falecimento de Diderot, mostram que a irmã Delamarre morreu trinta anos depois do romancista, ainda como porteira do convento, após ter enfrentado bravamente, ao lado de suas irmãs, os comissários da Revolução. A única opressão que ela sofrera viera pelas mãos dos inimigos da Igreja.

Se eu fosse enumerar e analisar todas as mentiras inventadas pelos iluministas contra os cristãos e os judeus, um ano inteiro de edições do Diário do Comércio não bastaria para comportá-las. Mas o fato é que essas mentiras atravessaram os séculos, impregnaram-se profundamente na imaginação popular, ressurgindo sob novas e variadas formas e servindo para legitimar o massacre dos cristãos na Rússia e dos judeus na Alemanha. Intelectuais e artistas de grande prestígio não hesitam em colaborar com esse crime hediondo. Tudo sobre o caso Delamarre já era arquiconhecido dos historiadores quando, em 1970, o filme de Jean-Luc Godard, La Religieuse, renovou o efeito do símbolo odioso inventado por Diderot.

Quer dizer, difamação planejada para gerar ódio contra os cristãos, e principalmente a Igreja Católica, existe há muito tempo.

Atos de violência e genocídios já cometidos contra religiosos são apenas a colheita de frutos plantados anteriormente.

Quando eu sempre solicito que se reaja com energia aos ataques difamatórios por gente como Dawkins, é simplesmente para tirar de seus adeptos os frutos que eles planejam colher daqui a algumas décadas.

Voltando ao caso do vídeo, eu até vi alguns amigos na Internet reclamando da ação do meliante.

Até eu fiquei com vontade de dar uns bofetões no agressor.

O problema é que este não é o único culpado.

O bispo e a Igreja Católica têm sua parte de culpa.

Justamente por causa da ausência de reação à difamação sofrida. E quando deviam ter praticado respostas incisivas, à ALTURA (desmascarando os difamadores), resolveram ficar calados.

E quem aceita difamação tem sua parcela de culpa.

Quando alguém pratica alguma difamação contra você, a única resposta é chamar a pessoa de desonesta, safada e deixar claro ao público qual a fraude cometida. (Seja uma mentira, uma falácia proposital ou divulgação de dados falsos)

Quando se escolhe a opção do silêncio perante difamações, esse silêncio emite uma mensagem, que é “podem continuar com o que estão fazendo”.

Com isso, aqueles que optam pela postura do “cristão manso” vendem ao público a idéia de que o religioso não merece mesmo respeito.

O único problema será quando a violência começar a ser dirigida contra os religiosos que não se portam como cristãos mansos.

Em relação a isso, os líderes religiosos merecem uma advertência seríssima.

É hora de começarmos a enviar emails aos padres cobrando providências.

Eles precisam ser responsabilizados pela extrema crueldade, praticamente sádica, de se omitirem perante a difamações.

As consequências que eles estão criando para os demais religiosos são grandes demais para serem ignoradas.

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3 COMMENTS

  1. É fato notório que pessoas como Dawkins tendem a utilizar desses métodos sujos e baixos para conseguirem suas intensões, porque evidentemente, após séculos de tentativas de se extinguir a religiosidade – com alvo principal o cristianismo – sem efeito geral sobre a vontade das pessoas de continuarem crendo, só restou a guerra suja, desonrada, violenta, amoral e desumana.
    Eles não se aperceberam que não elvam a razão em seus bojos. Eles não lutam com a razão, mas sim com o ódio, e são cegos por ele. Tão cegos que não notaram que a razão venceu, e sempre vencerá, por a razão é Deus.

  2. Deveria ter algum meio de fazermos uma cobrança pública quanto à falta de reação dos representantes da religião.

    Enquanto não pudermos, o jeito é ir desarmando as pessoas no “boca-a-boca” da internet. Infelizmente, por enquanto é só assim.

    Mais um belo post, Luciano.

    Abraços,

    Snowball

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