Jogando na “ofensiva” sempre contra os humanistas

0
68

Eu já fui cristão. E muitos leitores sabem disso. Hoje nem sequer guardo influências do cristianismo, embora, pelo meu conservadorismo (conservadorismo cético, diga-se), enquanto sistema social eu ainda prefiro o cristianismo do que o humanismo. Mas isso é assunto para outro post….

O que importa é que, mesmo em meus tempos de cristianismo, eu passava muito mais tempo atacando o neo ateísmo do que propriamente defendendo o cristianismo.

Enfim, eu jogava na ofensiva.

Quando eu abandonei o cristianismo, por absoluta ausência de fé, aí parei para pensar no seguinte: se eu não tenho crenças que requeiram fé e que precisariam ser defendidas, é o momento de assumir de vez meu estilo ofensivo no jogo argumentativo.

Entretanto, se eu já joguei no ataque na época em que era cristão, os leitores cristãos desse blog poderiam fazê-lo da mesma forma.

Antes, deixe-me explicar a lógica de jogar na ofensiva em um exemplo do mundo corporativo.

Imagine que existam dois gerentes rivais, X e Y, lutando corporativamente.

Suponha que o Gerente X espalhe nos corredores que o Gerente Y é incapaz de manter uma equipe coesa, e que seus times possuem alto turn over. Suponha agora que essa mensagem seja transmitida, em efeito cascata, para mais de 100 pessoas, gerando uma “inserção” em 10% delas (a “inserção” contém a ideia que ficará gravada lá no sistema límbico profundo do receptor).

Agora, imagine que o Gerente Y tenha descoberto essa mentira e dito o seguinte: “Não, isso que ele disse de mim não é verdade, pois aqui estão meus resultados…”. É possível que algumas pessoas, que não tenham sofrido as “inserções”, até acreditem nele. Mas ainda é possível que ele nem sequer consiga falar com todas as 100 pessoas, portanto ele ainda continua no prejuízo. Pior ainda: as pessoas que sofreram as “inserções” não ouvirão sua argumentação, e portanto o prejuízo segue bem grande.

Esse é o problema de jogar na defesa.

Mas suponha que o Gerente Y descubra um fato que demonstre que o Gerente X é um mentiroso, e lance essa ideia nos corredores. E imagine que essa ideia atinja um grande número de pessoas. Vamos supor que atinja também 100 pessoas, e um percentual delas também sofra “inserções”. Note que o Gerente X agora terá que passar um tempo se defendendo da acusação de mentiroso, ao passo que alguns que tinham acreditado na ideia anterior dele contra o Gerente Y podem até reverter sua opinião, pois “como levar em conta a opinião de um mentiroso?”.

Essa é a estratégia correta. Ao ser atacado, atacar de volta.

Isso não significa que as defesas devam ser abandonadas, pelo contrário. Se alguém mentiu contra você, denuncie a mentira, mas ataque essa pessoa também.

Vamos agora transpor essa dinâmica para os embates políticos.

Imagine você (se não for cristão, assim como não sou, ao menos tente abstrair para a realidade de um cristão) que a mídia anti-religiosa esteja divulgando notícias de pedofilia na Igreja. Jogar na defesa seria dizer “Não, não é apenas na Igreja que existe pedofilia”. E aí você cairá na mesma situação que o Gerente Y estava quando pensava apenas em se defender. Já jogar no ataque significa dizer algo como: “O humanismo é uma ideologia tão doentia que somente denunciam a pedofilia se vierem de cristãos, o que mostra que eles não estão dando a mínima para as crianças vítimas de pedofilia praticada por outros profissionais”. Esse é um ataque que os complicaria. Para melhorar, o ataque poderia ser repetido ad nauseam mostrando o número de notícias denunciando a pedofilia na Igreja, junto com o número muito menor de notícias denunciando a pedofilia FORA da Igreja. De qualquer forma, o humanista terá um problema em mãos e terá que se defender.

Outro exemplo é o do truque humanista em que fingem lutar pelo estado laico. Dizem eles “Ter crucifixo em repartição é violação ao estado laico”. Jogar na defesa seria dizer “Mas o símbolo católico não faz mal para ninguém, por que tirá-lo?”. Já jogar no ataque seria afirmar: “Humanistas, como sempre, tentam enrolar o povo. Nada fazem contra a estátua da deusa Dicé, contra o lema ‘Ordem e Progresso’ na bandeira e muito menos contra os jogos Olímpicos. Só atacam o crucifixo. Isso mostra que eles são farsantes, e ao invés de lutarem pelo estado laico, querem violá-lo.” Pronto, é o suficiente, com o uso da ênfase, para deixá-los desmoralizados em público.

Um outro exemplo de ataque de esquerda: “Os militares não querem a Comissão da Verdade, por que não querem ser julgados”. Jogar na defesa é dizer “Nós não achamos que devem vasculhar o passado que está enterrado.” Jogar no ataque já seria afirmar: “Os esquerdistas não querem a investigação sobre os terroristas, somente sobre os militares. Logo, há uma farsa.”. (Justiça seja feita, alguns direitistas já tem feito esse ataque corretamente)

E, nos três exemplos que citei, não foi preciso dizer nenhuma mentira, mas apontar os fatos.

Note que é preciso de um pouco de prática para avaliar em cada debate as oportunidades de ataque ao adversário e aproveitá-las. Mas quando se pega o “jeitão” da coisa, você começará a notar que EFETIVAMENTE começa a gerar danos ao adversário em termos políticos. É somente aí que é possível começar a reverter resultados na guerra política.

Tente usar como regra uma mensuração do tempo gasto em debates. Qual o percentual de tempo gasto por você para defender sua sua ideologia? E qual o percentual de tempo gasto para atacar a ideologia do oponente?

Ultimamente, eu sou um “ofensor” nato e gasto 90% do tempo praticamente atacando a ideologia do oponente. Isso fica fácil por que não sou cristão.

Por exemplo, se alguém chega dizendo “Ei, cristãos, sua crença é ridícula”, e eu estiver no fórum, eu posso responder com “Ei, humanistas, sua crença no homem é infantil e ridícula, mais do que a crença cristã”. E assim sucessivamente.

Note que eu não precisei defender a crença cristã, pois não acredito nela. Já um cristão pode até exercer o reflexo de defesa, mas não pode esquecer de atacar.

Portanto, se o debate envolver religião, e você for cristão, recomendo passar pelo menos 60% do tempo atacando. Em algumas ocasiões, até uns 50%. Mas jamais menos que isso.

No jogo político, a regra é inquestionável: quem atacar mais vence.

E, se você tiver os fatos em mãos (enquanto que sabemos que os esquerdistas mentem o tempo todo), a vitória fica ainda mais fácil.

Se você tiver os fatos em mãos, mas jogar na defensiva, é possível que seu oponente, mesmo mentindo, vença.

Esta é a verdade nua e crua dos debates políticos, e que demonstra que ao jogar na “ofensiva”, estamos executando a única postura política que poderá trazer algum futuro para os não esquerdistas em debate.

Anúncios

Deixe uma resposta