É possível esperar um mundo sem esquerdismo?

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Dia desses, um leitor me questionou, via email:

Luciano, qual o motivo de sua cruzada? Você quer que o esquerdismo seja eliminado da face da Terra?

Antes de tudo, não há uma “cruzada” aqui, mas sim uma iniciativa de ceticismo, pura e simplesmente.

E quanto a “querer” o esquerdismo eliminado da face da Terra, longe de mim desejar isso. Eu fico desgostoso com mim mesmo quando alimento falsas esperanças.

Tempos atrás eu estava em uma reunião de projetos envolvendo vários gerentes de área. Minha iniciativa estava focada em obter o comprometimento com as datas do plano, e eu sabia que vários tentariam FUGIR a esse comprometimento.

Um dos líderes me perguntou: “Por que você enviou o plano por email, mesmo sabendo que alguns dos gestores não se comprometeriam?”, no que eu respondi: “Justamente por saber que muitos tendem a não se comprometer, é que eu fiz questão de enviar o plano. Com isso, o não comprometimento deles ficará explícito e saberemos separar o joio do trigo. E aí, somente aí, o plano tem alguma chance de dar certo”.

Dito e feito. O projeto conseguiu caminhar e um dos gerentes teve que ser direcionado para outra iniciativa… justamente por sua falta de comprometimento.

O comprometimento a que me refiro neste caso é algo do tipo, de maneira formal: “Ok, de acordo, aceito realizar as entregas X, Y e Z nas datas estabelecidas.”

Este é o tipo de comprometimento que torna a pessoa passível de RESPONSABILIZAÇÃO após o seu aceite. E é somente aí que vemos um projeto ter chances de caminhar.

Tentar executar o papel de gerente de projetos CONFIANDO em que as pessoas assumirão a responsabilidade somente por SUA PALAVRA (de forma informal e verbal) é caminhar pelo jardim das ilusões. É o início de uma vida de desapontamentos. E, pior, fracassos profissionais.

Ser pessimista em relação ao ser humano, neste tipo de iniciativa, é a ÚNICA FORMA de obter algum tipo de resultado.

Se eu sei como o ser humano é, e por isso não espero muito dele, é óbvio que não espero coisas do ser humano que ele NEM SEQUER É CAPAZ de fazer.

Se as pessoas não se comprometem sem um estímulo (creio que você me entendeu), muito menos mudarão seus pequenos hábitos e características naturais somente por que nos incomodamos com elas.

Da mesma maneira, não é o fato de comprovarmos que a crença esquerdista é ao mesmo tempo a mais ingênua de todas as crenças como também a mais perigosa, que me faria alimentar a ilusão de que certo dia alguém decidiria “abandonar a crença” apenas por achar razoáveis as minhas objeções a ela.

Coisas como leitura na borra do café, quiromancia e horóscopo já foram refutadas à muito tempo. E as pessoas continuam acreditando nelas. Por que isso? Simples, há um processo mental que provavelmente as leve a ter prazer acreditando nessas coisas. Essa crença provavelmente faz bem a elas.

Em resumo, não espere que alguém assuma os SEUS MOTIVOS para mudar seus gostos, manias, e, em última instância, as características inerentes.

Por isso, não alimento NENHUMA EXPECTATIVA de que a crença esquerdista seja extirpada da face da Terra. Temos que nos acostumar com o fato de que quase todos os seres humanos dependem de crenças em religiões (tradicionais ou políticas), e muitos deles dependem da autoridade. Muito provavelmente é a busca do macho alfa, que todas as outras espécies alimentam.

Portanto, coisas como religião tradicional e religião política VIERAM PARA FICAR. Não deixarão de existir somente por que são questionadas.

Para piorar, ainda temos o efeito backfire, que fará os crentes ficarem MAIS CRENTES após sofrerem extensivo questionamento.

Se a proposta desse blog for seguida em maior escala, os esquerdistas terão que aprender a serem mais questionados do que os católicos e evangélicos o são.. nas mãos dos neo ateus.

Terão que aprender a conviver com a ridicularização de sua “crença no homem”. Terão que sofrer escárnio por serem co-responsáveis por ações totalitárias de diversos tipos. Devem ser motivo de riso por crer na “bondade da ONU”. A rejeição social é o único destino justo daqueles que cultuam coisas como o estado e os burocratas.

Mesmo assim, vão continuar tão crentes como aquele cristão pentecostal que passa horas sendo motivo de riso nas redes sociais quando cai nas mãos de um neo ateu.

Nada disso dará sumiço no esquerdismo. A dependência humana da crença em autoridades (os religiosos tradicionais em Deus, os religiosos políticos em seus líderes de esquerda) é um subproduto evolutivo que não dá sinais de ir embora.

E ainda existem os beneficiários, que se dão muito bem pela mera existência das massas de manobras que os religiosos políticos sinceros (funcionais) compõem. Esses beneficiários incentivarão fóruns da religião política, conferências sobre temas humanistas e tudo o mais.

Essa é a realidade.

Contudo, existem muitos que NÃO CAÍRAM nas graças da crença esquerdista. Eles olham para os escritos de Marx como muitos olham para a leitura de cartas. Sabem que são crenças dignas de riso.

E existem também os neutros, que não acreditam na idéia da esquerda. Estes podem e DEVEM ser alertados da insanidade e nível de perigo desta crença.

E estes dois últimos vão viver em um mundo compartilhado com esquerdistas. Assim como bons profissionais viverão em um mundo compartilhado com profissionais desonestos.

Mas se estes parasitas vieram para ficar, o ceticismo que deve ser mantido contra eles deve ser a cada dia mais forte.

Eu não espero um mundo sem esquerdismo, assim como eu não espero um mundo sem crenças injustificadas e perigosas ao mesmo tempo.

E, pensando neste mundo, é que desenvolvi o meu modelo de ceticismo.

Conclusão: minha “cruzada” não espera um mundo sem esquerdismo, mas um mundo no qual a crença esquerdista é mais um produto no mercado de crenças, assim como o horóscopo. E para conviver com essa crença, precisamos do ceticismo político defendido aqui.

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