O milagre que veio, o milagre que virá

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Os cristãos acreditam que Jesus ressuscitou três dias após morrer (João 19:30-31, Marcos 16:1, Marcos 16:6). Também acreditam que sua mãe o concebeu ainda virgem.

Não tenho tais tipos de crenças, embora sempre eu tente entender o que se passa na cabeça de alguém que as possua.

Uma possível explicação é a seguinte: Deus pode realizar tudo, inclusive milagres. Se milagres são possíveis, então é possível que milagres tenham ocorrido no passado, inclusive a ressurreição de Cristo e o nascimento virginal.

Entendo que seja este o raciocínio (e se cristãos que lêem esse blog não concordarem comigo, a caixa de comentários é livre para as objeções).

Ainda assim, vejo que é preciso de fé para acreditar no milagre ocorrido no passado. Não consigo ter esse tipo de fé. Embora a respeite.

Para os cristãos, o milagre que ocorreu foi uma ação da interferência de Deus na terra. Sem contar os neo-pentecostais, a maioria dos cristãos parece entender que isso é um evento extraordinário, portanto mesmo que acreditem em milagres do passado, suspeitam de muitos “milagres” apontados atualmente.

Por outro lado, os humanistas acreditam em um outro tipo de milagre. Não um que será provocado por Deus, mas pelo homem.

O livro “Uma breve história do futuro”, de Jacques Atali, nos dá uma idéia das crenças humanistas em milagres:

“O homem nunca construiu nada baseado em boas notícias. Em compensação, algumas catástrofes anunciadas demonstrarão cruamente, aos mais céticos, que o nosso modo de vida atual não pode perdurar. A perturbação do clima, a separação crescente entre os mais ricos e os mais pobres, o aumento da obesidade e do uso de drogas, a dominação da violência na vida cotidiana, os atos terroristas cada vez mais aterradores, a impossibilidade de os ricos ficarem num abrigo fortificado, a mediocridade do espetáculo, a ditadura dos seguros, a usurpação do tempo pelas mercadorias, a falta de água e de petróleo, o aumento da delinquência urbana, as crises financeiras cada vez mais próximas, as ondas de imigração quebrando em nossas praias, primeiro com a mão estendida, depois com o punho erguido, as tecnologias cada vez mais mortíferas e seletivas, as guerras mais e mais loucas, a miséria moral dos mais ricos e a vertigem da auto-vigilância e da clonagem irão um dia despertar os dorminhocos mais profundamente entorpecidos. Os desastres serão, de novo, os melhores advogados da mudança”. (205)

A lógica de Atali é a seguinte: existirá uma crise em larga escala (aliás, isso já ocorreu no passado várias vezes). Mas essa crise será em tão larga escala que envolverá o mundo todo. Não haverá outra solução senão a criação de uma ELITE de pessoas altruístas que conduzirá o mundo enfim a um lugar justo.

É apenas a “recauchutagem” da crença marxista, que por sua vez é uma manifestação humanista. Sempre a crença em que o homem irá resolver suas contingências para enfim criar um mundo novo “através de um projeto”, no qual as principais chagas sociais estarão resolvidas.

É obviamente a crença em um milagre.

Se este milagre não ocorrer, é óbvio que teremos aquilo que a espécie humana sempre fez: em sua busca por recursos, grupos gregários mais fracos serão eliminados por grupos gregários mais fortes. Uma terceira guerra mundial pode surgir e resolver o problema da superpopulação.

Mas, ocorrendo o milagre, esse processo natural deixa de ocorrer, e enfim poderíamos crer que alguns homens poderão dirigir a sociedade global e “cuidar de nós todos”. *suspiros*

A conclusão é inevitável: os milagres dos cristãos e demais religiosos tradicionais ocorreram em sua maioria no passado, e não são sustentados por evidências. Os milagres dos religiosos políticos, em especial os humanistas, como sempre, estão planejados para ocorrerem no futuro, e todas as evidências apontam para o contrário do que eles acreditam.

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25 COMMENTS

  1. os milagres dos cristãos e demais religiosos tradicionais ocorreram em sua maioria no passado, e não são sustentados por evidências.

    é isso mesmo que você quis dizer ? se foi tenho uma objeção….

  2. Bem, acho que isso dependa do que se trata como evidência.
    Modo geral, cristãos consideram a bíblia cristã como evidência. E dum ponto de vista histórico, a bíblia cristã pode ser usada como uma evidência (ainda que possa ser considerada enviesada, parcial ou totalmente falsa entre outras coisas, depende do historiador e das outras evidências que ele usa, bem como dos princípios dos quais ele parte).
    Eu mesmo não sou cristão, mas acho que é bem fácil perceber essa diferença na definição de evidências.
    Ainda mais… Alguém ver uma aparição de Maria pode servir de evidência para aquela pessoa, mas não para mim. Mas talvez, se eu fosse um amigo próximo da pessoa, a palavra do indivíduo pudesse servir de evidência para mim.
    Mas claro… Evidências conclusivas, para os milagres atribuidos às religiões, que eu saiba (apelo à ignorância, eu sei), não há.

    O problema é… Religiões dizem que milagres são causados pelo transcendental, ou no mínimo pelo sobrenatural. E isso é logicamente possível, e dentro daquilo razoavelmente aceitável. Não significa que eu deva acreditar… Mas também não posso descartar de pronto a possibilidade no âmbito do debate e da pesquisa (em foro íntimo, eu posso, e geralmente descarto).
    O humanismo, por sua vez, afirma milagres (inclusive profecias) baseadas em puro achismo (não é nem revelação divina caramba!) e desejo de que aconteça. Oras bolotas… A porcaria afirma que o futuro será contra a natureza humana, e nem para levantar evidências de que a natureza humana está mudando para se adequar ao que eles dizem?

    Se eu digo que Maria ascendeu aos céus, não tenho como provar, mas poderia tentar evidenciar com relatos de testemunhas da época. Mas ainda que faltassem as testemunhas, a hipótese não seria descartável de pronto (apenas em foro íntimo).
    Se, por outro lado, eu digo que em breve a humanidade será uma só coisa cuti-cuti-empato-fofa, EU TENHO QUE MOSTRAR AS EVIDÊNCIAS DISSO!!! Se as evidências apontam em sentido contrário, como vou racionalmente aceitar isso? Milagre? Mas que milagre se humanistas acham que isso não se dará pelo transcendental?

    Se eu tiver ficado confuso, me avise Luciano. xD

  3. IMHO, o mundo sofre de um grande “mal filosófico”: normalmente, vejo que – em geral – primeiro as pessoas desenvolvem uma tese, e só depois procuram evidências que a comprovem. Isso é é uma inversão do caminho natural das coisas, e vejo muito exemplos disso no protestantismo e no neo-ateísmo.

    O caminho normal é observar os fatos e a partir deles formular hipóteses que os expliquem. Cada uma dessas hipóteses terá prós e contras (dificilmente uma hipótese será 100% coerente com os fatos), e nesses casos, procura-se ver qual das hipóteses é a mais plausível, mesmo que haja alguns pontos complicados.

    O mais interessante é que esse processo é extremamente simples e lógico, mas hoje em dia vejo muita gente “se esquece” de aplicar essa linha de análise.

    Um ótimo exemplo disso é a explicação da quantidade de espécies biológicas observadas. Nesse campo, temos basicamente duas hipóteses: o evolucionismo e o criacionismo. Nenhuma das duas bate 100% com os fatos observados, e nesse caso devemos analisar todos os aspectos envolvidos e escolher qual delas oferece a melhor explicação. Para mim, o evolucionismo explica as coisas muito melhor que o criacionismo. Apesar de existirem alguns fatos que o evolucionismo não consegue explicar, ele supera a explicação criacionista em tantos pontos importantes, que me faz decidir em favor dele.

    É exatamente isso que William Lane Craig faz quando analisa o Jesus histórico: as hipóteses alternativas (diferentes das que estão no Novo Testamento e outros documentos históricos da época) trazem tantos problemas, que se mostram mais improváveis que a da ressurreição.

    Há uma palestra dele aqui: http://youtu.be/4iyxR8uE9GQ

    Infelizmente, está em inglês. Felizmente, a dicção dele é tão boa que até eu consigo entender… =D

  4. A verdade é que milagres existem, e nem é necessário recorrer à religião para atestar isso. Ateus, como Stephen Hawkins por exemplo, gostam de afirmar que o universo surgiu por meio de uma “singularidade”, que sequer pode ser provada cientificamente (mas para eles é científico do mesmo jeito). O que é essa tal “singularidade”, senão o maior milagre já operado por Deus desde o início dos tempos.

  5. “Uma possível explicação é a seguinte: Deus pode realizar tudo, inclusive milagres. Se milagres são possíveis, então é possível que milagres tenham ocorrido no passado, inclusive a ressurreição de Cristo e o nascimento virginal.”

    – E que podem ocorrer no futuro também; daqui a uns minutos, daqui a uns anos. A lógica permite esta minha obervação. Se são possíveis, logicamente, não se reportam apenas ao passado. O termo “possivel”, por sinal, está mais ligado ao futuro do que ao passado.
    Aliás, o compromisso do cristão é com o futuro, principalmente. Em função de sua ética, o cristão é levado a buscar um mundo melhor,tanto que um dos compromissos primordiais deste grupo diz respeito à evengelização. Evangelizar é um compromisso do cristão e tem como meta a criação de um estado de paz e de amor. Não trat-se apenas de contemplar um passado de milagres, mas da construção de um mundo com menos injustiças tendo como inspiração aquele passado.
    Penso que todos os humanos se voltam para o futuro. É impossível uma ação racional que não vise fins. A diferença está nos valores que orientam os critãos e os humanistas marxistas ateus. Estes valores trarão o conteúdo e a forma da ação.

    • Buscar um mundo melhor isso todos fazem. Até os animais irracionais fazem.

      Hoje recebi méritos pela transição de uma fase crucial em uma das maiores empresas do Brasil. Portanto, “busca por mundo melhor”.

      Mas existe a diferença entre “buscar mundo melhor” e crer que o ser humano irá MUDAR SUAS CONTINGÊNCIAS para enfim resolver os problemas centrais DO MUNDO.

      Trocar um carro, criar uma nova tecnologia, criar uma legislação mais adequada, reduzir os acidentes automobilísticos, implantar um processo organizacional são coisas normais, e que são viáveis.

      O humanismo vai muito além, pois cria uma crença subserviente à uma alegada capacidade humana que sabemos que não existe. O ser humano não pode deixar de ser humano. Ele sempre continuará sendo um animal tão empático quanto territorialista, tão caridoso quando ambicioso, e daí por diante.

      É por isso que o “conteúdo e a forma da ação” dos esquerdistas sempre tende ao totalitarismo.

      Um exemplo fácil? A estatização da YPF na Argentina…

      Esquerdismo SEMPRE levará ao totalitarismo. E se não levou, é pq não obteve sucesso em seu intento.

      • “Buscar um mundo melhor isso todos fazem. Até os animais irracionais fazem.”

        – me desculpe, mas ele não fazem. Não o fazem pois não tem pensamento abstrato, não fazem ciência, não possuem técnica. Não, os animais não fazem. Não modificam seu ambiente. Não possuem um quadro conceitual capz de colarem a si mesmo como objeto de reflexão. Essa afirmação não dá para aceitar. Este blog é sério!

        “Mas existe a diferença entre “buscar mundo melhor” e crer que o ser humano irá MUDAR SUAS CONTINGÊNCIAS para enfim resolver os problemas centrais DO MUNDO.”

        – Com certeza. Trata-se de duas coisas diferente.

        “O humanismo vai muito além, pois cria uma crença subserviente à uma alegada capacidade humana que sabemos que não existe. O ser humano não pode deixar de ser humano. Ele sempre continuará sendo um animal tão empático quanto territorialista, tão caridoso quando ambicioso, e daí por diante”

        – O humanismo da época da revolução francesa, até pode ser. O de agora não é tão ambicioso, não pensa mais assim. ele quer apenas tornar hegemonica uma visão de mundo, visão esta que sabe não poder criar um ser humano perfeito. Esta é a critica de Sartre aos marxistas. Para Sartre, existir é estar em conflito com as outras subjetividade, e isso é insolucionável. O que se pode é criar legislações mais adequdas tendo em vista este dado ontologico, mas pensar que um dia haverá uma síntese final entre todas as subjetividades é um erro monstruoso.

      • – me desculpe, mas ele não fazem. Não o fazem pois não tem pensamento abstrato, não fazem ciência, não possuem técnica. Não, os animais não fazem. Não modificam seu ambiente. Não possuem um quadro conceitual capz de colarem a si mesmo como objeto de reflexão. Essa afirmação não dá para aceitar. Este blog é sério!

        Se o João de Barro constrói sua casinha, ele busca algo “melhor” do que a vida sem a casinha. Mas é fato que o pensamento abstrato deles é limitado. A “ciência” deles é limitada, mas tecnologia até formigas possuem. Eles modificam seu ambiente, mas não racionalizam tanto essa tarefa quanto os humanos.

        O humanismo da época da revolução francesa, até pode ser. O de agora não é tão ambicioso, não pensa mais assim. ele quer apenas tornar hegemonica uma visão de mundo, visão esta que sabe não poder criar um ser humano perfeito. Esta é a critica de Sartre aos marxistas. Para Sartre, existir é estar em conflito com as outras subjetividade, e isso é insolucionável. O que se pode é criar legislações mais adequdas tendo em vista este dado ontologico, mas pensar que um dia haverá uma síntese final entre todas as subjetividades é um erro monstruoso.

        Sendo o humanismo novo algo que tenta moderar a crença no homem, ele se torna AINDA MAIS CONTRADITÓRIO, pois ao mesmo tempo em que acredita nos “projetos de remodelação” não acredita nos projetistas.

        A coisa é ainda pior para essa vertente moderada.

        Vou te explicar a diferença.

        Imagine que eu coloque um gerente de projetos para entregar um projeto de melhorias (hoje eu mesmo defini um, para um projeto de grande porte). Mas ao mesmo tempo eu não acredite que ele vá entregar o projeto.

        Obviamente, terei que fazer um duplipensar para manter esse projeto em mente.

  6. “Por outro lado, os humanistas acreditam em um outro tipo de milagre. Não um que será provocado por Deus, mas pelo homem.”

    – Um humanista, se for ateu, primeiramente, não pode crer em milagres. Poderá crer em condições materiais diferentes das que o passado e o presente oferecem. Ele jamais poderá utilizar-se de vocábluos de origem teológica. Se o fizer, deverá ser repreendido. Entendo por milagre aquilo que David Hume tão bem expressou: Um milagre é a superação de uma lei da natureza. Ora, se não for isso o que mais poderá ser um milagre? Muita coisa, se você for religioso. Se você é um crente, poderá inclusive dizer que a nossa racionalidade não tem capacidade para antever tudo aquilo que possa ser um milagre, daí David Hume terá de aceitar que sua definição é estreita demais. Se o caso é de um ateu, humanista, por principio está eliminada a figura de deus e esta suma capacidade, daí o caso de proceder num naturalismo. Por isso o autor deste blog dizer que é um erro ser da esquerda, por que uma lei da natureza jamais poderá ser quebrada. E segundo a posição do autor deste blog, o marxismo é a tentativa de superar uma determinação do homem. Por isso ele é um erro. Se meu raciocínio a respeito do autor deste blog estiver correto, tanto religiosos quanto ateus estão errados. Os religiosos porque o autor do blog não acredita nas suas posições, por ser ateu, e os ateus marxistas modernos porque eles contrariam leis da natureza ao propor suas idéias. Acho que era isso….

    • É quase isso.

      Na verdade, quando um religioso diz que Jesus vai voltar, essa é uma crença sem evidências. É baseada em fé. Mas ela não é tão perigosa.

      Não acredito na vinda de Cristo, pois como já disse, sou ateu.

      Já a crença do humanista abre brechas para o totalitarismo sempre, e é pior que uma crença sem evidências. É uma crença cujas TODAS evidências apontam para o contrário.

      Então, no quesito “presença de evidências”, ambas as crenças estão no mesmo nível.

      Mas no nível de periculosidade, a crença humanista é muito pior.

      Ficou mais claro?

      • Concordo, em linhas gerais, com você. Mas no caso da tua afirmação, quando você se refere ao fato de que a religião como não sendo perigosa, eu tenho resistência. Talvez você tenha em mente os católicos, ou uma parte deles, uma parcela mais ponderada e tolerante. Mas a crença em deus, históricamente, foi motivo de muitas guerras abusos por parte da igreja e hoje em dia ainda persiste certa parte de religiosos extremamente belicosos, tais como os neopentecostais ou os islâmicos ortodoxos. Dizer que esta crença não é tão perigosa é uma bondade sua, pois entendo que ela não se sustenta tendo em vista certas parcelas de religiosos e alguns fatos históricos. Mas comparando-a diretamente com os esquerdistas radicais, ela é um modelo mais “saudável” para a vida coletiva.

      • Nisso concordamos. A religião tradicional pode ser utilizada para atos periculosos, mas não vejo que essa é a FUNÇÃO dela. A religião tradicional não é feita para gerar esse tipo de ação, mas especialmente para o auto-estudo. Claro que ela pode ser desvirtuada.

        A diferença é que as religiões políticas SÃO FEITAS para projetos revolucionários, apelos à autoridade, etc.

        É difícil imaginar uma religião política que não promova alterações radicais em termos sociais. Ex.: eliminação de burgueses, destruição de religiosos, ataque a grupos específicos, etc.

        O islamismo teve uma vertente humanista com a Al Qaeda e já vimos o resultado.

  7. No caso do cristianismo acho que temos sim evidências em contrário. Jesus fez previsões bem específicas de que a tal segunda vinda seria ainda na tempo de vida dos seus seguidores (Lucas 9:27, Marcos 13:30, Mateus 24:34). Se nada disso aconteceu, nem em 2.000 anos depois, então há evidência ou de que Jesus estava errado, ou de que a bíblia não é infalível e nem serve como fonte sobre o que Jesus disse ou não disse. Não é à toa que C.S. Lewis disse que Mateus 24:34 é o versículo mais constrangedor de toda a bíblia.

    • 1) Quem disse que o significado de ‘geração’ usado naquele contexto é o que vc está pensando?

      2) Quem disse que Cristianismo é idêntico à infalibilidade dos registros bíblicos?

      • Skeptic, essa alfinetada foi bem oportuna 😉 É fácil ignorar (ou “esquecer”) que, POR EXEMPLO, o significado original da palavra latina *século* não era uma centena de anos, ou que o conceito de *universo* referia-se não ao espaço interestelar, e sim à própria Terra, enquanto (supostamente?) influenciada pelos corpos celestes.

      • 1- Mesmo que eu concedesse que “geração” pode assumir sentidos diferentes em outro contexto (não há qualquer motivo pra aceitar isso além da mera possibilidade), outros versículos confirmam que a palavra “geração” realmente foi usada no sentido comum:
        “Em verdade vos digo: dos que aqui se acham, alguns há que não morrerão, até que vejam o Reino de Deus. Lucas 9:27”
        Ou seja, exatamente o que o versículo que usou a palavra “geração” quis dizer, apenas em outras palavras. Fora as inúmeras passagens do NT em que os escritores deixam claro que o “fim está próximo”. O tal “contexto” nesse caso suporta o que eu estou alegando.

        2- Ué, a maioria dos cristãos acredita que a bíblia é, pelo menos, infalível. E isso inclui os mais “radicais”, que acreditam na inerrância (como o Bill Craig) ou na literalidade. E não tem como não dizer que se a profecia sobre o evento futuro mais importante de toda a bíblia, feita pela personalidade mais importante do cristianismo, for espetacularmente falsa, isso não constitiu evidência contra o cristainismo. Fica impossível pensar que uma obra em que a profecia mais importante é falsa seria “divinamente inspirada”.

      • Desculpe, Leo, mas você comete o êrro de querer sempre interpretar a Bíblia (ou qualquer outro “texto sagrado”) de maneira literal, e/ou de acordo com os (pre-)conceitos “modernos”. Naqueles tempos, ler e escrever NÃO ERAM coisas “democratizadas”, e os “não-profanos” escreviam não para informar, e sim para ocultar certos conhecimentos que, segundo eles, seriam perigosos se disponíveis para “qualquer um”. Num certo sentido, a religião é sim uma espécie de “manipulação das massas” — PORÉM, diferente do que pensam os materialistas empedernidos 😛 , os inventores dessa manipulação não pensavam que aquelas alegorias e fábulas eram 100%-mentira, eles apenas *acreditavam de maneira diferente* 😉

        « Em verdade vos digo: dos que aqui se acham, alguns há que não morrerão, até que vejam o Reino de Deus. Lucas 9:27 »

        Talvez isso seja verdade, por acaso você tem os “atestados de óbito” do pessoal mencionado na passagem acima?

        Touché! 😀

      • Parece que você deu três argumentos aí:
        1- “Jesus não fez a profecia”: Se você admite que a bíblia contém esse tipo de manipulação, você admite que a bíblia não tem inspiração divina, e nem há como conhecer os ensinamentos de Jesus. Afinal se os escritores dos evangelhos, que não eram os seguidores de Jesus de forma alguma, se deram ao luxo de “profetizar” no lugar de Jesus, o que dizer dos demais ensinamentos? Foram manipulações também? E de nada adianta inspiração divina se o escritor pode colocar qualquer tipo de mentira lá.
        2- “A bíblia não deve ser interpretada de forma literal”: Nunca disse que a bíblia tem que ser 100% literal, disse que teria que ser infalível. E falhou na profecia mais importante. A não ser que você mostre qual a interpretação correta para esse profecia, você simplesmente transforma a bíblia numa teoria irrefutável (“tem que ter alguma interpretação certa, que eu não tenho idéia de quel é, mas Jesus não pode ter errado”).
        3- “A profecia está correta”: E por fim, se você está disposto a acreditar que pessoas vivem por 2.000 anos só para não admitir que Jesus errou, você chegou a um ridículo maior que criacionismo de Terra jovem. O que reforça meu ponto de que o cristianismo é contrário às evidências. Afinal, dizer que pessoas vivem 2.000 anos é meio contrário às evidências, não acha? 😀

      • 1. Você sabe o que significa “morte” no contexto judaico dos autores? Hoje, por exemplo, pensamos no fim do funcionamento biológico do corpo. Mas existem várias outras concepções, como, por exemplo, a separação da alma e do corpo material ou ainda a aniquilação do sujeito. Outra frase comum entre religiosos: “O salário do pecado é a morte, mas aquele que está com Deus vive a vida eterna”. E aí?

        2. E daí que a maioria dos cristãos acredita nisso? Daí não segue que o Cristianismo é idêntico à infalibilidade dos registros bíblicos. É logicamente possível a conjunção de “(a) O Cristianismo é verdadeiro” e “(B) Existem trechos da Bíblia que são literalmente e metaforicamente falsos” (obviamente, isso não é compatível com algumas formas de cristianismo, ex. protestantismo, mas refutando um tipo você não refuta o todo; isso seria o estratagema erístico da ampliação indevida). Para conseguir uma evidência contra o Cristianismo, você precisa atacar algo mais fundamental, capische?

        Skeptic

      • 1- Se você juntar a profecia com o “morte”, a com o “geração”, e as outras partes do NT em que os autores deixam claro que o “fim está próximo”, a interpretação literal das profecias é a única opção. A não ser que você queria falar que cada uma das várias passagens que dizem a mesma coisa tem um sentido “metafórico” diferente. Eu dei um motivo para a minha interpretação. Você fica somente no “pode ser isso, pode ser uma metáfora, pode ser aquilo”.
        2- Esse é o velho expediente da “fuga para o possível”, usado e abusado pelos apologistas cristãos. Como você disse, pode ser logicamente possível a tal conjunção. Mas não estamos discutindo possibilidade lógica, estamos discutindo evidências. Quem procura a verdade não deve ficar preso ao “possível”, e sim buscar o “plausível”.
        E mais: se você assume que a bíblia contém um erro tão grotesco quanto esse, então você praticamente nega a origem divina dos evangelhos (afinal, teriam sido escritos por falsos profetas, literalmente). E assume também que a mesma fonte de evidências sobre a vida e a suposta ressureição de Jesus não é confiável, e seriam crenças sem evidências (concordando exatamente com o tema do post). Seria uma vitória pírrica para você.
        Quanto a atacar algo mais fundamental, tem algo mais fundamental do que a revelação pelas escrituras? O teísmo se diferencia do deísmo justamente nisso: há um Deus que criou o universo e se revelou, e as escrituras são a fonte de conhecimento para essa revelação. E a cada falsa profecia escrita lá, temos evidência contra a idéia de que Deus é, em última análise, o autor da bíblia. Ninguém acredita em um cristianismo sem as escrituras, nem mesmo os primeiros cristãos.

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