Em defesa do verdadeiro estado laico nas salas de aula da escola pública

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A melhor coisa de estar adaptado à perspectiva da dinâmica social, é que os filtros pelos quais vemos as coisas mudam completamente. Finalmente assumimos a responsabilidade pelos eventos de nossas vidas que estejam em nossa esfera de atuação.

Muda a perspectiva de “ó céus, ó vida” e entra em cena a idéia de “o que fiz de errado?” e, no caso da guerra política, “o que fizemos de errado?”.

Os grupos ateus militantes pontuaram politicamente esta semana, por causa de um aluno ateu que disse “sofrer bullying por não rezar em aula”. É uma causa ganha a priori, e eles estão certos nisso: basta um aluno ateu reclamar de ter sido FORÇADO a rezar em sala de aula, que ele terá um caso a seu favor, poderá fazer uma reclamação e colocar o professor teísta em situação humilhante. Espertamente, foi o que fizeram.

Ingenuamente, muitos religiosos nas redes sociais erraram, de acordo com a dinâmica social, e, ao invés de irem para o ataque, DA MESMA FORMA que o ateu fez, ficaram na defesa. Esqueceram-se de uma das regras fundamentais da guerra política, segundo David Horowitz: “Na guerra política, quem está no ataque normalmente vence”.

O que isso significa? Tentar lutar pelo direito da professora rezar em sala de aula é simplesmente FICAR NA DEFESA. E, enquanto se está na defesa, o oponente sai ileso, pois basta ele ficar atacando, dizendo “nova inquisição, nova inquisição”.

Minha sugestão, portanto, é extremamente diferente daquela que os teístas tem feito.

Eu proponho APOIAR os alunos neo ateus que estão reclamando de “bullying” em salas de aula na escola pública, mas IMEDIATAMENTE iniciar uma série de ações judiciais contra quaisquer professores que utilizem temáticas que favoreçam o humanismo e qualquer variação de esquerdismo em sala de aula da mesma forma. E, já que estamos APOIANDO a causa dos neo ateus que não querem religião em sala de aula, poderíamos reclamar que DA MESMA FORMA não aceitamos a religião política em sala de aula.

Vejamos de uma forma prática como isso funcionaria.

Bastaria um professor iniciar uma reza em sala de aula, para que um aluno neo ateu iniciasse um caso jurídico, no qual a punição do professor seria uma pontuação na guerra política a favor da esquerda. Da mesma forma, bastaria um professor iniciar qualquer discurso em favor do humanismo e seus correlatos (inclusive o anti-clericarismo), para que o aluno conservador tivesse um caso jurídico. E, da mesma forma, a punição ao professor seria uma pontuação na guerra política a favor da direita.

Preciso, é claro, tratar uma possível objeção, pois existem duas vias de interpretação da religião política (esquerda):

  1. A religião política é de fato uma herança das religiões tradicionais, e portanto está sob o crivo do estado laico
  2. A religião política não é de fato uma religião, mas um conjunto de ideologias

No primeiro caso, meu argumento passa incólume, mas alguns poderiam pensar que no segundo caso, eu não poderia invocar o estado laico para a proteção contra doutrinas de esquerda em sala de aula, certo? Errado, pois mesmo de acordo com a interpretação de que esquerda “não é religião”, ela mesma defende uma série de posturas anti-religiosas, e, portanto, caso ela seja beneficiada, os princípios do estado laico estão violados.

Um professor não poderia, portanto, usar seu tempo de aula pra pregar uma agenda anti-religiosa.

Diante dessa perspectiva, não vejo motivos para a não implementação dos princípios do estado laico nas escolas, e, considerando que a estratégia gramsciana prevê o uso das escolas para a doutrinação de crianças, adolescentes e jovens em ideologias da esquerda, chega a ser pior para a esquerda do que para a direita a implementação do estado laico DE FATO no ambiente escolar.

Mas, atenção: isso só funcionará com extensiva monitoração do que ocorrer em salas de aula. Câmeras devem ser utilizadas para gravar aulas, e os professores passariam a estar sob EXTENSA MONITORAÇÃO, vistos com um olhar cético a partir do momento em que começarem a falar.

No caso do estudo secundário, por exemplo, atenção especial deve ser dada às aulas de história e geografia.

A partir daí, e somente aí, teríamos um estado laico de fato, e não apenas um simulacro de estado laico criado somente para atacar a religião tradicional predominante.

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3 COMMENTS

  1. “Graça Salgueiro revela quem é Carlos Beltrão do Valle, o falso órfão que gritava histrionicamente “eles mataram meu pai!” durante a série de agressões cometidas contra militares da reserva, no dia 29, no Rio. A jornalista também traz informações sobre Luiz Felipe Monteiro Garcez, o “Pato”, petista de carteirinha que covardemente cuspiu no coronel-aviador Juarez Gomes.”

    Fonte:http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/denuncias/12953-as-pernas-curtas-da-mentira.html

  2. Ou seja, tratar os professores de História que usam o “Método Marxista” da mesma forma que trataríamos um professor de Biologia que aparecesse com “Design Inteligente” e “Ciência Teísta”.
    Parece justo.
    Falo isso porquê a minha primeira aula de História do ensino médio foi uma “Introdução ao método histórico”, ou seja, “mais-valia”, “luta de classes” e “fim da história”, essa última um conceito tão pseudocientífico quanto eugenia e criacionismo de Terra jovem.
    Da mesma forma que as pessoas reprovam a idéia do Pe. Paulo Ricardo de “colocar o projeto de Deus na Ciência” (youtube.com/watch?v=WxmmMa9Pij4), deveriam rejeitar também “colocar o projeto de Marx na História”.

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