Estratégia de Esquerda: Estilo sem Substância

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Se você conhece o livro de Schopenhauer, “Como vencer um debate sem ter razão em 38 Estratagemas – Dialética Erística”, já deve saber um pouco sobre esta estratégia.

Aqui a idéia é clara: usar palavras difíceis e abordagens simuladamente complexas para tentar dar um ar de seriedade a um tema batido.

Como exemplo, o método Paulo Freire de ensino envolve termos como “tematização” e “problematização”, sendo que o primeiro não passa de uma forma de demonstrar uma visão de mundo a um aluno, e o segundo seria a simulação de uma “conscientização” do aluno fazendo uma crítica a essa visão de mundo. Tecnicamente, não passa de um viés para a proposição uma “nova realidade”, questionando a realidade observada. Só que quando muitos ouvem a expressão “problematização” pensam em solução genérica de problemas e esquecem de questioná-lo a respeito do que isso realmente significa em termos de ensino.

Recentemente, como mostrei aqui, Dilma Rousseff, disse que não queria falar das violações de direitos em Cuba, pois preferia uma “uma perspectiva multilateral”. Isso na verdade significava apenas que ela só queria falar do assunto SOMENTE tratando de todas as outras violações dos direitos humanos no mundo ao mesmo tempo, o que naturalmente inviabilizaria a discussão, e aí surgiu o pretexto para lançar o problema para debaixo do tapete. Então, meninos travessos, aprendam com a Dilma. Na próxima vez que roubarem laranjas do pomar e forem pegos, sugiram a “perpectiva multilateral” na versão dilmista, para que nada possa ser feito com vocês enquanto todos os roubos de fruta do mundo não forem tratados ao mesmo tempo.

Em outro debate com um marxista, dia desses, o sujeito afirmou que “a abjeção progressiva do tecido social é irreversível por quanto não mudar a estrutura política e social do país não haverá mudança clara”. Aliás, abjeção pode significar degradação, enquanto tecido social seria o conjunto de aspectos sociais de uma cidade. Nesse debate ele queria provar que não se devia resolver a criminalidade com punições severas, pois a tal “abjeção progressiva do tecido social” seria irreversível. Naturalmente, ele não conseguiu comprovar a alegação, mas tentou se sair com palavras fora do comum.

Isso, aliás, é uma constante desde os tempos de Hegel e Marx. Quanto ao primeiro, Schopenhauer sempre o denunciou como farsante, por, além de ter uma filosofia vazia, tentá-la encobrir como palavras floreadas para aparentar uma substância que não existia.

O centro da Dialética de Hegel era composto de tese, antítese e síntese. O que isso seria para o alemão prolixo? Simples, a tese seria a sociedade presente, a antítese a proposta futura de melhoria (geralmente radical, e as vezes violenta), e a síntese é o resultado final melhorado. Para ele, essa esteira de tese, antítese e síntese, ocorrendo continuamente, ia acabar levando o mundo para um irreversível cenário maravilhoso, repleto de racionalidade, onde todos “se visualizariam” nos outros e portanto seria fácil evitar os sofrimentos. Como se nota, uma grande bobagem. E sempre nessa linha, o material de Hegel geralmente é complexo, mas ele nunca provou os elementos que habilitariam o mundo novo. (Aliás, nada contra a abordagem com tese, síntese e antítese – o bizarro é aplicá-la para criar uma noção de “fim da história”)

Marx foi na sequência, e criou o seu materialismo dialético, que não passa de uma ampliação da trucagem de Hegel. No caso, a tese seria a sociedade presente, com os burgueses dominando os meios de produção. A antítese seria a revolução violenta, com a ditadura do proletariado –  e, como Hegel dizia, a antítese uma visão extrema, portanto não é o objetivo final. O objetivo final seria a síntese, a sociedade sem classes, vinda do conflito entre tese e antítese.

Note que assim como Dilma com sua “perspectiva multilateral”, Paulo Freire com sua “problematização”, Hegel com seu hegelianismo, Marx com seu materialismo dialético e o tal forista do Orkut com sua “abjeção progressiva do tecido social”, todos eles estão na verdade explicando coisas muito simples, básicas, mas procurando sempre usar uma terminologia empolada, praticamente no estilo do Professor Astromar, da antiga novela “Roque Santeiro”. Ele é o que está na imagem deste artigo e também pode ser visto no vídeo abaixo:

 

Essa postura esquerdista (que também pode ser vista em quantidades cavalares em materiais como os de Noam Chomsky), pode ter duas explicações básicas:

  • Para os que estão sendo doutrinados em quaisquer variações de esquerdismo, isso pode causar um efeito psicológico poderoso, no qual o novo adepto diria “nossa, realmente estou vendo um novo conhecimento, algo inovador”. Esse efeito provavelmente é causado pelo uso de palavras fora do cotidiano do ouvinte.
  • Tentar desanimar alguém que não esteja convertido ao esquerdismo (em especial o marxismo, grupo especialista neste tipo de discurso empolado) a investigar mais profundamente o tema, e, por consequência, deixar de questionar o que está sendo escrito/afirmado. É mais ou menos o que fazem os analistas de negócio picaretas: escrevem o máximo possível, tentando complicar a vida do leitor, na esperança de que o público alvo aprove o documento sem revisões. (Por ter desistido de ler)

Entretanto, uma mera investigação das alegações deles e uma breve pesquisa sempre acaba mostrando que o discurso esquerdista como um todo não é na verdade complexo, e através desta estratégia existe apenas uma SIMULAÇÃO de complexidade para tentarem demonstrar um conteúdo que na verdade não possuem.

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4 COMMENTS

  1. Bom ler esses textos antigos do Luciano, dá pra ver um pouco de sua evolução com o tempo.

    Você chegou a ler o “Imposturas Intelectuais”?

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