Técnica: Sem o estado, voltaríamos à barbárie

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Em geral, com esta técnica o esquerdista tentará justificar a intromissão do estado na vida das pessoas e o inchamento da estrutura estatal.

Com isso, eles diriam que “sem o estado, voltaríamos a um estágio de barbárie, sem a existência sequer de propriedades, e viveríamos a lei do cada um por todos”.

A primeira coisa que poderíamos dizer: é verdade.

Realmente voltaríamos a um estágio de barbárie e seria até mais arriscado viver em um mundo sem estado do que em um mundo com um estado inchado. (Quer dizer, se for igual um estado inchado como nos tempos de Pol Pot, aí a escolha já seria difícil…)

O detalhe é que essa alternativa proposta pelo esquerdista não existe.

Ou seja, a opção entre estado inchado (dos esquerdistas) e eliminação do estado (dos direitistas) é uma falácia do falso dilema.

Isso por que a afirmação de que o direitista defende a eliminação do estado é um estratagema da ampliação indevida. (Técnica na qual o alegador inventa uma versão exagerada do argumento do oponente, refuta essa versão exagerada e finge que refutou o argumento original)

O fato é que os adeptos do pensamento de direita não defendem estado inexistente, mas sim um estado enxuto.

Para se ter noção do absurdo deste estratagema, imaginem a situação daquela pessoa que está indignada com o excesso de peso de um familiar, e reclama: “nossa, você deveria emagrecer!”.Aí, desonestamente, alguém retruca: “Nossa, por que você quer que ele desapareça?!”

Isso dá uma dimensão do truque esquerdista.

Assim como neste exemplo de ampliação indevida a modificação de “enxuto” para “inexistente” muda todo o sentido da observação inicial, o mesmo acontece quando alguém mente ao dizer que os conservadores querem o estado “desaparecido”, quando na verdade querem o estado “enxuto”.

Sempre que um esquerdista tentar esse tipo de truque com você em debates, a sugestão é chamá-lo de mentiroso na lata.

Mas como é um estratagema que ele tende a praticar de forma até inconsciente, ele continuará repetindo a mentira.

Daí é como sempre digo: nosso papel no debate não é convencer o lado adversário, principalmente quando ele é desonesto, mas sim dizer para a platéia do debate o quanto o outro está sendo desonesto. E rotulá-lo da maneira devida.

Obs.: Como vocês puderam perceber, começa aqui uma nova seção do blog, entitulada “Estratagemas Esquerdistas”. É uma seção “irmã” da seção “Estratagemas Neo Ateístas”. Quando eu tiver uns 5 ou 6 verbetes, criarei uma página para esta nova seção também, assim como já existe para a outra.

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5 COMMENTS

  1. De fato, quem defende a opção do “fim do estado” não são os conservadores, mas os… ANARQUISTAS!

    Poderíamos lembrar (parte d)a definição de Adolph Fischer, segundo o qual “Todo anarquista é um socialista”, portanto, um esquerdista.

    Mas, apesar de essa ser a crença de muita gente, devemos ser sinceros e reconhecer que há anarquismo tanto de esquerda” quanto “de direita”. Assim como anarco-comunismo, há anarco-capitalismo.

    Mesmo que haja anarquistas de direita, isso está longe de constituir algo representativo na direita e está longe do conservadorismo. A imensa maioria dos anarquisas realmente se considera de esquerda.

    Mas, em última instância, poderíamos dizer que todos os esquerdistas seriam, na verdade, anarquistas, se fossem honestos. Afinal, a ditadura do proletariado é apenas um passo “necessário” para a redenção final da humanidade, quando o estado deveria ser destruído, não é mesmo?

    Aumentar o estado, no pensamento original (e contraditório) da esquerda é um passo no objetivo de ACABAR com o estado (e instalar a barbarie).

  2. Luciano, talvez fosse interessante fazer um post explicando porque conservadores defendem um Estado enxuto. Isso se dá principalmente pela desconfiança ao homem; em primeiro lugar, um Estado grande é um Estado que detêm muito poder de coerção e aparelhamento – o que pode diminuir as liberdades individuais se os poucos que estão lá resolverem usar esse poder. Em segundo lugar, o Estado é ineficiente e acaba gerando os efeitos contrários quando quer produzir alguma coisa; já que seres humanos, em escala, não dedicam seus esforços em empreitadas “pelo bem” ou “pelo povo”, mas para atender seus interesses pessoais, o que desvia a funcionalidade desejada inicialmente.

    Isso resumido – e entre outras razões, é claro.

    Abs,

    Snowball

    http://quebrandooencantodoneoateismo.wordpress.com/

  3. Olá, Luciano! Assim como o amigo acima, gostaria de solicitar (não sei se já tem por aqui – neste caso poderia ser soh o link) uma explicação melhor do que seria este “Estado Enxuto”, ou quais seriam as instituições a serem preservadas neste Estado. Obrigado a abraços!

  4. Olá Luciano. Esse post estava salvo em um dos meus documentos do Desktop, e o li novamente. Gostaria de saber se a sua opinião sobre o anarquismo continua igual. Tive esse interesse porque o movimento libertário é crescente, e os argumentos anarcocapitalistas parecem estar na moda. Obrigado!

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