Jogo esquerdista: Julgamento pelo futuro

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Última atualização: 11 de julho de 2013 – [Índice de Jogos] [Página Principal]

Um dos jogos mais poderosos dos esquerdistas, este se baseia em, após a projeção na mente da platéia de que o futuro hipotético irá ocorrer, fazer o julgamento de todo o presente de acordo com esse futuro.

E por que isso é tão poderoso? Simples. É por que não passa de um processo hipnótico.

Vamos entender um pouco da hipnose erickssoniana, para compreender como esse processo funciona, pois o julgamento pelo futuro é utilizado até na religião assim como também em um processo de emagrecimento.

Vejamos como seria no caso do cristianismo. Existe a crença de uma vida após a morte em um paraíso, onde não existirão mais dores. Nem sofrimento. A partir do momento em que alguém visualiza este futuro, o presente pode ser julgado como uma ABOMINAÇÃO justamente por ser bastante diferente deste futuro projetado.

Agora, vejamos em um processo de emagrecimento. Imagine alguém que pesa 100 quilos, e queira perder 35. O hipnotizador poderá dizer para que esta pessoa relaxe, visualize a si próprio com um colesterol 5 vezes menor, com maior desempenho sexual e conquistando garotas que antes não conseguiria. Estando a imagem desse futuro projetada, a pessoa pode ser orientada a visualizar o presente como uma ABOMINAÇÃO, justamente por ser diferente deste futuro muito melhor.

A regra é clara: os parâmetros para julgamento do que é certo ou errado, bom ou ruim, desejável ou indesejável não são fundados no presente e nem no passado, mas no futuro idealizado.

É claro que a questão da religião cristã e do caso do emagrecimento são apenas dois exemplos da aplicação da estratégia, que tem função essencialmente hipnótica, e não estou fazendo juízo de valor quanto a ela ser errada ou não.

No caso da religião cristã, alguém poderá deixar de pecar por causa disso. No caso do emagrecimento, alguém poderá conseguir perder peso mais rápido.

A diferença, nesses dois casos, em relação à aplicação desta estratégia pela esquerda é que no caso do cristianismo o futuro idealizado ocorreria somente após a morte. E no caso do gordinho que quer perder 35 quilos, o hipnotizador poderá mostrar vários casos de pessoas que perderam a mesma quantidade de peso e melhoraram a qualidade de vida. Assim, esse futuro não é uma utopia, mas sim algo viável.

Sendo assim, esses dois exemplos mostram como se julga algo pelo futuro (no primeiro caso, um futuro em outra vida, e no outro um futuro que já é presente para várias pessoas) assim como impactos psicológicos poderosos podem ser obtidos.

Mas no caso da esquerda, o buraco é mais embaixo. Muito mais embaixo.

Isso por que o futuro idealizado não tem expectativas viáveis de que irá ocorrer. Não há indícios científicos de que possa ocorrer. Mas mesmo assim será projetado.

Um caso pode ser o daquela feminista radical que afirme o seguinte: “Chegará um futuro no qual não existirá diferenças entre cargos conquistados na liderança das empresas entre homens e mulheres. Se existirem 50 CEOs homens, existirão no mínimo 50 CEOs mulheres com o mesmo poder.”

Se alguma mulher cair nesse discurso feminista, o olhinho irá brilhar. Talvez até lágrimas escorrerão por sua face.

Mas e os fatos? A totalidade dos homens quer buscar conquistas cada vez maiores no mercado de trabalho. Algumas mulheres querem isso. Outras querem arrumar um marido, o qual irá buscar as tais conquistas profissionais.  Logo, hoje a conquista de posições no mercado de trabalho por mulheres é uma OPÇÃO, assim temos algumas que querem priorizar a carreira e outras a criação de filhos. E isso é plenamente normal. Além disso, temos o fato de que o homem possui mais testosterona que a mulher, e isso o leva a lutar mais pelo poder. Sabemos que a taxa de testosterona influencia não só a luta por poder como também a agressividade. (Aliás, notem a quantidade de crimes violentos praticados por homens em relação aos praticados por mulheres)

E tem mais. Temos uma contingência de motivação (nem todas as mulheres querem o poder, algumas querem a família) e de natureza biológica (o homem tem maior quantidade de testosterona).

Ou seja, se julgamos pelo passado (histórico, científico), não há nada de errado no fato de que a maioria dos CEOs é composta de homens. Mas, como já vimos no passado que algumas mulheres também já se deram bem no poder, sabemos que seria uma burrice impedi-las de tentarem cargos e posições. Note que essa conclusão defendida por mim é baseada em um julgamento pelo passado e pelo presente. É oposta à estratégia da esquerda, no caso ficar chamando de uma ABOMINAÇÃO o fato de que o número de CEOs homens seja maior do que o de mulheres.

Outro exemplo que eu poderia citar é a questão dos gays.

Afirmar que um gay está em posição de IGUALDADE em relação a um heterossexual é no mínimo uma alucinação. Um gay não passa seu genes para a frente. E, em termos evolutivos, podemos dizer que a vida tem dois sentidos: (1) sobrevivência, (2) replicação. Aqueles reprodutores de sucesso irão criar seus filhos em famílias tradicionais, para que de novo eles executem os dois processos (sobrevivência e replicação) e assim por várias linhagens os genes prosseguirão. Os casais gays são, portanto, nesse julgamento pelo passado e pelo presente (novamente nas perspectivas históricas e científicas), exceções à regra. Devem ser respeitados como seres humanos? Claro que sim. Devem ser maltratados? De jeito algum. A lei que protege um heterossexual de sofrer violência é a lei que deveria proteger um homossexual. Mas não adianta pensarem que eles serão A REGRA de comportamento no mesmo nível que é o comportamento heterossexual. Não há um indício biológico que nos leve a isso.

Agora, imagine como faria um esquerdista nessa questão. Agiria de maneira oposta. Ele diria ao gay algo do tipo: “Chegará um dia no qual o gay será considerado igual a um heterossexual. Não haverá motivos para você não se enturmar com heterossexuais. Você e seus amiguinhos héteros sairão para as ‘caçadas’ noturnas, e enquanto você irá atrás de homens, eles irão atrás de mulheres. E acharão tudo normal”. Pronto! Está projetado o futuro. A partir desse momento, basta considerar qualquer fuga disso como uma ABOMINAÇÃO. Ou seja, se um pai ficar chateado por um filho virar homossexual, esse pai deverá ser apedrejado moralmente, pois no futuro projetado um gay é exatamente igual um heterossexual.

Se você pegou bem o jeitão da estratégia, notou que é um recurso praticamente ilimitado. Isso por que o futuro a ser projetado é ILIMITADO. Basta usarem recursos adequados de hipnose, que alguns poderão acreditar em absolutamente tudo, e, a partir disso, achar condenável a vida corrente. Mesmo em aspectos que são absolutamente normais e para os quais não há válvulas de escape cientificamente viáveis. Não que esse futuro seja viável ou mesmo possível, mas simplesmente o suficiente para fazer com que alguém fique indignado com a “situação atual”.

Caso o esquerdista também seja convincente ao mostrar para o seu adepto ou para a platéia que ele é o encarregado de tirar as coisas da “horrenda situação atual”, e levá-lo ao futuro prometido, ele estará embutindo uma outra estratégia junto, a da Obtenção de Autoridade Moral.

Note que o futuro prometido pode ser adiável ad aeternum, o que importa é ter um “gancho” psicológico para ir criticando o “horripilante estado atual das coisas”, e continuar prometendo coisas.

O sucesso da estratégia é medido pelo grau de indignação da plateia em relação ao “estado atual das coisas” em comparação com o futuro projetado pelo esquerdista.

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15 COMMENTS

  1. “A diferença, nesses dois casos, em relação à aplicação desta estratégia pela esquerda é que no caso do cristianismo o futuro idealizado ocorreria somente após a morte. E no caso do gordinho que quer perder 35 quilos, o hipnotizador poderá mostrar vários casos de pessoas que perderam a mesma quantidade de peso e melhoraram a qualidade de vida. Assim, esse futuro não é uma utopia, mas sim algo viável.”

    Esse comentário me pareceu um pouco infeliz, Luciano, porque a impressão – veja bem, impressão – que deu é que a bida após a morte é inviável(pelo uso do “mas”). Lógico que essa pode ser sua visão, mas me parece um pouco estranho que um agnóstico considere a vida após a morte uma mera utopia ou algo inviável, acho que você se expressou mal(ou eu te interpretei mal).

    Concordo que o gordinho que vai perder 35 quilos vai ter mais evidências materiais da possibilidade de emagrecer que o Cristão que crê na vida após a morte – acho isso um tanto evidente -, mas daí para classificar a vida após a morte como “inviável” ou “utopia” me pareceu um passo grande demais.

    No mais, o texto é bem claro e de fácil entendimento. Além disso, da mesma forma como a maioria dos outros, também é algo utilizado pelo neo-ateísmo, com o famoso: “Se as religiões acabarem, o mundo será melhor”. Logo, qualquer religião ou religioso é um problema para a melhoria do mundo, e os ateístas a salvação da humanidade que criarão um paraíso na terra(exatamente o framework esquerdista que você apontou nos outros posts, o que não é de surpreender).

    • Creio que eu me expressei mal. E farei uma correção. Na verdade, como a vida após a morte não depende de matéria, não se pode dizer qualquer coisa sobre ela em relação à inviabilidade. Eu devia ter adicionado isso no texto. Ou seja, se há um paraíso, este SÓ PODERÁ OCORRER fora do mundo material, pois no mundo material, por tudo que vemos, não tem jeito…

      • Por aí =)
        Inclusive, isso também é uma mania neo-ateísta(querer provas materiais da vida após a morte ou de Deus… PORQUE?!). Também não consigo conceber um paraíso no mundo material.

      • A idéia da criação de um ‘paraíso’ no mundo material – um estado de coisas perfeito – é a base para movimentos políticos da modernidade, como o comunismo.

    • Acho que há uma diferença fundamental que ainda não foi abordada. O que diferencia o cristianismo (e o teísmo, para ser mais exato) das utopias coletivistas é a oposição entre, respectivamente, transcendência e imanência.

      A “utopia” cristã, e também a das demais religiões, ocorre em momento situado fora do tempo. Há o tempo, no qual os acontecimentos se desenrolam; ele chega ao seu fim, e há o Dia do Julgamento. Quando se dá esse Julgamento? Depois do Fim dos Dias; transcende-se o fluxo temporal, como o conhecemos, e a existência material, como a percebemos. Com isso, nenhum homem pode obter qualquer tipo de autoridade moral: só Deus sabe quando chegará e como ocorrerá o Dia do Julgamento. Ninguém pode garantí-lo ou apressá-lo: depende de Deus a decisão e a formatação. A história, portanto, não tem um sentido nem um fim pré-definido que possa ser descoberto, revelado e apressado pelos homens. Esse fim, se há, não está neste mundo (o da matéria) nem neste tempo.

      Já as utopias coletivistas ocorrem dentro do tempo. Em dado momento da história, pelas mãos do próprio homem, serão suplantadas todas as contingências humanas e eliminadas todas as dores e sofrimentos. A história, portanto, tem um sentido e um fim, ambos neste mundo, que é material e que está dentro do fluxo temporal. Dependendo da vertente, é um determinado grupo de homens que descobre qual o sentido da história, qual é o futuro perfeito: podem ser os proletários, os intelectuais orgânicos, os cientistas, a tecnocracia… A partir disto, cabe aos portadores da verdade revelada acelerar a marcha dos acontecimentos, direcionando a humanidade para a futuro perfeito, à luz do qual todos os atos presentes serão julgados. Este é o único critério: o que eu fiz contribuiu para que se chegasse, e mais rápido, à utopia? Se sim, então foi válido.

      É assim que os movimentos imbuídos da mente revolucionária obtêm autoridade moral: são eles os condutores dos demais homens pelos atalhos que levam ao futuro perfeito, ao “outro mundo possível”. Já um sacerdote ou um profeta sempre pode ser contestado, o que ocorreu inúmeras vezes na história – basta ver quantas vertentes do cristianismo existem e já existiram. Além disso, os erros cometidos pelos religiosos e pelas instituições religiosas são julgados com os critérios que existem hoje, já que não são eles os condutores da humanidade ao Paraíso – este é obra exclusivamente divina. Os sacerdotes, no máximo, preparam os homens para esse tempo depois do tempo, mas ninguém sabe quando acontecerá nem como. Só se sabe que NÃO SERÁ obra do homem, mas obra de Deus.

      Transcendência X imanência, essa é a chave.

  2. “Note que o futuro prometido pode ser adiável ad aeternum, o que importa é ter um “gancho” psicológico para ir criticando o “horripilante estado atual das coisas”, e continuar prometendo coisas.”

    Eu diria mais: acredito que o *ideal* para um esquerdista é que esse futuro *seja* adiável ad aeternum, pois assim ele consegue dois benefícios:

    1) ele continua com a “autoridade” ad aeternum também.

    2) sua visão de futuro nunca será desmascarada, tipo “você estava errado, pois nós conseguimos destruir a religião, mas o mundo não ficou melhor por causa disso”.

  3. Boa noite Luciano.

    Este tipo de estratagema é bastante comentado por Olavo de Carvalho. A inversão da percepção do tempo.

    Cabe lembrar que os neo-ateus também utilizam-se da mesma coisa.
    Eles idealizam um futuro hipotético em que a religião não mais existe e sugere que sem a religião a humanidade iria se unir, ou seja, acabaria-se com as divisões entre as pessoas.

    Baseado nisto tudo é válido contra a religião, pois este futuro hipotético e ridículo é a base de seu julgamento.

  4. Já havia observado isso, mas em um contexto de sistemas (capitalismo,socialismo e afins). Dizer que o capitalismo não tá dando certo, ok, temos que rever então o que pode ser feito. Mas comparar uma prática com algo que só existiu da maneira dita nos pensamentos é um tanto desleal.
    Isso pq quando se mostra alguma prática onde se tentou ou se conseguiu comunismo ou socialismo vemos ou algo que não queremos p/ nós ou só dando realmente certo em contextos muito menores que uma nação inteira (por exemplo, socialismo em pequenas comunidades). Mas no caso do “não queremos p/ nós” a desculpa é sempre “mas eles fizeram errado” (quase falácia do escocês “mas comunistas de verdade blá blá blá).
    Se compararmos o capitalismo da maneira que é na prática com um sonho socialista, é claro que a prática perde. Um sonho é perfeito, formado somente por pessoas que sonhem da mesma forma, funcionando todos em uníssono como peças de uma grande máquina, só falta todos se ligarem a uma “árvore da vida” como no filme Avatar, e quando passamos p/ a realidade que nos deparamos com a pluralidade de pensamentos, objetivos e ideologias, o que faz com que esse sonho não seja tão perfeito assim na prática.

  5. Acabei de conhecer seu blog e o achei interessante. Estou entrando nesses assuntos polêmicos só agora, então não tenho uma posição definida.

    Achei sua crítica a essa estratégia muito interessante e concordo contigo. No entanto, fiquei com uma dúvida: devemos eliminar os “futuros idealizados” e analisar só pelo passado e presente? Quero dizer, imagina um cara que tem diabetes e tem, sei lá, 130 kg. O que é melhor pra ele: olhar só pro passado/presente e conformar-se com seu corpo, ou ter uma “esperança fictícia” (afinal, o futuro não existe) e lutar para que essa vontade aconteça?

    É claro que devemos olhar só pro que é real e que aconteceu, mas também acho que devemos ter suposições positivas no futuro e lutar para que elas aconteçam. Independentemente se essas suposições são esquerdistas ou direitistas.

    • Eu acho que devemos focar no futuro, sempre. Mas o foco dessa estratégia é que, A PARTIR DO FUTURO IDEALIZADO, tudo é julgado POR ESSE FUTURO. Aí é que a porca torce o rabo, pois nem sequer esse futuro idealizado é provado que existe.

      Exemplo: Dizer que no futuro a auto-gestão resolve tudo. Dizer que todos gerentes atuais devem ser queimados e perder bonus por não estarem de acordo com a auto-gestão. Destruir para capitalizar. Sacou o problema?

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