Quem disse que só esquerdistas podem usar terminologia politicamente correta?

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Depois do post sobre o homoceticismo, pensei com meus botões: “precisamos também redefinir a linguagem de forma que ela seja mais coerente com os fatos”.

Esquerdistas já fazem isso, e geralmente são desonestos. Ao contrário, podemos fazer a redefinição linguística e tendo uma justificativa exata para cada redefinição.

Aqui vão alguns exemplos:

  • neo ateu –> anti-religioso

Essa é importantíssima. Ao chamarmos alguém de “neo ateu”, muitos que pertencem à platéia não sabem o que está sendo afirmado. Muitos até diriam: “O que é neo ateu?”. Mas se chamarmos alguém de anti-religioso, estamos AUTOMATICAMENTE comunicando à platéia, especialmente a religiosa, que temos alguém que é um OPONENTE da religião. Enfim, um inimigo dos religiosos. Antes que neo ateístas reclamem, o discurso deles é formalmente anti-religioso, portanto esta redefinição não é uma mentira, mas uma constatação dos fatos. Todas as redefinições apresentadas aqui, como já disse, seguirão pelo mesmo caminho.

  • homofóbico –> homocético

Depois deste texto, inspirado pelo post do blog perspectivas, eu não podia deixar de citar essa redefinição. Obviamente, nem seria necessário utilizar o termo, a não ser em resposta a ataques vindos de esquerdistas. Quando eles usarem o termo “homofóbico”, deve-se retrucar com “não, sou homocético”. Isso automaticamente vai embaralhar a cabeça deles e corresponde aos fatos. Eu não tenho medo nem aversão a gays, mas duvido que a transformação do comportamento deles em algo normativo em nossa sociedade seja útil. Logo, isso é apenas um ato de ceticismo.

  • liberal (no sentido obamista, progressista, etc.) –> esquerdista

Recomendo nunca, sob hipótese alguma, chamar alguém que defende idéias a la Obama de “liberal”. Sei que nos Estados Unidos eles adoram ser chamados assim, como já tratei neste texto, mas isso não passa de uma rotina de controle de frame. Como eles defendem estado inchado, não podem ser associados a “libertadores”. Talvez libertários poderiam, assim como os conservadores em geral, mas jamais qualquer adepto do estado inchado. Para evitar incorreções, chame-os sempre do que eles são: esquerdistas. Às vezes, pode ser útil chamá-los de “esquerdistas de perfil progressista”. (Detalhe: os tradutores de Liberal Fascism, de Jonah Goldberg, acertaram em cheio, e a versão nacional é entitulada Fascismo de Esquerda)

  • marxista/anarquista –> adepto da extrema-esquerda

De todos os adeptos da esquerda, aqueles que mais vão a fundo, de forma “fundamentalista”, são os marxistas. Tornam-se grupos fechados e aceitam plenamente a idéia de que “certo é o que está do lado deles, errado é o que está contra”. São capazes de pedir a pena de morte para Yoani Sanchez somente pelo fato dela denunciar o governo cubano, ao mesmo tempo em que amam a proteção ao assassino Cesare Battisti. Por isso, nada mais justo que rotulá-los pelo que eles são: extremistas. Obviamente, não podemos esquecer de rótulos como “marxistas” ou “anarquistas”, de acordo com o caso, mas sempre é útil lembrar à platéia que todo marxista é perigoso em termos sociais, como qualquer fanático religioso islâmico, por exemplo.

  • esquerda (como um todo) –> religião política

Essa é uma que defini neste blog, e tem uma utilidade específica: lembrar à platéia que estamos diante de pessoas que estão embuídas de quantidades absurdas de fé (em um futuro maravilhoso, em ídolos, na eliminação das contingências humanas, no governo global, etc.), possuem um senso de identidade de grupo, simbologias particulares, tradições, cosmovisão e um código particular de moral. Mas o essencial é realmente um altíssimo componente de fé. Ao invés de uma crença em Deus, uma crença em que o homem irá se livrar de sua contingência humana, como instinto predatório, territorialismo e vontade de poder. Tecnicamente, é uma crença de “salvação”, como diria John Gray. A importância de lembrarmos que a esquerda, como um todo, é uma religião política, é não esquecermos do paradigma implementado após o Iluminismo. Se há religiões, e portanto se há fé, elas devem ser colocadas sob estrito questionamento.

  • conservador –> cético político

O termo “conservador” pode dar a impressão daqueles que querem manter as “coisas do jeito que estão”. Nada mais falso. Pela defesa do capitalismo, as grandes conquistas do nosso mundo se devem ao pensamento conservador (adepto do livre mercado). Um exemplo é a inclusão digital, que só pôde acontecer pelo advento da Internet, um fruto do capitalismo. A possibilidade de melhorar a vida de pessoas carentes só surgiu a partir de inovações, criadas pelo capitalismo. Assim, associar o conservadorismo à “inércia” é absurdo, e a expressão “conservador” pode levar a isso. Minha sugestão é simples. Basta sermos céticos em relação à crenças da esquerda, assim como um neo ateu é cético em relação às crenças da religião. Isso significa que a mesma rejeição que Dawkins tem em relação à religião, devemos ter em relação ao humanismo, marxismo e  progressismo, dentre outras – com a diferença de que não devemos mentir como os esquerdistas. E isso não significa que sejamos contra a ” mudança” ou “melhoria contínua”. Pelo contrário, somos até mais proponentes de mudanças e melhorias, mas não significa que temos que apoiar as mudanças DESEJADAS pelos esquerdistas. Ademais, um cético político é um cético em relação à religião política.

Resumo

Enfim, neste blog eu desmascaro, dentre outros esquerdistas, os anti-religiosos. Sou homocético, e rejeito qualquer idéia homofóbica, as quais acho estúpidas. Tenho especial preocupação com a extrema-esquerda, mas a esquerda moderada, a la Bill Clinton e Barack Obama, é também preocupante, pois a moderação deles pode esconder o radicalismo de coisas como marxismo (um exemplo é o Occupy Wall Street, movimento socialista que é adorado pelos… progressistas). Concluindo: a essência do trabalho deste blog é o uso do ceticismo em relação à religião política.

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1 COMMENT

  1. Excelente o artigo! Com relação ao termo conservador eu concordo que pode dar a impressão de ser contra o progresso, mas se ele for pronunciado conjuntamente com o termo moral, isto é, conservador moral, vai dar uma melhor definicao do seu real significado na minha opinião.

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