O que a gestão de projetos nos ensina sobre o perigo dos “projetos” esquerdistas?

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No mundo corporativo, existem dois tipos de projeto: os que obtem sucesso e os que fracassam. É impossível avaliar o sucesso de um projeto sem delimitar seu escopo, premissas, restrições, custos e demais atributos.

Vamos à definição de projeto, segundo o PMI (Project Management Institute): esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo.

As principais características dos projetos são:

  • temporários, possuem um início e um fim definidos;
  • planejados, executados e controlados;
  • entregam produtos, serviços ou resultados exclusivos;
  • desenvolvidos em etapas e continuam por incremento com uma elaboração progressiva;
  • com recursos limitados;
  • realizados por pessoas.

Há um detalhe fundamental em tudo isso acima. Se existe a entrega de produtos, serviços OU resultados exclusivos, e se há planejamento e controle, além de um limite de tempo (com início e fim definidos), fica fácil atribuirmos responsabilidades.

Nesse caso, é o gerente de projetos que deve comunicar quaisquer desvios, realizar todo o planejamento e o controle, gerenciando o uso de recursos e efetuando todas as comunicações. E além do gerente de projetos, deve existir alguém superior a ele, o patrocinador do projeto.

Caso o projeto seja uma barca furada, quem paga com sua reputação é o patrocinador. Caso o projeto não seja uma barca furada, e ainda assim fracasse, quem paga o pato é o gerente de projetos.

Creio que já deu para notar que se há RESPONSABILIDADE de pessoas em cada projeto que ocorre (desde o patrocinador até o gerente de projeto, e, em outro nível, a equipe e os demais envolvidos), e se há fatores pelos quais os projetos podem ser medidos, temos aqui a essência do por que o gerenciamento de projetos se tornou não apenas uma disciplina estabelecidíssima, como também uma capacidade essencial em qualquer organização.

Uma organização que não é capaz de entregar projetos de forma planejada e sistemática, assim como estabelecer todos os atributos citados acima (como limite de tempo, escopo, premissas restrições, etc.) e definir responsáveis, tende a ir para o vinagre.

Alguém poderá dizer: “Ok, Luciano, eu entendi. Mas que raios tem a ver essa explicação com o ESCOPO deste blog?”. Resposta para essa possível objeção: “Tem tudo a ver”.

Esquerdistas vivem fazendo projetos para o futuro, e todos esses projetos envolvem “correção da sociedade”.

Aponte-me um esquerdista e eu lhe mostrarei alguém que tem vários “projetos” na cabeça. Claro que nem sempre são novos projetos (quase nunca são), mas simplesmente o patrocínio a projetos defendidos por outros. No caso, aqueles que chamo de beneficiários. (E os funcionais jamais os consideram como beneficiários, evidentemente)

Não posso deixar de citar o exemplo máximo do projeto marxista, baseado em criar uma sociedade sem classes, sem propriedade privada, onde os cidadãos pudessem trabalhar para o próprio sustento, sem a existência do lucro. Melhor ainda: não seria necessário nem um governo para controlar as pessoas vivendo nesse “novo mundo”. Esse era o resultado final do projeto. Assim como o PMI sugeriu, também existiam as fases, no conceito de elaboração progressiva com o qual os gerentes de projeto de TI, Administração e Engenharia estão acostumados. No caso, a fase 1 seria a implementação da ditadura do proletariado, e a fase 2 a implementação da sociedade sem classes, onde todos viveriam felizes. *suspiros*

Só que uma análise mais investigativa sobre este “projeto” mostra falhas em vários pontos.

Vejamos o critério da temporalidade. Se os projetos possuem uma data de início e fim definidos, os marxistas que defendiam o projeto da “sociedade sem classes” deveriam dar as DATAS (ao menos estimadas) de quando tudo isso deveria ocorrer. Algo como, “no ano1 do projeto, estabelece-se a ditadura do proletariado, 50 anos depois, transfere-se o poder”. Caso a transferência de poder para o povo fosse em iterações, poderia ser descrita dessa forma: “no ano 1, é a ditadura do proletariado, no ano 20 é a primeira fase de transferencia de poder ao povo, e o resultado observado deverá ser X, no ano 40 é a segunda fase de transferência de poder para o povo, e o resultado observado deverá ser Y, no ano 60 é a terceira e última fase de transferência de poder para o povo e enfim a sociedade estará pronta para viver sem classes, lucro e governo (resultado Z)”. Tudo que ocorreu na Rússia, China ou Cambodja poderia ser testado e os pontos de controle seriam as datas estabelecidas.

Obviamente, por causa da estratégia Situação Futura Projetada Intencionalmente Vaga, eles não deram e nunca darão datas, e MUITO MENOS datas para as iterações (ou seja, para cada passo do projeto). Definição de pontos de controle? Nem em sonho.

Vamos ao critério de planejamento e controle. Quem planeja toda a execução do projeto e portanto poderia ser cobrado pelos resultados, através de atividades de controle? Danou-se tudo, pois se não há limites de tempo, fica difícil controlar o projeto. Por isso, os projetos vão sempre sendo empurrados com a barriga.

Em relação à entrega, eles não prometem produtos nem serviços, mas resultados do tipo “hoje temos uma sociadade na configuração X, mas ao final do projeto teremos uma sociedade na configuração Y”.Mas novamente por causa da estratégia Situação Futura Projetada Intencionalmente Vaga, eles jamais dão detalhes do futuro projetado. Por exemplo, na sociedade futura projetada não existirá lucro? Ok, eu sei, mas quem irá controlar a economia para evitar a existência de lucro? Se este controle é centralizado na ditadura do proletariado, após a transferência do poder ao povo, quem poderá garantir a inexistência de lucro? Todas essas questões já deviam ser pré-respondidas, com exemplos detalhados de como tudo funcionaria. Nas organizações, esse detalhamento é o mínimo que esperamos.

Quanto ao desenvolvimento por etapas, justiça seja feita aos marxistas. Eles realmente pensam em duas etapas, sendo a primeira a ditadura do proletariado e a segunda a transferência do poder ao povo. Mas sem datas e sem os resultados muito claros de como serão ambas as etapas, não adianta.

Em relação aos recursos limitados, falamos dos recursos utilizados no projeto. Por exemplo, em uma ditadura do proletariado, quantos (e quais) deverão estar no controle? Quem deverá ser responsável por monitorar a transferência do controle ao povo na segunda fase? Isso jamais ficou claro.

Por fim, temos o ponto aonde está o grande perigo de TODOS os projetos esquerdistas (dos quais o projeto marxista é somente um exemplo): um projeto é realizado por pessoas, e estas pessoas tem as RESPONSABILIDADES definidas.

Como exemplo, já citei que um projeto tem um patrocinador e um gerente. Posso supor que no projeto marxista o patrocínio é compartilhado por toda a militância que defende o projeto, além dos líderes que dependem da militância. Os gerentes do projeto seriam os que receberiam o poder para a implementação do projeto. No caso, Stalin seria um gerente de projetos, e os patrocinados seriam todos os que o apóiam.

Aí é que está o perigo de morte para qualquer projeto, seja político ou corporativo: os patrocinadores não possuem RESPONSABILIDADE e não são cobrados pela viabilidade do projeto. E esse é o fator fundamental para garantir que exista a prestação de contas em projetos corporativos.

Se duvidam, vamos a um exemplo de uma questão exemplo da prova de certificação PMP (Project Management Professional), do PMI:

Você está a poucos meses em uma organização e já recebeu a missão de gerenciar um projeto crítico, que usa de 65 profissionais e um orçamento de 123 milhões de reais. O projeto já está em andamento há 2 anos, com previsão de conclusão em 2015. Entretanto, você descobriu que o termo de abertura de projeto cita um patrocinador, que NÃO ASSINOU o termo. Para piorar, você descobre que o patrocinador não faz reuniões de validação do projeto. Outro ponto crítico é que o patrocinador possui a fama de não assumir responsabilidades em relação à defesa do projeto perante os stakeholders chave. Qual a MELHOR ação que você poderia tomar para aumentar as chances de sucesso do projeto?

A. Abortar imediatamente o projeto
B. Pedir demissão da organização
C. Buscar a assinatura do patrocinador, e, se não for possível, obter com a alta gestão o responsável formal pelo patrocínio do projeto
D. Não fazer nada

A questão é das mais fáceis (existem outras muito mais difíceis, naturalmente). E não é preciso pensar muito para notar que a resposta correta é a “C”, pois se não há alguém que se RESPONSABILIZE pelo resultado do projeto, é claro que estamos diante de uma nau à deriva.

Agora, voltemos para o cenário do projeto marxista. Nenhum dos militantes se RESPONSABILIZA por quaisquer resultados dos projetos que defende.

Puxe conversa com qualquer um deles sobre o assunto e faça o teste. Na totalidade das vezes, ele sabe que patrocinou idéias que levaram ao genocídio de mais de 100 milhões de pessoas no século passado, e ainda assim não assume responsabilidade alguma pelo que aconteceu anteriormente ou pelo que irá acontecer no futuro. Se não há responsáveis, então como garantir que o projeto sequer é sério?

Enfim, para o “patrocinador” do projeto esquerdista, só há diversão, mas jamais um preço a ser pago por qualquer tipo de equívoco que ocorra em relação à viabilidade do projeto.

E por responsabilidade eu não peço muito. No máximo algo como: “eu reconheço que errei em minhas idéias, e me sinto mal pelos mortos na Rússia e na China”. Chance disso ocorrer? Zero. Jamais farão uma declaração deste tipo.

No passado, eu já vi um chefe meu afirmar algo como segue: “Sei que pisei na bola ao optar por esse projeto, mas faremos um outro projeto para tentar arrumar. A responsabilidade é minha”. Passei a respeitá-lo muito mais depois desse dia.

De forma oposta, não podemos respeitar a postura esquerdista de jamais assumir as consequências pelos seu atos, por suas escolhas e pelos apoios que oferece. Além de não respeitarmos, devemos denunciar isso como além de um fator moral GRAVE, também uma certeza de que todas as suas iniciativas de “melhoria do mundo” darão com os burros n’água.

Hoje em dia, o framework de Auditoria do OPM3 (também patrocinado pelo PMI), fornece uma ferramenta aos auditores de projetos e escritórios de projetos. Com essa ferramenta, temos checklists para auditar todas as características dos projetos na organização.

O que podemos fazer (sem a formalidade do OMP3, é claro) é AUDITAR os projetos da esquerda e avaliarmos o grau de sucesso deles. E, como bons auditores, darmos um parecer em relação às causas do fracasso.

Aqui eu citei apenas um exemplo, o do projeto marxista, mas poderia expandir a investigação para todos os demais projetos da esquerda.

Em todos os 6 pontos do que é um projeto, em essência, esses “projetos” da esquerda não atendem aos requisitos. Mas o problema mais grave é com certeza a ausência de responsabilidade, especialmente dos patrocinadores.

Claro que não podemos dizer que esses itens vão DIRETAMENTE gerar genocídios. Isso ocorreu na Rússia, China ou Cambodja, como também poderiam ocorrer atrocidades de menor escala (em termos de “contagem de corpos”), como em Cuba, ou até mesmo situações em que o domínio feito é mais psicológico do que através da força. O fato é que projetos que possuem problemas estruturais, especialmente o de falta de responsabilidade, geram resultados imprevisíveis.

Não dá para prever EXATAMENTE o que vai resultar de um projeto assim. De uma coisa podemos ter certeza: salvo ocorra praticamente um milagre, os resultados vão ser BEM DIFERENTES daqueles que foram originalmente anunciados.

Quem já vivenciou o dia-a-dia de um projeto e viu projetos similares aos dos esquerdistas, sabe que não estou exagerando.

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