O infinito delírio dos leitores de Dawkins, reféns de uma “lógica” fundamentalista e de auto-ajuda

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Fonte: Blog Eu penso sozinho (dica vista no blog Pérolas dos Poucos)

(Esta não é uma resenha comum, é sobre a sensação, sensação que este livro causou e o que seu escritor representa para mim)

Pela primeira vez alguém me fez sentir que sou importante e sortudo (embora seja pessimista por natureza). Se a janela estava um tanto fechada, de repente foi estupidamente aberta e os raios solares da compreensão adentraram minha mente. O frio da solidão desapareceu, um amor tão grande tomou conta de meu ser, quase todas as dúvidas desapareceram. Mas uma grande energia de humildade pousou em meus olhos e em meu coração; estava integrado, toda engrenagem do mundo unida em um único propósito… E eu era o mundo, era sua energia ativa.

Muitas vezes, milhares de vezes, quando eu ainda era outro, achava que não admirava ninguém e que precisava seguir meu caminho e ver aonde chegava, hoje creio que cheguei, e chegar não é um fim, é o início de algo maior. Quando vamos à praia, assim que chegamos ao seu destino, um novo destino começa que é o aproveitamento da diversão; cheguei ao fim desta viagem e minha diversão só pode estar começando, novas viagens também. É com humildade que tiro o chapéu para um homem, o único que até agora mereceu minha admiração (mesmo que ela seja irrelevante para ele), que é Richard Dawkins.

Imagine um mundo onde todos sofrem de uma ilusão coletiva, com benefícios (que duvido) e seus males (visíveis), de repente todas as janelas se fecham, tudo é véu, tudo é limitação; quando um homem, inteligente, salvando nosso já batido ditado de que a educação é necessária e construidora de um mundo melhor, aparece; todos o julgam, todos o atacam, perde-se a conta de quantos encomendaram seu caixão ou acham que ele merece arder no fogo do “inferno”. Mas ele tem vida, ele é vida, reconhece seu lugar no mundo, e isso não basta; Richard dá-nos seu amor e compreensão, quer abrir nossas janelas, não invade nada, apenas pede permissão educadamente para repassar algumas informações, não podemos nos enganar; ele mostra que acreditar ou não, é escolha nossa. Assim, alguns o deixam entrar, ele não promete nada, faz algo diferente de todas as superstições que guiam a vida, apresenta evidencias, usa de inteligência para mostrar o óbvio que é estarmos em um mundo palpável. O Cientista Richard Dawkins é o homem que ganhou meu respeito e admiração por sua luta, por abrir janelas e mostrar o mundo como é.

Lembro que a religiosidade, que tanto assombra os homens, estava querendo invadir meu mundo, de repente soube de Richard por alguns vídeos no Youtube, fiquei curioso; na mesma hora liguei para a livraria Cultura e encomendei seu livro “Deus – Um Delírio”; em pouco tempo já estava embrenhado na leitura. Ao terminá-lo, após guerras internas dentro de mim, pois, mesmo me intitulando Ateu, descobri que tinha algo de religioso dentro de mim que tentava cortar minha carne e minha sanidade, fazendo-me negar evidências, ensinamentos biológicos, astrológicos, claros e óbvios…
Sabe quando você tem tudo em suas mãos, todas as provas, e mesmo assim quer tomar o partido errado porque é mais conveniente ou porque a maioria certamente aprovaria? Pois é, eu estava lutando comigo mesmo. Ao terminar a leitura, descobri que nunca tinha sido Ateu até hoje… Ateu mesmo… O que hoje posso dizer com toda convicção que sou.

Em certo momento tentei conciliar as duas coisas, pensei “Vou deixar Deus em meu coração e aceitar as evidências mostradas, pois evidências são fatos, e Deus é vontade”, mas outra coisa era inevitável, evidências da inexistência de Deus eliminam a possibilidade do mesmo existir. Aos poucos me tornei Ateu, e esta transição se deu nestes últimos dias de leitura, nunca mais verei o mundo de forma limitada, porque Richard escancarou minha janela para uma rajada de ar que trouxe novo vigor aos meus pulmões e sanidade.

Acredito que “Deus – Um Delírio” é indispensável nos dias de hoje, é nosso grito de vida, para todo cético é um guia de argumentos infinitos, para quem é cristão ainda assim serve como maneira de ver o mundo de forma mais lúcida e aproveitar cada milagre da natureza.

Meus comentários

Reparem em frases como “o frio da solidão desapareceu”, “um amor tão grande tomou conta de meu ser” ou até mesmo “quase todas as duvidas desapareceram”. Isso não é diferente da sensação daqueles que “encontraram Jesus” na Igreja. (Segundo o que alguns amigos me afirmaram, claro)

Nada contra, naturalmente, mas isso não bate com o discurso de “busca pela razão”, alegado pelos leitores de Dawkins.

Já partes como “energia de humildade pousou em meus olhos” e “coração… integrado com toda engrenagem do mundo unidade em um único proposito” estão mais para misticismos no estilo do filme “Quem Somos Nós”. A parte em que ele fala “eu era o mundo, era sua energia ativa” me lembrou do parangolé do filme “O Segredo”.

Aliás, em relação a estes últimos pontos, não dá para qualificar essa obra de outra coisa que não uma mistura de religiosidade humanista radical, do tipo fundamentalista mesmo, com auto-ajuda pseudo-científica.

Bizarro, muito bizarro. Embora não seja novidade para mim, que refuto os seguidores de Dawkins há meia década.

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8 COMMENTS

  1. “energia de humildade pousou em meus olhos”, não me aguento, tenho que fazer piada, pois sou cara humilde, bom, generoso, inteligente, sábio, conselheiro, forte habilidoso,… e antes de tudo, modesto. hehe

  2. Nooossaaaa, li o texto desse panaca IDOLATRA do RIRI Dawkins e só tenho uma coisa a dizer de tudo isso: KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!!! Meu é HILÁRIO, só RONDO mesmo com uma MERDA dessas!!! Bom, mais levando as coisas um pouco a “sério”, pois bem e depois eles dizem que é os TEÍSTAS que são uma piada, sendo que esses NEO- ateus mesmos quem idolatram esse Dawkins ou mesmo outros como Sagan, como se fosse o “Jesus” deles… Cara isso chega a ser DOENTIO!!!

  3. Oi, LH.

    Um adendo: sobre o termo “fundamentalista”, recomendo este artigo de Olavo de Caravalho, do qual transcrevo um excerto (recomendo acessar o link e ler a íntegra).

    Um abraço.

    http://www.olavodecarvalho.org/semana/060123dc.htm

    ‘O mais extraordinário é que as forças anticristãs e antijudaicas, mal escondendo seu apoio à ocupação islâmica do mundo ocidental, prevalecem-se da própria imagem sangrenta do radicalismo islâmico para projetá-la sobre todas as comunidades religiosas, sobretudo aquelas que são vítimas usuais da violência muçulmana, e transmitir ao mundo a noção de que todas são, no fundo, terroristas. O manejo astuto do termo “fundamentalismo” tem servido para esse ardil, que desonra qualquer língua culta. Esse termo designava originariamente certas seitas protestantes afeitas a uma leitura literal da Bíblia ou, mais genericamente, qualquer comunidade religiosa decidida a conservar o apego às suas tradições (um direito que hoje se reserva para muçulmanos, índios, africanos e seus descendentes, negando-o a todo o restante da espécie humana). Ao transferir o uso desse qualificativo para os terroristas islâmicos, a grande mídia e os intelectuais ativistas que a freqüentam cometeram uma impropriedade proposital. De um lado, esse uso camuflava o fato de que esses radicais não eram de maneira alguma tradicionalistas: eram revolucionários profundamente influenciados pelas ideologias de massa ocidentais – comunismo e nazifascismo –, bem como pelo pensamento “vanguardista” de Heidegger, Foucault, Derrida e tutti quanti. De outro lado, e por isso mesmo, o termo assim empregado ia-se imantando de conotações repugnantes, preparando seu uso futuro como arma de guerra psicológica contra as mesmas comunidades religiosas que o radicalismo islâmico tomava e toma como suas vítimas preferenciais: os cristãos e os judeus. Numa terceira fase, o qualificativo passou a ser usado ostensivamente contra essas comunidades, ao mesmo tempo que se espalhava pelo mundo a campanha de difamação anti-religiosa da qual o sr. Richard Dawkins é agora o mais espalhafatoso garoto-propaganda. Durante a invasão do Iraque, rotular como “fundamentalistas” o presidente Bush (cristão) e o secretário Rumsfeld (judeu) tornou-se repentinamente obrigatório em toda a mídia chique, com uma uniformidade que comprova, uma vez mais, a presteza da classe jornalística em colaborar com a reforma orwelliana do vocabulário.’

  4. Nem precisa de muito comentário essa aberração de texto. Richard Dawkins, de fato, não promete nada – só o de transformar qualquer religioso em ateu após o fim da leitura de “Deus, Um Delírio”.

    Santa modéstia, Batman!

  5. O texto é confuso, mas o que isto tem a ver com Dawkins? O cara simplesmente deu um passo e ainda está aprendendo. Não dá para analisar a genialidade de Dawkins por ele.

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