O Efeito Backfire e como isso afeta o cotidiano dos conservadores céticos

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O site Gizmodo Brasil trouxe, tempos atrás, um bom conteúdo sobre o Efeito Backfire. Veja abaixo:

Não importa quem você seja, você provavelmente já passou algum tempo discutindo na internet, e com alguém que você não acreditava ser tão incapaz de aceitar a verdade. Isto pode acontecer porque eles – e você mesmo – são suscetíveis a algo chamado “efeito backfire”.

“Backfire” é um tiro que sai pela culatra, algo que tem o oposto do efeito esperado. De acordo com o autor David McRaney, que postou sobre o assunto, nós temos uma tendência de acreditar nas coisas ainda mais quando nossas crenças são questionadas. A ideia básica vem de como lidamos com informação negativa versus informação positiva:

Mil comentários positivos podem passar despercebidos, mas uma crítica pode ficar na sua cabeça por dias. Uma hipótese sobre o motivo disto, e do efeito backfire, acontecerem é que você passa muito mais tempo considerando informações com as quais você discorda do que com informações que você aceita. Informações que se alinham com o que você já acredita passam pela mente como um éter, mas quando você cruza com algo que questiona suas crenças, algo que conflita com suas noções preconcebidas de como o mundo funciona, você forma seu julgamento sobre isto e o trata com mais atenção.

Alguns psicólogos especulam que existe uma explicação evolucionária para isto. Seus ancestrais prestavam mais atenção e passavam mais tempo refletindo sobre estímulos negativos, em vez de estímulos positivos, porque coisas ruins precisavam de uma resposta. Quem não conseguia responder a estímulos negativos não conseguia sobreviver.

McRaney cita vários estudos que mostram como as pessoas se dispõem a completamente ignorar provas científicas de que elas estão erradas. Visite o link para o post completo: é uma informação que vale manter em mente quando você resolver discutir na internet. E lembre-se: o efeito backfire vale para as outras pessoas e principalmente para você.

Meus comentários

Como defendo aqui, a base do conservadorismo cético (ou ceticismo político) implica no questionamento às religiões políticas (qualquer variante da esquerda).

É claro que estaremos confrontando crenças arraigadas de vários tipos de esquerdistas, sejam eles leitores de Dawkins, eleitores do Lula, ou fanáticos por Obama.

Geralmente eles praticam culto à personalidade em relação aos seus líderes. Absolutamente nada do que esses líderes fizeram será questionado pelo crente político. Qualquer informação em contrário, vinda de um conservador, será negada a priori.

E exatamente por isso quando questionamos neo ateus, humanistas, marxistas e patuléia do tipo, sempre digo para não esperarmos “convertê-los” ou fazer com que mudem suas crenças. A tendência é que eles ficarão cada vez mais crentes.

Como sempre, procuro avaliar a questão pelo prisma da Dinâmica Social. Se estivéssemos no tempo das cavernas, os esquerdistas seriam de uma tribo, e os direitistas de OUTRA tribo. Quem pertence a uma das tribos, se sente confortável com os feedbacks recebidos a partir de DENTRO, não de fora.

Poderíamos resumir essa questão da seguinte forma: “Se um indivíduo está inserido em um GRUPO, e já está em alinhamento com esse GRUPO, no sentido gregário, as informações a receberem crédito são as que virão deste grupo. Já as informações que virão de OUTRO grupo gregário, serão consideradas erradas, a priori”.

Ou seja, comunista vai acreditar em comunista, neo ateísta vai acreditar em neo ateísta.

Um exemplo pode ser o vídeo que publiquei aqui, entitulado “O Pior País do Mundo”, sobre a Coréia do Norte e a ditadura pela qual eles passam há mais de 60 anos.

Embora o vídeo mostre os fatos, estes só serão assimilados pelos que NÃO FOREM esquerdistas. Já estes irão tentar de alguma forma atacar os fatos apresentados.

Eu sei que a análise do Efeito Backfire pode parecer desalentadora, mas é assim que os seres humanos agem, como máquinas biológicas buscando sobrevivência, e nem que para isso informações vindas de grupos inimigos tenham que ser rejeitadas.

Verdade ou não, os norte-coreanos e seus aliados se sentirão mais CONFORTADOS com a manutenção de suas crenças totalitárias do que receber informações de fora.

E que lição podemos tirar disso? Simples. Não passa daquilo que sempre falei neste blog. Quando questionamos alguém, não estamos tentando convencer essa pessoa, mas sim falando à platéia.

Se um neo ateu ficar irritado com os fatos trazidos por mim, que se dane. Não é para ele que devo satisfações, mas sim para meu leitor. Se um petralha quiser ficar furioso com as refutações à esquerda que faço, problema dele. Assim como no caso do neo ateu, só devo satisfações ao público.

A compreensão do efeito Backfire simplesmente mostra que esse tipo de refutação (focada no público, mas jamais no convencimento do inimigo) é o caminho certo a seguirmos em nossos empreendimentos céticos.

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4 COMMENTS

  1. Toda a questão de pessoas negando e ridicularizando a verdade, pelo que experimentei até hoje, tem a ver com uma tentativa desesperada do cérebro em manter o mínimo de conforto.

    O motivo disso é que na maioria das pessoas, todas as crenças mentirosas que elas possuem foram ensinadas a elas com unica e exclusiva verdade desde a infância, seus cérebros são adaptados a elas, filtram informações baseado nesses parâmetros pré-definidos, então imagina o esforço monstruoso que é para a estrutura madura de captação, filtragem e armazenamento do cérebro adulto mudar quando ele se depara com a informação verdadeira de que muito do que soube até hoje era mentira?

    Então apelamos para a única coisa que pode diminuir nossos problemas e humilhação, a NEGAÇÃO sendo esta a unica forma do cérebro defender a mentira que foi ensinada a Ele como fundamental e livrando-o do fardo de ter que mudar imediatamente as informações que armazenou, inclusive de personalidade…

    Por exemplo, tenho lidado com o assunto “teoria” da conspiração a uns 3 anos, desde a conspiração esotérica das sociedades secretas e religiões de mistério mundial até atualmente a conspiração politica esquerdista mundial, soube que todas essas conspirações estão unidas na mesma direção, para uma ditaduta global pautada no politicamente correto, formação de castas e elites, destruição do conservadorismo, cultura cristã e etc.

    Quando me deparo com uma pessoa que está dentro da “matrix” (diz-se da pessoa que não percebe o que está acontecendo em volta dela e acha que tudo está uma maravilha e os problemas são isolados e nunca vão afeta-la) me chamando de doido por acreditar que os “”comunistas” ainda querem dominar o mundo” e confronto ela com a verdade, o choque que ela leva é tão grande que começa a perder o controle, passando a negar, difamar, zombar e tentar ser a ultima voz a falar (lembra do controle de frame? Parece que ele brota do inferno “:D” nessas pessoas), tudo para defender a realidade que para ela até hoje foi a unica e verdadeira…

  2. Olá Luciano

    Sobre o efeito Backfire e a Verdade, gostaria de lançar a seguinte situação hipotética:
    Há dois grupos de convicções antagônicas, A e B, supondo a priori que A esteja na Verdade e B não.
    No caso do grupo B, o efeito Backfire seria uma ajuda a reforçar sua respectiva crença, mas seria somente esse, o efeito Backfire, a garantia de manutenção da crença, objetivamente falsa, de B.
    Mas no caso do grupo A, que está na Verdade, o efeito Backfire seria uma, vamos dizer assim, “zona de conforto” adicional apenas, já que esse grupo A pode muito bem encontrar conforto, e reafirmção de sua convicção na Verdade, coisa que o gupo B objetivamente não possui.
    Simplificando: Para a reafirmação e manutenção de suas convicções, o grupo A possui a Verdade e o efeito Backfire, já o grupo B, possui somente o efeito Backfire.
    São corretas essas observações acima ou não? Se não, por gentileza, peço que me aponte o erro.

  3. Caro Luciano,

    Quanto ao proposto “Efeito Backfire”, há uma explicação bem articulada e fundamentada da parte de dois psicólogos franceses, num livro cujo título parece até lúdico, mas trás ideias interessantes: “Como Manipular Pessoas – Ideias Somente Para Pessoas de Bem!” De Jean-Léon Beauvois e Robert-Vicent Joule.
    Eles tratam do que definem como a “Espiral do Comprometimento”, em que uma pessoa se torna mais comprometida quanto maio for o ônus sofrido por manter certa posição. Junte o fato de que os totalitarismos precisam justificar os vícios humanos para poderem fugir da realidade, e se torna impossível a conversão de uma dessas melancias. A menos que queiram, como tem sido o caso de alguns, notoriamente nosso Prof. Olavo de Carvalho.
    Resumindo:
    • Eles já pagaram caro em termos psicológicos para chegarem ao seu nível de marxismo. Muita realidade precisou ser negada e muito conflito interno varrido para debaixo do tapete.
    • Justifica e faz da inveja deles uma virtude.
    • Eles estão bem confortáveis, crendo (e isso é até possível =/ ) que estão no time vencedor.
    Não adianta perder tempo pensando em convertê-los. Melhor, ao contrário:
    • Provocar o máximo de histeria possível, para a nossa diversão e a desarticulação deles. Diz que num é de dar umas boas risadas um comunista desesperado por que perdeu a linha.. Quando ataco algum deles, tomo as respostas agressivas como uma avaliação do dano causado nas linhas deles. Quanto mais me xingam mais estrago fiz, hehe.
    • Sermos uma opção valida, capaz de atrair ativistas antes que se tornem comunistas e também capaz de oferecer alternativas para a grande massa que só quer viver a vida. Onde estamos que até hoje ainda não propusemos um “Estatuto da Família”, por exemplo, capaz de levar cada feminista e gayzista ao desespero? Nos temos que por eles na defensiva de vez enquando, nem que seje pra respirarmos um pouco de ar fresco.
    • Proclamarmos nossa fé na família, na liberdade individual, nas leis naturais e sim, em Deus. Ouu temos convicção do que cremos, ou melhor ir montar uma colônia no chaco paraguayo feito os menonitas..
    Gostei muito do teu blog, e pode ter certeza que serei bem frequente. Curti muito tua posição pragmática. O MSM é nosso fundamento, mas para ser bem sincero, as vezes é difícil trazer o que aprendemos lá para o nosso dia a dia e tentarmos influenciar os nossos. Algo mais didático e pragmático tem sido uma lacuna, para a qual vi muita coisa interessante no teu blog.
    Sucessos.
    W L Guerreiro.

  4. Acho que a melhor maneira de se chegar o mais próximo possível da verdade é dando crédito a informações científicas (não sites sensacionalistas travestidos de ciência, mas ciência de verdade). Sim, a ciência também pode ser nossa melhor estratégia até na hora de tomar decisões políticas, pois ela é feita de método e estudo, não de dogmas. Não existe dissonância cognitiva (e efeito backfire) no método científico (na cabeça de cada cientista pode existir, mas o método científico em si é livre disso, e quando um estudo passa pela revisão por pares, ele praticamente escapa desse mal).
    Por exemplo: minha opinião pessoal pode ser aceita ou rejeitada por você – na verdade, ela tenderá a ser mais aceita quanto mais próximo você for da minha cultura e religião), mas uma investigação científica que passa por uma análise sistemática e revisão por pares TENDE a ser aceita por pessoas de quaisquer culturas, de todas as partes do mundo – desde que essas pessoas prezem pelo pensamento lógico e racional.
    Aonde eu quero chegar com isso? Quero apenas aconselhar que não escolhamos nossas crenças pessoais em função de informações que vem carregadas de evidências. A ciência é, de fato, o que temos de melhor, de mais imparcial, o mais próximo daquilo que podemos chegar da verdade.

    Discutir isso na política é uma emergência, principalmente no atual cenário político brasileiro, onde se rejeitam fatos científicos (ora essa!) e os substituem por dogmas e fanatismo religioso na hora de tomar decisões políticas. É lamentável, apesar de não ser uma surpresa (convenhamos que o nosso país não é o número 1 no investimento em educação e pesquisa).

    De uma maneira geral, não consigo me identificar com nenhum dos dois grupos (esquerda ou direita). Algumas ideias de um ou de outro me chamam a atenção, mas existe muito fanatismo e pseudociência em ambos. Se fosse me definir, diria que sou do grupo da lógica, da ciência, da filosofia e da razão.

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