A história de toda a sociedade é, é… não, não é a história da luta de classes

5
114

Em seu Manifesto Comunista, Karl Marx (junto com Engels) escreveu que “A história de toda a sociedade até aos nossos dias nada mais é do que a história da luta de classes.” Ele prosseguia dizendo que “O movimento proletário é o movimento espontâneo da imensa maioria em proveito da imensa maioria.”

A duplinha afirmava que o conflito eterno entre opressores (burgueses) e oprimidos (proletários) tinha como causa raiz a apropriação privada dos meios de produção, e essa apropriação determinava que alguns fossem pobres, e não tivessem os meios de produzir sua subsistência, e outros fossem ricos, explorando a força de trabalho daqueles que só possuiam seu trabalho.

Eles afirmavam que a busca constante do lucro aumentava cada vez mais a quantidade de proletários, existindo uma “contradição” entre a pouca riqueza de muito poucos e um modo de produção cada vez mais coletivo. Por isso, os marxistas crêem que o capitalismo tem os dias contados.

Concluindo: o proletariado deve dar o golpe de morte no sistema vigente, opressivo, criando um novo homem e um novo mundo. Isso por que o marxismo prega que o movimento do proletário é o movimento espontâneo da imensa maioria EM PROVEITO da imensa maioria. É o tal “a voz do povo é voz de Deus”.

Ora, se a “voz do povo é a voz de Deus”, todas as violências estão justificadas em prol desse objetivo final, já que após a fase da violência revolucionária, terá sido criado um novo mundo, com a propriedade dos meios de produção socializada, ao invés de propriedade privada. Essa violência não é um problema, pois ela levará ao fim do conflito entre os homens.

Claro que, desde que você não tenha sofrido lavagem cerebral de algum professor de ciências humanas nas usinas de doutrinação (escolas de países esquerdistas), isso tudo soa como uma grande bobagem. Uma ode à ingenuidade? Mas será que Marx era tão ingênuo mesmo?

Para início de conversa, a idéia dizendo que sempre temos “uma luta de classes” é estapafúrdia. O fato é que realmente os empresários possuem mais status social que os empregados, em média. Eles também possuem a propriedade dos meios de produção. Quanto a isso não restam dúvidas. Mas o fato é que muitos empregados QUEREM continuar sendo empregados. Muitos deles NÃO QUEREM largar seu emprego, com salário fixo, e abrir um negócio que é sujeito a RISCOS. Logo, uma grande diferença entre um empresário e um assalariado é que o primeiro vive pelos riscos, o segundo foge deles. Ora, não há portanto uma “classe contra outra”, mas uma relação onde muitas vezes um empregador dá um emprego a alguém que… só quer um emprego, não uma empresa.

Recentemente, participei de uma consultoria em uma empresa com mais de 700 funcionários. O dono da empresa quase não conseguia dormir a noite, pois seus dois maiores clientes estavam inadimplentes há meses. Mas ele tinha uma folha salarial para bancar. Com alguns acordos, ele conseguiu o suficiente para honrar seus compromissos. Nenhum funcionário ficou sem receber. Quando seus clientes pagaram, ele voltou a ficar em situação confortabilíssima. E é assim mesmo, a vida dos empresários é FEITA DE riscos. Ora, se a maioria das pessoas tende a fugir dos riscos, mas ainda assim quer trabalhar, empregadores e empregados (que seriam os burgueses contra os proletários, na visão marxista) não ESTÃO EM GUERRA na maioria dos casos.

Sendo que a “história da luta de classes” é um delírio marxista, a argumentação de Marx e Engels a seguir perde todo o sentido.

A melhor coisa é entender o mundo como ele é, não como Marx e Engels fantasiaram. Na verdade, a história da sociedade é a história da luta pela sobrevivência, e, em última instância, a história da luta pelo poder. Isso está perfeitamente alinhado com o que o ser humano é. Na verdade, está alinhado com o que QUALQUER ESPÉCIE é.

E por que existem ricos e pobres? Pelo mesmo motivo que na sociedade selvagem existem os machos alfa, os machos beta e os machos gama. Os machos alfa chegam ao poder em suas sociedades por que possuem mais CORAGEM e força física que os outros. Isso lhes dá privilégio inclusive para escolher as fêmeas. Pode parecer incômodo notar como as coisas funcionam, mas, como a música do Uriah Heep diz, that’s the way that it is.

Na sociedade dos animais irracionais, os animais são qualificados perante os outros (e conquistam mais ou menos em comparação com os demais) por sua coragem e força. Na sociedade humana, os animais humanos são qualificados e conquistam seu espaço por causa de vários itens como: inteligência, coragem, assertividade, proatividade, postura, apetite por riscos, presença física, etc.

Alguns esquerdistas até reconhecem isso, ao dizer “é verdade, sempre vai existir um que seja mais inteligente que o outro, e talvez por isso a utopia não ocorra”. Não, não significa apenas que existam uns mais inteligentes que outros, mas também mais corajosos, tolerantes a riscos, proativos, etc.  A existência de poderosos, assim como  pessoas sem poder algum, é uma consequência da diversidade humana, que não passa de uma consequência da diversidade animal.

O esquerdista esperançoso poderia dizer: “mas não precisamos copiar a sociedade animal”. O fato é que não somos uma CÓPIA dos demais animais em tudo, pois prezamos em nossa sociedade a inteligência ao invés da força física pura e simplesmente. Ademais, existe a caridade organizada, que nem de longe existe no mundo animal. Ou seja, entender a natureza humana, e dos demais animais, não significa voltar à era da barbárie, muito pelo contrário. Significa apenas reconhecer o ser humano como ele é, não como foi projetado na mente de Marx e Engels.

Doa o quanto doer, o ser humano existe para lutar por sua sobrevivência, e a sobrevivência é amplificada pelo PODER conquistado. Quanto mais poder, melhor. Só que muitos não tem condições e estrutura física, intelectual e psicológica para lutar pelo poder em alta escala. Aliás, se alguém não gosta de assumir riscos, as chances de chegar lá quase desaparecem. Mesmo assim, eles vão sobreviver.

O mais engraçado é que a luta pelo PODER não pertence somente aos empresários, atletas milionários, artistas oscarizados e executivos de sucesso. Uma outra casta de pessoas consegue obter poder: são os beneficiários da esquerda.

Diante da mais cruel das ironias, ao acreditarem lutar contra os poderosos, os marxistas nada mais fizeram do que criar DUAS NOVAS FORMAS de se chegar a um poder muito acima dos outros, nos dois casos sendo um beneficiário da esquerda: uma delas é tornando-se membro do grupo líder que assumiu o estado inchado ou ditadura do proletariado. Outra forma é tornando-se “amigo do rei”, como fazem hoje no Brasil Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif, assim como fazem nos Estados Unidos Michael Moore e Oliver Stone. Por serem aliados do governo estatizante, eles obtem benefícios que não obteriam se o estado não estivesse tão inchado.

E, para tornar a situação esquerdista mais contrangedora ainda (como se isso fosse possível), eles ainda permitiram que antigos poderosos se tornassem AINDA mais poderosos, por suas alianças com o governo, como no caso dos banqueiros brasileiros, além de Abilio Diniz, Silvio Santos e Eike Batista. É como eu digo: no COFRÃO de um estado inchado, de orientação socialista, tem bastante para se tirar. Uma pena para os funcionais é que eles não levam nada nessa barganha. Os “amigos do rei” são poucos, como também ocorria no tempo da monarquia.

Enfim, a verdade é nua e crua: sempre haverá poderosos e sempre haverá os pobres. E uma forma de se tornar um poderoso é ser um líder de esquerda (ou outro tipo de beneficiário), assim como existem as vias de se tornar um grande empresário, artista de sucesso, jogador de futebol famoso, etc.

A natureza humana não permite que as coisas mudem e que seja criada uma “sociedade sem classes” ou mesmo “igualitária”. Sempre existirão aqueles mais inteligentes, estrategistas, corajosos, ambiciosos, etc.

A esquerda, inclusive marxista, não fez muito para mudar a situação (que por si só é imutável) contemplando “poderosos e pobres”. Na verdade, ajudou a facilitar ainda mais a vida de quem tem capacidade para obter o poder.

É por isso que o Lulinha (filho do Lulão) até hoje ri de orelha a orelha, pois se tornou um poderoso. Enquanto isso, para os funcionais que o idolatram, não há poder ganho, apenas o direito a continuarem lutando para tornarem OS OUTROS mais poderosos, mesmo achando que estão fazendo o contrário. E estes que se tornarão poderosos, através de várias formas (incluindo o discurso da esquerda), são os mais inteligentes, perspicazes, audaciosos, etc…

“Os marxistas inteligentes são patifes. Os marxistas honestos são burros. E os inteligentes e honestos nunca são marxistas”. (José Osvaldo de Meira Penna)

Anúncios

5 COMMENTS

  1. Legal!
    Mas tem gente que acha que é.

    Dica: as guerras judaicas, gregas, romanas antigas e clássicas eram guerras que ocorriam por motivos como briga de classes (PROLETARIADO VS BURGUESIA?!)?

    Que tipo de idiota poderia ter uma visão tão inocente da história?

  2. Uma dos princípios que tornam o Cristianismo incompatível com a religião política é que o homem deve, obrigatoriamente, transcender a compulsão da luta pelo poder em detrimento do amor ao semelhante:

    “Então a mãe dos filhos de Zebedeu [Tiago e João] chegou com os seus filhos perto de Jesus, curvou-se e pediu a Ele um favor.

    – O que é que você quer? – perguntou Jesus.

    Ela respondeu: – Prometa que, quando o senhor se tornar Rei, estes meus dois filhos sentarão à Sua direita e à Sua esquerda.

    Jesus disse aos dois filhos dela: – Vocês não sabem o que estão pedindo. Por acaso vocês podem beber o cálice que Eu vou beber?

    – Podemos! – responderam eles.

    Então Jesus disse: – De fato, vocês beberão o cálice que Eu vou beber, mas Eu não tenho o direito de escolher quem vai sentar à Minha direita e à Minha esquerda. Pois foi o Meu Pai quem preparou esses lugares e Ele os dará a quem quiser.

    Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram zangados com os dois irmãos.

    Então Jesus chamou todos para perto de Si e disse: – Como vocês sabem, os governadores dos povos pagãos têm autoridade sobre eles, e os poderosos mandam neles. Mas entre vocês não pode ser assim. Pelo contrário, quem quiser ser importante, que sirva os outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja o escravo de vocês. Porque até o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida para salvar muita gente. (Mt 20:20-28)”

  3. Fala Luciano! 🙂

    “Para início de conversa, a ideia dizendo que sempre temos ‘uma luta de classes’ é estapafúrdia. O fato é que realmente os empresários possuem mais status social que os empregados, em média. Eles também possuem a propriedade dos meios de produção. Quanto a isso não restam dúvidas.”

    Sim, restam, justamente porque a conexão entre propriedade dos meios de produção e riqueza/poder sempre foi uma fraude. Funcionava da seguinte forma na cabeça do marxista:

    (a) Donos dos meios de produção podem ser pobres ou ricos; geralmente são ricos;
    (b) Donos da força de trabalho podem ser pobres ou ricos; geralmente pobres.

    E:

    (c) Donos dos meios de produção podem ter ideologia da classe a que pertencem: burguesia;
    (d) Donos dos meios de produção podem ter ideologia da classe inimiga: proletariado.

    O comunista, precisava fazer um malabarismo mental para semi-separar(sic) o joio do trigo:

    Ex.1 – Dono de cutelaria. Cede/empresta os meios de produção para dois operários que lhe vendem a força de trabalho.

    Este é um dono de produção rico ou pobre? É pobre (a)

    Este é um dono dos meios de produção com ideologia opressora ou subserviente? Subserviente (d)

    Ou seria de fato um porco capitalista pobre que explora os “mais pobres” que ele? Algo como… um capitão do mato?

    Como disse o Olavo sobre o paradoxo:

    “A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame.”

    Hoje em dia, a definição de porco capitalista mudou ainda mais porque o embuste caiu por terra. Isso se deveu ao fato de que também os meios de produção, dentro do jogo de mercado, se tornaram baratos e populares; e os tipos de trabalho, envolvem meios de produção com mais “portabilidade”:

    1) Se tenho um carrinho de cachorro quente, sou dono dos meios de produção;
    2) Se tenho um computador com programas gráficos e de programação, sou dono dos meio de produção;
    3) Se tenho iogurteiras top-term sou dono dos meios de produção;
    4) Se sou a Dona Florinda e faço churros, e mando o Sr. Madruga vender, sou dono dos meios de produção;
    5) Se sou o Sr. Madruga engraxate e tenho o Chaves como aprendiz, sou dono dos meios de produção.

    Esse paradoxo tem algumas soluções, que já foram ou estão em fase de implementação na história por parte dos comunistas:
    a) Em não existindo, em regra, ideologia de classe fixa ou pré-determinada, e por muitas vezes, o sujeito que tem ideologia de classe é um suicida a medida que defende a classe inimiga, devemos criar a ideologia de classe. Chamarei aqui essa solução de solução ad-hoc, ou seja, o ódio/ideologia de classe é criado para que exista a luta de classes.
    b) Deduzimos de uma vez que a opressão se dá em todas as esferas e insuflamos a inveja como propulsora da luta. Em outras palavras, são oprimidas as mulheres, os operários, os negros, os gays etc.

    Em a) temos a crise depois da Grande Guerra, onde operários lutaram por seus patrões, e em b), a solução de a), que se arrasta até os dias até hoje. Tudo para a solução dessa maluquice. O pensamento marxista é paradoxal do começo ao fim, impressionante. É como os discursos religiosos empolados, o jogo de palavras, que eles mesmos condenam na religião.

    “Muitos deles NÃO QUEREM largar seu emprego, com salário fixo, e abrir um negócio que é sujeito a RISCOS. Logo, uma grande diferença entre um empresário e um assalariado é que o primeiro vive pelos riscos, o segundo foge deles.”

    Não concordo com o que vem depois de “logo”. Há sim uma grande diferença entre um empresário e um assalariado, dentro daquela amostra que você definiu com o termo “MUITOS DELES”. Dentro desse grupo de assalariados (muitos deles) faz sentido a questão dos riscos e tal. Mas não se pode falar em “muitos deles” na argumentação, e depois na conclusão (“logo”) estabelecer uma regra geral na conclusão. Não é regra!

    “E por que existem ricos e pobres? Pelo mesmo motivo que na sociedade selvagem existem os machos alfa, os machos beta e os machos gama. Os machos alfa chegam ao poder em suas sociedades por que possuem mais CORAGEM e força física que os outros. Isso lhes dá privilégio inclusive para escolher as fêmeas. Pode parecer incômodo notar como as coisas funcionam, mas, como a música do Uriah Heep diz, that’s the way that it is.”

    Não Luciano, é porque ganhou na loteria! O ganhador é um homem com CORAGEM e/ou força física inferiores à média, na verdade, inferiores aos de uma mulher manca com anemia e reumatismo 🙂

    É porque meu pai era o Bill Gates! O ganhador da herança é um homem sem CORAGEM e/ou força física inferiores à média, na verdade, inferiores aos de uma mulher com anemia e reumatismo, e que deixa a empresa na mão de diretores/sócios mais competentes e simplesmente usufrui dos lucros.

    É porque teve o fator sorte! O sujeito estava no lugar certo, na hora certa, e a ideia dele produziu frutos inesperados. Mas é um sujeito franzino e covarde.

    É porque o país onde ele vive é miserável, não tem liberdade econômica e nem valoriza a meritocracia. O perdedor é um sujeito com CORAGEM e força incríveis, mas a sorte, as oportunidades e afins, não lhe foram generosos.

    O elemento sorte/time no capitalismo é muito forte e não pode ser ignorado, justamente por ser forte, por estar no cerne da coisa. É ingênuo acreditar que o capitalismo é assim, digamos… matemático: pobres menos aptos, ricos mais aptos. Mesmo no pensamento darwinista isso é mentira: um meteoro acabou com os dinossauros! Eles eram bem adaptáveis, mas caiu uma bigorna monstro na cabeça deles :). As vezes falta comida em um ecossistema; a temperatura ferra um grupo, e melhora quando outro migra para lá. Existem tantos fatores, que “mais adaptáveis” como substituto do “mais forte”, ainda não é adequado, aliás, longe disso. Chamo pouco cientificamente de sorte, embora acredite que de certa forma sou mais acurado cientificamente por não fingir que sei.

    É isso que deixa os comunistas mais irritados, inclusive: minha sorte me fez nascer cego (injustiça de Deus) e nascer miserável (injustiça social) em um país onde nunca poderei ser ninguém (pelo menos na geração em que determinado sujeito nasceu, o futuro quem sabe?). O capitalismo é INSTÁVEL; da mesma forma que há permeabilidade social para que enriqueçamos, essa membrana nos aceita de volta na pobreza.

    Uma pequena digressão: o problema não está centralmente na pobreza ou na riqueza. A diferença entre o aleijado pobre com mentalidade revolucionária e o aleijado pobre sem ela, é a resignação. No mais, a natureza e o capitalismo são SIM injustos, mas é a melhor aproximação que já fizemos da justiça é com o capitalismo e não tendo qualquer outra proposta decente, lutamos por essa.

    De volta…
    Acredito que o entendimento darwinista do colega aplicado a sociedade não pode traduzir a práxis, justamente porque as exceções são como a mídia nanica esquerdista na época da ditadura, são tantas, que não podem ser chamadas de nanicas, nem de exceções. E olha que enumerei apenas algumas!

    O sentido imanentista do homem, embora possa fazer sentido na natureza crua, não pode ser considerado como um éter que permeia ou uma matriz das relações sociais; como uma regra que move todos os homens ou como se a sociedade fosse um smoking polido para à barbárie, ou ainda, algo como a barbárie sublimada. Em acreditando na transcendência, o sentido não pode estar na vida mesma, mas fora dela; em sendo imanentista, bem, o sentido estaria mesmo no darwinismo não importasse os smokings.

    Em outras palavras, não acredito que o smoking sublime seja uma cobertura para o corpo selvagem; mas que o corpo seja uma roupagem selvagem para um espírito sublime. É bem diferente.

    No mais, não vejo onde a luta pela sobrevivência e pelo poder, que o colega defende como uma visão superior à luta de classes, seja diferente desta, mesmo porque, a luta de classes pode ser definida como a roupagem social, o smoking social da luta pela sobrevivência e pelo poder. O darwinismo comunista é exatamente isso.

    A sutil diferença no entendimento dessa luta pela sobrevivência e pelo poder me parece perfumaria, repito: “justamente por talvez crer mais na transcendência do que o colega”, o que não torna de forma alguma seu argumento menos sólido do que o meu, mas totalmente diferente:

    “Ou seja, entender a natureza humana, e dos demais animais, não significa voltar à era da barbárie, muito pelo contrário.”

    Como acredito na transcendência, ou seja, que o sentido está além da coisa mesma [a vida], não aceito a visão imanentista qualquer que seja [em termos absolutos], darwinista, freudiana, nietzschiana, behavorista, afim, dos chamados por Ricoeur de “mestres da suspeita” que tentam aprisionar o home no mundo, ou o que quer que seja, que coloque o ser humano em sua camisa de força naturalista “esse é o mundo e ponto, o transcendente pode até existir, mas lá nas cucuias”.

    Enfim, se fosse pra resumir tudo isso que falei (deixa eu tirar o smoking de tudo que eu falei rsrs):

    Acho que discordamos da matriz do homem: imanente X transcentende, ou, em graus, a importância que damos a cada uma dessas “matrizes”, o determinismo de cada uma dessas matrizes, o peso que damos a cada uma delas, a parcela que incorporamos de cada uma na nossa visão de mundo. Acho também, que tenho uma visão de mundo menos estruturada, racional, científica, politizada – o que pode ser bom ou não -, com doses altas (overdose 🙂 ) daquela visão individualista que tem horrores à metonímias, que na minha opinião, são tentativas de matar a “pessoa” (num jargão psicológico: persona).

    A luta, ainda é a mesma.

    Valeu Luciano
    abç

    • Macartista,

      Achei muito interessante sua abordagem. Achei sua análise bem completa.

      “Muitos deles NÃO QUEREM largar seu emprego, com salário fixo, e abrir um negócio que é sujeito a RISCOS. Logo, uma grande diferença entre um empresário e um assalariado é que o primeiro vive pelos riscos, o segundo foge deles.”
      Não concordo com o que vem depois de “logo”. Há sim uma grande diferença entre um empresário e um assalariado, dentro daquela amostra que você definiu com o termo “MUITOS DELES”. Dentro desse grupo de assalariados (muitos deles) faz sentido a questão dos riscos e tal. Mas não se pode falar em “muitos deles” na argumentação, e depois na conclusão (“logo”) estabelecer uma regra geral na conclusão. Não é regra!

      Concordo com sua observação. Eu poderia ter escrito algo como “Logo, não é raro vermos um empresário vivendo pelos riscos, enquanto que um assalariado em muitos casos irá fugir deles”.

      Mas concordo que não é uma regra, e você está coberto de razão nisso. (Esse texto que escrevi faz parte de um ensaio maior, e ao lançá-lo, farei a correção)

      O elemento sorte/time no capitalismo é muito forte e não pode ser ignorado, justamente por ser forte, por estar no cerne da coisa. É ingênuo acreditar que o capitalismo é assim, digamos… matemático: pobres menos aptos, ricos mais aptos.

      Concordo também com o elemento sorte no capitalismo. Eu tinha me esquecido de apontá-lo.

      Suas objeções foram corretíssimas, e as considerarei antes de lançar o ensaio final.

Deixe uma resposta