A “Revolta de Atlas” e suas lições

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Já que acabou de chegar em casa “A Revolta de Atlas”, que nunca li, segue o vídeo acima em homenagem.

Gostei do que vi logo de cara.

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6 COMMENTS

  1. Oi, Ayan. Recomendo-lhe este breve vídeo em que o Olavo de Carvalho fala de suas impressões sobre as ideias de Ayn Rand a partir de dois de seus livros que ele chegou a ler, um deles “A Revolta de Atlas”. Um abraço.

  2. Penso da mesma maneira, Luciano. Até por ser cristão (“Ponde tudo à prova. Retende o bom” 1Ts 5:21).

    A propósito, acabei de devorar com gosto o último livro de apologética de William Lane Craig, “Em Guarda”. Na verdade, comprei dois exemplares mais por causa do meu filho; alguns de seus colegas de escola – todos entrando na casa dos 15 anos – se dizem ateus, talvez migrem pro neo-ateísmo em breve. Como essa é uma fase meio complicada na vida de um sujeito – de aceitação e auto-afirmação, não gostaria de deixar o menino desprotegido em meio ao assédio.

    Bom, gostei tanto que acabei comprando mais dois exemplares, pra emprestar ou doar. Um eu já emprestei. Se você estiver interessado, despacho-lhe o outro, de presente, rapidinho.

    Grande abraço, meu amigo. Não perco um post seu. Continue mandando ver!

  3. Tem o review clássico – ainda que eu o considere equivocado em sua segunda metade – de Whittaker Chambers à respeito do livro – review que deixou Rand tão FULA da vida que ela cortou inclusive relações de amizade com William F. Buckley Jr., que foi quem publicou a resenha no NATL:

    http://www.orthodoxytoday.org/articles2/ChambersAynRand.php

    Quanto à Ayn Rand, ela escreve muitas coisas memoráveis de forma competentemente simples – mas não muito originais convenhamos – e, justiça seja feita, ela sofre muita perseguição injusta por gente que não a lê com atenção ou mesmo nem a lê de forma alguma. Exemplo: Leonardo Bruno escreveu um artigo a respeito dela no Mídia Sem Máscara ( http://www.midiasemmascara.org/index.php?option=com_content&view=article&id=7584:um-mundinho-visto-por-cifras&catid=6:cultura&Itemid=8 ) que denuncia a “pseudo-ética individualista=objetivista” de Ayn Rand:

    “ela afirma categoricamente que a realidade é um “objetivo absoluto”. O problema desta questão é que significa tão somente uma redundância, porque Ayn Rand considera “objetivo”, basicamente, a realidade material visível, e, portanto, faz de sua filosofia um culto materialista. Para ela, não existe uma realidade espiritual. Se não bastasse o primarismo dessa filosofia, que não passa de uma forma vulgar de materialismo, a escritora sacraliza a razão como a única forma de conhecimento possível. E através desta premissa, ela se presta a criar um novo código moral para a sociedade. É paradoxal que ela reitere isso com a rejeição completa da fé (e isso se subtende a fé em Deus ou na religião), do mesmo modo que alimente uma idolatria quase divinizadora pela razão. O problema é como essa “razão” se apresenta: é uma visão utilitarista da sociedade e do indivíduo, cujos laços não implicam afetividade e obrigações superiores, mas apenas interesses. [negrito]O paradoxo é a dona Ayn Rand querer provar que os “interesses” podem ser explicados logicamente por si mesmos. Como o princípio motriz para ela é o indivíduos e os os caprichos, logo, é “racional” que ele seja egoísta e só ligue para os vizinhos quando são úteis. Ela diz desafiar a moral cristã do altruísmo, rejeitando qualquer princípio ético ou moral que obrigue um ser humano a ajudar o outro. Casou com a esposa e ela é um estorvo? Jogue fora a mulher! Os pais estão velhos e inúteis? Dispense-os e mande-os para um asilo! Os amigos estão com problemas? Abandone-os à própria sorte! Viu o mendigo passando fome na rua e pedindo esmola? Despeje-o na lata do lixo![/negrito] Essa é a maravilhosa “filosofia” da senhora ‘objetivista'”.

    ACONTECE que, já de largada no artigo, Leonardo Bruno diga só se atem a uma famosa entrevista dela a Mike Wallace e na inspiração dela para figuras como Rodrigo Constantino e Allan Greenspan, mas não aos livros – a PRINCIPAL fonte onde se encontra da autora – simplesmente porque NÃO OS LEU (está lá na terceira linha do primeiro parágrafo do artigo: “Não vou me ater aos seus livros, porque não os li”). SE Leonardo Bruno tivesse lido, por exemplo, o ensaio “Collectivized Ethics” presente no livro – de Ayn Rand, diga-se de passagem – [itálico]The Virtue of Selfishness[/itálico], veria lá na página 93 (da edição da Signet Books, 1970-71) os seguintes trechos:

    “Once, when Barbara Branden was asked by a student: ‘What will happen to the poor in an Objectivist society?’ – she answered: ‘If [itálico]you[/itálico] want to help them, you will not be stopped.’
    (…)
    “[negrito]Only individual men have the right to decide when or whether they wish to help others; society – as an organized political system – has no rights in the matter at all”[/negrito].(negrito por mim)

    Os trechos podem até ser criticados, mas dizer que o Objetivismo Randiano defende um egoísmo anti-social parasitário completo contra o “altruísmo social cristão” (aliás, ALTRUÍSMO É O CACETE! O que impera na doutrina cristã é a [itálico]caridade[/itálico], CAZZO!) SEM SEQUER TER LIDO UMA PÁGINA DOS LIVROS DA AUTORA É PICARETAGEM PURA E SIMPLES! (e isso vindo de um autor [negrito]conservador[/negrito], do MSM!)

    MAS a filosofia de Rand não é feita de flores: há um forte componente nietzscheano na filosofía de Rand, mesmo quando ela vai “abandonando” Nietzsche – que, junto com um Aristóteles “100% materialista”, foi a principal influência da autora em seus primórdios – no que tange ao “valor do indivíduo” (que tem como formulação máxima outro romance da autora, [itálico]Anthem[/itálico], no qual o personagem principal se intitula como Prometeu e afirma ser “seu próprio deus” – um dos motes aliás da Church of Satan de Anton Lavey, que teve como uma de suas inspirações justamente Ayn Rand, além de Nietzsche, Feuerbach, Sartre e outros…) e um claro ateísmo militante tanto em teoria quanto em prática. Isso sem falar que, ainda que o detestasse visceralmente, Rand era semelhante a Karl Marx no seu controle autoritário sobre seus discípulos, colaboradores e organizações. Basta lerem as biografias [itálico]Goddess of the Market[/itálico] de Jennifer Burns e [itálico]Ayn Rand and the World She Made[/itálico] de Anne C. Heller. E quanto a sua sonhada “Sociedade Objetivista”, talvez até agora não haja melhor “descrição concreta” – ficcional, antes de tudo, mas muito bem embaçado ao meu ver – que a cidade submarina de “Rapture” no jogo [itálico]Bioshock[/itálico], um dos melhores jogos nos últimos quinze anos:

    http://bioshock.wikia.com/wiki/Rapture

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