Bule Voador, enfim, assume a posição de apologia e tolerância ao crime

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Fonte: Bule Voador

Uma das coisas que The Wire me ensinou sobre a guerra contra as drogas é que ela acaba com a polícia, impedindo-a de realizar as funções de proteger e servir que deveriam ser as suas. A guerra contra as drogas transforma policiais – que protegem uma comunidade – em soldados – que saem por aí fazendo batida e prendendo traficante pé-de-chinelo. E, é sempre bom lembrar, para que haja uma guerra, é preciso que haja um inimigo. Muito rapidamente, os cidadãos que o policial deveria proteger transformam-se em inimigos, e os bairros que deveria policiar transformam-se em território ocupado.

Além da guerra contra as drogas – que, particularmente na cidade de São Paulo, assume contornos específicos de guerra contra os dependentes químicos -, o estado de São Paulo vem sediando também guerras contra estudantes e contra manifestantes que usam o espaço público para advogar por uma causa qualquer. A recente guerra contra os moradores (que amanhã serão sem-teto) do Pinheirinho não foge a esta lógica de transformação da polícia em exército de ocupação. Há aí uma pequena diferença, porém, que vale a pena ser apontada.

Nas outras guerras citadas acima, as vítimas da polícia costumam ser vistas pela imprensa e por boa parte da opinião pública como uma combinação de três ou quatro adjetivos: viciados e maconheiros, desocupados e vagabundos. Faça uma busca por “maconheiro vagabundo USP” e divirta-se, só que ao contrário.

No caso dos moradores do Pinheirinho, outro estigma já lhes está sendo aplicado: o de bardeneiros esquerdistas. Era de se esperar: sem-teto – sem-terra – MST – Stedile – aquela vez que apareceu no Jornal Nacional um bando de sem-terra destruindo uma laranjeira – etc.

Esta, porém, não é uma diferença significativa. Estigma é estigma, seja de vagabundo seja de baderneiro. Ambos são contra a lei e a ordem, em todo o caso.

A diferença maior que eu vejo é que, com os chamados maconheiros e vagabundos que vem apanhando da polícia ao longo de toda a gestão do PSDB no estado de São Paulo, não existe um beneficiário claro e cristalino da porrada, a quem se possa atribuir um nome e um CPF. Estudantes da USP e dependentes químicos do centro apanham, e quem ganha com isso? Os interesses são difusos.

No caso do Pinheirinho, o beneficiário da porrada tem nome – Naji Nahas – e CPF, se bem que se fôssemos um país sério seu CPF seria inválido.

Para os que defendem as ações do governo e da polícia, ficou um pouquinho mais complicado. Porque desta vez, se você defende a invasão do Pinheirinho, não adianta dizer que está do lado da lei e da ordem. Você está do lado de Naji Nahas.

Meus comentários

Que o humanismo é apenas um dos perfis da esquerda, quanto a isso já não temos mais dúvidas. E, como bons esquerdistas, os neo ateus do Bule Voador agora precisam executar as estratégias típicas da esquerda. Ora, para que ficar somente na estratégia Anti-Religião (na qual são especialistas), se funcionalmente eles tem muito mais a fazer?

O post acima, postado no blog Amalgama, mas endossado pela editora do Bule Voador, Rayssa Gon, comprova isso.

E, claramente, como não poderia deixar de acontecer com a esquerda, há uma série de fraudes intelectuais gravíssimas.

Por exemplo, é dito que os policiais, ao prenderem traficantes, estariam fugindo de sua função de proteger a comunidade. Mas como? Se, ao prender um traficante, estamos evitando que ele cometa o crime de vender drogas aos nossos entes queridos, é claro que a ação policial contra o tráfico é de proteção à comunidade. Ou seja, só nesse começo, já dá para ver que não é preciso muito para desmascará-los.

O texto diz que os traficantes e invasores da Cracolândia seriam “os cidadãos que o policial deveria proteger”. Erradíssimo. Os policiais deviam NOS PROTEGER desse tipo de gente.

Em seguida, a autora parte para dizer que a força policial está em guerra “contra estudantes e contra manifestantes que usam o espaço público para advogar por uma causa qualquer”.

Isso, como não poderia deixar de ser, nem de longe é verdade. As recentes ações policiais de desocupação na USP foram contra INVASORES de territórios de uma universidade, que não deveriam ter sido invadidos. Como a propriedade é da USP (que é mantida por nossos impostos), a expulsão de invasores da reitoria é uma ação contra CRIMINOSOS. Até por que invasores de propriedade são criminosos.

Provavelmente, o texto faça alusão aos “estudantes” para tentar manipular a opinião da patuléia, fazendo um simulacro de “ação ditatorial”. Infelizmente para os vermelhos, os fatos mostram exatamente o oposto. A policia nada teve contra meros estudantes, mas sim contra pessoas que DEVIAM ESTAR ESTUDANDO, mas preferiram partir para a via criminosa da invasão de propriedade alheia.

A autora, inconformada, diz que a imprensa e boa parte da opinião pública se referia aos meliantes com adjetivos como “viciados”, “maconheiros”, “desocupados” e “vagabundos”. Mas que terminologia usaríamos para gente como habitantes da Cracolândia, invasores de reitoria, invasores de propriedade e pessoas que fazem passeatas em favor da maconha? Ora, se indignar com esses adjetivos seria uma situação tão surreal quanto se o BBB Daniel ficasse indignado ao ser chamado de “comedor de mulher que dorme”…

Não há mágica para chamarmos um “viciado” de “não-viciado” ou um “maconheiro” de “não-drogado”. Se pessoas optaram por essa via, ao menos que saibam que esses termos cabem a eles perfeitamente. Ou será que ela acha logicamente correto dizermos que um viciado não é viciado? Aí teríamos outro problema: além de apologistas do crime, os esquerdistas teriam que assumir a apologia da mentira. Ah, esqueci que isso eles já fazem…

Em seguida, ela vai para o caso dos “invasores do Pinheirinho”, que ela chama de “moradores do Pinheirinho”. Reclama ela que os invasores estão sendo chamados de “baderneiros esquerdistas”, o que seria um rótulo errado. Nada disso. O rótulo é corretíssimo, pois este texto de Reinaldo Azevedo já tem o título auto-explicativo: “Líder” do Pinheirinho não mora na área: tem casa própria e carro, é dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos e filiado ao PSTU.

Curiosamente, ela menciona o movimento sem terra como um grupo que teria aparecido no Jornal Nacional destruindo 1 (uma) laranjeira (friso no “uma”). O engraçado é que até o líder dos sem terra concordou que a destruição dos laranjais (e não “uma laranjeira”) foi um equívoco. Se ela tentou aliviar a barra dos sem terra, esqueceu de avisar o Stédile.

No fim, como ela não tem um argumento, tenta definitivamente jogar para a platéia, querendo dizer que a situação dos que defendem as ações do governo e da polícia ficou “complicada”.

A conclusão dela é uma pérola que só sairia de uma mente esquerdista. Faço questão de repeti-la na íntegra: “Porque desta vez, se você defende a invasão do Pinheirinho, não adianta dizer que está do lado da lei e da ordem. Você está do lado de Naji Nahas.”

Notem que é praticamente uma tentativa de maquiar uma apologia ao crime.

Ela tenta justificar os crimes dos invasores de terras com OUTRO CRIME, o de Naji Nahas. Mas qual a base lógica para isso?

Lembremos do que eu escrevi aqui no verbete sobre a estratégia de Apologia e Tolerância ao Crime:

É importante notar que há uma EXCEÇÃO à essa regra. Ela ocorre no caso de um crime cometido por alguém que tenha muito mais recursos financeiros do que a vítima. Por exemplo, se um industrial atropela um morador de rua. NESTE CASO, o sistema de apologia e tolerância ao crime, que eles possuem ativados para quase todos os casos de arrastões, assaltos, estupros e latrocínios, por exemplo, é DESATIVADO e eles passam a pedir a punição ao criminoso. Mas, para a maioria absoluta dos crimes noticiados nos jornais, a postura do esquerdista é a de total apologia e tolerância ao crime, e de forma fervorosíssima.

Quer dizer, para a mente esquerdista, coisas como “lei e ordem” são apenas relíquias de um tempo aristotélico. Algo a ser ignorado. O que importa é a guerra de classes. Assim, quem pertence à “classe” que eles alegam defender passa a estar acima do bem e do mal.

Como estão protegendo criminosos (e sabem disso) tentam imputar àqueles que são contra a sua causa o rótulo de “defensores de criminosos” também. (No caso, o Naji Nahas seria o criminoso defendido pelo outro lado)

O fato é que a tentativa de difamação reside em (mais uma) mentira, pois as terras do Pinheiro não são de Naji Nahas, mas sim pertenceram no passado a ele. Neste caso, a desapropriação não beneficiaria o milionário picareta.

E MESMO QUE beneficiasse, não é o fato dele ter sido punido por um crime que uma propriedade dele tenha que ser invadida.

Um exemplo: o confisco de armas de criminosos, NÃO DÁ O DIREITO de pessoas invadirem a delegacia para roubar essas armas. Isso por que um crime não habilita um outro crime feito por pessoas que nem sequer foram vítimas do primeiro crime.

No geral, o texto é vergonhoso e não serve nem como redação de oitava série. É um momento de agonia marxista, que se traduz em palavras totalmente irracionais.

É, a nova fase do Bule Voador, agora 100% esquerdista, vai nos garantir muitas risadas…

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7 COMMENTS

      • O pior é que a anos os teóricos da conspiração avisam que o “sistema” usa/manipula grupos rebeldes para criar pretexto e enfiar mais restrições na populaçao (vide leis sopa e pipa, leis para desativar toda a net e etc)…

        Não é de espantar se no meio desses anonymous estiverem agentes secretos orquestrando a coisa toda…

        O pior, os idiotas uteis é que estão fazendo o trabalho todo se achando todos importantes, inatingíveis, e poderosos (atrás da tela de um pc) como hackers, com aquele espirito de “acima do bem e do mal”…

        Gados que se acham reis do abatedouro…

  1. Uma das piores foi essa:

    ” Muito rapidamente, os cidadãos que o policial deveria proteger transformam-se em inimigos, e os bairros que deveria policiar transformam-se em território ocupado.”

    Mas o fato é que os policiais não consideram os cidadãos como inimigos, mas somente os bandidos, e quantos aos bairros, são considerados como territórios ocupados pelos criminosos, não pelos cidadãos. Eita mulherzinha vigarista essa hein. hahahaha

  2. Essa mulher só pode ter problema. Quem não faz nada da vida não pode ser chamado de vagabundo. Quem usa maconha não pode ser chamado de maconheiro. Quem trafica drogas deve ser protegido pela polícia(????). E é tudo culpa do Naji. Surreal.

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