A eterna luta humana pela obtenção de poder e o que isso tem a ver com o ceticismo

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Quando o ceticismo filosófico surgiu, nos tempos de Pirro (e falamos de algo como 300 anos antes de Cristo), a concepção sobre o homem era algo totalmente diferente do que temos hoje.

Ainda eram tempos nos quais eram permitidas “idealizações” a respeito de como o ser humano devia agir.

Não raro alguns deles afirmavam: “O cético é alguém que deverá trocar seu sistema de crenças interiores por dúvidas”. Ou então: “A anulação da certeza deverá reinar no coração de um cético”. Isso é o que eu chamo de “idealização”.

Note que eu não estou criticando-os. Acho maravilhoso o trabalho de um Aristóteles, por exemplo. Mas é fato que a teoria da evolução viria só depois de 2.000 anos em relação àquele período.

Entendo que a teoria da evolução, e a descoberta de que somos apenas mais um tipo de animal, lutando por sobrevivência, deveria ser o suficiente para eliminarmos as “idealizações”.

O que significa isso?

Significa que podemos usar o sistema aristotélico de pensamento, assim como o método popperiano de investigação, mas sem nos iludirmos com a idéia de que os outros agirão assim.

Não espere que os auto-alegados céticos estejam “eliminando as certezas de seus corações”.

Ao estudar o material de gente como Bertrand Russell, Carl Sagan, Richard Dawkins e outros, vemos que o que eles mais eles possuem são certezas.

Entre outras áreas de especialização em TI, uma das que mais atuei e mais tenho prazer de ensinar é sobre Segurança da Informação e Auditoria relacionada.

Investigamos as maneiras pelas quais as pessoas cometem fraudes. Mais do que isso: queremos entender os interesses investidos. Isso nos ajuda a PREVER comportamentos fraudulentos. Significa que as fraudes ocorrem somente por que as pessoas podem cometê-las, e as cometem por que tem interesses. Dê oportunidade ao lobo que ele fará a festa no galinheiro.

Talvez foi por isso que sempre busquei uma visão do ceticismo de forma prática, sem idealismos que não passam de alegações infundadas.

Uma das definições que sempre gostei é de que o ceticismo pode ser usado em um embate contra o dogmatismo. Ou até melhor: contra dogmas.

Mas temos que entender a essência dos dogmas. Dogma NÃO É o mesmo que religião. Ao se promover dogmas, temos a figura da autoridade. Vamos falar então de poder. E autoridade.

Existem duas formas de se obter poder em relação a outros. Uma delas é por força física, e outra por força psicológica. (Na verdade, são as duas formas possíveis de influência sobre outros)

Historicamente, um dos usos mais eficientes para os dogmas foi para a obtenção de poder de uns em relação a outros através da força psicológica. É a isso que chamamos de obtenção da autoridade moral.

Quando os monarcas obrigavam os súditos a pagarem impostos abusivos, sob ameaça de morte, isso era um exemplo de autoridade física. Ao se aliarem aos Papas, que na época não eram contestados, isso era um exemplo de autoridade moral.

Assim, em termos práticos, PARA QUE o ceticismo serve, em última instância? Para questionar toda e qualquer forma de autoridade moral.

Alguém poderia objetar: “Luciano, isso não contempla toda forma de ceticismo. Isso não contempla, por exemplo, o questionamento de alguém que diz ler o que os astros dizem”.

A objeção é infundada, pois vou mostrar que essa noção de ceticismo abarca até essas situações.

Imagine que o suposto astrólogo tenha afirmado que os astros nos dizem o futuro. Se aceitarmos sua autoridade moral (imposta psicologicamente), ele não será questionado. Mas quando questionamos SUA ALEGAÇÃO POR TABELA, estamos indiretamente dizendo: “Não confiamos em sua afirmação somente por que você disse. Mostre  provas, pois aquilo que você apresentou está sendo contestado.”

Note o que aconteceu aqui: a autoridade moral do astrólogo caiu por terra.

Enfim, me dê exemplos de alegações extraordinárias e eu mostrarei como o ceticismo SERVE PARA o questionamento da autoridade DAQUELES QUE fazem essas alegações.

Eu não entendo que a religião cristã foi criada PARA dar autoridade moral para aqueles que a seguissem, e em especial seus líderes.

Jesus Cristo optou por viver uma vida onde não exigia nada. Não lutava por poder e até se deixou crucificar. Isso não me faz acreditar em sua ressurreição, pois sou cético quanto a isso. Mas nos dá uma constatação: ao menos no comportamento de Jesus, não podemos dizer que a religião cristã FOI FEITA PARA dar autoridade moral aos seus líderes e seguidores.

É como os carros. Não foram feitos para matar pessoas. Mas um Honda Civic pode ser usado para esmagar seu inimigo facilmente. Sair escrevendo livros questionando “os carros” seria uma bobagem. Mas questionar o uso indevido dos carros é algo com que concordarei sempre.

E, como de costume depois de meu retorno, eu não vou dourar a pílula: é fato que a religião foi USADA PARA dar autoridade moral a alguns.

Inclusive no tempo das Cruzadas.

Não que eu reclame, pois se não fossem as Cruzadas, talvez hoje nossas mulheres estariam usando a burca. É, pensando bem, benditas Cruzadas. (Estou até ouvindo neste momento a música do Saxon, “Crusader”, do álbum homônimo de 1984, em homenagem)

Olhando para trás, hoje eu acho que só tivemos lucros com a implementação das Cruzadas.

Mas é claro que no tempo dos monarcas, podemos entender que o uso de autoridade moral (através da aliança com os Papas) começou a encher o saco.

Quando os monarcas foram questionados pela manutenção de um excessivo poder físico, FACILITADO PELA obtenção da autoridade moral, surgiu um extensivo questionamento à religião. Era a origem do Iluminismo.

Bizarramente, ao se atacar a religião cristã, por causa da aliança da Igreja com os monarcas, muitos não perceberam que estava surgindo aí outro tipo de religião, esta sim muito, mas muito mais perigosa: a religião política. E ela veio em todas as suas vertentes, como positivismo, humanismo, marxismo, etc.

E o que não percebemos?

Caímos no engodo de que ceticismo era para questionar a RELIGIÃO TRADICIONAL.

Isso, como já disse, pelo fato de que a religião tradicional FOI USADA PARA a obtenção de autoridade moral, o que facilitou em muito a vida dos donos do poder físico.

Esse erro catastrófico fez com que esquecêssemos a função original do ceticismo: o questionamento da autoridade moral.

Quer dizer, não importa se aquele que está tentando obter a autoridade moral está usando para isso a religião tradicional ou a religião política: o ceticismo seria como o Ceifador de QUAISQUER alegações usadas com o intuito de obtenção de autoridade moral.

Voltando ao exemplo do sobrenatural.

Imagine que alguém diga que pode adivinhar sua sorte lendo sua mão. Se um amigo acreditar nisso piamente, sem questionar a autoridade do outro, o espertão poderá dizer: “está escrito aqui que você me chamará para ser sócio”. Isso é poder psicológico puro.

Um mero questionamento detalhado pode demolir toda essa implementação de obtenção de poder.

Esse questionamento não pode ser feito apenas à alegação direta, como também nas alegações de suporte.

Um exemplo de alegação de suporte é a seguinte: (1) o sujeito diz que é capaz de prever o futuro de alguém pela leitura da mão, (2) as linhas da mão são capazes de definir o que está no futuro da pessoa. A alegação (2) serve para DAR SUPORTE à alegação (1). Se a alegação (2) não foi aceita em nível psicológico, todas as tentativas de implementar a alegação (1) vão falhar.

Outro exemplo pode ser o seguinte, ainda na questão da Dinâmica Social.

Imagine um sujeito que quer sair com uma garota que é apaixonada por histórias de vampiros. Ela conhece decor e salteado todos os livros da série Crepúsculo.

Ele tem a seguinte idéia: “que tal fingir que sou um vampiro, e convencê-la de que tenho mais poder que os outros homens, sendo capaz até de entrar na mente dela e viver para sempre?”

Mas temos um problema. Se ele disser isso a ela, provavelmente ele será motivo de chacota, e o truque não vai funcionar.

Ele pode resolver isso com uma estratégia. Pedir para 2 amigos se relacionarem com a garota, e trocarem informações com ela sobre a EXISTÊNCIA DE FATO de vampiros. Obviamente, terão que usar truques de sugestão, engodos, retórica, etc.

O objetivo é fazê-la acreditar que VAMPIROS EXISTEM.

Depois desse trabalho feito (e é um árduo trabalho), ele agora chega e vai tentar conquistá-la, aí com uma possibilidade factual, simulando ser um vampiro.

Nesse caso também temos duas alegações: (1) eu sou um vampiro, e por isso tenho mais poder que os outros homens que você conhece, e sou capaz de te proteger mais, (2) vampiros existem. Novamente, (2) é a alegação de suporte para que talvez seja possível implementar a alegação (1).

Olhando por esse aspecto, agora podemos compreender por que a religião tradicional foi tão duramente criticada nos tempos do Iluminismo.

Vejamos: (1) os monarcas afirmavam que seu poder físico era legítimo, pois estavam alinhados com os representantes de Deus, os Papas, (2) Deus existe, e a religião cristã mostra essa verdade através da Bíblia, (3) A Igreja Católica é a representante da palavra de Cristo em Terra, (4) Os Papas atuais são os legítimos líderes da Igreja Católica.

Note que em um encadeamento lógico, (2), (3) e (4) foram usadas para facilitar a obtenção de poder pelo uso de (1). (De novo, pessoal, estou dizendo que a religião FOI USADA para isso certo período, e não que FOI CRIADA PARA isso)

Está justificado por que iluministas atacavam não só a monarquia, como também as ALEGAÇÕES DE SUPORTE à monarquia.

Isso não é diferente da situação de Steven Pinker no post anterior.

Para que esquerdistas beneficiários obtenham o poder, através de estados inchados, é preciso de uma sequência de alegações também.

Observem: (1) Eu, como líder [pode ser Chavez, Lula, Mao, Pol Pot, Obama] cuidarei de todos vocês, e criarei a justiça social, através da ação do estado, eliminando vários sofrimentos, (2) Alguns seres humanos realmente não estão interessados em poder, e se dedicam, como se fossem cópias da Madre Teresa de Calcutá, de forma totalmente altruísta ao tomar conta desses estados, (3) Isso é cada vez mais possível, pois o ser humano está ficando cada vez mais “altruísta/empático”.

A sequência de alegações é bem lógica: (3) dá sustentação para (2), que por sua vez dá sustentação para (1).

Caso a sequência reversa de aceite, de (3) para (1), não tenha sido questionada, o líder de esquerda que for mais esperto e de boa retórica vai obter o poder tranquilamente, pois já obteve a autoridade moral.

Agora, imaginemos o uso do ceticismo para a SUA FUNÇÃO BÁSICA: questionar a autoridade moral.

Será que Steven Pinker foi realmente honesto ao fazer sua “teoria”? Seu alinhamento com as idéias de esquerda não é suspeito? Vemos várias passagens de seus livros em que a retórica de ódio contra conservadores é utilizada ad nauseam.

Ele afirma que o ser humano está ficando “bom” com o tempo. Isso seria uma mudança evolutiva. Mas se é uma mudança evolutiva, deve ser visualizada em termos de scans cerebrais, não? Por que, se ele é um neurocientista, não apelou para essa investigação da estrutura cerebral humana?

Ele afirma que existe SIM uma mudança. Segundo ele, no passado as pessoas viam as atrocidades e nada faziam. Ou seja, viam gatos serem queimados e não falavam nada. Mas e o exemplo atual de cães cujas peles são retiradas enquanto eles estão vivos na China. Pinker diz que “nós criticamos essa crueldade”. E antes não?

Vamos aos furos na alegação dele: quando vemos os vídeos dos cães tendo a pele retirada em vida pelos chineses, não é mostrada no mesmo vídeo uma crítica à tal crueldade. Pelo contrário. Estão todos tranqüilos, fazendo o seu trabalho de retirada de peles. Da mesma forma, Pinker diz que na era medieval as pessoas queimavam gatos vivos. E ninguém criticava a tal crueldade. Mas o truque dele é dizer que “hoje nós criticamos” o que “os outros fazem”.

Mas no exemplo dos gatos queimados na era medieval, temos os perpetradores e apoiadores da ação se omitindo de criticar a ação. E no exemplo dos vendedores de peles na China, também temos os perpetradores e apoiadores da ação se omitindo de criticar a ação. Logo, não há diferença alguma.

Talvez Pinker tentaria retrucar com algo assim: “mas hoje quem não faz a ação a critica”. Ué, mas antes também não criticavam? E por que estava escrito na Bíblia, no quinto mandamento: “Não matarás”? Justamente na religião que se tornou praticamente o padrão da sociedade ocidental por 2.000 anos!

O recurso de Pinker, para sustentar sua teoria é citar números sem sentido e fazer assunções forçadas para tentar nos convencer de que realmente o ser humano estaria ficando mais “empático”.

Note que, em um breve questionamento cético, vários itens foram encontrados no discurso dele:

  •  Dizer que antes havia aceitação da violência, e hoje não, sem comprovar essa aceitação anterior (no máximo, havia menos vídeo, ou seja, menos conhecimento da violência praticada, e não se emite opinião sobre o que não se vê – o velho ditado: “o que os olhos não vêem o coração não sente”)
  • Dizer que existe uma alteração evolutiva de “aumento de empatia”, sem comprovar isso em termos biológico, ou até scans cerebrais
  • Fazer ampliações e reduções por conveniência
  • Usar afirmações como “antes se queimava gatos, e todos gostavam” sem usar fontes convincentes – note que citar iluministas que estavam criticando ritualísticas de uma época não é o mesmo que ter evidências de aderência popular à barbárie em uma época
  • Simular que antes aceitava-se a violência, mas omitir até a Bíblia, que censura a prática da violência em seus mandamentos
  • Omitir dados como o fato de que a maioria da população alemã apoiou os campos de concentração na época da Segunda Guerra Mundial, assim como a maioria da população russa aprovou os extermínios nos gulags – tudo isso foi possível com o uso de propaganda e uso de autoridade moral. Para maiores detalhes consulte o livro “Os Ditadores”, de Richard Overy

Mas isso é só o básico da investigação. É aquilo que em auditoria chamaríamos de “walkthrough”. Que é só para dar um cheiro do tanto de merda que vem pela frente.

E, assim como as alegações de suporte na época dos monarcas, as alegações de suporte da esquerda devem ser colocadas sob escrutínio cético.

E neste momento, estamos questionando as crenças MAIS AMADAS de algumas pessoas. Pois vejam alguns detalhes sobre alegações de suporte. Observe que elas são PLANEJADAS para atender a DESEJOS das pessoas, e não necessariamente a verdade em si.

Sempre são coisas boas, como:

  • A leitura na mão é possível (resulta em “Que legal, então posso saber meu futuro.”)
  • Possíveis extraterrestres se comunicariam conosco para “trocar informações para o bem mútuo” (resulta em “que bom, se os extraterrestres evoluídos querem nos ajudar, é sinal de que o futuro é mais próspero que parece”)
  • A empatia do ser humano está ficando cada vez maior (resultar “portanto, podem ficar tranqüilos, e dar o poder para os líderes de esquerda, pois estes vão cuidar bem de todo o resto, afinal é a empatia crescente…”)

Detalhe importante: o ceticismo não é só contra as alegações de suporte (as mais queridas, amadas, e que, ao demolidas sob questionamento, deixam muitos daqueles que nelas acreditam incomodados com o questionador), mas sim contra TODA E QUALQUER alegação que seja objetivada em dar autoridade moral ao seu alegador.

Assim como os monarcas adoravam os Papas que fizeram uso da religião para lhes ajudar a garantir autoridade moral, gente como Obama adora Steven Pinker para ajudá-lo na mesma obtenção de autoridade moral. Não é diferente do garoto que vai conseguir levar a garota apaixonada por vampiros para a cama, grato em relação aos dois amigos que a fizeram acreditar que vampiros existam.

Se voltarmos à origem do ceticismo, temos que deixar de lado a idéia de que ele SÓ SERVE para alegações sobrenaturais.

Não, ele FOI FEITO para questionar TODAS as alegações que dão sustentação à obtenção de autoridade moral.

E, por não termos questionado adequadamente os esquerdistas, deixamos que eles obtivessem autoridade moral à vontade. Acabamos, sem prestar atenção, “facilitando” a vida deles na implementação de seus genocídios.

Mas eles só conseguiram fazer o que fizeram por conseguirem o poder físico ABSOLUTO. Mas só conseguiram esse poder absoluto, pois tinham um discurso FEITO PARA a obtenção de autoridade moral (a religião política, ou seja, a esquerda). Como a autoridade moral deles não foi questionada, o resto ficou fácil demais.

Se hoje Obama e Lula não conseguem efetuar genocídios é só por que existe oposição. Existe muita gente olhando. Mas, pior ainda para eles, ainda não possuem poder absoluto em mãos.

Mas existem muitos ideólogos de esquerda lutando, funcionalmente (e as vezes até como beneficiários parciais), para dar toda a autoridade moral que eles precisam.

Enfim, o que precisamos é de um Novo Iluminismo. Mas agora deixando de lado a idéia de que ceticismo é só para questionar a religião, mas sim voltando às raízes do ceticismo, que é o questionamento à toda tentativa de obtenção de autoridade moral.

Com tanta tecnologia de morte disponível, o ceticismo, como ferramenta de luta contra pessoas que querem o poder absoluto, nunca foi tão importante quanto agora.

Vamos continuar descuidados?

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3 COMMENTS

  1. Olá, já li alguns posts do seu blog e gostei muito. Tento ao máximo ser cética, de forma que, além de questionar outros tento questionar o que eu já “incorporei” como certo. Não acredito em deuses ou coisas sobrenaturais, passei por um longo processo de 6 anos para chegar a isso, em 2010. Nesse tempo e até hoje leio sobre religiões e suas crenças. Gosto do assunto e de ver de que modo influencia as pessoas em diferentes contextos. Meu não crer veio aos poucos, talvez seja próximo do agnósticismo (não acredito, não posso provar que não existe e mas se alguém me provasse, não me refiro a ser cientificamente, eu acreditaria), que seja, não importa muito.

    Mas minha questão é outra. Desde 2007 participo de debates online, em 2011 comecei a incluir questões como deus nesses debates. Só que minha não crença não veio da leitura de materiais ateus mas justamente dos materiais de várias crenças. Só comecei a ter contato com os exclusivamente ateus do meio para o final do ano passado. Então imaginas o quanto de neo ateísmo encontrei. Como já fui religiosa, até os 10 anos, passei muitos anos lendo e buscando aprender sobre religiões e sempre convivi com pessoas religiosas, sei que muitas das coisas ditas são generalizações que não fazem sentido. Só por isso já comecei a achar tudo “bom demais” p/ ser verdade, as coisas ditas eram exatamente a que as pessoas ávidas por aquilo queriam ler. Não era somente uma busca por estado laico (que sou à favor) nem liberdade de expressão (que também sou à favor) e sim um rebaixamento do adversário, no caso todos os não ateus, e valorização de si como o grande exemplo a ser seguido.
    Entretanto, também por estudar psicologia, sei que a religião ou a falta dela não implica em nada, não é diretamente ligado a nada. Nem a pessoas boas, nem a ruins, nem a bom caráter ou não, nem a “vai matar todo mundo” ou não. Enfim, ter ou não uma religião não é determinante. Se não é, não faz sentido começar uma guerra contra.

    Mas, para não me estender muito, onde quero chegar é, sei que muito do material dito ateu pode estar “impregnado” de neo ateísmo. E que muita coisa que eu li, mesmo em tão pouco tempo, pode ter sido incluído no meu discurso sem que eu passasse pelo filtro do ceticismo. Como eu digo: quando uma fala é boa demais a tendência de deixar ela passar sem tanto rigor na análise é maior. E certamente deixei acontecer isso.
    Há pouco tempo fiz um blog, que não necessariamente falará só de questões ligadas de alguma forma à religião ou ateísmo, mas que até agora os primeiros posts a maioria são ligados a isso. Saiba que gostei muito da maneira como argumentas, e gostaria que, caso queira e tenha tempo, leia alguns posts meus e aponte os erros de argumentação. Ficarei feliz em receber boas críticas,pois é necessário que corrija os erros para que,mesmo sem perceber, eu não perpetue certas ideias equivocadas que eu não consegui identificar sozinha como tal.

    http://sarcasmogratis.wordpress.com/

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