Os amigos do urso: Por que o problema não está em “querer o bem do mundo”, mas sim no que fazem com o uso desta crença

0
54

Uma das coisas mais complexas no momento de explicarmos para a platéia por que temos medo daqueles que “querem salvar o mundo”, é notar que pode surgir o seguinte questionamento: “Mas como? Como você pode não ter vontade de salvar o mundo?!?!?!”

Se a coisa não for explicada nos mínimos detalhes, a tendência é que saiamos como os vilões da história.

Antes, vamos a uma parábola, e para você entendê-la, revise (caso for preciso) o conceito de beneficiário, relendo o texto “Beneficiários e Funcionais”.

Agora, imagine a situação de um pai de família, que viaja com a mulher e os filhos para as montanhas. Toda a família se estabelece, durante o período de férias, em um chalé. Só que em um determinado dia, o rádio noticia que há um urso assassino rondando a região. Um verdadeiro grizzly. A esposa pede para que todos fiquem trancados em casa, até que o local esteja seguro. Só que o urso aparece no local. O marido, por sua vez, tem uma crença chamada “abraço ao predador”, que defende que todos os animais predadores, incluindo leões, cobras, lobos e ursos, sejam abraçados. Isso se deve a uma crença na “empatia universal”. Por essa “empatia”, o instinto predador será eliminado por iniciativas como o abraço. A iniciativa dele é já abrir a porta do chalé e ir abraçar o urso. A esposa o impede. Ele insiste. Ela então lhe dá uma paulada na cabeça, deixando-o desacordado. Com isso, o urso vai embora e seus filhos são protegidos do predador.

Isso suscita algumas questões: Estará a mulher errada por não crer na empatia absoluta? Como ela pode ser tão CRUEL a ponto de “ser contra” tal empatia?

O fato é que não vejo essa mulher da parábola do amigão do urso como alguém “contra” a tal empatia. Acho que ela até adoraria que existisse a “empatia absoluta” surgida com atos como abraço, o que poderia significar o fim de toda a violência do mundo. Só que ela observa os fatos e PERCEBE que abrir a porta para um urso assassino é algo perigosíssimo para a sua família. O urso em questão seria um beneficiário, que se beneficiaria da ingenuidade do homem da casa.

Da mesma forma, não sou contra o “bem do mundo”, nem contra “um mundo melhor”. Como diria Pondé, eu também me emociono com a minha bondade. Acho que todos se emocionariam com suas próprias bondades. Ora, se somos todos bons, por que se importar com a maldade humana?

O fato é que temos medo do discurso de “criação de um mundo justo” ou “salvação da humanidade” não por que não queremos que isso ocorra, mas sim por que temos medo do PODER (incluindo a autoridade moral) dado a grupos que promovem essas idéias, mas somente a partir de uma ação não voluntária. Ora, se eles realmente querem “o bem do mundo” por que não 70% de seus bens para a justiça social? (Já propus isso aqui, assim fiz um desafio para Paulo Henrique Amorim, Leonardo Sakamoto e Luis Nassif, e obviamente nenhum deles respondeu, e todos baniram meus comentários)

Não temos nada contra o fato de alguém acreditar no abraço ao urso como forma de garantir a não violência. Isso desde que a possível vítima do urso seja somente a pessoa, não os outros.

Da mesma forma que é justo que alguém acredite na “salvação do mundo”, mas sem fazer com que nós paguemos impostos excessivos por causa de sua crença.

A “crença no homem”, uma das colunas centrais da religião política, transforma seres humanos adultos em massas de manobra, crianças em corpos de adultos, prontas para se abrirem para o primeiro estranho que lhes ofereça uma bala na saída da escola. No caso, são os beneficiários que prometem “salvar o mundo” ou “criar a justiça social”, crenças que percebo como muito sinceras por parte de muitos esquerdistas funcionais, tão sinceras como a crença no sujeito que queria abrir a porta do chalé para abraçar o urso.

Mas, da mesma forma que a esposa da parábola, não temos medo da “salvação universal em Terra” e nem do “bem social”, mas sim medo do poder que é dado às pessoas mais espertas e estrategistas (os beneficiários) por causa dessas crenças. Ela não tinha medo de uma “empatia absoluta” causada por “abraços e afagos”, mas sim medo de um urso assassino trucidar sua família inteira somente por uma ingenuidade que iria ser cometida por seu marido.

Anúncios

Deixe uma resposta