Bons, mas sem ateísmo no Coração OU Como revidar propaganda neo ateísta em 10 minutos

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Que o Bule Voador está ficando cada vez mais fundamentalista em seu ateísmo, quanto a isso não temos dúvidas. Segue o post deles aqui.

O divertido foi quando recentemente, para variar, eles deram apoio à campanha do Secular Humanism, que comemorava o fato dos milionários Warren Buffett e Bill Gates serem grandes doadores e não serem religiosos.

Mas que raio de comemoração é essa? Já que se não são religiosos, também não são ateístas.

E, para piorar, segundo Richard Dawkins, agnósticos “são covardes”. (Ele escreveu exatamente isso em seu livro “Deus, um Delírio”)

Mais ainda: nenhum dos dois tem histórico de envolvimento em ateísmo militante, portanto nem de longe podem ser catalogados como do grupo deles.

Por isso, nada mais justo que refutarmos o truque deles. Não gastei nem 10 minutos para realizar anúncios que revidam a propaganda deles. (Nem fiz o de refutação no caso Pat Robertson, pois parece que é iniciativa do Bule Voador, e não do Secular Humanism, mas também é facílimo de revidar. Bastaria por exemplo mostrar Robertson ao lado de Mao e Stalin, mostrando que os piores exemplos de religiosos jamais serão tão danosos quanto os piores exemplos de ateus)

O que importa mais é o seguinte: Não há mérito ateísta algum em qualquer centavo doado por Warren Buffett e Bill Gates.

Podem baixar o adesivo de revide e usarem à vontade.

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15 COMMENTS

  1. Nâo sei porque esse tipo de campanha.

    “Eu sou ateu, logo sou bom” não faz o menor sentido.
    Bondade envolve não só o conceito bem definido do que é bom – o que já é um problema para os neo-ateus, já que pra eles a moral é relativa, e portanto, sequer definem o que é bom ou ruim – quanto depende da “vontade” da pessoa.

    Nem os religiosos acreditam que alguém é bom só porque tem as mesmas crenças ou compartilha dos mesmos conceitos teísta, no cristianismo inclusive, sabemos que a bondade não é uma coisa inata, mas sim, uma prática. Jesus nunca disse:

    “credes em mim e serás bom por default”

    mas sim, ele MANDOU sermos bons.
    Portanto, no próprio cristianismo temos dois passos distintos, um é crer em Deus, o segundo é ser bom. Pra ser considerado bom no cristianismo, devemos praticar os ensinamentos de Cristo, por isso, existe uma bondade bem definida pelo cristianismo que deve ser alcançada pela prática dos ensinamentos de cristo, e pelo próprio cristianismo, não praticar esses ensinamentos, não é praticar a bondade.

    O que nos leva a outro ponto. Quando ateu fala em bondade, ele fala da bondade cristã, ou da bondade dele ?

    Se for a bondade cristã, então falar mal do cristianismo é atirar no próprio pé, pois está falando mal da própria moral que está seguindo.

    Se for a bondade do neo-ateu – não bondade ateísta, pois ateísmo não implica moral definida – o que é ser “bom” pra ele ? Sim, pois, afirmar que é bom, sem mostrar o que é bom, até eu faço e ninguém vai poder me contestar.

    Conclusão, como sempre, a moral é o espinho na carne dos neo-ateus, e sempre vai ser, pois, no momento que delcara que a moral é relativa, a moral é tão boa quanto qualquer outra, e qualquer crítica a ela é tão justificável quanto a moral dos gafanhotos.

  2. Excelente Luciano!

    Esses ateus capengas se esquecem de básico fundamento da caridade cristã:

    Mateus 6, 1-4

    Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu.

    Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.

    Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita.

  3. E desde quando pessoas com dinheiro são exemplo no cristianismo? Não foi justamente um jovem rico que não pode largar sua riqueza e seguir Jesus?
    A terceira imagem só pega quem não conhece de fato como funciona o cristianismo…
    Para contra-atacar, poderia fazer uma relação dos serviços feitos cristãos para as comunidades (prestação de serviço, cesta-basica, socorro médico) vs os dos neo-ateus (dizendo que o mundo é melhor sem a religião, mais descaradamente, sem o cristianismo. Eles nem se lembrar que existem outras pelo mundo e nem se importam com elas).

    • Os neo-ateus simpatizando com os “macumbeiros”? 😀
      Bom, isso não foi inesperado, já que uma das estratégias do *anti-cristianismo* é o apoio automático e irrefletido a qualquer coisa que simplesmente desagrade aos cristãos mais, digamos, ortodoxos — como a “caridade” espírita e a “filantropia” maçônica. Se tivessem um pingo de coerência, os neo-ateus atormentariam igualmente aos “macumbeiros”, aos espíritas, e aos maçons. Na prática, contudo, se constatam pouquíssimas críticas ao espiritismo, e ZERO críticas tanto aos “macumbeiros” quanto à maçonaria (os maçons também acreditam em uma divindade, pelo menos de acordo com as versões oficiais).

  4. Eder Ribeiro

    SIM, estão ”em dúvida”, podemos conluir que justamente por isso, eles não possuem qualquer influência de crença de um ser superior para serem bons. Fazem o bem independente de algo como deus existir ou não.

    Paródia: SIM, estão ”em dúvida”, podemos concluir que justamente por isso, eles não possuem qualquer influência de crença em ateísmo para serem bons. Fazem o bem independente de algo como o ateísmo ser válido ou não.

    Assim, não servem como propaganda para ateísmo militante. 🙂

  5. Pegando idéias tanto d’O Aforista e do Razzo (posts muito bons de vocês dois, como de praxe!), todo esse papo de “bondade de neo-ateus e seculares em geral” me lembra duas coisas: uma é quando Cristo é interpelado pelo famoso jovem rico que lhe chama de “bom mestre” e lhe pergunta que boas obras deve realizar para adquirir a vida eterna, Jesus lhe responde:

    Por que me chama de bom? Só Deus é Bom(Mateus 19:17; Marcos 10:17-18)

    Logo em seguida ele diz tudo que o jovem rico deve fazer, inclusive entregar suas riquezas. Mas o ponto em questão que eu quero abordar baseado nos posts do Razzo e Aforista não é esse, mas sim como a tradição cristã (e outras tradições religiosas tradicionais) e sistemas filosóficos de ética entendem que o ser humano por pura constituição natural NÃO É bom, MAS tem a capacidade de REALIZAR OU NÃO O BEM POR SUAS ESCOLHAS CONTÍNUAS EM N circunstâncias. Aristóteles foi um dos pioneiros a abordar isso em seu “Ética a Nicômaco”, por exemplo.

    Um dos falatórios de neo-ateus e similares é pelo suposto fato de muitos deles realizarem obras benéficas à vista do público, digamos, assim e como “curiosamente” cristãos e outros religiosos não levarem vidas tão supostamente cheias de moralidade em sua privacidade quando é revelada. Na mentalidade neo-atéia e anti-religiosa no geral, o religioso ERA PARA SER de certa forma “PROGRAMADO” PARA NUNCA COMETER PECADOS E CRIMES. Logo, como não é assim a “religião como guia moral só pode ser defeituosa”. Logo, a moralidade construída de forma secular por cada é mais eficiente.

    Acontece que esse tipo de visão de UM MONTE de problemas (problemas esses que, obviamente, NUNCA serão admitidos por neo-ateus em similares NO GERAL). O tipo de moralidade secular só tem como finalidade mesmo o de manter a ordem social ou, numa visão darwinista da coisa, garantir a sobrevivência da espécie. A auto-destruição que cada um pode realizar dentro de si, os crimes secretos quase imperceptíveis a curto prazo como o “jeitinho brasileiro” e as torpezas que cada um carrega individualmente em seus interiores não interessam, desde que elas não se manifestem exteriormente de uma forma que crie convulsões sociais. É aí nesse âmago que a moralidade religiosa no geral (em especial aqui no caso a moralidade cristã) tem sua consistência, porque elaé justamente um “comprometimento secreto” dentro dos corações dos fiéis para combaterem POR TODA A VIDA essas propensões a essas falhas secretas que destroem eles mesmos e os outros em volta de formas mais sutís, porém mais danosas em acumulação (talvez isso poderia ser MAIS UMA definição de pecado. Caso eu esteja errado, POR FAVOR ME CORRIJAM!)

    E é aqui que se há mais uma diferença entre a moralidades religiosas no geral e a moralidade de funcionamento social secular: nas primeiras, você tem a LIBERDADE de não aceitá-las (mas é claro, você provavelmentepagará um preço depois…), enquanto que na outra forma é-lhe IMPOSTO uma regra arbitrária que PODE falhar contra você e ainda por cima, por não ter um “ponto original” além da finitude humana, pode ser mudada de uma hora para outra ou mesmo ser IMUTÁVEL EM QUALQUER OCASIÃO (inclusive CONTRA VOCÊ). Comparem a caridade cristã com, por exemplo, o altruísmo comteano, a ética “a priori” kantiana, o egoísmo nietzscheano, a anti-moralidade burguesa marxista, o relativismo e por fim o autoritarismo surgente neo-ambientalista e/ou estatal dos dias de hoje e será mais compreensível o que eu quero dizer aqui…

    No mais, toda essa vangloriação pública de “moralidade neo-ateísta” (uma moralidade que tem como finalidade última ESTERILIZAR a natureza humana até ficar igual ao de bonobós amestrados…) é pura hipocrisia espalhafatosa em forma de propaganda – o que por si só não é uma mostra de verdadeira moralidade, mas de pura presunção, soberba e arrogância do tipo “eu sou mais ‘moral’ do que você”…

    É, para resumir, como Jesus ensina na Parábolado fariseu e do publicano (Lucas 18:9-14):

    Subiram dois homens ao Templo a fazer oração: um fariseu, e outro publicano. O fariseu posto em pé, orava lá no seu interior desta forma: Graças te dou, meu Deus, porque não sou como o mais dos homens: que são ladrões, uns injustos, uns adúlteros: como é também este publicano. Jejuo duas vezes na semana: pago o dízimo de tudo o que tenho. O publicano, pelo contrário, posto lá de longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao éu: mas batia nos peitos, dizendo: Meu Deus, sê propício a mim pecador. Digo-vos que este voltou justificado para sua casa, e não o outro: porque todo o que se exalta será humilhado: e todo o que se humilha, será exaltado

  6. Mesmo que Buffet e Gates fossem militantes, e até mais radicais que Dawkins, uma questão:

    Colegas meus que são ateus costumam alegar que Deus, para o cristão, serve-lhe de superego, uma vez que ele, o religioso, subordina suas ações ou a contenção dessas ao escrutínio e juízo de sua divindade.

    Respondo-lhes que se o ateu não reconhece um motivo absoluto para a moral e muito menos para a filantropia qual seria sua motivação para atos de altruísmo e renúncia? Acrescento que não lhes quero fazer leitura mental, apenas peço-lhes que façam um exame estritamente íntimo de consciência: caso eles façam o, digamos, “bem” e se sacrifiquem por desconhecidos não o estariam fazendo para demonstrar a si mesmos e, principalmente, aos religiosos que podem praticar tais atos sem a “muleta” da religião? Nesse caso, não estariam transformando o Deus no qual não acreditam em um superego indireto?

    Não me surpreenderia se Dawkins, Hitchens, Dennet e Harris legassem até suas cuecas para a caridade – isso se algum deles não o fizer ainda em vida.

    • Dizer “nao me surpreenderia” não serve como prova. Ou faz ou não faz. Sonhar com ações dos outros no futuro é fácil. Dawkins legou suas cuecas para a caridade? A resposta ou é sim ou não. E não uma “imaginação’ de que farão no futuro.

      Foi mal aí Marco Antonio….

      • Oi, Luciano. Mudando um pouco de assunto, você tem notícia do site http://teismo.net do snowball? Há umas duas semanas que, ao acessá-lo, tenho apenas a mensagem “SITE INDISPONIVEL. POR FAVOR ENTRE EM CONTATO COM O ADMINISTRADOR.”

        A propósito, onde posso achar os outros três artigos da série “A Retórica do Ódio”?

        Um abraço.

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