Não há crença política grátis

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Vejo muitos se omitindo da guerra política que hoje temos entre esquerda e direita pelo mundo. (no Brasil, o “exército” da direita quase inexiste)

Também entendo que muitos nasceram somente para ser a platéia das discussões políticas, logo não estou EXIGINDO que todos participem dos embates.

Entretanto, para aqueles que participam de debates, de forma política (ou seja, sabendo que sua vitória é a derrota do oponente, e a vitória do oponente é sua derrota), também vejo situações de afrouxamento. Algo como “acho que não há o que fazer, resta-nos assistir”.

Como não podemos forçar ninguém a fazer algo que não queira (deixemos isso para os totalitários), ao menos temos que saber um conceito básico sobre crenças políticas, o qual adaptei de um conceito popular, atribuído por alguns a Milton Friedman: “Não existe almoço grátis”.

Vamos ao que isso significa, conforme diz o blog Terra à Vista:

Uma interpretação mais profunda, ainda que mais simples. “Não existe almoço grátis”; isso não quer dizer que quem recebeu o almoço terá que pagar por ele de alguma forma. Mas se não for quem comeu, será outra pessoa. Todo almoço é pago por alguém. Muitas vezes ganhamos algum benefício, algo que ajuda a melhorar nossa vida, e não arcamos integralmente com seu custo. Como a riqueza não sai do nada, se não fomos nós que pagamos, foi alguma outra pessoa. Num almoço entre amigos, se um deles comeu mais do que pagou, é porque outro pagou mais do que comeu.

Na política essa simples verdade é esquecida. Parte da população quer um serviço, e não quer pagar por ele; quem pagará? O governo! Mas o que isso significa? Significa que a outra parte da população pagará pelo serviço por meio de impostos. Seria essa uma situação equivalente ao almoço entre amigos? De forma nenhuma: entre os amigos, aquele que pagou a mais o fez voluntariamente, por amizade, e ao fim da refeição todos estavam mais felizes do que antes. Já no caso do governo ocorreu o exato oposto: quem pagou a mais do que recebeu foi obrigado, sob ameaça de violência física, a fazê-lo; imposto é o contrário de contribuição voluntária; o serviço provido pelo Estado é a negação da ação caridosa.

Levando isso para o território da guerra política, a expressão seria “Não existe crença política grátis”.

Fato: toda crença política tem uma “paga”, usualmente a vantagem obtida por um grupo sobre outro. Por exemplo, se alguém aprova as leis do estado inchado, ele se beneficia (pois a crença dele foi valorizada), e você perde, pois sua liberdade de pagar menos impostos foi pro saco. Mas e se as crenças dele quanto a validade do imposto alto fossem questionadas? Ele perderia, e você venceria. (Note que estou assumindo um questionamento na PROPORÇÃO suficiente para que um grupo fale mais alto que o outro)

Imagine que alguém diga que é “defensor dos pobres”, e com isso chega ao poder. Você, se for oponente do outro, terá todo o direito de questioná-lo, expondo-o ao ridículo por sua declaração. Isso seria fazê-lo pagar o preço por sua crença. Mas, se não o fizer, o preço será pago por você, pois terá que assisti-lo chegar ao poder, fazendo uso de SEU DINHEIRO. (Em termos políticos, assumir um estado é também obter o poder que este estado lhe traz)

Quando os neo ateus começaram a ridicularizar os religiosos, o ideal seria fazê-los pagar o preço de suas crenças, e isso é feito, como já disse, pela exposição ao ridículo que alguém sofre por ter uma idéia ruim divulgada. Memes, fim do gregarismo com o fim da religião, acusação de que a religião “criou a escravidão”, enfim, todas são idéia que só poderiam ser tratadas com a ridicularização. Porém, no início muitos religiosos não reagiram e não fizeram os neo ateus pagarem o preço por suas crenças. Sem problema, pois, como já disse, “não existe crença política grátis”. Já que os neo ateus não pagaram o preço de suas crenças, ficaram incólumes, e o preço foi pago pelos religiosos, que tem perdido batalhas jurídicas uma atrás da outra.

Muitas vezes, o preço pode ser cobrado parcialmente em uma geração, mas parte do valor vir a ser cobrado em futuras.

Um exemplo gritante é o do Holocausto nazista. Quando as primeiras manifestações anti-judaicas começaram na Alemanha em 1873, por Wilhelm Marr, e em 1880, por Wilhelm Scherer, a elite intelectual judaica poderia ter se manifestado fortemente, reagindo com escárnio e desmascaramento a todas essas tentativas. Pelo contrário, assumiram uma postura de não se defenderem, e o preço dessas crenças ficou barato para os anti-semitas. Mas a lei que mostra que não existe crença política grátis é implacável, pois isso permitiu que o resto da população alemã aceitasse as idéias anti-semitas muito facilmente (a tal “platéia”, que eu menciono no quesito dos debates políticos). A cobrança veio em sangue no Holocausto Judeu, e a conta chegou a 6 milhões de judeus.

A verdade é nua e crua: se você não cobrar o preço das crenças de seu oponente, você pagará por elas. Como é o outro que está trazendo a crença, o único preço que ele poderá pagar é a ridicularização. Além, é claro, o fato de não ter o benefício a ser trazido pela implementação da crença, mas isso é algo que ele AINDA NÃO TEM (ele quer ter). Mas, se a idéia for à frente, e nada for cobrado dele, com certeza a conta vai ser paga por você e seu grupo.

A história de todas as idéias e conflitos políticos valida a teoria de que não há crença política grátis.

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