Neo ateu argumenta como se fosse um animal irracional na questão do “estado laico”, se embanana todo e acha que está abafando… Diversão garantida

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Quando um grupo político assume que sua principal arma é fugir da realidade, fica até difícil debater com eles. É por isso que com os neo ateus, como o do vídeo acima, não há debate, mas apenas um desmascaramento.

O vídeo mostra uma mistura de desonestidade intelectual com burrice, pois as justificativas apresentadas são de causar vergonha alheia. Aliás, o argumento da figurinha acima pode ser classificado como um OANI, ou, melhor, Objeto Argumentativo Não Identificado.

Vamos aos fatos. O deputado João Campos, do PSDB de Goiás, propõe que associações religiosas de caráter nacional sejam incluídas no rol do art. 103 da Constituição Federal.

Abaixo segue o artigo 103:

Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

I – o Presidente da República;

II – a Mesa do Senado Federal;

III – a Mesa da Câmara dos Deputados;

IV – a Mesa de Assembléia Legislativa;
V – o Governador de Estado;

IV – a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

V – o Governador de Estado ou do Distrito Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

VI – o Procurador-Geral da República;

VII – o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;

VIII – partido político com representação no Congresso Nacional;

IX – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.

§ 1º – O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal.

§ 2º – Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias.

§ 3º – Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado.

§ 4.º A ação declaratória de constitucionalidade poderá ser proposta pelo Presidente da República, pela Mesa do Senado Federal, pela Mesa da Câmara dos Deputados ou pelo Procurador-Geral da República. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)(Revogado pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417, de 2006).

§ 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica.

§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade.

§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso.”

Atenção, atenção! Muita atenção no inciso XI, em negrito, que até o neo ateu se constrange ao lembrar, aos 4:20, no vídeo. Reparem bem que o próprio já não está convincente em sua argumentação.

Esse inciso menciona que confederações sindicais ou entidades de classe de âmbito nacional podem propor ações de inconstitucionalidade.

A proposta do Deputado João Campos envolve INCLUIR entidades religiosas nessa lista.

Vejamos como funciona na prática. Hoje em dia a CUT é uma confederação sindical, e a ALGBTTT (sei lá quantos “t” eles possuem hoje, mas vá lá) uma entidade de classe, portanto ambas podem propor esse tipo de ação. Detalhe: esta última entidade é essencialmente anti-cristã, por princípio. E por que os religiosos não poderiam, em retorno, propor uma ação de inconstitucionalidade? Isso significa tirar UM DOS LADOS da discussão.

Ora, se o estado é laico (como o neo ateu FINGE defender), então aí é que os religiosos deveriam participar desse grupo, pois TODOS os grupos estariam representados. Aliás, os anti-religiosos, como a ATEA, poderiam participar também, seja como “entidade de classe” ou como “entidade religiosa”.

Qual o significado disso tudo que demonstrei? Ao incluir as entidades religiosas, em um cenário onde confederações sindicais e entidades de classe JÁ ESTÃO PRESENTES, a partir daí TODOS os grupos seriam ouvidos, e finalmente o artigo 103 estaria alinhado com os princípios do estado laico.

Mas, se as entidades religiosas não estão presentes, grupos políticos que são essencialmente anti-religiosos estão sendo BENEFICIADOS, o que vai contra o estado laico.

Resumo da ópera: o neo ateu confundiu absolutamente tudo.

Há um outro momento particularmente bisonho onde ele diz que só deveriam participar da discussão os que estivessem com “argumentos laicos”, o que é uma estupidez sem fim. O fato é que o ESTADO deve ser laico, mas isso não é necessario para os argumentos. Grande parte das decisões políticas envolvem inclusive argumentos humanistas (e humanismo é uma religião), e não há problema nisso. Os argumentos não precisam ser laicos para um ESTADO ser laico.

Provavelmente, o neo ateu deve ser daqueles que lê as coisas focando não no parágrafo e muito menos no contexto, e termina pensando apenas por palavras. Isso até o meu cachorro faz. Para um cachorro basta dizer “Rex… jornal!”, e ele pode te trazer o jornal. Mas se você disser “Rex, quero conversar contigo, entendo que seria positivo para você trazer os jornais sempre no horário adequado, pois isso aumentará nosso rapport”, aí é que ele não vai entender.

Ao que parece, o ódio anti-religioso é tão grande nos neo ateus que eles “desligam” o neo córtex e pensam somente por palavras, como os nossos cães de estimação.

No caso do sujeito do vídeo, basicamente ele ouviu a expressão “constituição”, junto com “religião” e “participação” e começou o chilique. Daí vem o retorno: “estado laico está sendo atingido, socorro!”.

Só isso explica uma argumentação tão patética quanto a desse vídeo. Ele está tão emocionalmente envolvido na sua causa anti-religiosa, que seu néo cortex é desligado e ele reage a palavras, mas não frases longas, parágrafos e muito menos contextos.

Mas enfim, em resumo:

  • Incluir os religiosos entre os grupos que podem propor ações de inconstitucionalidade NÃO FERE, os princípios do estado laico, pois isso só ocorre quando um grupo religioso é BENEFICIADO em relação a outros. Permitir a participação de religiosos na discussão não tem nada a ver com beneficiar um grupo, já que todas as entidades de classe e organizações sindicais já participam.
  • A  não inclusão dos religiosos nas discussões sobre constitucionalidade FERE os princípios do estado laico, pois os grupos anti-religiosos já estão presentes na discussão, através de entidades de classe.

Não sei se aquelas sobrancelhas que parecem duas taturanas estão atrapalhando a leitura do neo ateu do vídeo, por isso ele reagiu tão instintivamente contra uma proposta de ementa constituicional totalmente legítima, e dificilmente atacável.

O detalhe é que não podemos ficar elocubrando demais pelos motivos que levam à tanta sandice argumentativa. O que temos que fazer é fazer a exposição dos erros lógicos cometidos por eles. E, nesse caso, tratar um de seus representantes como tratamos macacos de laboratório.

Não argumentamos com eles, pois não vão entender. Mas observamos o comportamento, para estudos.

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3 COMMENTS

  1. Pois é Luciano, esses BABACAS pensam (e querem obrigar a todos a acreditar nisso também) que um estado laico é um estado ATEU, aonde a religião deveria ser totalmente EXCLUIDA do resto da sociedade e não ter NENHUM direito de opinar em nenhum assunto público, principalmente sobre os assuntos que interesam aos seus grupos como os guaysistas e a questão do aborto!!!! Mais eles esquecem que um governo ateísta TOTALITÁRIO pode ser MUITO PIOR, os regimes socialistas e comunistas da Rússia e da China que o digam….

  2. Putz, o cara não sabe nem ao menos o que é “um PEC”, e ainda se acha no direito de falar alguma coisa.

    Esses vídeos neo-ateus são uma prova de que o neo-ateísmo (e não o ateísmo, que fique claro) só se espalha entre gente que não tem um mínimo de estudo / noção / bom senso.

  3. Estou comovido com o vídeo. Snif snif. Um ateu preocupado com o direito dos espíritas, umbandistas, budistas etc. ? Kkkkkkkkkk.

    E ainda conclama os próprios cristãos, entre outros, a lutar contra a tal proposta!!!!

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