Há um esquerdismo aceitável?

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Há quem diga que meus textos possuem traços de intolerância em relação ao esquerdismo, o que acho uma tremenda injustiça. Eu defendo que sejamos tolerantes em relação do esquerdismo MENOS quando o esquerdismo impacta a vida daqueles que não são esquerdistas. Tecnicamente eu aplico os mesmos princípios do estado laico para a religião política.

Para explicar isso melhor, vamos retornar aos princípios do estado laico, que é um estado oficialmente neutro em relação as questões religiosas, não apoiando nem se opondo a nenhuma religião. Mais do que isso, o estado laico deve garantir a liberdade religiosa de cada cidadão.

O fator mais importante do estado laico é alguém escolher viver sua vida praticamente sem impacto da religião (a não ser o impacto social).

Explicando melhor: um ateu escolhe NÃO IR a Igreja tem esse direito, mesmo em um país de maioria religiosa. Um islâmico escolhe rezar para Maomé e tem o direito de não reverenciar Jesus. E assim por diante.

Claro que esse processo nunca é perfeito e sempre existem algumas “interferências” nesse caminho. Um exemplo disso é a questão da eutanásia, proibida por uma lei com influências religiosas. Mesmo assim, na maioria dos itens é possível que alguém que não acredite no catolicismo não seja impactado OFICIALMENTE pelas crenças de alguém que seja evangélico.

Isso significa que alguém de uma religião pode achar ridículas as crenças do outro, e essas crenças não o impactarão na maioria dos casos. Se alguma testemunha de Jeová não quiser fazer transfusão de sangue, NÃO ME OBRIGUE a ficar sem transfusão em caso de um acidente.

Essa possibilidade, de alguém não ser OFICIALMENTE impactado pela religião do outro, é o que torna uma religião aceitável para aquele que não a possui.

O que permite essa aceitabilidade das religiões do outro é essencialmente o estado laico. E, de forma mais assertiva: a religião quando NÃO É ABSOLUTISTA é aceitável. Se for, é inaceitável.

Mas, se para a religião tradicional temos o estado laico (o que impede o absolutismo religioso), para a religião política é exatamente o contrário.

Esquerdistas, sejam do perfil social democrata, marxista, humanista ou até uma mistura desses e mais outros, não se comprazem em viverem suas crenças, mas lutam arduamente para que suas crenças IMPACTEM a vida dos outros que não acreditam nelas. Na verdade, a religião política foi criada exatamente para isso: para funcionar como as antigas teocracias. Se o absolutismo religioso não é permitido, a absolutismo da religião política reina.

Vamos a alguns exemplos.

Esquerdistas possuem fé em que pessoas devam ter grande parte de seus ganhos retirados à força, pelo estado, para financiar as iniciativas deste mesmo estado. Para aceitar que esses impostos são justos, e terão o destino correto, é preciso de uma fé que os conservadores não possuem, mas os esquerdistas têm de sobra. Assim, a fé esquerdista, de que os impostos devem ser altos, não impacta apenas os esquerdistas, mas também os conservadores. É como se as Testemunhas de Jeová não permitissem a transfusão de sangue, mas proibissem todos os outros de fazê-la.

Um outro exemplo é o da criminalidade. Esquerdistas amam libertar criminosos e dizer que a função da polícia deveria ser “educativa”. Para isso, reduzem as penas ao máximo e criam aberrações como a lei de impunidade ao menor, que permite que criminosos “de menor” não sejam punidos. O problema é que esses criminosos soltos não se tornam um perigo apenas para os esquerdistas, mas para conservadores também. Novamente, é como se um grupo religioso proibisse sexo antes do casamento, não para eles, mas para todos os outros também.

Logo, se temos um tipo de religião tradicional inaceitável, e esta é a religião absolutista, o mesmo vale para a religião política. O esquerdismo, em sua essência, é absolutista e totalitário, pois não respeita os direitos daqueles que não crêem.

Até aqui sabemos que o esquerdismo, como é praticado hoje, é inaceitável e não pode ser tolerado por conservadores. A mera configuração do esquerdismo atual deveria ser considerada uma aberração pública. Algo como se os católicos obrigassem todos a seguirem todos os seus princípios a força, através da lei. Se alguém considerasse isso uma aberração, eu apoiaria qualquer protesto nesse sentido.

Mas se o esquerdismo como ele é hoje é inaceitável, como seria um esquerdismo aceitável?

Ora, a resposta é simples: se aquilo que funcionou para tornar a religião tradicional aceitável no passado através do estado laico funcionou, o mesmo deveria funcionar para a religião política.

Os conservadores deveriam lutar para tornar a influência do esquerdismo focada especialmente na vida dos esquerdistas, não dos conservadores. Poderíamos chamar isso se secularização política, ou estado laico DE FATO, abrangendo não só as religiões tradicionais como as políticas.

Isso funcionaria da seguinte forma: EM TODAS AS ÁREAS EM QUE FOR POSSÍVEL REALIZAR ADAPTAÇÕES, as crenças tanto de esquerda como de direita só poderiam impactar os adeptos dessas crenças.

Já falei disso no passado mas vale a pena repetir. Vou trazer à baila os dois exemplos que citei anteriormente.

No caso de impostos altos, poderíamos definir um imposto legal de no máximo 10%, ao passo que um imposto opcional poderia ampliar o pagamento mínimo. Este imposto opcional seria como o nome diz… opcional. O esquerdista poderia por pagá-lo, em várias faixas. Poderíamos chamá-lo até de IOJS, ou melhor, “Imposto Opcional para Justiça Social”. Por exemplo, o Luis Nassif poderia optar por pagar os 10% da taxa fixa, e mais 50% adicional de IOJS, totalizando 60% de impostos por mês. Note que neste caso a crença do esquerdista em pagar impostos altos passaria a RESPEITAR a crença dos conservadores de que os impostos devem ser baixos. (Tudo bem que Ann Coulter concluiria, e com razão, que os esquerdistas não iriam optar por pagar o IOJS, mas isso é outra história…)

Um outro exemplo poderia ser a punição ao crime, independente da faixa etária, de acordo com a vítima, não com o criminoso. Para isso funcionar, deveríamos fazer um registro de todos os cidadãos, a partir de uma certa idade (poderia ser junto com a criação do RG), e dar a ele a opção de punição aos criminosos CASO crimes sejam cometidos contra ele. Aí alguém de origem conservadora poderá escolher: “em caso de assassinato, 20 anos de cadeia”. Já um de esquerdista poderá escolher: “em caso de assassinato, apenas processo educativo, em lugar de luxo” (esse lugar luxuoso teria que ser bancado pelo IOJS, naturalmente). Com o tempo, a impunidade aos menores só seria impunidade no caso deste ter cometido um crime contra esquerdista. Com isso, o cidadão conservador não se sentiria ofendido em seus direitos, por causa de impunidade, pois esta impunidade só valeria para crimes cometidos contra alguém da esquerda.

Esses dois exemplos mostram o que poderíamos chamar de secularização política, com as crenças da esquerda tendo menos influência na vida dos conservadores, e, por que não, as crenças dos conservadores tendo menos influência na vida dos esquerdistas.

Eu particularmente duvido que os esquerdistas aceitem isso, enquanto os conservadores provavelmente gostariam. Mas essa provável rejeição ao que proponho aqui (o secularismo político) seria apenas mais uma evidência de que a esquerda é essencialmente totalitária e absolutista.

Do jeito que está (e sem expectativas de mudança), temos mesmo é que ser intolerantes como toda e qualquer manifestação de esquerda.

Até por que qualquer forma de esquerdismo aceitável é uma utopia, e não acreditamos em utopias.

Assim, esquerdismo aceitável fica na mesma categoria que ex-gay ou enterro de anão. Não há.

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22 COMMENTS

  1. Muito bom esse post.
    A ideia da punição de acordo com a crença da vítima é bem interessante, apesar de que continuaria possível que o bandido solto graças à política punitiva da esquerda cometesse um crime contra alguém da direita — crime que teria sido evitado caso a primeira punição fosse a da direita. No entanto, com o tempo, os criminosos procurariam alguém meio de garantir o cometimento de crimes apenas contra a esquerda, imagino.

    Agora, será que haveria condutas que não são criminalizadas por um grupo e criminalizadas por outro?
    Por exemplo, digamos que a esquerda quisesse descriminalizar a ocupação de terras públicas “para redistribuição de renda e justiça social” e a direita não. Nesse caso a terra é pública, então a vítima seria toda a sociedade, tanto a parte de direita quanto a da esquerda. Como fazer? (também vale para os casos em que um crime, apesar de sê-lo para direita e esquerda, fosse cometido contra sujeitos indeterminados ou violasse interesses difusos e coletivos).

    Enfim, fale mais sobre isso.

    • Fabrs,

      A primeira questão parece problemática, mas nem é tanto assim. Eu vejo como se fosse um carro, um imóvel, etc… É o dono que coloca o preço, não o comprador. Ora, assim sendo se um esquerdista diz que um criminoso que age contra ele não deve ser punido, respeitaremos o direito dele. Mas a partir do momento em que a vítima for alguém de direita, aí já puniríamos.

      Em relação à descriminalização de ocupação de terras públicas, eu também acho que essa é uma crença de esquerda a ser respeitada, mas a descriminalização SÓ VALERIA para no caso da terra invadida ser de esquerdista. Já se a propriedade for de alguém de direita, a desocupação teria que ocorrer.

      Enfim, pensando de forma secular, assim como já fazemos para a religião, conseguimos chegar a um cenário em que cada grupo pudesse ter suas crenças respeitadas, de forma laica.

  2. Excelente ideia, me lembra de uma entrevista do Friedman: http://www.youtube.com/watch?v=wUkqmHOfgrk

    Sem querer criar polemicas desnecessarias, mas segundo o raciocínio, conservadores também seriam totalitários com relação a casamento e adoção por gays, eutanásia, aborto, distribuição de preservativos em escolas, etc…

    Se eu quiser cometer eutanásia, ou se eu quiser doar meu dinheiro aos pobres, isso só interessa a mim. Apenas deixo aqui a reflexão.

    • Paulo,

      Eu concordo com você.

      Acredito que o aborto deva ser liberado para os casos em que o bebê não sinta dor. (então estabelecer um limite de meses para o aborto)

      A partir daí, seria um homicídio. Note que o bebê não tem escolha.

      Em relação a casamento e adoção de gays, eu entendo que tudo ok para os gays, se formos por essa perspectiva da secularização, MAS QUE NÃO SE OBRIGUE os religiosos a acharem isso tudo normal.

      Eutanásia a meu ver tinha que ser liberada. Alguém não pode ficar sofrendo contra sua vontade se não segue uma religião que proíba isso.

      A minha proposta se baseia em que sempre que possível, o respeito as crenças individuais devem permanecer.

      • Desculpe, Luciano, mas no caso do aborto eu discordo.
        Impedir uma vida de continuar pelo simples fato de que ela não sente dor não me parece um bom argumento. Ora, a dor não existe justamente porque foi negada a essa vida tal possibilidade, foi negada a complementação de um processo que não foi criado pela nossa espécie.
        A vida, independente de se você é ateu ou não, não é passível de definições acadêmicas ou valorações. Não há hipótese em que um ser humano tenha direito sobre a vida de outro, a não ser pelo óbvio motivo de impedir, justamente, um assassinato.

      • Concordo em partes com o que você disse, mas vou estender esse raciocíonio em um texto que vou entitular “A Secularização Política e questões polêmicas”, em que tratarei de temas como aborto, eutanásia, etc.

      • Até aqui, perfeito.

        Apenas comentando o link postado pelo Yuri: http://teismo.net/?p=664

        “Como português, dirigo-me ao público brasileiro. O vosso país também é tradicionalmente cristão. Usem essa tradição para impedir a legalização de abortos; não admitam que ateus e anti-religiosos fanáticos vos intimidem dizendo que religiões e religiosos não se devem pronunciar sobre leis públicas abortistas. Se essa mentira passar, se os cristãos a aceitam e se deixam intimidar para não serem considerados “fanáticos” aos olhos do abortista, a prática é relativizada, o assunto deixará de ser discutido como aquilo que é ( morte de bebés) e em pouco tempo indefesos serão mortos aos milhares em hospitais e clínicas do Brasil. Foi isto que se passsou em Portugal!”

        Aí fica difícil entrar em acordo…

        Se religiosos acham que embriões de 10 semanas são bebês, pois que não abortem, não permitam pesquisas com células-tronco embrionárias em suas instituições, nem permitam a casais de sua religião com problemas de ter filhos a fazerem inseminação artificial, já que fatalmente zigotos poderão ser descartados. E por que parar aí? Pois que proíbam a masturbação masculina também, já que as sementinhas serão perdidas… Oh, wait! Obriguem as mulheres a engravidar em TODO ciclo fértil para que nenhum óvulo inocente morra em vão, tadinho.

        Agora, aos outros que conseguem diferenciar um bebê saudável de um embrião ou um feto SEM CÉREBRO, que não sejam obrigados a mudar todo seu planejamento familiar por causa de religiosos autoritários. Aliás, que tal seguir a ideia do Luciano e excluir automaticamente estes religiosos de qualquer avanço médico conseguido com células-tronco embrionárias?

        *claramente estou tratando aqui de abortos até o estágio em que o embrião se torna um feto, este sim com aparência de bebê humano, o que ocorre por volta da décima semana de gestação. Acredito que dois meses sejam suficientes para uma mulher descobrir que está grávida e decidir se quer proseguir com a gestação. Pra mim este seria o prazo mínimo para o aborto, já que o embrião sequer tem um sistema nervoso capaz de pensar ou sentir dor. Claro que alguém que acredite que este embrião já tem uma alma, não importando se ele sequer tem um cérebro minimamente funcional (vide caso dos anencéfalos), vai taxar de “assassinato de bebês indefesos” (com aquelas fotos de fetos de 7 meses) mesmo que o aborto seja apenas nas duas primeiras semanas, caso das células-tronco embrionárias, cuja manipulação os religiosos também não admitem.

      • Essa questão do aborto é complicadíssima
        “Ah, pra quem acha que pode, que faça; quem acha que não, não faça”.

        Mas pensaríamos assim se fosse assassinato?
        “Ah, quem acha certo matar, que mate; quem não acha, que não mate”.

        Daí começam a aparecer esses critérios “até tantos dias pode, se for estupro, tudo bem, se tiver aparência de não sei-o-quê, aí já não pode, etc”, mas é tudo uma arbitrariedade. Se definimos que a vida começa em t (ou seja, t é momento a partir do qual não se pode mais abortar) e eliminamos alguém no momento exatamente anterior a esse t, não estamos impedindo essa vida do mesmo jeito? Quantos ts se pode voltar? Enfim…

      • Concordo que seja uma questão complicadíssima, mas quando não se permite o aborto de fetos ANENCÉFALOS, vê-se que dogmas impedem a solução menos danosa. Quando se vai contra o aborto de uma criança que foi estuprada e que corre sérios riscos por causa desta gravidez, vê-se o quanto tais grupos são realmente pró-vida.

        Me parece óbvio que um punhado de células que pode vir a se tornar um ser humano (PODE, já que menos de 50% das concepções passa do primeiro trimestre), que não pode pensar nem sentir dor, não tenha os mesmos direitos de uma mulher adulta, que ache que não é a hora certa de passar por uma gravidez. Se você, como a Igreja, não consegue ver a obviedade da desnecessidade de se continuar a gravidez de um anencéfalo, chamando isto de arbitrariedade, então acho que não há diálogo possível.

  3. MAS o Estado tema a função de encontrar um equilíbrio entre as opiniões divergentes. Seria o fim da comunidade se alguns dos exemplos apresentados por você fossem seguidos à risca. Viver em sociedade é ter de conviver, e criar nichos ideológicos não seria bom para a totalidade da comunidade. Acredito que na discussão, na argumentação os pontos de síntese devem ser buscados. Abraço

    • Juliano,

      Um ponto de vista interessante o seu. Mas por que seria o fim da comunidade se tivéssemos coisas como punição de acordo com a vítima (não o criminoso), e impostos opcionais?

  4. eu já vi você aborda esse assunto antes,só que dessa vez você se esqueceu de dizer que os conservadores deixariam de usufruir de qualquer serviço do estado que desse grande despesa.Portanto qualquer pessoa que se diga conservador não poderá botar o filho na escola publica nem ser atendido pelo SUS.Na verdade com 10% de imposto só da pra pagar a iluminação publica,a policia e o IPTU no máximo.

    Isso me lembrou o Jim Crow americano,claro que existe diferenças uma pessoa não pode mudar a cor da pele mas pode mudar sua ideologia politica mesmo assim existe pessoas que compartilham alguns pontos da esquerda e outros da direita por exemplo uma pessoa que usufrui de todos os benefícios que o estado disponibiliza mas que ache que um assaltante deva pegar 10 anos de cadeia, se essa pessoa for ao SUS ira dizer que é esquerdista se for preencher um boletim policial se dirá direitista,a unica maneira segura de classificar alguém pela ideologia politica é ver em que ele votou na ultima eleição só que o voto é secreto,portanto pra isso dar certo teríamos que ter a volta do voto aberto.

    • Cotrim,

      Negócio fechado!!!! Onde eu assino? rs.

      Se bem que 10% da grana de todos os conservadores é MUITA grana.

      Para resolver esse problema “operacional”, que você citou, poderiamos criar 2 categorias de perguntas/respostas: aquelas relacionadas a segurança (função número 1 do estado, para os conservadores), e aquelas questões relacionadas a demais benefícios.

      Por exemplo, se alguém é assassinado e o criminoso é condenado a 20 anos de prisão, ela não está ganhando nada, mas ao menos não estaria tomando um tapa na cara do estado que devia lhe defender.

      Já o aproveitamento dos recursos fornecidos pelo estado já seriam um benefício, que a pessoa receberia em vida.

      Por isso, a sugestão de dividi-los em duas categorias.

      No caso da primeira, bastaria uma opção tal qual a opção de ser doador de órgãos. Vai para o registro da pessoa.

      No caso da segunda, poderiam ser aplicados questionários, critérios, etc, de qualificação.

      Não é tão difícil quanto parece, pois para algumas opções é “sim” ou “não”.

      Obs.: A comparação com Jim Crow é totalmente descabida. Em minha proposta não há retirada de direitos, mas garantias de direitos, e recebimento de benefícios de acordo com o que é pago. Sei que o Cotrim já foi fazer sua choradeira na comunidade anti-Olavo de Carvalho (meu serviço de inteligência me informou rs), mas a própria estratégia do Cotrim é desonesta. Receberei notificações de posts no tópico criado pelo Cotrim. Conforme previsto por mim, esquerdistas RENEGARÃO o secularismo político (que chamo de estado laico de fato), mas conservadores apresentarão maior grau de concordância. Isso é explicado pelo fato: a religião política é totalitarista/absolutista.

  5. Ora Paulo,
    Colei o link em um post que tratava de um comportamento delinquente de uma moça, não para lançar luz (ou trevas) em relação a questão do aborto.
    É por isso que o link não foi colocado aqui.
    Ninguém nega que inúmeras coisas possuem base religiosa.
    Nem por isso precisa de dizer tamanha piada: “E por que parar aí? Pois que proíbam a masturbação masculina também, (…) nenhum óvulo inocente morra em vão, tadinho.”
    Aliás, recomendo que argumente tal artigo lá no site.
    Inclusive seu comentário, assim como o dos religiosos, já parte de um pressuposto daquilo que seria “humano”.
    A ciência não ‘bateu o martelo’, a filosofia também não.
    Em suma: você apenas escreveu mais do mesmo.

    • Realmente falhei em querer tratar deste assunto aqui, mas o que quiz mostrar é que conservadores tambem tem suas imposicoes perante o restante da sociedade. E a parte que destaquei do link que voce postou mostra exatamente isto, com o autor evocando a tradicao crista para impedir a legalizacao do aborto

      E como escrevi antes, se a Igreja não consegue ver o quao é obviamente desnecessário (além de triste) se continuar a gravidez de um anencéfalo, então acho que não há diálogo possível.

      • Entendi, mas note que que o diálogo é impossível não apenas por questões de fetos anencéfalos, mas por começar por axiomas diametralmente opostos, sendo que esta seria a primeira questão.
        E duvido muito que a ICAR veja a questão sob a ótica da “necessidade” ou “tristeza”, mesmo que sendo consideradas.
        Evidente que é um diálogo difícil ou impossível.
        Mesmo assim não deixo de ponderar que considero possível uma mudança de posição, historicamente sempre lenta, mas possível.

  6. Quem disse que eu chorei? eu até te elogiei pela criatividade,serio acho que nem Olavão teria uma ideia como essa.
    Eu disse que existe uma diferença em relação ao Jim Crow já que o individuo pode optar em que grupo ira ficar,mas ambos também tem uma semelhança pois nos dois casos o estado divide a sociedade em dois grupos e da tratamento diferente a eles.

    O.B.S:A ala xiita do movimento conservador também renegara essa proposta quando descobrirem que isso ira legalizar o casamento gay e a adoção por homossexuais.

    • A sociedade continuaria sendo única, mas apenas seria respeitado o direito de crença individual. Se você apóia o estado laico, deveria apoiar a minha idéia, não?

      Se conservadores extremistas reclamarem, é um risco.

      Mas, existindo uma diferenciação, a propaganda de gayzismo só poderia ser feita em escola com o rótulo “Esquerdista”, não em escolas conservadoras.

      Quem é a favor da liberdade de crença, só teria a ganhar com isso.

  7. É uma questão Ayan,pra min existe uma diferença entre ideologias politicas e religiões tradicionais,mas isso é algo complexo demais pra ser discutido numa caixa de comentários.Essa sua proposta não ira fazer sucesso entre conservadores tradicionais mas talvez os libertários gostem.

    • Só uma coisa. A secularização política é necessária por que uma das ideologias é uma religião. Aliás, humanismo e positivismo possuem templos. Deixá-los de fora do estado laico é quebrar a regra do jogo.

      Note que o casamento gay existindo não muda o fato de que os conservadores teriam escolas onde isso não seria ensinado a eles como no mesmo valor do casamento normal. Portanto, a secularização política atenderia aos interesses conservadores neste caso.

      A única questão polêmica seria a do aborto.

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