Os dois tipos de esquerdistas: beneficiários e funcionais

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Para entender o que é a esquerda em si, temos que entender como ela se comporta, independentemente de sua faceta, seja marxista, progressista, humanista ou social democrática, ou até mesmo uma mistura de todos. Não importa a mistura e a configuração, o framework de esquerda será o mesmo.

Mas a estrutura da esquerda deve ser avaliada em relação aos atores envolvidos. Em relação a atores, falamos de todos que possuem um papel na implementação de esquerda. Isso envolve tanto um militante de rua, quanto um líder político, um comentarista de jornal, um músico, ou até mesmo alguém que não possui uma função como formador de opinião, e é apenas um crente nessas idéias. Esses crentes são, obviamente, a maioria, pela mesma noção biológica de que sabemos que em uma tribo temos um macho alfa, alguns machos beta e o restante que serve para segui-los.

Na esquerda, podemos definir os dominantes como os beneficiários, e o restante como funcionais.

Os primeiros são aqueles que obtem benefício direto por causa da implementação da idéia esquerdista. Eles podem vender livros, conquistar altos cargos políticos, serem empresários que se aliam a governos de esquerda. Enfim, com a implementação de esquerda, eles estão ganhando vantagem. Já os funcionais precisam acreditar DE FATO na ideologia de esquerda, como se fosse verdade, terão que lutar muito pelos beneficiários, mas não necessariamente ganharão poder por causa disso.

Claro que a regra não é estrita, e é possível que alguém seja funcional e beneficiário ao mesmo tempo. É até possível que muitos funcionais tenham se tornado beneficiários com o tempo. Ou mesmo que permaneçam funcionais mas sejam apenas um pouquinho beneficiários.

Um exemplo de mistura de funcional e beneficiário é um sujeito que vive envolvido com manifestações a favor dos líderes políticos de esquerda. Certo dia, um desses políticos, em um estado inchado, resolve agradecê-lo pelo apoio, e permite que ele faça consultorias semanais para o governo, ganhando valores altíssimos por hora prestada. A partir desse ponto, o sujeito continua agindo em prol do poder do outro, mas também está obtendo uma vantagem financeira por causa deste apoio. Este é um caso de funcional e beneficiário ao mesmo tempo. Podemos dizer que muitos líderes de ONGs pertencem a este perfil.

Se pensarmos em exemplos de beneficiários, temos Adolf Hitler, Fidel Castro, Pol Pot, Mao Tse Tsung, Josef Stalin. Em relação a este último, por exemplo, há quem ache até hoje que a Revolução Russa partiu do povo. Ledo engano, ela foi financiada pela Alemanha, que não queria a Rússia como rival, e por isso vários funcionais precisavam agir como se fosse uma revolução legítima.

Aliás, hoje em dia, vários países estão contaminados pela ideologia da esquerda. Na Europa, atualmente, pessoas pagam quase metade do que ganham somente para sustentar estados inchadíssimos. E até nos Estados Unidos e no Canadá, os impostos vão às alturas. Quase toda a América do Sul está dominada por líderes políticos da esquerda mais radical, de tonalidade marxista, inclusive com iniciativas de sucesso para a tomada de poder de forma totalitária. E, mesmo com todo esse cenário, será que o poder econômico das grandes corporações está caindo? Pelo contrário, está aumentando.

O fato é que muitos empresários de grande porte podem ser aliar a governos de esquerda, como exemplo George Soros. E qual o benefício? Simples: com altíssimos impostos, para sustentarem estados inchados, muitos empresários de menor porte não conseguem sobreviver. Pequenas indústrias são aos poucos esmagadas por uma altíssima carga de impostos. Com menos indústrias de pequeno porte no caminho, indústrias já estabelecidas e de grande poder conseguem sobreviver pagando altos impostos. Ora, se a regra de altos impostos vale para todos, logo aqueles que estão mais estabelecidos ficam em situação de menor instabilidade. Instabilidade essa que seria causada pela presença mais ativa das menores indústrias.

Ou seja, sem saberem que estão ajudando os grandes industriais, muitos funcionais parecem acreditar que estão lutando contra eles. Ao dizer que estão promovendo a “justiça social”, estão na verdade ajudando a aumentar a injustiça. Neste caso, os grandes industriais que se aliam à esquerda são os beneficiários.

Outro tipo de beneficiários são os intelectuais orgânicos que vendem livros, dão palestras e fazem carreira acadêmica, mas chegaram em um estágio no qual o esquerdismo para eles é somente a execução de uma série de trucagens. Já não há mais ideologia, mas sim o domínio de uma série de truques de forma a manter status e um bom ganho financeiro. É possível notar que é um perfil especialmente estrategista, e extremamente dissimulado, mas avaliar o material deles pode ser um excelente exercício de ceticismo, pois a quantidade de fraudes intelectuais, distorção de dados, estratagemas erísticos e falácias realmente supera todos os limites. Neste grupo de beneficiários podemos incluir Steven Pinker, Richard Dawkins, Sam Harris, Karl Marx, Michel Foucault, Peter Singer, Bertrand Russell, Carl Sagan, Michael Moore ou qualquer outro autor/intelectual que está levando benefício por usar o framework de esquerda a seu favor. Também podemos incluir pessoas da mídia, como Al Franken, Noam Chomsky e outros. Dentro da indústria cultural, temos o caso de Oliver Stone, que lançou o documentário South of the Border, sobre o ditador venezuelano Hugo Chavez. Segundo Stone, Chavez é “supersimpático, caloroso, hospitaleiro”, além de “ótimo para bater papo”. Stone afirma que Chavez é um “ser humano adorável”. Na mesma entrevista à Epoca, Stone conclui:

Não sou partidário, político, nem me considero um agente provocador. Sou um artista. Quero esclarecer os problemas do mundo. Posso fazer isso tanto com um documentário como com filmes de ficção. Em Platoon, mostrei o sofrimento dos soldados americanos no Vietnã, para desespero dos conservadores, que queriam me ver pelas costas. Em Ao sul da fronteira, tento retratar a alegria das novas lideranças, capazes de mudar o mundo. Sei que serei hostilizado por alguns setores de meu país e mesmo aí na América Latina.

Aqui Stone usa um truque chamado “política invisível”, em que ele faz política mas tenta parecer ao público que não o faz. Note quando ele afirma que não é partidário nem político, mas ao mesmo tempo diz que seu discurso indigna os conservadores e aponta ditadores de esquerda como “salvadores do mundo”. Enfim, Stone é também um beneficiário.

A grande diferença entre os beneficiários e funcionais, no que diz respeito às atitudes, é que os beneficiários estão colhendo o fruto do esquerdismo, e os funcionais estão trabalhando para eles. Quem executa uma função necessariamente não tem a visão do todo. Geralmente o funcional não sabe para que ele serve, a quem ele serve e para que serve toda sua energia dispendida. Já o beneficiário sabe exatamente. É praticamente como se o beneficiário dissesse: “vá trabalhar para mim”. E o funcional vai, com um sorriso no rosto, muito ódio no coração (ódio contra os conservadores), e carregando sua bandeirinha, lutará com todas as forças.

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3 COMMENTS

  1. “O fato é que muitos empresários de grande porte podem ser aliar a governos de esquerda.”

    Luciano, neste caso entre aspas, seria possível ter o capitalismo a favor da esquerda?

    • Segundo Olavo de Carvalho, o comunismo nada mais é que a fusão entre os poderes estatal e econômico.
      E segundo o Olavo também, os comunistas chegaram a conclusão que estatisar tudo, simplemente não funciona, o que é mais vantajoso para eles e manter os grandes empresários capitalistas, só que “de joelhos” ao estado, tendo como uma das funções disso, fazer o empresariado servir de bode expiatório, para dizer que uma eventual crise é culpa do empresariado, e um eventual sucesso, é mérito total do governo, exatamente como acontecia noregime de Mussolini (regime fascista). A economia chinesa na verdade, é uma economia fascista, e o estado, comunista.

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