E não é que os esquerdistas já começaram a se preocupar com os céticos políticos? Estamos no caminho certo…

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Fonte: Carta Maior

O ceticismo parece um bom refúgio em tempos em que já se decretou o fim das utopias, o fim do socialismo, até mesmo o fim da história. É mais cômodo dizer que não se acredita em nada, que tudo é igual, que nada vale a pena. O socialismo teria dado em tiranias, a política em corrupção, os ideais em interesses. A natureza humana seria essencialmente ruim: egoísta, violenta, propensa à corrupção.

Nesse cenário, só restaria não acreditar em nada, para o que é indispensável desqualificar tudo, aderir ao cambalache: nada é melhor, tudo é igual. Exercer o ceticismo significa tratar de afirmar que nenhuma alternativa é possível, nenhuma tem credibilidade. Umas são péssimas, outras impossíveis. Alguns órgãos, como já foi dito, são máquinas de destruir reputações. Porque se alguém é respeitável, se alguma alternativa demonstra que pode conquistar apoios e protagonizar processos de melhoria efetiva da realidade, o ceticismo não se justificaria.

Na realidade o ceticismo se revela, rapidamente, na realidade, ser um cinismo, em que tanto faz como tanto fez, uma justificativa para a inércia, para deixar que tudo continue como está. Ainda mais que o ceticismo-cinismo está a serviço dos poderes dominantes, que costumam empregar esses otavinhos, dando-lhes espaço e emprego.

Seu discurso é que o mundo está cada vez pior , à beira da catástrofe ecológica, tudo desmorona e outros cataclismos. Concitam a essa visão pessimista, ao ceticismo e a somar-se à inercia, que permite que os poderosos sigam dominando, os exploradores sigam explorando, os enganadores – como eles – sigam enganando.

Por mais que digam que tudo está pior, que o século passado foi um horror – como se o mundo estivesse melhor no século XIX -, que nada vale a pena, não podem analisar a realidade em concreto. Para não ir mais longe, basta tomar a América Latina – tema sobre o qual a ignorância dessa gente é especialmente acentuada. Impossível não considerar que o século XX foi o mais importante da sua história, o primeira em que a região começou a ser protagonista da sua historia. De economias agro exportadoras, se avançou para economias industrializadas em vários países, para a urbanização , para a construção de sistemas públicos de educação e de saúde, para o desenvolvimento do movimento operário e dos direitos dos trabalhadores.

Mas bastaria concentrar-nos no período recente, no mundo atual, para nos darmos conta de que as sociedades latino-americanas – o continente mais desigual do mundo – ou pelo menos a maioria delas, avançaram muito na superação das desigualdades e da miséria. Ainda mais em contraste com os países do centro do capitalismo, referência central para os cético-cínicos, que giram em falso em torno de políticas que a América Latina já superou.

As populações da Venezuela, da Bolívia, do Equador, estão vivendo muito melhor do que antes dos governos de Hugo Chavez, de Evo Morales e de Rafael Correa. A Argentina dos Kirdhcner esta’ muito melhor do que com Menem. O Brasil de Lula e de Dilma esta’ muito melhor do que com FHC.

Mas o ceticismo-cinismo desconhece a realidade concreta, não conhece a história. É pura ideologia, estado de ânimo, que dá cobertura aos poderosos, lado que escolheram, ao optar por deixar o mundo como ele está. Trata de passar sentimentos de angustia diante dos problemas do mundo, mas é apenas uma isca para fazer passar melhor seu compromisso com que o mundo não mude, continue igual. Até porque a vida está bem boa para eles que comem da mão dos ricos e poderosos.

Ser otimista não é desconsiderar os graves problemas de toda ordem que o mundo vive, não porque a natureza humana seja ruim por essência, mas porque vivemos em um sistema centrado no lucro e não nas necessidades humanas – o capitalismo, na sua era neoliberal. Desconhecer as raízes históricas dos problemas, não compreender que é um sistema construído historicamente e que, portanto, pode ser desconstruído, que teve começo, tem meio e pode ter fim. Que a história humana é sempre um processo aberto de alternativas e que triunfam as alternativas que conseguem superar esse ceticismo-cinismo que joga água no moinho de deixar tudo como está, pela ação consciente, organizada, solidária dos homens e mulheres concretamente existentes.

Meus comentários

Dia desses um amigo me disse que eu “criei” o ceticismo político. Não é fato. Eu apenas defendo uma metodologia para a sua aplicação, com base em estudos de ciência política, dinâmica social, e técnicas de identificação de fraudes que os auditores adoram (melhor, precisam) utilizar. Mais do que isso, sou um fã das bases de conhecimento, e por isso mantenho seções com as rotinas e estratégias dos esquerdistas. (Em essência, é o mesmo que criar uma base de conhecimento corporativa sobre os principais ataques à segurança, para combatê-los de forma mais rápida)

Mas quanto ao ceticismo político em si, sou apenas mais um dentre vários outros, em uma lista que inclui John Gray, Russel Kirk e qualquer outro que questione utopias. Em suma, o questionamento às religiões políticas.

Assim como no passado líderes místicos ficaram incomodadíssimos com os questionamentos de céticos quanto ao sobrenatural, não seria diferente com os líderes da religião política.

Emir Sader, de forma absolutamente previsível, lança apenas uma pregação de rancor em relação àqueles que questionam as crenças da esquerda.

Ele começa afirmando que o ceticismo em relação às crenças políticas (aliás, posso supor que a ojeriza dele está posicionada em relação à esses céticos, como eu) é “mais cômodo”.

Nada mais falso. Não há nada de “cômodo” em ser um cético. Pelo contrário. Dá muito trabalho ficar duelando com crentes que parecem tão motivados quanto os zumbis dos filmes, gritando por “cérebros”.

Quando ele afirma que “tudo é igual” e que “nada vale a pena”, isso também não tem absolutamente nada a ver com o cético político.

Segundo ele é uma constatação desses céticos que “a natureza humana seria essencialmente ruim: egoísta, violenta, propensa à corrupção”. Isso é verdade, e céticos como eu concordam com isso. Mas não é motivos para desespero, pois quem trabalha com Segurança da Informação sabe que a constatação de que a natureza humana é corrupta permite que nós estejamos precavidos em relação à essa corrupção. Aliás, é para isso que servem os Gerentes e Auditores de Segurança da Informação. É por causa desse tipo de constatação, aliás, que é possível para emir sader acessar tranquilamente sua conta bancária via Internet. A choradeira dele, portanto, é injustificável.

É por isso que temos que ser céticos, cada vez mais, especialmente quanto a pessoas como Sader, que mentem o tempo todo.

Notem quando ele afirma que “exercer o ceticismo significa tratar de afirmar que nenhuma alternativa é possível, nenhuma tem credibilidade”. Pelo que eu sei, céticos não afirmam nada disso, mas sim que, se uma alternativa é AFIRMADA COMO POSSÍVEL, então deve-se provar que ela é possível. Por exemplo, se alguém diz que é possível criar uma ditadura do proletariado e depois transferir o poder ao povo (como Marx falava), que provem que isso é viável. Já temos países como Cuba e Venezuela, onde os experimentos são feitos, e nada da tese funcionar. Ceticamente, temos que exigir as provas de que isso funciona. Por enquanto, o marxismo trata-se apenas de um mecanismo de obtenção de autoridade, e é só para isso que ele serviu. Cientificamente, é isso que os experimentos nos mostram.

O mais grotesco é quando ele afirma que o “o ceticismo não se justificaria”. Motivo? Vejam a pérola: “[…] se alguém é respeitável, se alguma alternativa demonstra que pode conquistar apoios e protagonizar processos de melhoria efetiva da realidade”. Segundo ele, é por isso que existem máquinas de “destruir reputações”.

É claro que o viés fica claro. Sendo que pessoas como Hugo Chavez, Dilma e Fidel possuem uma série de sujeiras em seu caminho e tentam usar os recursos de obtenção de autoridade moral, ele começa a chamar a mídia de “máquina de destruir reputações”. emir, eu não nasci ontem…

Como tenta nos enrolar, sader afirma que os céticos quanto èsquerda possuem na verdade “cinismo”. Segundo ele isso seria “justificativa para a inércia, para deixar que tudo continue como está”. Obviamente, este é um truque dos mais desonestos que a esquerda consegue implementar (criarei até dois verbetes para estas rotinas, os quais chamarei de “Conservadores não querem mudança” e “Conservadorismo cético é igual a cinismo”).

O truque é puramente psicológico. Ele toma como premissa que as ÚNICAS MUDANÇAS que existem, em termos sociais, são aquelas propostas pelos socialistas. Portanto, se alguém duvida das mudanças propostas pelos socialistas, isso significa que os conservadores “não querem mudança”. Fuga total da realidade, pois as maiores mudanças estruturais de nossa sociedade, como o fim da escravidão, inserção de mulheres no mercado de trabalho e até os direitos às minorias, surgiram por demandas capitalistas, não socialistas. Logo, o capitalismo provoca mudanças que geram prosperidade para a população de forma muito melhor que que o socialismo. Por isso, estão refutadas as alegações de sader ao afirmar que os céticos políticos querem “deixar tudo como está”.

Mesmo que eu já tenha refutado a alegação de Sader sobre nosso “cinismo”, há uma outra alegação que eu não poderia deixar passar. É esta: “o ceticismo-cinismo está a serviço dos poderes dominantes, que costumam empregar esses otavinhos, dando-lhes espaço e emprego”.

Novamente, a realidade é totalmente diferente da que ele descreve. Basta usarmos somente a lógica. Lembremos de como funcionam as republiquetas. Países como Venezuela e Cuba poderiam ser chamados de republiquetas. Não são muito diferentes daquela vista no filme “Os Mercenários”, de Sylvester Stallone.

Para quem não se lembra, segue o trailer abaixo:

Voltando então às republiquetas, que podem nos dar um bom estudo de caso. Realize que nesses locais existem empresários, e alguns deles tem mais poder que o assalariado. Isso é um fato. Mas nenhum desses empresários, mesmo dentre os mais poderosos, possui tanto poder quanto os ditadores totalitários que chegaram ao poder. Portanto, se o conservador estaria a “serviço dos poderosos”, pelo menos podemos dizer que os poderosos aos quais “servimos” não são tão poderosos aos quais o emir sader serve. Até por que o dono de um país, de forma totalitária (a tal ditadura do proletariado) tem mais poder do que qualquer empresário poderoso em um país do mesmo tamanho. Isso, novamente, é pura lógica: uma coisa é ter em mãos toda a receita de uma empresa, outra coisa é ter toda a receita de um país…

Agora eu entendo por que Sader não gosta dos céticos, pois vamos à fundo em todas as alegações dele e da turma dele. Como mentem o tempo todo, não passa nada no crivo.

Para Sader, a América Latina “controlou sua história”, pois hoje existe mais fartura por aqui do que antes. Como sempre, a distorção é total.

O que explica um cenário de melhoria da América Latina são duas coisas: o capitalismo e a teoria do bode . Os países que tiveram melhoria a conseguiram somente por causa do capitalismo. Aliás, o Brasil, mesmo tendo governantes de esquerda, ainda é capitalista, haja vista que pessoas como Eike Batista, Abílio Diniz e todos os banqueiros AMAM DE PAIXÃO o governo do PT. Portanto, se há melhoras, não é por causa do socialismo, mas do capitalismo. Da mesma forma, o aumento do poder de compra dos trabalhadores é uma necessidade capitalista, não socialista. Hoje em dia, com a globalização (e o custo baixo das passagens aéreas), se não pagarmos bons salários para os profissionais, eles vão para os Estados Unidos, Canadá ou Europa. Portanto, novamente, é o livre mercado nos ajudando.

Quanto à teoria do bode, basta avaliar o que ela nos tem a dizer em termos de ciência política:

Dizem que um pai de familia necessitado, passando por sérias dificuldades, morando numa casinha muito pequena e com muitos filhos, foi pedir ajuda ao pároco da cidade.
Chegando lá, contou o seu drama e o padre lhe deu um bode com a recomendação de que, durante uma semana, ele montivesse o bode na sala e depois disso voltasse lá.
Passada uma semana, o cidadão voltou e o padre perguntou: “E então? As coisas melhoraram?”
– Não, seu padre. Não melhorou nada…
– Então, devolva o bode e volte daqui a uma semana. Disse o padre.
O sujeito devolveu o bode e uma semana depois retornou. Novamente o padre perguntou: “E então? as coisas melhoraram?”
– Agora sim, seu padre, melhorou bastante. Sem o bode a gente tem espaço na sala e não tem mais aquela fedentina.

Quer dizer, não é que estamos “rumo ao sucesso”, mas sim que já estivemos em situação de maior penúria (como na época da malfadada reserva de mercado, que foi eliminada, vejam só, por Collor, o único presidente mais ou menos de direita do país). A única coisa que notamos é que o bode foi embora, e as melhorias que temos surgiram justamente pela competitividade com os outros países.

O esquerdista ainda tenta nos convencer de que os céticos políticos “desconhecem a realidade concreta”. Mais ainda, ele diz que “não conhecemos a história”. Como sempre, a realidade mostra o inverso do que ele afirma.

Difícil imaginar uma vida mais desgraçada do que aqueles que hoje estão sob o jugo de ditadores na Coréia do Norte, Venezuela e Cuba. E esses são os implementadores da “mudança” que Sader defende. Se for para ficar na mesma situação em que eles, claro que queremos deixar a coisa que está. E a história nos diz o que ocorre quando os esquerdistas conseguem o sucesso em maior escala, como nos casos da Rússia e China.

Ele repete o seguinte: “Até porque a vida está bem boa para eles que comem da mão dos ricos e poderosos.”. Mas se os totalitaristas de esquerda que obtem sucesso são mais poderosos que os grandes empresários (e mostrei isso logicamente), isso quer dizer que os maiores “vida boa” são gente como emir sader, Luis Nassif e Paulo Henrique. Mas a vida deles será de abundância absoluta (enquanto a do restante de penúria total) quando o poder do PT for totalitário como hoje é o de Fidel em Cuba. Com pessoas “cheias de boas intenções” como emir, dá para confiar? Só tontos, naturalmente…

No final vem a cereja do bolo. Só cereja? Não. Vem a cereja, a cobertura, as nozes e o waffle.

Ele diz que os graves problemas de toda ordem que o mundo vive ocorrem “não porque a natureza humana seja ruim”, mas por causa de um “sistema centrado no lucro e não nas necessidades humanas”.

Esperem aí, vamos com calma, muita calma nesta hora.

Vamos supor que realmente o sistema capitalista fosse “algo cruel”, “sem pensar nas necessidades humanas”. Claro que não é. Mas vamos só supor que fosse isso. Se esse sistema fosse “tão malvado”, ele foi criado por quem senão os seres humanos? Só isso já derruba a idéia de que o ser humano tem “controle da história”.

Embuído de uma fé (simulada ou não, e eu aposto no primeiro caso) que só convenceria alguém que sofreu doutrinação acadêmica, ele diz que conhece “as raízes históricas dos problemas”, e estes problemas estão no “capitalismo” (é, eu sei, a chorumela deles não mudará jamais). Ele afirma: “é um sistema construído historicamente e que, portanto, pode ser desconstruído”.

Mas como ele vai desconstruir um sistema em que poderosos se dão bem sobre a massa, se não há nenhuma mudança biológica envolvida? Qualquer pessoa em sã consciência sabe que, se há poder nas mãos de poderosos no capitalismo, no socialismo há poder nas mãos de poderosos também, pois biologicamente o ser humano é o mesmo na Venezuela ou nos Estados Unidos. A diferença é que nos países de esquerda o poderoso tem muito mais poder, pois é dono de um estado totalitário.

A crença dele no “controle da história”, fica evidente aqui: “Que a história humana é sempre um processo aberto de alternativas e que triunfam as alternativas que conseguem superar esse ceticismo-cinismo que joga água no moinho de deixar tudo como está, pela ação consciente, organizada, solidária dos homens e mulheres concretamente existentes.”

O engraçado é que tais ações somente levaram ditadores totalitários a conseguirem o poder, e após o poder obtido, os idiotas úteis são dispensados como lixo. Isso por que estes idealistas, após os ditadores assumirem o poder, tendem a ficar “indignados” ao ver que apenas ajudaram a criar poderosos ainda mais poderosos do que no sistema capitalista.

É claro que os leitores de Emir Sader são a massa de manobra. Eles são os idiotas úteis. Posso suspeitar que emir sader, por sua adesão oficial a organismos como PT e correlatos, vai ter uma fatia do bolo. Ele está na luta pelo poder e quer ser um beneficiário, obviamente. (Aliás, isso se já não for)

A totalidade do texto de Sader é focado na implementação da estratégia Crença no Homem, e tal crença é facilmente desmontável.

É claro que ele tem motivos para odiar os céticos. Somos nós que dificultamos a vida do Sr. Emir na obtenção da “vida boa”, comendo na mão dos poderosos (ditadores totalitários) através do uso de massas de manobra. Estamos jogando água no chope dele.

Estamos no caminho certo.

P.S.: O leitor Marco Antonio, de Curitiba, me alertou que eu confundi algo. Atribuí o texto de Emir Sader a Elio Gaspari. Fiz a revisão, troquei a foto, e agora está tudo certinho. Mas esse erro é justificável: Elio Gaspari e Emir Sader são praticamente a mesma coisa, a mesma ladainha, o mesmo trololó e a mesma subserviência aos petralhas. Obrigado, Marco!

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5 COMMENTS

  1. Olá, Ayan. Esse post é mesmo de Madame Gaspacha, digo, do Elio Gaspari?

    Fui conferir o link e percebi que foi postado no blog do Emir Sader como se fosse do próprio.

    Não que eu me surpreendesse se Sader fosse ghost-writer de Gasparildo (se Eremildo, assim como seus leitores, é um idiota, Gaspari é um sabichão). Talvez isso até livrasse a cara do Emir e nos poupasse daquela sua gramática nóis-pega-u-pêichi (nos Emirados Sáderes, um avião “posa” na pista e uma modela “pousa” para uma foto).

    Em tempo, uma recordação edificante: lembra aquela vez em que Gaspari ficou uma arara de bravo quando a imprensa noticiou a “peteca do Vavá”, irmão de Lula? Isso, sim, é que é crença no homem – ou, nesse caso, no ômi… =D

    Um abraço.

    • Grande Marco, obrigado pela dica, fiz a correção. Valeu mesmo!.

      Ah, como esquecer dos chiliques do Gaspari? rs. Boa lembrança. (agora que corrigi o texto, tenho que refutar alguma coisa do Elio Gaspari, para não ficar só na vontade rs..)

  2. Não sei o que você acha,Luciano, e estou longe de ser um especialista no assunto, mas acho relativamente seguro concluir que os céticos políticos fazem hoje, em relação a outros campos do conhecimento, o que os economistas liberais fizeram com as teses econômicas marxistas clássicas e fazem ainda com as de viés esquerdista, de modo geral.

    Veja-se, por exemplo, aquilo que Marx escreveu sobre Economia em “O Capital”. Obviamente, nunca chegou a ser 100% implantado na prática, mas pensemos na(s) teoria(s): TUDO foi refutado, academicamente, pela chamada Escola Austríaca de Economia. Em relação à prática, claro, a própria prática serviu de refutação: o socialismo como sistema econômico só é estudado agora por historiadores, não mais por economistas.

    Ou seja, as teses econômicas nunca se implantaram em sua totalidade porque o passar do tempo, felizmente, já demonstrou que elas não são “implantáveis”. Mas, antes dessa demonstração empírica, já havia a demonstração teórica. Marx fez formulações teóricas que foram plenamente descontruídas e refutadas por Menger, Mises, Böhm-Bawerk, Hayek e Hothbard (para ficar nos luminares). E essa tradição liberal na Economia foi sendo continuada por caras como Paul Krugmag e Milton Friedman.

    Hoje, certamente, ainda há o debate (teórico e prático) acerca do peso que o Estado deve ter na economia, e qual seu papel, seu nível de dirigismo, graus de sua atuação regulatória etc etc etc. Mas pode-se perceber também que houve uma certa “estratégia das tesouras” ao inverso: tirando os radicais (que não costumam ser economistas…), ninguém mais fala a sério sobre estatização total dos meios de produção, planificação total, fim da propriedade privada, enfim, aquelas idéias todas de Marx que, bem, eram bem século XIX, e que levaram a uma tragédia (inclusive humana) quando de sua parcial implantação. Hoje se faz um capitalismo (termo que, por sinal, foi primeiramente cunhado por Marx, e que tinha, originariamente, cunho pejorativo) com mais ou com menos Estado – ou mais ou menos DE Estado – sem que passe na cabeça de ninguém uma nova tentativa de pôr em prática o que Marx preconizou.

    A “nova esquerda”, caudatária da Escola de Frankfurt e da dupla Lukacs-Gramsci, com seus mais variados graus de degeneração, talvez começem a enxergar nos céticos políticos uma ameaça tão séria quanto a que os economistas liberais representaram: pessoas que têm um conhecimento profundo daquilos que eles pensam e começar a desnudá-los, a descontruí-los, a deixá-los sem saída lógica ou retórica.

    A única diferença é que o Marx economista era ruim de doer, tanto que suas teorias ruíram pela aplicação mesma delas na prática. Mas o marxismo, em outros tópicos, é bem mais eficiente e sedutor, tanto que conquistou a hegemonia. Nosso trabalho, portanto, é mais árduo ainda.

    Abraço!

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