O ceticismo de combate como a bala de prata contra a esquerda

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Quando eu falo em “ceticismo de combate”, falo de um ceticismo que é independente daquele que está executando uma ação a ser avaliada. É exatamente o pensamento de um auditor de investigação de fraudes.

Alguns diriam que “isso não é ceticismo, pois o verdadeiro ceticismo é um modo de pensar”, mas, como já abordei diversas vezes, essa própria afirmação não passa pelo crivo cético, pois configura a rotina “Auto Cético“.

O ceticismo de combate, que defendo, já logo de cara abandona sua alegação de imparcialidade (pois esta geralmente não ocorre), e afirma que atua em oposição ao outro lado.

Por exemplo, se existe um fraudador em uma organização, e há um auditor que investiga fraudes, ambos estão em oposição. O ceticismo do auditor é oponente aos interesses do fraudador.

Para capturar as fraudes deste fraudador, o auditor fará uso de uma série de controles para detectar se as fraudes ocorrem ou não.

Tecnicamente, é um jogo de gato e rato.

Os auditores hoje são cada vez mais necessários nas organizações, mas isso depende de 3 estágios de conscientização, que também defendo para o ceticismo de combate:

  1. Existe algo como uma fraude. E controles devem ser estabelecidos para monitorá-las.
  2. É preciso que as organizações saibam identificar um fraudador de um não fraudador, e denúncias aos fraudadores são importantes.
  3. É preciso que as organizações saibam as consequências de fraudes não identificadas.

Se você notou os 3 estágios, deve entender que apenas estabelecer controles e identificar as fraudes, de nada adianta se as organizações não tomarem ações contra um fraudador, e muito menos se as organizações não souberem as consequências de uma fraude.

Sem as conscientizações 2 e 3, não há sentido em existir a auditoria em si.

Transportando isso para o ceticismo político, na ação de conservadorismo cético que defendo aqui, temos a suspeita de que o esquerdismo é composto inteiramente de fraudes, do início ao fim.

Esse é o gatilho para a aplicação do estágio 1, no qual o questionamento é feito em relação à várias ideias que eles defendem, como:

  • Se o ser humano é inerentemente territorialista, como podemos crer na sociedade sem classes e propriedade privada?
  • Quais as evidências científicas para o “bom selvagem”?
  • Qual a justificativa científica para crer que uma “ditadura do proletariado” irá ser transferida de bom grado à todos?
  • Em caso de um governo global, qual a evidência científica para crer que os líderes do governo global se tornarão autruistas e enfim criarão a “sociedade justa”?

Esses questionamentos são apenas o começo.

O exame minucioso dessas alegações, juntamente com o estudo da dinâmica social, a neurociência e a psicologia evolutiva, já fornecem insumos suficiente para jogar ao ridículo todos os crentes nessas ideias.

Se alguém acha que acreditar no nascimento virginal é ridículo (e os neo ateus dizem que essa crença é ridícula), com certeza acreditar nos ideais marxistas, progressistas e humanistas é muito mais ridículo.

Eis então que entramos no estágio 2, no qual existe a “punição” pela fraude. No caso, o esquerdista deverá ser ridicularizado em público pelo nível de ridículo em que sua crença se encontra.

Alguns aristotélicos poderiam dizer que isso não é a premissa de um debate dialético, mas não estamos falando de um debate dialético aqui, mas de uma investigação de fraudes argumentativas. Não estamos diante de pessoas que buscam descobrir a verdade, mas de mentirosos profissionais, sejam eles funcionais ou beneficiários dessas mentiras.

Não há sentido em se ter um esforço para investigar e identificar fraudes se o fraudador não for punido de alguma forma quando a fraude for descoberta.

É preciso dizer, para a organização e para os demais profissionais, que existe uma DIFERENÇA de tratamento a ser dada aos fraudadores e não fraudadores. É preciso dizer, de forma claríssima, que NÃO COMETER FRAUDES é um diferencial, em termos corporativos. Caso contrário, estamos estimulando a prática de fraudes.

Na organização, a divulgação pública do fraudador e a demissão por justa causa, são punições bem razoáveis.

Mas no caso de um crente de esquerda, não estamos sob a batuta de um “chefe”, que definirá as punições. O “chefe”, neste caso, é a opinião pública. (Estou considerando as fraudes argumentativas, que são o foco do ceticismo em debates. Ações de corrupção fazem parte de outro foro, que não estou tratando neste momento.)

O fraudador de esquerda tem que pagar o preço do ridículo, PERANTE À opinião pública, que irá reconhecê-lo como mentiroso.

Assim, e somente assim, mostramos que a “fraude” não compensa.

A grande tragédia para muitos conservadores é que durante décadas eles passaram discutindo aristotelicamente com perpetradores de fraudes esquerdistas. E o resultado é que os esquerdistas sempre levaram vantagem.

Somente agora é que os conservadores estão aos poucos descobrindo que de nada vale denunciar a esquerda, se seus adeptos não forem expostos à ridicularização pública.

Só que, além de expor os adeptos à ridicularização, temos o estágio 3, em que temos que divulgar AOS NOSSOS a noção de que a crença esquerdista não é apenas ridícula, mas perigosa.

É como dizer à organização o quanto lhes custa as fraudes que são cometidas pelos picaretas.

Só para se ter uma ideia, projetos “anti-fraudes” assumem prioridade máxima nas organizações.

Será que é por que as organizações gostam de “torrar” dinheiro em iniciativas “anti-fraudes”? Não. É por que existe uma CONSEQUÊNCIA caso as fraudes ocorram. Há empresas que vão para o vinagre somente por causa de fraudes cometidas contra elas.

No caso da guerra política, é exatamente a mesma coisa. As ideias nazistas e marxistas, entre as duas grandes guerras, incluíam coisas como “há burgueses, e contra eles tudo deve ser feito, pois são os culpados de nossa situação” e “os judeus são responsáveis por nossa crise”, ideias fraudulentas, baseadas no famosíssimo truque esquerdista de definir um bode expiatório, contra o qual todos os atos estão a priori justificados (para os neo ateus, por exemplo, estes são os religiosos tradicionais, especialmente os cristãos).

A consequência desta fraude argumentativa não identificada (estágio 1) e ridicularizada publicamente (estágio 2) incluiu mais de 100 milhões de pessoas mortas em diversos genocídios. Simples assim.

Quer dizer, além de questionar e, após a crença desmascarada, ridicularizá-la, é preciso CONSCIENTIZAR a opinião pública da consequência da crença que está sendo lançada à arena.

Alguns mais precipitados poderão dizer: “mas isso é falácia do apelo à consequência”.

Nem de longe, pois estamos no estágio 3, quando a crença JÁ FOI questionada e desmascarada. Não estamos mais no mérito da crença ser válida ou não (isso foi o estágio 1), mas sim agora das consequências que teremos se a crença ruim for aceita.

Acredito que devemos balancear os esforços ENTRE esses 3 estágios.

Suponha que um blog conservador faça apenas o questionamento aos esquerdistas, mas fique apenas no estágio 1. Tecnicamente, é um esforço estéril contra a esquerda. Mas dimensionar os esforços transitando entre os 3 estágios é muito mais eficiente. E não sou eu que estou afirmando, são as boas práticas da auditoria corporativa.

O ceticismo de combate, definido aqui, DEPENDE desses 3 estágios, e não apenas do discurso político de dizer que “ceticismo é um estágio de suspensão de crença, onde eu questiono-me, e blá blá blá…”. E, repito mais uma vez, essa própria afirmação política não passa no crivo cético. É só dizer “eu duvido que você suspendeu sua crença” e “eu duvido que você se auto-questione mais que eu” e seu oponente cai em um beco sem saída.

Não há outra forma de combater à esquerda. E, se executada eficientemente (e em larga escala – pois o que temos hoje são apenas iniciativas esparsas), é a forma de retirar o poder político que os esquerdistas possuem hoje.

Se em uma época foi executado um ataque cirúrgico que tirou da monarquia o poder político (em um ataque também ao clero, que dava sustentação aos monarcas), é esse mesmo tipo de procedimento que deve ser feito hoje contra os esquerdistas.

Os líderes beneficiários somente existem por causa de um séquito de adeptos funcionais, que precisam ser desafiados na arena de debates e então expostos, de acordo com os 3 estágios sugeridos aqui.

Na mitologia licantrópica, diz-se que os lobisomens só podem ser mortos por uma bala de prata. No terreno do debate político, os esquerdistas só podem ser neutralizados pelo ceticismo de combate.

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10 COMMENTS

    • Bem notado, Marco Antonio. Não é que a estratégia do gato de botas funciona mesmo?
      O mais ridículo é que não é segredo pra ninguém que o Juca é ateu, e “ainda assim” ele é admirado pela população e o blog dele recebe milhares de acessos. O mesmo vale para o Drauzio. O fato deles serem ateus não impediu que eles sejam conhecidos, influentes e respeitados. Ou seja, cadê a tal “intolerância religiosa”?
      Ver dois ateus tão conhecidos choramingando assim prejudica a imagem dos ateus tanto quanto as besteiras que o Datena falou.

  1. luciano, surgiu o tal texto devastador da turma do rebeldia metafísica.

    é uma tradução de um texto cheio de falácias e distorções do richard carrier

    http://rebeldiametafisica.wordpress.com/2012/04/21/historiadores-cristaos-incompetentes-desonestos-ou-iludidos/

    o fabrs, eterno defensor de gays, apareceu empolgadíssimo na comunidade contradições do ateísmo e tentou usar o eterno truque de “advogado do diabo”, mas o desmascarei

    http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=15220045&tid=5733928992551767419&na=1&npn=1&nid=

    vou colocar algumas refutações aqui

  2. fraudes do carrier

    O Cristianismo dominou completamente todo o mundo ocidental do quinto ao
    décimo quinto séculos da Era Comum, e ainda assim no decorrer destes
    mil anos não houve Revolução Científica alguma. Uma causa que fracassa
    em produzir seus efeitos previsíveis apesar de estar atuando
    continuamente por mil anos é usualmente considerada refutada, não confirmada.

    o truque aqui é fingir que surgimento da ciência tem a ver com “revolução científica”.

    o termo revolução científica é apenas um truque psicológico iluminista. nunca existiu.

    a ciência ocorreu de forma cumulativa, e é claro que como o conhecimento é cumulativo, quanto mais se conhece, mais se avança

  3. Esta não era uma época em que você poderia desfrutar da liberdade de
    ser um herege ou um ateu, muito menos um pagão ou um apóstata, sem
    encarar repercussões que poderiam encerrar sua carreira, sua liberdade
    ou até mesmo sua vida. Tal atmosfera compeliu todos a encontrar maneiras
    criativas de vender quaisquer novas idéias como perfeitamente cristãs, até mesmo bíblicas, independentemente de seu real motivo ou inspiração.

    aqui já é o truque da leitura mental.

    o autor inventa que as pessoas “fingiam que suas idéias eram cristãs” para fazer ciência.

    o truque é de tão baixo nível que o coloca na categoria de dawkins.

    nem prostituta desce tanto de nível assim como esse neo ateu do texto…

  4. a tal “ciência pagã”

    Embora inúmeros indivíduos pertencentes à massa iletrada retivessem as antigas concepções animistas, isto era ridicularizado pelos intelectuais pagãos. O Aetna, por exemplo, um poema épico romano sobre a vulcanologia, afirma que tal animismo ignorante deve ser rejeitado em favor de explicações mecânicas, e então continua descrevendo explicações mecânicas para a atividade vulcânica[46]. Médicos cientistas, de Erasistrato a Galeno, procuraram explicar toda a fisiologia humana em termos de princípios ou mecanismos físicos[47]. Astrônomos, de Posidônio a Ptolomeu, sem dúvida eram capazes de conceber um modelo mecânico para o sistema solar[48]. O comportamento do ar, da água, do clima e de tudo o mais era explicado de maneira similar[49]. Mesmo quando explicações “redutivamente” mecânicas eram rejeitadas, elas não eram substituídas por outras animistas, mas por teorias físicas de forças naturais intrínsecas – que muitas vezes poderiam ser corretas, como a teoria da filtragem renal de Galeno, que sustentava que o rim não é uma mera peneira mas contém forças de atração habilmente engenhadas que naturalmente selecionam as toxinas para expulsa-las do sangue, uma conclusão que ele provou por experimentação[50]. E longe de atribuir o movimento planetário a desejos caprichosos, Ptolomeu os atribuiu à forças naturais intrínsecas em concordância com leis matemáticas – desenvolvendo, por exemplo, uma lei de “ângulos iguais em tempos iguais” que implicava que os planetas variavam suas velocidades de uma maneira que claramente inspirou a segunda lei de Kepler das áreas iguais em tempo iguais[51]. Embora Ptolomeu suspeitasse que a força que impulsiona os planetas pudesse ser “almas planetárias”, estas eram tão fixas e previsíveis quanto as almas planetárias de Kepler, sendo tão desprovidas de mentes quanto o magnetismo ou qualquer outra força física[52].

    nossa, quanta contribuição científica, né…

    quanta tecnologia surgiu disso aí…

    o carrier realmente tenta raspar o tacho desesperado procurando inventos tecnológicos amparados pela ciência na época da antiga grécia e vem com um traque…

    “Mas este foi um desenvolvimento apesar dos valores e ideais do Cristianismo original, retornando o mundo ao ponto onde os pagãos, não os cristãos, o haviam há deixado mil anos, no alvorecer do terceiro século”

    quer dizer… voltamos aos tempos em que os gregos vinham com aquelas explicações básicas e chamavam de ciência?

    hehehehehehehe

    na boa, as milhares de descobertas tecnológicas dos tempos medievais e da renascença não devem nada às “descobertas” dos gregos

    apelar a isso é raspar o tacho de maneira muito iludida para fazer campanha neo ateísta.

  5. •Em caso de um governo global, qual a evidência científica para crer que os líderes do governo global se tornarão autruistas e enfim criarão a “sociedade justa”?

    – E qual ciência poderia validar uma coisas dessas? Você presume que a ciência possa validar uma posição politica, mas qual ramo da ciência tem esta finalidade? Neurociência? Física? Química? Me diga Luciano, qual ramo da ciência investiga os objetos da sociologia? Seá que você não está caindo no erro de confundir ciências humanas com ciencias naturais? Se não está, por favor, nos brinde com alguma descoberta cientifica que valide(e explique também como um juizo de fato obriga a um juizo de valor!) alguma posição política, do tipo: A ciencia x fez tal descoberta que esclarece o porquê da obrigatoriedade de tal posição politica. Será isso possível?

    Abraço

    • Juliano

      E qual ciência poderia validar uma coisas dessas? Você presume que a ciência possa validar uma posição politica, mas qual ramo da ciência tem esta finalidade? Neurociência? Física? Química? Me diga Luciano, qual ramo da ciência investiga os objetos da sociologia? Seá que você não está caindo no erro de confundir ciências humanas com ciencias naturais? Se não está, por favor, nos brinde com alguma descoberta cientifica que valide(e explique também como um juizo de fato obriga a um juizo de valor!) alguma posição política, do tipo: A ciencia x fez tal descoberta que esclarece o porquê da obrigatoriedade de tal posição politica. Será isso possível?

      Aqui está o seu equívoco.

      Embora exista o ramo da sociologia, não há um argumento bom para ele estar TOTALMENTE DESAMPARADO pelas ciências naturais.

      É exatamente o oposto.

      Afirmações políticas, como marxismo, humanismo e outras falam da ESPÉCIE HUMANA, e portanto esse é um assunto da biologia.

      É por isso que as implementações marxistas geraram efeitos tão adversos daqueles planejados. Pois ignoraram o aspecto biológico do ser humano.

      E os modernos humanistas continuam ignorando esse aspecto biológico do ser humano.

      De qualquer forma, cientificamente, já podemos estudar os motivos pelos quais os esquerdistas possuem uma crença no homem.

      O ser humano, biologicamente, possui crença na autoridade. Isso vem desde os tempos do macho alfa, nas tribos de macacos, leões, cachorros e capivaras. O macho alfa se torna um referencial a ser seguido.

      No caso do ser humano, ele transpos essa crença na autoridade, no passado, a um Deus.

      Mas agora voltou de novo às origens mais primitivas, e, com o humanismo e o marxismo, novamente, escolheu seus machos alfa em formato carnal, no caso os homens, líderes de governo global, líderes de ditaduras, etc.

      É por isso que muitos petistas se submetem ao Lula como cristãos se submetem a Deus, e esquerdistas nos Estados Unidos fazem o mesmo com Obama.

      Pode-se explicar essa subserviência à uma autoridade, junto com a crença no homem, como um subproduto evolutivo.

      Existem estudos de neurociência que explicam as crnças que não serão mais largadas, mesmo quando questionadas, e isso também explica o esquerdismo. O efeito backfire é um outro elemento.

      Enfim, tudo referente a qualquer religião, política ou tradicional, é do escopo da ciência.

  6. “Afirmações políticas, como marxismo, humanismo e outras falam da ESPÉCIE HUMANA, e portanto esse é um assunto da biologia”

    – mas seus objetos de estudo são diferentes, portanto, não concorrem uma com a outra. Enquanto a Biologia se refere ao organismo vivo enquanto interação com o ambiente(e isso é apenas parte da Biologia) a sociologia estuda as interações entre os individuos dentro de determinada lógica de organização. A sociologia investiga os valores que estão fundamentando a organização em seus sentidos gerais e especificos. Existe uma natureza diversa entre os dois ramos de saber. Se eu estiver errado, por favor, me mostre artigos científicos que relacionam as duas, peço novamente, pois você ainda não me mostrou nenhum.

    “É por isso que muitos petistas se submetem ao Lula como cristãos se submetem a Deus, e esquerdistas nos Estados Unidos fazem o mesmo com Obama.”

    – Esta lógica se aplica também aos conservadores, aos religiosos, enfim, a todos! Mas ela não é suficiente, pois as pessoas numa sociedade se orientam também pela noção de bem, engendrada discursivamente. Se eu estiver errado, cairemos num determinismo biológico, daí tudo vale, pois não estaremos mais no comando de nós mesmos, dando testemunho da existencia de uma razão cega que nos arrasta em direção à conservação. Com isso perderemos toda a diferenciação com os animais, o que, evidentemente é uma ignorância terrível a respeito daquilo que venha a ser o humano no ser.

    “Pode-se explicar essa subserviência à uma autoridade, junto com a crença no homem, como um subproduto evolutivo”

    – Pois isso não se aplica somente ao esquerdismo, mas a todos os humanos! ainda bem que é assim, pois do contrário viveríamos numa anarquia danada! Se não nos submetessemos a ninguém, não haveria algo como a sociedade, ainda viveríamos em árvores! Não existiria o Direito, não haveria modo de estabelecer uma sociabilidade. Mas, por favor, me mostre este paper, quero analisá-lo com mais cuidado.

    “É por isso que as implementações marxistas geraram efeitos tão adversos daqueles planejados. Pois ignoraram o aspecto biológico do ser humano.
    E os modernos humanistas continuam ignorando esse aspecto biológico do ser humano.”

    – Continuam? Qual descoberta cientifica invalida alguma tese humanista? Se tiver como, peço gentilmente que você nos ofereça o artigo, a publicação, alguma entrevista de algum cientista renomado que sustente esta tua idéia. Não vejo onde as teorias evolucionistas invalidam algo como políticas de esquerda e validam posturas neoliberais, por exemplo. Poderia me dar exemplos? Poderia me dar um exemplo de alguma descoberta cientifica que sustente esta afirmação: “E os modernos humanistas continuam ignorando esse aspecto biológico do ser humano.”?

    “De qualquer forma, cientificamente, já podemos estudar os motivos pelos quais os esquerdistas possuem uma crença no homem”

    – Isso sim da mesma maneira que explicam os motivos pelos quais alguém é cético com relação a esta crença, da mesma maneira que explicam porque existem conservadores, da mesma maneira que explicam porque existem corintianos…(mas antes de comprar esta afirmação por completo, perrgunto: Em que isso invalida a possibilidade de as mudanças propostas pelos humanistas serem implementadas?)

    “O ser humano, biologicamente, possui crença na autoridade. Isso vem desde os tempos do macho alfa, nas tribos de macacos, leões, cachorros e capivaras. O macho alfa se torna um referencial a ser seguido.
    No caso do ser humano, ele transpos essa crença na autoridade, no passado, a um Deus.
    Mas agora voltou de novo às origens mais primitivas, e, com o humanismo e o marxismo, novamente, escolheu seus machos alfa em formato carnal, no caso os homens, líderes de governo global, líderes de ditaduras, etc.”

    – Sim, este é um aspecto formal da questão, mas não diz nada sobre o conteúdo da crença de alguns humanistas. Este tipo de abordagem é meramente descritiva, enquanto que a nossa vida se estrutura em questões normativas, tais como: isso é bom! Elencar os elementos psicológicos envolvidos nesta operação mental não esclarece nada sobre o conteúdo normativo do humanismo! Como você objetaria um humanista que apóia o ProUni, por exemplo? Dizendo que:
    -“O ser humano, biologicamente, possui crença na autoridade. Isso vem desde os tempos do macho alfa, nas tribos de macacos, leões, cachorros e capivaras. O macho alfa se torna um referencial a ser seguido.No caso do ser humano, ele transpos essa crença na autoridade, no passado, a um Deus.
    Mas agora voltou de novo às origens mais primitivas, e, com o humanismo e o marxismo, novamente, escolheu seus machos alfa em formato carnal, no caso os homens, líderes de governo global, líderes de ditaduras, etc.” Se isso for verdade, em nada o humanismo está errado, a não ser que você tenha em mente que crer em deus é mais cientificamente melhor E verdadeiro do que crer no homem., mas daí você teria uma contradição a resolver, que é justamente a do teu ateísmo. Crer em deus ou crer no homem: em qual das duas alternativas a posição atéia será mais coerente? Ateus fraquinhos? não, isso não dá mais para aceitar!
    Claro que você pode ser ateu, como eu, e não aderir ao esquerdismo tal qual ele se apresenta, assim como eu. Você pode ser ateu e ser contrário à faceta hegemônica do humanismo que se configura na atualidade, não quero incorrer no falso dilema, pois você pode ser ateu e conservador(no campo da economia, no campo do direito), mas você não poderá fundamentar tuas posições com base em valores tais como a tradição, pois sendo ateu você terá de assumir que esta ainda está em formação, assim como o significado do passado ainda está em vias de construção tal como preconiza tanto a biologia e os estudos hitóricos confirmam ao apoiar-se na arqueololia, palentologia etc….

    Se você tiver como, eu gostaria que você disponibilizasse artigos cientificos validando a posição de conservadores e invalidando posturas humanistas. Por favor!

    Abraço,

    Abraço

    • Juliano

      mas seus objetos de estudo são diferentes, portanto, não concorrem uma com a outra. Enquanto a Biologia se refere ao organismo vivo enquanto interação com o ambiente(e isso é apenas parte da Biologia) a sociologia estuda as interações entre os individuos dentro de determinada lógica de organização. A sociologia investiga os valores que estão fundamentando a organização em seus sentidos gerais e especificos. Existe uma natureza diversa entre os dois ramos de saber. Se eu estiver errado, por favor, me mostre artigos científicos que relacionam as duas, peço novamente, pois você ainda não me mostrou nenhum.

      Espere.

      A biologia estuda o organismo vivo em sua interação com o ambiente.
      Se forem capivaras, a biologia e a psicologia evolutiva estudam as capivaras em interação entre elas em uma “determinada lógica de organização”?
      Aí vamos ao ser humano.
      A biologia estuda o animal humano vivo em sua interação com o ambiente.
      Mas aí a biologia e a psicologia NÃO PODEM MAIS ESTUDAR o ser humano por que? Por que alguns “sociólogos” disseram que não? rs.

      Qual é o fundamento científico para ISOLAR o homem da mesma análise feita sobre os outros animais?

      Esta lógica se aplica também aos conservadores, aos religiosos, enfim, a todos! Mas ela não é suficiente, pois as pessoas numa sociedade se orientam também pela noção de bem, engendrada discursivamente. Se eu estiver errado, cairemos num determinismo biológico, daí tudo vale, pois não estaremos mais no comando de nós mesmos, dando testemunho da existencia de uma razão cega que nos arrasta em direção à conservação. Com isso perderemos toda a diferenciação com os animais, o que, evidentemente é uma ignorância terrível a respeito daquilo que venha a ser o humano no ser.

      Claro que essa lógica se aplica aos conservadores também.

      Mas aí é que vem um argumento de venda do conservadorismo. Muitos conservadores (mas não todos) são cristãos, portanto transferem sua busca para a autoridade para um Deus. O que é menos perigoso em termos sociais do que transferir essa busca por autoridade para o ser humano.

      A questão não é “se cairemos num determinismo biológico”, a verdade é que JÁ ESTAMOS NESSE DETERMINISMO BIOLÓGICO. A crença humanista é que, sem amparo científico nenhum, luta desesperadamente para fugir disso.

      E em relação À “perdermos toda a diferenciação com os animais”, qual o problema científico disso? Essa, aliás, é a ÚNICA POSIÇÃO CIENTÍFICA aceitável.

      Pois isso não se aplica somente ao esquerdismo, mas a todos os humanos! ainda bem que é assim, pois do contrário viveríamos numa anarquia danada! Se não nos submetessemos a ninguém, não haveria algo como a sociedade, ainda viveríamos em árvores! Não existiria o Direito, não haveria modo de estabelecer uma sociabilidade. Mas, por favor, me mostre este paper, quero analisá-lo com mais cuidado.

      Basta estudar QUALQUER trabalho a fundo de psicologia evolutiva. Eu poderia citar “The Moral Animal”, de Robert Wright, toda a obra de Desmond Morris, e até Richard Dawkins e Daniel Dennett! A única diferença é que estes dois últimos focaram na religião tradicional, e eu estou focando em TODA a religião política.

      É verdade que esta análise se aplica a TODOS os humanos, e justamente por isso estou escrevendo um texto que você poderá ler em breve, chamado “O Inimigo do Meu inimigo é meu amigo”, em que explico essa constatação que dificilmente você refutaria. Além do mais, podemos nos submeter a alguém POR CONVENIÊNCIA, mas não por SUBMISSÃO PSICOLÓGICA.

      Exemplo: conservadores querem um estado enxuto, e não precisam CRER em seus governantes. Podem entender esse estado como um mal necessário, mas desde que reduzido ao mínimo. É um exemplo de legislação aceita sem CRENÇA CEGA nessa autoridade. Portanto, seu argumento de que “dependemos da crença no homem” para ter lei e ordem, não se justifica.

      Continuam? Qual descoberta cientifica invalida alguma tese humanista? Se tiver como, peço gentilmente que você nos ofereça o artigo, a publicação, alguma entrevista de algum cientista renomado que sustente esta tua idéia. Não vejo onde as teorias evolucionistas invalidam algo como políticas de esquerda e validam posturas neoliberais, por exemplo. Poderia me dar exemplos? Poderia me dar um exemplo de alguma descoberta cientifica que sustente esta afirmação: “E os modernos humanistas continuam ignorando esse aspecto biológico do ser humano.”?

      Na verdade, tudo o que sabemos é que as mudanças biológicas não ocorrem “por design”. Não adianta desejarmos que a natureza do homem deixe de ser territorialista e comprarmos milhões de cópias do livro “O Segredo”, mentalizarmos isso, que isso não vai provocar alterações biológicas no ser humano. Como sabemos pela teoria darwinista que o homem é nada mais que uma espécie animal, territorialista como as demais, e com um componente adicional: ela é tão predatória que não destrói apenas as outras espécies, como também a sua própria, quando for necessário na luta por sobrevivência.

      Enfim, cientificamente É ISSO QUE O SER HUMANO É.

      A tese humanista acredita que o homem pode RESOLVER ESSA CONTINGÊNCIA. Baseado em que senão em fé cega? A alegação extraordinária é do humanismo. Qualquer avaliação científica sobre o ser humano não nos dá esperança humanista, muito pelo contrário.

      É por isso que os genocídios dos governos marxistas são uma CONSEQUÊNCIA dessa análise. Se tivessem lido Schopenhauer, em sua análise crua do ser humano, saberiam que os genocídios da Rússia, China, Alemanha Nazista e Cambodja são o óbvio. Darwin apenas nos explicou por que isso era óbvio.

      Isso sim da mesma maneira que explicam os motivos pelos quais alguém é cético com relação a esta crença, da mesma maneira que explicam porque existem conservadores, da mesma maneira que explicam porque existem corintianos…(mas antes de comprar esta afirmação por completo, perrgunto: Em que isso invalida a possibilidade de as mudanças propostas pelos humanistas serem implementadas?)

      Exatamente. Devemos usar a dinâmica social para estudar tanto o comportamento conservador como esquerdista. E é claro avaliar os danos que cada crença traz. A grande diferença é que a crença humanista depende de muito mais alegações extraordinárias que a crença conservadora. Para ser conservador, basta estudar o que o homem é e duvidar dele. Já para ser conservador E RELIGIOSO TRADICIONAL, é preciso de outras crenças, como crença no nascimento virginal.

      Aliás, eu já disse duzentas vezes:

      – Religiosos tradicionais tem maiores chances de serem conservadores, mas nem todo conservador é religioso tradicional
      – Ateus tem maiores chances de serem esquerdistas, mas nem todo ateu é esquerdista

      Explica-se: ao abandonar a crença em Deus, a pessoa tem maiores chances de crer no homem. E vice-versa. A explicação disso eu já dei: a busca da autoridade na tribo.

      – Sim, este é um aspecto formal da questão, mas não diz nada sobre o conteúdo da crença de alguns humanistas. Este tipo de abordagem é meramente descritiva, enquanto que a nossa vida se estrutura em questões normativas, tais como: isso é bom! Elencar os elementos psicológicos envolvidos nesta operação mental não esclarece nada sobre o conteúdo normativo do humanismo!

      Na verdade, diz sim. Se elencamos os elementos psicológicos envolvidos nessa operação mental, além de descrever a CONSEQUÊNCIA DA CRENÇA e ainda assim refutá-la, temos um caso completo para apresentar aos

      – não esquerdistas
      – platéia do debate

      Como você objetaria um humanista que apóia o ProUni, por exemplo? Dizendo que:
      -”O ser humano, biologicamente, possui crença na autoridade. Isso vem desde os tempos do macho alfa, nas tribos de macacos, leões, cachorros e capivaras. O macho alfa se torna um referencial a ser seguido.No caso do ser humano, ele transpos essa crença na autoridade, no passado, a um Deus.
      Mas agora voltou de novo às origens mais primitivas, e, com o humanismo e o marxismo, novamente, escolheu seus machos alfa em formato carnal, no caso os homens, líderes de governo global, líderes de ditaduras, etc.” Se isso for verdade, em nada o humanismo está errado, a não ser que você tenha em mente que crer em deus é mais cientificamente melhor E verdadeiro do que crer no homem., mas daí você teria uma contradição a resolver, que é justamente a do teu ateísmo. Crer em deus ou crer no homem: em qual das duas alternativas a posição atéia será mais coerente? Ateus fraquinhos? não, isso não dá mais para aceitar!

      Mas quem disse que a tal afirmação entre aspas é a refutação ao ProUni?

      A refutação ao ProUni é feita a partir de um “caso” onde mostramos que não temos que pagar pelo ensino dos outros. Em contrapartida, é melhor que os esquerdistas se unam, de forma voluntária, e criem seus ProUnis, sem dar poder excessivo ao estado.

      Após esse esclarecimento à platéia, veremos que o humanista vai continuar crente em que devemos dar poder ao estado para manter o ProUni. É aí que vamos para a explicação, em parênteses, para que a platéia entenda por que o humanista não vai abandonar sua crença injustificada. 🙂

      Entendeu que explicar a origem da crença não é o suficiente para refutá-la?

      Mas serve para explicar o motivo para o qual alguém adota essa crença mesmo depois de refutada.

      Em relação a crer em Deus ser “mais cientificamente melhor”, isso é bobagem.

      Acho que ambas as crenças são iguais em termos de validade, com a diferença que a crença em Deus é uma crença sem evidências, ao passo que a crença no homem é uma crença com evidências em contrário. Quer dizer, no mercado de crenças, o valor dela é menor que o da crença em Deus. 🙂

      Portanto, não tenho contradição nenhuma a resolveu.

      Eu me defino como um ponto fora da curva. Entendo que com o tempo PODEM surgir mais, mas não alimento esperanças também. 🙂

      Claro que você pode ser ateu, como eu, e não aderir ao esquerdismo tal qual ele se apresenta, assim como eu. Você pode ser ateu e ser contrário à faceta hegemônica do humanismo que se configura na atualidade, não quero incorrer no falso dilema, pois você pode ser ateu e conservador(no campo da economia, no campo do direito), mas você não poderá fundamentar tuas posições com base em valores tais como a tradição, pois sendo ateu você terá de assumir que esta ainda está em formação, assim como o significado do passado ainda está em vias de construção tal como preconiza tanto a biologia e os estudos hitóricos confirmam ao apoiar-se na arqueololia, palentologia etc….

      Na verdade, podemos fundamentar posições em tradições SE:

      (a) mostrarmos que a tradição, em termos biológicos, é melhor do que não ter a tradição. E
      (b) se aceitarmos que a manutenção da tradição é melhor para a sociedade E
      (c) não há prejuízo algum para a manutenção da tradição

      Vou dar um exemplo:

      É melhor que uma sociedade valorize o casamento tradicional ou o iguale o casamento gay ao casamento tradicional? Qual o “cui bono” da segunda opção? Quais os ganhos em termos de seleção de grupo? Diante de valores aceitáveis pela maioria e que são uma tradição aceita como aquela “base” de nossa sociedade (em termos praticamente iguais ao consenso), é melhor criar valores tão diferentes? Em comparação com outras sociedades (tribos), isso será benéfico para a nossa sociedade ou não?

      Quando você diz “o significado do passado ainda está em vias de construção”, isso é apenas uma ilusão. Não há um “futuro em construção”, pois não há tais castelos que ficarão em pé. O ser humano não tem tanto controle sobre seu destino quanto pensa que tem.

      Sei que é uma verdade nua e crua, mas basta ler QUALQUER livro de psicologia evolutiva e NÃO ESTAR contaminado pelo humanismo que temos isso como conclusão inevitável.

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