A verdade nua e crua: Introdução

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Acredito que pela audiência deste blog, sempre acima das 1,000 visitas diárias, e pelas citações que tenho recebido em outros meios, acho que já passou da hora de eu esclarecer um dos meus principais paradigmas, o da Dinâmica Social, usado sempre em minhas avaliações (especialmente as mais recentes).

Com isso, ajudarei os leitores a entenderem melhor o meu ponto de vista e às vezes a crueza de minhas análises.

Um leitor me disse certa vez: “sua análise é crua, muitas vezes causa dores em muitos, pode incomodar aos conservadores e religiosos, mas com certeza incomodará muito mais os esquerdistas e anti-religiosos”. Concordo com ele.

Mas sei que já passou da hora de explicar o paradigma que gera esse “sabor amargo”, até para que vocês possam entender melhor minhas abordagens.

Um dos motivos para a decisão de esmiuçar o tema veio através de algumas reações que vi na Internet em relação ao meu texto “Neo ateus superam todos os limites de baixaria: Em nova campanha agora dizem que são melhores amantes”.

O leitor de longa data Adilson citou um neo ateu que ficou em fúria. Esse neo ateu, fã de Dawkins, disse: “Que barbaridade. Que chinelagem, falta de respeito, machismo, ignorância, baixo nível e falta de tato…”

Nota-se que o neo ateu em questão não está acostumado à Dinâmica Social, e portanto se sentiu incomodado. Mas se ele estivesse acostumado (e em como a Dinâmica Social está alinhada à teoria da evolução, não a negando em nenhum de seus achados), ele saberia que a sensação incômoda é natural, mas a realidade é cruel e não pode ser negada. Portanto, vou julgar que essa reação surgiu por que ele não estava PREPARADO para a informação que eu trouxe.

Esse é o motivo central para essa série de textos que inicio agora. Eu explicarei não só o que é Dinâmica Social, como também uma análise de vários temas sob a perspectiva da Dinâmica Social.

A série será dividida em 2 sub-partes:

  1. Por dentro da Dinâmica Social
  2. A Dinâmica Social por dentro do ser humano e suas questões mais importantes

Isso significa que os textos da primeira parte falarão sobre o QUE É Dinâmica Social e como ela pode explicar todas as questões mais fundamentais de nossa existência, desde a religião até a política, desde o sexo até nossos valores, e daí por diante. Minha ênfase aqui será na delimitação do ESCOPO da Dinâmica Social, sua funcionalidade, seus limites e a eliminação dos mitos que algumas pessoas possuem em relação ao tema. Se já vi esquerdistas dizendo “Aha, o Luciano é um darwinista social”, esse tipo de rotulação será injustificável depois dos textos dessa primeira parte. (Mas já adianto, Darwinismo Social é bem diferente de Dinâmica Social)

Já os textos da segunda parte servirão para tratar de muitos temas importantes do ser humano como: o ser humano em si, luta pelo poder, política, utopia, vitória X derrota em debates, esquerda, direita, terrorismo, anti-religião, gayzismo, família tradicional X família humanista, e muitos outros. Todos esses temas serão analisados pela ÓTICA da Dinâmica Social.

E foi para evitar que você se choque muito com essas análises que resolvi dividir a série em 2 partes, sendo que na primeira você entenderá o que é Dinâmica Social, de acordo com minha abordagem, e somente na segunda parte irá ver alguns temas avaliados sob essa ótica.

E de onde surgiu o título da série? De um filme divertidíssimo, “A Verdade Nua e Crua”, cujo trailer você poderá ver abaixo:

 

Se você não viu, veja. É uma ótima comédia, e, se for homem, poderá assistir com sua namorada. (E assistir filmes assim com a namorada ou esposa geram sensações positivas nas mulheres e estas sensações poderão lhe beneficiar… Ihh, ainda é cedo para eu começar as minhas análises, pois essa é só uma introdução…)

A diferença é que o filme é uma comédia romântica, divertida, leve e até descompromissada. As idéias do personagem Mitch (interpretado por Gerard Butler) nunca são levadas até o final, pois a intenção do roteirista é agradar ao público feminino mais que ao masculino, portanto em dado momento o personagem irá abandonar seus argumentos, que por sua vez são perfeitamente sustentados pela teoria da evolução.

Só que neste blog eu tenho mais liberdade do que o personagem Mitch, e posso estudar o tema a fundo, e, melhor, usá-lo não só para estudar a relação sexual/amorosa humana, mas principalmente para entender a política.

Assim como alguém busca entender os mecanismos que levam uma mulher a ficar seduzida pelo homem (e um homem a ficar seduzido por uma mulher), é possível entender quais os mecanismos que levam alguém a se deixar seduzir por uma ideologia de esquerda.

Em resumo, este é um blog de ceticismo político. O que ensino aqui e defendo é a prática do ceticismo em relação à religião política. Entretanto, toda essa análise é sustentada pela Dinâmica Social, que busca entender o ser humano em termos darwinistas e em como ele reage aos estimulos da interação com os outros humanos e a comunicação que recebe.

Se alguém passa a adorar a crença na utopia de Marx e é facilmente seduzido durante uma doutrinação em sala de aula, quero entender como esse processo funciona. Se existe o efeito backfire, quero entender qual o benefício evolutivo dele. E assim, sucessivamente.

Algumas perguntas e respostas possíveis:

  • Pergunta: Dr., vai doer?
  • Eu: Sim, vai. Vai doer que é uma barbaridade. Mas isso passa depois de algum tempo.
  • Pergunta: Sou religioso. Terá coisas que eu não gostaria de ouvir?
  • Eu: Sim, terá. Mas em contrapartida tem coisas que seus inimigos gostariam de ouvir muito menos. Muitos religiosos vão entender minha abordagem, mas se não entenderem, poderão me visualizar como “O inimigo do seu inimigo…”
  • Pergunta: Não gosto da abordagem de “inimigo do meu inimigo”, pois tenho meus fundamentos.
  • Eu: De acordo com a Dinâmica Social, você não tem opção. Ou você ganha poder político ou perde poder político.  Quer dizer, se você me considerar adversário somente por que alguns detalhes do que falo não vão de acordo com suas crenças, você poderia optar por ficar inimigo daquele que é “inimigo do teu inimigo”. Você estaria escolhendo então ser amigo do teu inimigo. Vou demonstrar isso aqui também.
  • Pergunta: Qual o impacto do que você tratá para a religião tradicional?
  • Eu: Não muito, mas de acordo com a literalidade da interpretação, podem surgir discrepâncias.
  • Pergunta: Qual o impacto de sua abordagem para a religião política?
  • Eu: A religião política é a maior impactada, pois ao estudar os processos pelos quais alguém se apaixona por ela [a religião política], toda sua legitimidade vai por água abaixo. Mas é urgente entendermos a mente do religioso político, especialmente pela ótica da Dinâmica Social.

Enfim, creio que para uma introdução é suficiente. Só um detalhe a mais: sempre que você vir um texto com o título iniciado com “A Verdade Nua e Crua – I:[x]” (onde x é o “capítulo”), significa que estou tratando da primeira parte da série. Da mesma foma, um texto com o título “A Verdade Nua e Crua – II:[y]” (onde y é o “capítulo”), é pertencente à segunda parte.

Acho que farei o primeiro texto até o sábado.

Como eu já avisei antes, pode ser dolorido (mas não se preocupe, pois isso ficará para mais para a segunda parte que para a primeira – e não os publicarei em sequência estrita, portanto eu posso publicar o texto I:1, e em seguida II:1, II:2, e daí por diante).

Mas a verdade não deixa de ser verdade somente por que muitas vezes ela é feia.

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2 COMMENTS

  1. Na linha de A Verdade Nua e Crua, mais ácido e sombrio até, existe um filme que seria a versão macho desta mesma premissa. Procure na locadora “Roger – O Conquistar” (Roger Dodger) http://www.imdb.com/title/tt0299117/

    Os primeiros 15 minutos já deixam bem claro o tom do filme. Não se deixe enganar pelo trailer, tentam vender como uma comédia romântica e faturar encima do moleque que fez “A Rede Social” – ele é apenas um co-adjuvante, ainda que importante.

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