No Brasil do PT, não existe (ainda) oposição

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Fonte: Mídia sem Máscara

O pensamento político dito “de esquerda” fez várias incursões para a tomada do poder no Brasil durante o século XX. Baseados nas teses marxistas e, depois, neomarxistas, os revolucionários têm tentado se impor pela via das armas desde a Intentona Comunista de 1935, inspirados na globalização da Revolução Russa a partir de 1922, a soldo do PCUS (Partido Comunista da União Soviética).

Assim foi durante muito tempo e outras revoluções armadas ocorreram, sobretudo na década de 60, pois por meio da força queriam impor à Nação a Ditadura do Proletariado. Em tais oportunidades foram impedidos pelas Forças Armadas, que se concentraram em combater as guerrilhas e o terrorismo, mas deixaram o campo cultural à mercê da ação dos revolucionários. Boa parte dos terroristas dos anos 60/70 hoje está encastelada no Poder, proclamam com gáudio suas ações violentas quando lhes convêm ao currículo e posam falsamente de baluartes da democracia contra o regime militar, mas não declinam que sua real intenção seria levar o país à ditadura comunista.

Resumindo, como o caminho das armas não deu certo, alicerçados nos “ensinamentos” de Antonio Gramsci (um dos fundadores do Partido Comunista na Itália) e da chamada Escola de Frankfurt, um conjunto de “filósofos” que se reunia naquela cidade alemã, mudaram a estratégia: não pelas armas, mas sim pela palavra, atingiriam seu objetivo, confirmando o adágio de que a pena é mais forte que a espada.

Segundo a cartilha neomarxista, para que uma sociedade ocidental fosse regida pelo pensamento “de esquerda”, seria necessário destruir suas bases morais, criar o caos e fazer surgir uma nova sociedade, apoiada no conceito do “novo homem”. Para tanto, imperioso seria tomar as cabeças que comandam as universidades e as redações dos jornais, bem como envolver o sindicalismo do Estado; então, após duas gerações o pretendido Pensamento Hegemônico teria expressão cultural suficiente para impulsionar os “esquerdistas” ao Poder, mesmo ante uma maioria não-esquerdista, mas silente e presa pelas armadilhas plantadas dentro de sua própria moral pela astuta ação dos revolucionários, agora sem armas de fogo.

O que significaria destruir as bases morais do Ocidente para construir uma nova sociedade, supostamente “do bem” e certamente utópica?

Repetirei aqui, mais ou menos, palavras de gente graúda (Bento XVI é um deles), não por plágio, mas por terem uma precisão cirúrgica: o Ocidente é o resultado da mescla de Jerusalém, Atenas e Roma ao longo do tempo. Jerusalém, porque traz consigo a moralidade judaico-cristã; Atenas, porque berço da Filosofia e da idéia-força da Democracia e Roma, porque o arranjo das relações Estado/Cidadão ganhou formato jurídico organizado. Defender que tais legados permaneçam na sociedade ocidental é ser conservador, não porque tudo deva ser estático, sem progresso ou dogmático, mas necessariamente porque há referenciais que, uma vez perdidos, farão sobressair no arranjo social a tirania e a violência, inclusive a barbárie.

Dentre os três pilares que sustentam o que se pode entender como Ocidente, aquele que corre o maior perigo, atualmente, é também o mais importante, é o qual simbolicamente enunciei anteriormente como Jerusalém. Não que eu desfaça da espiritualidade que Sião traz consigo, de forma alguma e muito antes pelo contrário, mas isto porque a moralidade rege as relações consuetudinárias, o cotidiano, aquilo que não está escrito exatamente, mas está no ar, é pano de fundo, é norte das relações interpessoais.

Estando de pé esta coluna, as outras duas podem ser recuperadas, posto que esta seja o porto seguro da Caridade e da Liberdade.

A utópica sociedade socialista/comunista, tida pelos seus defensores como o Paraíso na Terra, na verdade só conseguiu produzir ao longo de seus quase cem anos de existência: genocídio; pobreza; submissão da realidade denominada Sociedade à ficção jurídica chamada Estado; privação da mais fundamental das liberdades, que é a liberdade de pensamento, sem a qual as demais manifestações de liberdade não existem, culminando na perda das liberdades individuais. O nome disto é tirania.

Ora, contra-argumentarão uns: “…mas a China é comunista e próspera, a Europa capitalista está indo à bancarrota…”. Respondo: o primeiro engodo da falácia marxista é fazer a oposição entre Capitalismo e Socialismo… Marx era esperto. O socialismo/comunismo é uma ideologia, capitalismo é um mero arranjo de produção e comércio. Não são comparáveis bananas e melancias! A prova é esta: a China, depois da Grande Marcha de Mao Zedong e sua trilha de 60 milhões de cadáveres, apenas dez vezes maior que o Holocausto nazista, criou o “novo homem” e hoje tem uma economia de mercado, porém a sociedade é socialista, está submetida ao Estado e este está tomado pelo Partido Único. Os amigos do Partido serão ou não serão empresários de sucesso, conforme convier.

Sobre a Europa de economia em crise, vejamos: seguir os ditames da social-democracia, como o tal estado de bem-estar social, levou o continente europeu a isto. Lord John Maynard Keynes, agulha da bússola dos economistas magos e marxistóides, ensinava que Dívida Pública não se paga, apenas se renegocia. Isto pode valer para duas ou três gerações, mas um dia chega a conta para pagar: o almoço NUNCA é de graça.

Há, também, outra óptica para analisar a situação: durante muitos séculos a identidade européia foi dada pela Cristandade, a despeito das diversas etnias, idiomas e demais outras diferenças, a argamassa que unia a Europa estava no consuetudinário e no transcendente; há não muito tempo, a Europa substituiu suas ricas feições por uma representação apenas física e material: a moeda, na qual se cunhou o homem vitruviano.

Voltemos ao Brasil. Os revolucionários, geração após geração, alimentaram suas crias e as habilitaram com mestria. O resultado de tal adestramento aflorou a partir das universidades e redações de jornais, em meados dos anos 80, o que fez parir, nas organizações políticas, dois gêmeos fraternos: o PT e o PSDB. O objetivo era eliminar qualquer organização partidária que estivesse em desacordo com Pensamento Hegemônico proposto por estas duas correntes, uma se mostraria mais radical e outra mais contemporizadora, mas com o mesmo objetivo: a implantação do socialismo no Brasil, sobretudo de forma gradual, quase imperceptível. O velho exemplo de colocar rã para cozinhar: deixe-a na água fria e vá aquecendo aos poucos, até chegar à ebulição, e a rã nem se dará conta de que está sendo fervida. As pessoas vão se acostumando: ninguém vê o ar, mas todos o usam na respiração.

O PT é um partido revolucionário, com tendências totalitárias, e vem se instalando em todos os nichos da sociedade brasileira com o objetivo precípuo de implantar plenamente o socialismo no Brasil.

Muitos de seus membros e eleitores sequer imaginam o grau de subversão da ordem institucional à qual têm colaborado, pois em sã consciência não participariam disso. Outros tantos, tanto sabem a que destino querem chegar, que até subdividiram o partido, sob legendas diversas, apenas para não caracterizar a ditadura do Partido Único.

A infiltração, a que me referi logo antes, serve também a camuflar o verdadeiro objetivo das ações e a monitorar possíveis oponentes, de modo a anulá-los antes mesmo de sua possível reação. Mais um dos porquês dessa postura camaleônica é a necessidade de implodir as instituições que salvaguardam as simbólicas Jerusalém, Atenas e Roma, destruindo-as de dentro para fora. Muito mais eficiente é o método de apoderar-se delas desde dentro, do que enfrentá-las num choque.

Num linguajar chulo, poder-se-ia dizer: “fazer-se de morto para… sodomizar o coveiro”; mas, já que mencionei Jerusalém, é preferível buscar a mesma figura de retórica n’A Relíquia (1887), de Eça de Queiróz: “(…) sobre a nudez forte da Verdade, o manto diáfano da fantasia (…)”. Exemplos não faltam: a Teologia da Libertação e a Teologia da Prosperidade aí estão para corroborarem minhas palavras e, em se tratando da ação dos revolucionários dentro da Igreja Católica, mas não restritas a ela, estes conseguiram até mesmo editar novos exemplares da Vulgata, com a desculpa de atualização de vocabulário, para nela inserirem notas de rodapé de pura doutrinação marxista, sobretudo por usar do vil estratagema de explicar eventos de um passado distante sob o prisma da atualidade: não faltam alusões à “exploração do homem pelo homem para obter lucro”, sequer explicam que a escravidão, abominável que seja, foi prática comum; não era esta a condição do povo hebreu ao fugir do Egito e, depois, da Babilônia?

Um capítulo interessante e até recente desta malfadada epopéia foi apodado de “Mensalão”, hoje tido até mesmo como suposto e próximo de sua prescrição ante a Lei. A falta de moral dos “mensaleiros”, dos vendilhões, foi aproveitada pelo establishment para tornar possível seus mandos e desmandos. Aqueles que fizeram da “Ética na Política” uma bandeira ao impeachment de um Presidente foram os mesmos que promoveram o “Mensalão”… Cômico seria, caso não fosse trágico.

Desnecessário ter dons mediúnicos ou rompantes de quiromancia para vaticínios, basta entender que a idéia revolucionária é ir acostumando a população à nova ordem institucional até que, sem reação alguma, a nomenklatura se instale definitivamente em todas as esferas de Poder e goze de seus desejados privilégios.

Para desconforto de muitos, afirmo que já vivemos sob grande influência desta manobra revolucionária e, para provar a assertiva, darei alguns exemplos. Vejamos adiante.

Os inúmeros conselhos municipais e similares não fazem parte do que se pode classificar como Democracia Representativa, em verdade são uma versão nhambiquara dos sovietes.

Quem elegeu os membros de tais conselhos? Por que os conselhos não são coordenados pelas Câmaras Municipais? Este é o órgão legislador de fato! Do contrário, a edilidade recebe, com absoluta razão, a pecha de mera marionete, cujas principais atividades se resumem a nomear logradouros públicos, agir como “despachantes” do clientelismo endêmico e dar guarida ao seu séquito de cabos eleitorais. Estou propondo que a população se cale ante seus anseios? Não! Apenas que se organize e busque seus legítimos representantes, afinal a que serve o voto? Ao legislador cabe, ora, legislar! Não há que receber o prato feito de conselhos!

Este status quo serve apenas para, no decorrer do tempo, caracterizar os vereadores como inúteis e daí à extinção do Legislativo, nada custa.

Em semelhante situação se encontram deputados estaduais, federais e senadores. Ainda mais os senadores espertalhões, os quais não conseguem sequer entender que ocupam o cargo mais importante de uma república, cedendo à fissura do Poder transitório e egoísta, criando para si vantagens além do absurdo: planos de saúde super-nepóticos, garagistas cujos salários excedem os vencimentos de comandantes de fragatas, inúmeros assessores, verbas acessórias e assim por diante. Na história recente, os senadores já ouviram de um ex-ministro da Justiça e atual governador sulista, que fazem parte de uma instituição anacrônica, a qual deveria ser extinta. Somente para o registro, a importância do Senado a uma república é tão basilar, que o vetusto estandarte romano apresenta a inscrição SPQR (Senatus Populusque Romanus), ou seja, “(em nome do) Senado e do Povo Romano”.

Mais uma: um dos calibres grossos do poder, senão o maior dentre todos, tem sua dacha no município vizinho. Dacha era o nome dado às casas de campo dos grão-vizires da nova nobreza da nomenklatura do Partido da extinta (apenas pro forma) URSS. Convenhamos, uma trajetória de aumento patrimonial impressionantemente rápida para um “ex-clandestino”, que hoje é lobista, transita de jatinho e “é do povo”. O povo tem, mesmo, muitas casas de veraneio por aí… Uma sugestão: antes de aceitar o discurso de alguém, convém conhecer sua biografia.

De toda esta mixórdia, penso que a instituição que mais mereça cuidado é a Família. É mais que importante protegê-la, rechaçando abertamente e com justo vigor as infelizes palavras do Ministro do Supremo que, agindo de forma anticonstitucional, se referiu à união matrimonial tradicional de um homem e uma mulher como um ato de mero incremento patrimonial, sem afetividade… Ora, minha Família é meu patrimônio maior, sim, não nego e acresço: tão grande é ele que não se pode contabilizar ou medir em moedas seu valor. Seu valor é transcendente, real e eterno. As palavras do ínclito juiz me ofenderam no cerne e provaram o quão distorcido é seu juízo de valores.

Ameaçam seriamente também a Família, célula social básica, os movimentos pró-aborto e a educação escolar, desde a escola infantil até o ensino superior; os movimentos pró-aborto o são, por óbvio, ainda que travestidos de “católicas pelo direito de decidir” e o ensino escolar, este porque distorcido e sem foco no essencial: os conteúdos programáticos curriculares, salvo honrosas exceções, estão carregados de re-escritura da História e afins, que é feito sempre usando de linguagem, visão e indução ao marxismo, fazendo com que alguns assuntos, que seriam apenas temas de uma grade, passassem à categoria de matérias. Afora isto ser intempestivo no mais das vezes, o tempo é usado para doutrinar crianças, adolescentes e jovens, em vez de ensiná-los o básico em Língua Portuguesa, Matemática, Química, Física, Biologia e Geografia Física (a Geografia Humana é ensinada com muito carinho, sempre mencionando “Luta de Classes”). O ensino se torna uma arma e esta mais poderosa fica quando pais e mães “terceirizam” o processo, entendendo que é a escola que deve educar seus filhos… Enganam-se, papais e mamães, pois a educação dos filhos é de sua responsabilidade, escolas podem colaborar e tem por obrigação bem informar, mas é no seio da Família que a educação tem seu lugar; este tesouro não está disponível à abdicação e por amor e responsabilidade deve ser muito bem guardado por pais e mães.

O texto já está extenso e é hora de seu epílogo e encerramento. Após discorrer sobre esta triste realidade, é justo nominar ao menos um dos principais mentores desta criatura teratológica: o Professor Fernando Henrique Cardoso, o elemento mais gramsciano da História do Brasil, grande vitorioso em seu propósito ao eleger Luís lnácio Lula da Silva como seu sucessor e, pelo andar da carruagem, ajudará bastante o retorno de Lula ao sólio do Palácio da Alvorada.

Quem pretende ajudar na manutenção da tríade Jerusalém, Atenas e Roma não tem espaço na política atual. Muito há que estudar, há que se buscar travar batalhas no campo cultural, a política é somente uma decorrência disto e, para vencê-las, basta mostrar a verdade aos incautos. Isto é simples,porém é custoso e tomará muito tempo. Levará gerações até que haja massa crítica para respostas eficazes, haverá momentos em que a vontade de desistir será avassaladora e, nesta bendita hora, tenha-se por inspiração a Canção do Tamoyo, Últimos Cantos (1851), de Gonçalves Dias: “Não chores, meu filho; não chores, que a vida é luta renhida: viver é lutar. A vida é combate, que aos fracos abate, que os fortes, os bravos, só pode exaltar”.

Embora de forma organizada sejamos poucos, por enquanto, estou certo de que também sejamos uma maioria silenciosa, ainda não plenamente consciente do ardil que se nos preparam, mas seguramente capaz de reagir: basta começar. Perseverantes, haveremos de preservar nosso direito de viver conforme nossos ideais. Logo, à luta!

Fernando Antoniazzi

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  1. “Defender que tais legados permaneçam na sociedade ocidental é ser conservador, não porque tudo deva ser estático, sem progresso ou dogmático, mas necessariamente porque há referenciais que, uma vez perdidos, farão sobressair no arranjo social a tirania e a violência, inclusive a barbárie.”

    – Esta afirmação é problemática. Não vejo de que forma suas premissas sustentam sua conclusão.

    • Sem o legado da filosofia grega e da religião cristã, perdemos nossos referenciais de busca pela verdade. Os revolucionários aproveitar-se-ão da confusão mental gerada para obter o poder. O totalitarismo é consequencia disso.

      • O que tem em comum cristianismo e verdade? Por um acaso todo cientista deve ser cristão para estar em direção à verdade? Mesmo a ciência grega já foi substituida desde muito. São ecos do passado que ainda ressoam em nossas mentalidades. Claro que estas duas instituições, Grécia e Cristianismo, fundaram o ocidente, mas isso foi há muito tempo. E mesmo elas não eram perfeitas, pois os gregos eram escravagistas e imperialistas, invadiam e escravizavam os outros povos ou seja, não eram uma sociedade pronta, acabada e perfeita. Tinham uma relação utilitarista com os outros povos e humanistas com os seus. Os cristãos a gente sabe bem, entre erros e acertos eles ainda se mantém. De carrascos na idade média à militantes da ecologia no agora a igreja vai lutando principalmente contra si. Além disso, não gosto e nem é plausível propor este falso dilema. O mundo não foi inventado nem terminado por estas instituições, a cultura ainda está em formação e os valores também. Valores poderão mudar com o enfraquecimento do cristianismo(já enfraquecido) mas não decorre (logicamente) disso que a mudança será para pior. Também a igreja deve dialogar com os aqueles não cristãos e de outras orientações religiosas para reafirmar a si mesma ou mudar. Esse simplismo, por vezes, incomoda. Cristianismo fala de ética, é isso que, sobretudo, ele tem a oferecer. A pobre grécia, da metafísica, parece que só se encontra em museus ou em livros de história. O ser huamano ainda está por ser feito….

        grande abraço amigos!

  2. Essa tese de três pilares (jerusalém, roma e grécia) é uma verdade muito simplista, desconsiderando todas as novas correntes filosóficas da Europa durante todos esses séculos.

    Além disso, a moral que você prega (que obviamente vem da bíblia, mas poderia vir de qualquer lugar) precisa ser provada cientificamente quanto a eficácia, ou dano. Se opor ao aborto por pena é algo que nem os gregos faziam.

    Você tem todo direito de julgar como funcionaria melhor a sociedade, mas apresente fatos mais consistentes, não opiniões soltas imersas no conservacionismo de que “o mais antigo é o melhor”. E ponto.

      • A moral cristã só existe para os cristãos. A partir do momento que você pretende criar leis que afetem todos por exemplo, você tem que dar motivos que vão além de questões de religião, são provas, fatos, evidências de que aquela forma de lei ou administração é melhor.

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