O novo herege: aborto, eutanásia, drogas, casamento gay e um método para o ceticismo

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Há algum tempo o blog “Paio com Ervilhas”, publicou um post sobre mim com o título “O inimigo do meu inimigo”. A conclusão para o tópico dele era a seguinte: “O inimigo do meu inimigo… não é necessariamente meu amigo”.

Duas frases minhas foram citadas, em especial:

  1. “Acredito que o aborto deva ser liberado para os casos em que o bebê não sinta dor.”
  2. “Em relação aos direitos dos gays se casarem e adotarem crianças, eu acho aceitável”.

Jairo Filipe conclui sua análise sobre estas frases desta forma:

Com inimigos da esquerda e “conservadores” desta qualidade, gayzistas e abortistas militantes já não são precisos. Talvez o Luciano Ayan gostasse de ter sido abortado no ventre da sua mãe (sem sentir dor) e que uma parelha homossexual tivesse tido o “direito” de o adoptar quando ele era criança. Ou isso, ou o Luciano Ayan passa bem com o mal dos outros.Tendo em consideração aquilo que agora defende, esse autor passará a ser considerado e tratado como adversário.

Não é preciso dizer que discordo de Jairo, embora respeite a opinião dele, e continuo gostando de várias postagens que ele faz.

Acredito que ele fez uma interpretação errada de meus posts.

Segundo ele eu “defendo” o aborto. Nada disso. Eu tenho a OPINIÃO de que o aborto não é um problema, desde que a criança não tenha ainda um desenvolvimento que a habilite a sentir dor. Ou seja, não é um animal lutando por sua sobrevivência ou anseiando por ela. Na verdade, nem esse instinto surgiu ainda. Isso nos primeiros estágios de gestação.

Explico.

Eu sou um fã de Arthur Schopenhauer. Segundo ele, “a maior felicidade é não nascer”. Então, essa “valorização da vida a qualquer custo” nunca foi parte de minhas crenças. É assim que sou.

Essa frase de Schopenhauer pode ser explicada da seguinte maneira. A vida é cheia de felicidade, e infelicidades. Muito mais infelicidades do que felicidades, diga-se. Até pessoas milionárias passam por isso. Na soma entre felicidades e infelicidades, a tendência é que o resultado seja negativo. Mas, antes do nascimento, a soma é zero. Ou seja, a maior felicidade é o estágio em que alguém não nasceu.

Isso não signifique que eu relativize a vida humana, pelo contrário. Entendo que assim que a criatura humana adquire seu instinto de sobrevivência, devemos valorizar a vida humana e proibir o aborto. Isso a partir de algumas semanas de gestação, quando temos certeza que estamos diante de uma criatura lutando por sobrevivência. É como eu já disse certa vez: a vida muitas vezes é uma merda, mas já que alguém luta pela vida, lutarei por esse direito à vida.

Está resumida a minha visão sobre o aborto, que me faz ser alguém que acredite que o aborto não é uma má idéia em alguns casos.

O erro de Jairo Filipe está em dizer que eu DEFENDO o aborto. Não é assim. Eu tenho uma OPINIÃO (mas não um bom argumento) a favor do aborto, portanto não gasto muito tempo DEFENDENDO ele. É mais ou menos como ouvir Paradise Lost. Eu tenho a opinião de que é uma ótima banda. Mas não gasto tempo DEFENDENDO a banda, quando sei que outros ouvem Michel Teló.

Já quanto a eutanásia, para mim não há acordo: sou a favor de sua liberação, de forma irrestrita.

Como eu não fui abortado, e por isso nasci e peguei GOSTO PELA VIDA, não tenho tantos motivos para apoiar o aborto. Ja a eutanásia é algo que, se aprovado, pode me beneficiar CASO EU NECESSITE.

Aí a questão é diferente: se eu não DEFENDO o aborto, embora eu ache que ele é uma boa idéia em alguns casos, eu DEFENDO a liberação da eutanásia. Isso não significa que as pessoas que sejam vítimas de acidentes que as deixem inválidas DEVAM SER OBRIGADAS a morrer, mas sim TER ESSE DIREITO, caso queiram.

Também temos a questão das drogas: sou a favor da liberação IRRESTRITA das drogas. Não importa o tipo de droga. Maconha, LSD, crack, óxi…

A diferença é que eu apóio, AO MESMO TEMPO, que o uso de drogas jamais seja um atenuante para crimes, mas um agravante. Portanto, se alguém pratica um assassinato, a pena poderia ser de 15 a 20 anos de cadeia. Caso seja descoberto que o assassino estava sob influência de drogas, AUMENTA-SE 5 anos na pena. Resumindo, ao mesmo tempo em que se liberam as drogas, aumenta-se a responsabilidade dos usuários.

Por fim, o casamento gay: eu não acho que os gays devam ter o direito de “se casarem”, mas sim de terem união civil, compartilharem bens, etc. AO MESMO TEMPO em que acho justo um heterossexual criticar todo o comportamento gay, assim como um ateu pode criticar o comportamento de um religioso, e um religioso criticar o comportamento de um ateu. Novamente, deve-se prestar atenção: ao mesmo tempo em que defendo o direito dos gays se unirem, defendo o direito dos heterossexuais criticarem esse comportamento.

Acredito que os 4 pontos acima fariam alguns conservadores mais puristas se “arrepiarem”, e talvez Jairo Filipe agora me considere pior do que antes. Um monstro, vá lá.

Um amigo até me disse: “com opiniões como essas a favor do aborto e do casamento gay, você se tornou um idiota útil dos esquerdistas”.

Nada disso. O meu apoio a alguns direitos gays é totalmente diferente daquele defendido pelos esquerdistas. Os esquerdistas querem proibir as críticas aos gays, e eu luto pelo direito de criticá-los. Os esquerdistas são contra as punições a responsáveis por crimes, e eu, no caso de drogados, peço a AMPLIAÇÃO da punição. Se os esquerdistas defendem o aborto, eu não estou nem aí se o aborto é aprovado ou não. Não dou a mínima. Até por que não tenho mais esse direito (risos). Acho que o único ponto em que estaria ALINHADO com esquerdistas seria na questão da eutanásia. Se um dia for preciso, QUERO esse direito.

A idéia de que eu estaria DO LADO dos esquerdistas somente por causa destas opiniões e posições ideológicas, não faz muito sentido.

Aliás, se há algum site que tenha sido mais incisivo contra os esquerdistas do que esse aqui, eu desconheço.

Abaixo, alguns posts que são aqueles que elenco entre os preferidos que já escrevi:

Posso garantir que, se o conhecimento nesses textos for assimilado (junto com o conhecimento das rotinas e estratégias dos esquerdistas), VOCÊ NÃO PERDE debates para esquerdistas. Com essa prática, você começa a tornar a vida deles praticamente um inferno.

É isso que tenho a oferecer, mas não um modelo de conduta. Eu não quero ser exemplo de comportamento para ninguém, e acho que é isso que o amigo Jairo parece não ter compreendido.

Não acredito que devamos avaliar argumentos e ideologias por causa de algumas idéias “incomuns” do argumentador. Suponhamos que Olavo de Carvalho resolvesse praticar surubas. Eu continuaria achando “O Jardim das Aflições” um dos melhores livros que já li. Ou até mesmo John Gray, que acredita no estado inchado. Mesmo assim acho o ceticismo dele contra o humanismo uma das coisas mais influentes para mim. Também acho que as vezes Pondé se perde em egocentrismo, como em seu recente e ótimo “Guia Politicamente Incorreto da Filosofia”. Mas seu ataque ao politicamente correto é empolgante.

Não acho difícil separar o autor de suas idéias, e acho que quanto mais praticarmos esse costume, mais é possível assimilar novos conhecimentos e ampliarmos nosso “core” de conhecimentos.

Enfim, se ainda assim for difícil separar o autor de suas idéias, sugiro que aqueles que se incomodem com minhas posições em relação à eutanásia e as drogas, que passem a me chamar da mesma forma que indico aos esquerdistas: um novo herege.

Estou aqui para questionar uma ortodoxia de crença ao homem, que atende por humanismo (e suas manifestações como marxismo, nazismo, fascismo, progressismo, positivismo e outras formas particulares de humanismo, como humanismo secular). Essa é a minha heresia.

Textos como os que citei fazem parte do meu método herético de questionamento à religião política.

É essa minha contribuição.Portanto, quando Jairo diz o seguinte: “Com inimigos da esquerda e “conservadores” desta qualidade, gayzistas e abortistas militantes já não são precisos”, ele se equivoca. Não é de “mim” que esquerdistas ou conservadores precisam. Mas sim do meu método. Não é de meu exemplo comportamental que precisam, mas do meu modelo de questionamento. Não é de minhas “opiniões” que precisam, mas da refutação das rotinas que desmascaram a esquerda.

Portanto, mesmo que eu não seja um “amigo” para o Jairo Filipe, eu ainda sou o maior inimigo possível (quer dizer, o meu método) que os inimigos dele poderiam ter.

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28 COMMENTS

  1. Compreendo sua argumentação, LH. Acho que devemos debater métodos gerais e ideias específicas sem necessariamente misturá-los.

    Por exemplo, na questão do aborto, em vez de satanizar você, eu apenas o questionaria pontualmente, não no conjunto. Eu diria algo como:

    – Veja bem, Ayan, a sanção do aborto subtrai do indivíduo – no caso, do futuro indivíduo – a capacidade dele mesmo julgar se sua vida valerá a pena ser vivida, ainda mais que muitas vezes é a própria pessoa que confere sentido à sua existência. O histórico clínico dos pais e dos irmãos mais velhos de Beethoven é um caso clássico. Além disso, um “não-abortado” poderá sempre optar por “abortar-se” em algum momento de sua vida. Como você apoia a eutanásia como opção legítima – e não imposta ao indivíduo, o que caracterizaria assassinato – parece-me incoerente negar essa opção ao futuro indivíduo.

    Já o caso da eutanásia (eu a chamaria de suicídio assistido) é um pouco mais complicado, pois, sendo a sobrevivência o mais básico e intenso dos instintos, é temerário um terceiro coonestar e até auxiliar um ato irreversível. Se a pena de morte é igualmente irreversível e existem casos comprovados de erro jurídico na condenação, nada impede que o indivíduo esteja errado ao desejar em certo momento dar cabo da própria vida como quem põe fim a um casamento (sim, há muitos relatos de casais que reataram depois de anos de hostilidade e beligerância). Particularmente, já conversei com alguns suicidas frustrados, que hoje levantam as mãos para o céu por não terem sido bem sucedidos, mesmo permanecendo entrevados sobre uma cama.

    Enfim, é preciso muita cautela para não se pautar por uma visão utilitária e pragmática da vida, ainda mais sendo o pensamento humano um terreno tão movediço e mal iluminado.

    Um abraço e continue mandando ver nas técnicas. Nosso inimigo comum, as taras humanistas, sempre nos colocará no mesmo lado da batalha.

    • Fala Luciano, entendo e respeito sua admiração por Arthur Schopenhauer, porém como eu sempre falo a um amigo q tb gosta dele vc deveria deixar Schopenhauer de lado um pouco.
      Ele não tem muito valor(já explico o pq).
      Todos seus ensinos e livros levam a visão seca e pessimista da vida(o que não é ruim).
      Mas para os direitistas e esquerdistas, especialmente os últimos ele não terá valor pq não matou ninguém.
      Só tem valor no mundo revolucionário quem mata muita gente[Stalin,Hitler,Lenin,Mao,PolPot] …

  2. O ataque que ele fez é contraditório. Se o sistema nervoso do feto não está suficientemente desenvolvido para sentir dor, como ele vai “gostar” de ser abortado ou não? É o mesmo que dizer “você gostaria de ter parado na camisinha quando você era um espermatozóide?”
    E quanto à adoção, se um solteiro pode adotar uma criança, por quê um casal homoafetivo não poderia?
    Por fim, talvez o termo “herege” se aplique a mim mesmo. Sou muito conservador no sentido de rejeitar a crença no ser humano, as revoluções, a tomada do poder de forma absoluta, e ao mesmo tempo não posso deixar de discordar das crenças falsas que a maioria dos conservadores também tem, como a crença na superioridade moral, filosófica e/ou “científica” do teísmo.

  3. Quanto a eutanasia , a qual sou profundamente contra ,gostaria de mencionar o fato de mais do que um suposto alivio para o doente, ela é, e ai esta a sua maior imoralidade, um alivio para quem cuida do doente. Daí ocorrerem os casos de fuga de idosos da Holanda para a Alemanha em pleno século XXI (oque (seculo XXI) pra mim não quer dizer muita coisa mas para os progressistas soa como contraditorio).

    • Mas isso se resolve.

      Basta alguém chegar aos 16 anos e falar

      (X) Quero eutanásia
      ( ) Não quero

      Aí em situações determinadas neste acordo, a eutanásia é praticada. Se a família quiser se livrar da pessoa, e ele não solicitou eutanásia, isso não ocorreria. Mas se o sujeito quiser eutanásia para ele, e a família não quiser, a família também teria que entender que o que vale a é a vontade do dono da vida. 😉

      Essa é a minha sugestão para resolver esses empecilhos.

      • Uma espécie de “testamento”, algo que dá a idéia de contrato. Não seria mesmo má ideia; acho que, tratando-se de eutanásia, é apenas a personalíssima vontade do potencial suicida que deve ser considerada, e a de mais ninguém (ninguém mesmo!). Se não, corre-se o risco de cair na imoralidade citada pelo Fernando: o “alívio dos que ficam”.

        O problema da sua proposta é o mesmo de todo e qualquer enunciado normativo, qualquer texto legal: como a linguagem não é unívoca e como o legislador não é onisciente e oniprevidente, todo todo texto precisará de exegese. O texto normativo não é a norma; norma é aquilo que resulta da construção de sentido (jurídico) partindo-se do enunciado. Sim, estamos no pantanoso terreno da hermenêutica jurídica… teoria geral do direito e eu temos uma relação de, digamos, amor e ódio!

        Mas enfim, um “testamento de eutanásia” é objeto dos métodos e técnicas hermêuticos na mesma medida de testamentos, contratos, leis, qualquer ato de caráter normativo. E sofre, obviamente, os mesmos “dramas existenciais”… Por exemplo: a lista de circunstâncias que autorizam a eutanásia é taxativa ou meramente exemplificativa? Em qualquer dos casos, cabe interpretação extensiva? Cabe analogia? Ocorrendo a circunstância “X”, não prevista expressamente, é caso de lacuna, omissão, ou é o chamado “silêncio eloquente”?

        É aí que mora o perigo. Depois de desligar os aparelhos, não dá para des-desligar, entende? A vantagem da sua proposta é que ela assegura que a vontade do indivíduo, e não de outros, que prevalecerá: (i) com certeza, se ele excluir a possibilidade de eutanásia; e (ii) provavelmente, se ele aceitar a possibilidade de eutanásia nos casos “x”, “y”, “z” etc etc. É bom porque retira boa parte da ingerência da família.

        Mas a desvantagem é, justamente, o “provavelmente” acima. Como você certamente tem visto, se acompanha o que anda fazendo o STF, direito não é exatamente uma ciência exata… com o nível certo de técnica e cara de pau, faz-se dela e com ela o que se quiser! Transformou em questão jurídica, abriu as portas para a subjetividade, o arbítrio, o voluntarismo… Não estou pegando no seu pé: há kilômetros de produção científica estabelecendo como se transformar a interpretação jurídica algo mais objetivo, neutro filosofica e ideologicamente, mais adstrito à vontade democrática consubstanciada na lei, sem a inocência de Montesquieu (“o juiz é a boca que profere a lei”). Mas você quão facilmente o rigor técnico é ignorado por um tribunal, por exemplo, se ele quiser.

        Eu não consigo ver solução para essa batata quente aí.

      • Há uma solução, eu vejo. Um termo como “O reclamante [pelo direito da eutanásia] assume os riscos de erro de interpretação do momento da morte, etc, etc, etc…”

        Aí poderiam existir as opções básicas, como ‘Eutanásia por invalidez’ (supondo que alguém fique incomunicável e em estado vegetativo) ou ‘Eutanásia por sofrimento’ (supondo que a pessoa esteja em estado terminal e sinta dores).

        Abs,

        LH

  4. Bem, lá vão minhas opiniões… (que ninguém quer saber, mas falarei mesmo assim)

    1) Sobre o aborto, sou contra, exceto em caso de risco de vida para a mãe (coisa do tipo “Ou abortamos ou ela morre!”, e não menos do que isso, pois considero, talvez erradamente, a vida da mãe mais valiosa que a do bebê). Mesmo em caso de estupro eu sou contra, ainda que não meta minha mão no fogo para debater nesse caso (mais porque as pessoas ficam muito carregadas emocionalmente nesse caso que por outra coisa). Mas nos demais casos sou contra e defendo meu ponto.
    Entre outras coisas porque mesmo o zigoto recém-fecundado já é vida, tudo que resta saber é se é humano (geneticamente é, mas falo de outra forma). Mas a grande verdade é que apesar de termos uma noção intuitiva do que é humano, não temos uma definição exata de tal, e dependendo da forma como definimos humanos, até mesmo o infanticídio poderia ser legalizado (lembra daquela Minerva?).
    Mais ainda, enquanto uma célula de meu corpo, ou mesmo os gametas (espermatozóides e óvulos), sozinhos, com certeza não são humanos, nem podem se desenvolver em um (ou mais) humanos sozinhos. O zigoto/embrião/feto/bebê precisa de abrigo (seja o útero da mãe, uma incubadora, ou uma casa e um berço) e nutrientes (MUITOS nutrientes), e sozinho é capaz de se tornar um humano adulto distinto de seus geradores. O espermatozóide precisa do óvulo para tal, mas o zigoto/embrião/feto/bebê é capaz de se tornar um humano adulto sozinho, bastando-lhe abrigo e nutrientes.
    Havendo dúvida portanto, acho mais importante defender a inegável vida e a possível humanidade do zigoto/embrião/feto/bebê do que a mera conveniência da mãe.

    2) Da eutanásia, eu não sou contra nem a favor, mas muito pelo contrário! Não defendo a eutanásia, mas tampouco luto contra ela. (entretanto, sou a favor da pena de morte, por motivos similares aos que me levam a não ser contra a eutanásia)
    Acho que, se uma pessoa, por decisão própria e expressa, quiser assistência para se suicidar, ela poderia receber tal assistência. Não nas custas do governo, e nem o governo forçando os médicos a oferecerem tal assistência, mas meramente permitindo que tal ocorra.
    O que me pega numa situação complicada é em relação a pessoas que estão incapazes de expressar sua vontade, legalmente como crianças e loucos, ou faticamente como comatosos, além de outros tantos. Numa situação assim, creio que seria contra dar tal poder de decisão ao responsável, ainda que este fosse o próprio pai/filho. Talvez, como a sugestão do Luciano, a pessoa, caso anteriormente tivesse sido plenamente capaz, poder decidir previamente e documentalmente se aceitaria que o responsável lhe aplicasse eutanásia quando ela fosse incapaz de expressar sua vontade (em caso de dúvida ou da pessoa não ter se expressado, presumiria-se que não aceitou).
    2a) Só um adendo sobre a pena de morte… Sou da opinião que criminosos aceitam a eutanásia estatal quando cometem crimes que impliquem nela. xD
    Mas acho que apenas determinados crimes violentos contra pessoa e que tenha havido reincidência no mesmo tipo de crime, exigindo-se um padrão maior de provas e permitindo-se ao juiz aplicar pena de prisão ao invés de pena de morte (de acordo com suas convicções).

    Continua… :B

    • 3) Das drogas tenho exatamente a mesma opinião que o Luciano, inclusive na parte do aumento de pena para crimes cometidos sob efeito, apenas considerando que (junto do álcool) poderia haver um certo controle estatal maior (modo geral, sou um libertário, mas aceitaria que drogas e álcool tivessem impostos maiores e pudessem ser legalmente vendidos apenas para maiores de idade).

      4) Do “casamento gay” (união civil entre pessoas do mesmo sexo), eu já fui a favor (legalmente, ainda que moralmente contra)… Mas após pensar bem no assunto, cheguei a certas conclusões, que me fazem ser contra uniões civis entre pessoas do mesmo sexo.
      Se a questão é bens, comprem compartilhadamente ou dêem um ao outro em herança (até 50% pode-se livremente). Se a questão é família, me desculpe mas gay com gay não dá gayzinho (ainda que eles tentem diariamente, várias vezes por dia). E se a questão é reconhecimento e aceitação… Ninguém é obrigado a aceitar porcaria nenhuma, e o Estado só deveria reconhecer coisas REALMENTE dentro de seus interesses, e não vejo como a união civil gay pode beneficiar ao Estado (tirando pelo inchamento dele, e poderes totalitários).

  5. Ha!, você não pode ser mais “herético” do que eu 🙂

    1) eu desprezo o materialismo ;

    2) sou a favor da pena de tortura e da sentença de morte
    (para os que têm medo dos êrros judiciários — no caso da pena de prisão, os juízes também não são capazes de *devolver o tempo perdido* aos eventuais injustiçados) ;

    3) sou pela proibição total das drogas, ** começando pelo álcool e pelo tabaco ** 😉

    Concordo com você nos assuntos eutanásia e “casamento” homossexual (desde que isso, é claro, não implique privilégios gay, cotas para gays, etc). Sobre o aborto, admito que eu era 100% a favor, até eu ler um dos artigos do Snowball durante o ano passado. Embora eu ainda sustente que a mulher não deve ser reduzida a uma mala feita para trazer pessoas para este mundo, agora eu também penso que esse direito deve ter limites bem definidos (porém eu ainda não sei quais exatamente deveriam ser êsses limites).

  6. Se te entendi corretamente, concordo que não faz sentido rejeitar determinadas noções ou argumentos só porque a pessoa que os defende, ou não os coloca plenamente em prática, ou os deriva impropriamente, ou mantém outras crenças que são incoerentes com aqueles. Schopenhauer e sua doutrina, assim como você e seu “ceticismo de conveniência”, são casos paradigmáticos dessa situação; sustentam pontos de vista interessantes sobre o sentido da vida, alcançaram-nos por uma via tresloucada, e jamais pautaram suas vidas por estes pontos de vista _ o Schopenhauer pelo menos, era sarcástico a ponto de elogiar o suicídio enquanto se esbaldava diante de uma mesa bem servida! A sorte de ambos é que o pragmatismo de seus respectivos leitores coloca a consistência em segundo plano na sua escala de valores.

    Mudando um pouco de assunto, não é a primeira vez que te vejo afirmando aqui que John Gray defende um estado inchado; só conheço por alto as teorias econômicas do Gray, mas parece-me que ele critica a desregulamentação radical, o laissez-faire, porque, em vez de enxugar o estado, o neoliberalismo thatcherista teve o efeito contrário de deixa-lo ainda maior do que era na época dos governos trabalhistas, como se a emenda tivesse saído pior do que o soneto. Poderia citar as referências que respaldam sua afirmação?

    Por fim, termino com um aviso: esse é o último post em que você categoriza o nazismo como uma variante do humanismo. Depois desse fim de semana não restarão dúvidas de que o mais correto e em concordância com os resultados de acuradas pesquisas históricas é classifica-lo como uma heresia nem-tão-herética-assim do cristianismo. E Dinesh fails again. E que os conservadores cristãos finalmente sintam-se provocados e motivados o suficiente para levantar seus traseiros gordos da frente do pc e reagir à altura da agressão que lhes será imposta.
    Às armas, cruzado! Sua fé está sob ataque!

    • Por fim, termino com um aviso: esse é o último post em que você categoriza o nazismo como uma variante do humanismo. Depois desse fim de semana não restarão dúvidas de que o mais correto e em concordância com os resultados de acuradas pesquisas históricas é classifica-lo como uma heresia nem-tão-herética-assim do cristianismo. E Dinesh fails again. E que os conservadores cristãos finalmente sintam-se provocados e motivados o suficiente para levantar seus traseiros gordos da frente do pc e reagir à altura da agressão que lhes será imposta.
      Às armas, cruzado! Sua fé está sob ataque!

      Gilmar, seu desespero me comove. E, é claro, devo analisar seus truques pela dinâmica social.

      Você começa dizendo que este é o “último post em que categorizo o nazismo como uma variante do humanismo”. Não, existirão outros, e aguardo tua refutação.

      E você refutou a si próprio, pois define que o nazismo é uma “heresia do cristianismo”.

      Mas isso é EXATAMENTE O HUMANISMO.

      É a transcrição da crença cristã, mas transpondo a crença em Deus… para a crença no homem. Modificando a crença em um paraíso etéreo para a crença em um paraíso na Terra. Modificando o apocalipse metafórico do cristianismo, para um apocalipse em terra, para gerar a catarse. Enfim, o humanismo DEVE MUITO ao cristianismo, com as devidas adaptações, que tornam a sua crença ainda mais ridicularizável que a crença dos cristãos.

      O humanismo, inclusive, gera uma espécie de psicose em seus crentes, pois você disse “Dinesh fails again”.

      O problema é que Dinesh está errado ao associar o nazismo ao ateísmo. Ele acertaria 100% em associar o nazismo ao humanismo.

      O fato é que você ainda acha que eu defendo o Dinesh, quando na verdade prefiro os argumentos do Gray para demonstrar que você tem parte de culpa no nazismo, pelo seu humanismo. Essa crença está registrada em seu sistema límbico profundo e você fantasia que seus adversários possuem uma crença no mesmo nível que a tua.

      Portanto, um aviso: qualquer ataque ao Dinesh NÃO ATINGE este blog, que não tem procuração para defender a fé cristã.

      E agora, a tua fé humanista está sob ataque! E na primeira batalha, você já perdeu por errar seus alvos a todo momento.

      Será que isso te motiva a tirar seu traseiro gordo da frente do PC e tentar salvar o pouco de resta de tua honra humanista? 😉

  7. Se auto-prcoclamar orgulhosamente um herege não era uma rotina de neo-ateus, Luciano? Isto não é uma afirmação, só estou perguntando. Tenho a impressão de que já vi você dizer algo nesse sentido.

    • É vero, mas eles não são hereges. Eles não são declarados assim por autoridades eclesiásticas ou ortodoxias estabelecidas, por exemplo (é a definição de herege). Eles teriam sido hereges há uns 300 anos, na época da monarquia. Hoje não. Já eu me posiciono contra sistemas ortodoxos, estabelecidos oficialmente por estados, e estes sistemas são a religião política. Por me rebelar contra esta ortodoxia, eu seria um herege. Mas para mostrar que é em relação a uma religião ATUAL, me defino como novo herege.

  8. Plenamente plausível que o sujeito seja uma coisa e a teoria seja outra.
    Embora eu não seja seguidor assíduo de seu blog, acho que o sujeito (você, Luciano) ainda não conseguiu elaborar uma teoria ou uma técnica ‘anti-aborto’ ou ‘anti-abortistas’, correto?
    Daí que separar o “sujeito” da “teoria” não é tão fácil (embora agradável) nem realmente prático quanto parece.
    A preocupação do Jairo não seria sem fundamento – talvez exagerada.

    • Olha, eu não elaborei uma teoria pró-aborto (e não anti-aborto), e acho que não farei isso. A questão é que suspeito muito de cosmovisões que abrangem o todo das situações.

  9. Luciano, acho que você se equivocou ao defender a legalização irrestrita dos entorpecentes “leves” ou “pesados” e ao mesmo tempo impor punições severas aos crimes cometidos pelos usuários desses tóxicos.
    Explico: se o indivíduo estiver sobre o efeito narcótico e cometer um crime, por exemplo um homicídio, ele pode alegar estar fora do juízo perfeito e ser isento de culpabilidade, o que o Código Penal autoriza. Então, meu caro essa legalização poderia aumentar o número de usuários e aumentar também a chance dos mais “doidões” ficarem impunes caso cometam homicídios.
    Logo legalização implicaria impunidade o que você parece não concordar, assim a sua posição favorável à legalização o deixa, de certa maneira, favorável à impunidade se você sabia dessa faceta do código penal e a ignorou – contradição.

    • Mais ou menos, Roblez. Eu defendo a liberação irrestrita das drogas DESDE QUE a pessoa assuma a responsabilidade pelos seus atos. É mais ou menos como fazemos no mundo corporativo.

      Veja duas situações:

      1 – Você chega e faz uma péssima reunião, decepcionando sua gestão
      2 – Você chega e faz uma péssima reunião, decepcionando sua gestão e ainda diz que fez isso por TRABALHAR BÊBADO

      No caso 1, você toma uma repreensão. No caso 2, é demissão POR JUSTA CAUSA.

      Ora, isso é apenas a lógica da responsabilidade.

      portanto, o sujeito assume a responsabilidade

      (1) pelo crime
      (2) por usar drogas e ficar “fora do juízo”.

      Essa é a minha proposta.

      Obviamente, em uma situação na qual a pessoa possa fugir de responsabilidades e dizer que ‘fiz o crime por estar drogado, então me solte’, aí eu seria CONTRA AS DROGAS.

    • O Código Penal não isenta de pena quem comete crime embriagado ou entorpecido, EXCETO quem estava nesse estado por culpa de outra pessoa, ou graças a um acidente. Por exemplo, se alguém quis se embriagar e cometeu o crime, responde pelo crime como se estivesse sóbrio. Mas se essa pessoa foi inadvertidamente drogada por culpa/dolo de outra pessoa (bebeu uma água intoxicada, por exemplo), ela pode ter a pena diminuída ou até ser isenta de pena.
      É só ver o artigo 28 do código.
      Quanto ao agravo de pena por embriaguez, só temos o caso de embriaguez preordenada, ou seja, “beber para criar coragem para praticar o crime”. Aqui a agravante se aplica por um motivo diferente do que o Luciano está usando, porém. E não sei por quê esse caso é mais grave do que os demais casos de embriaguez, pois neste o agente mostra até uma resistência em cometer o crime.

      • Nao interessa o termo técnico, a questão clara é que há um agravante.
        Para além disso, qual seu nível de especialidade em direito para dizer que premeditação é irrelevante na lei brasileira? (só por curiosidade mesmo)

      • Leo, apenas espero que você não esteja parabenizando a estúpida e mal-feita legislação brasileira, OU vendendo a idéia de que ela é um fato “imutável” e “eterno”.

      • @Yuri
        O meu nível de especialidade é alfabetizado, e o seu?
        Só olhar nos arts. 61 e 62 do CP, não tem nada de premeditação lá.
        Ou dê um Ctrl+F no Código Penal.
        O que eu disse é que se premeditação não é agravante pela lei brasileira, não é coerente defender que a premeditação seja agravante SOMENTE no caso de embriaguez preordenada.
        Nesse caso o correto seria tirar a “embriaguez preordenada” do rol de agravantes e colocar premeditação”, já que o que torna a embriaguez preordenada reprovável seria justamente a premeditação.

        @JMK
        E de onde você tirou essa “suspeita”? Eu acabei de criticar a incoerência da lei no post lá de cima. Se você tivesse lido ficaria óbvio que eu não estou idolatrando lei nenhuma.

      • Leo, eu li sim o que você escreveu. MAS a impressão imediata que ficou, é que o teu segundo comentário foi, digamos, demasiado lacônico, e aparentemente contradisse todo o longo arrazoado anterior. Não é prudente deixar que o entendimento de nossas idéias dependa demais do contexto — afinal, o que é imediatamente óbvio para você, nem sempre é imediatamente óbvio para os teus leitores. 😉

  10. Ora, ora, vejam só… rssss…
    A patrulha ideológica também vem do lado direito.

    Isso me lembrou aquele caso do cara de um site ateísta (não sei se era neo-ateísta), que foi execrado pelos seus pares porque se negou a apoiar o movimento gay…

  11. Olá Luciano,

    Sem dúvida, pra mim, tu tem contribuído muito na questão de discurso e comportamento. Mas não te vejo como completo conservador. Talvez você seja um esquerdista tentando tornar-se conservador, ou um cara da direita da esquerda… huahauaha… não me leve a mal, nem te conheço, mas é que vejo muita gente que pretende ser conservador proferindo discursos revolucionários, a esses chamo direita da esquerda enquanto o totalmente esquerdista é esquerda da esquerda.. huahahu…. Sempre leio teus artigos com desconfiança, justamente por ver idéias que não me parecem conservadoras. Explico…

    Na minha opinião, você não é bem um conservador, pelo menos não um conservador devotado à verdade.

    Penso que conservador é conservador por se esforçar em agir de acordo com a verdade. Quero dizer, o conservador quer conservar a verdade e a sanidade. Vou tentar me explicar melhor.

    Você disse: “Acredito que o aborto deva ser liberado para os casos em que o bebê não sinta dor.”

    Pra mim, isso não é discurso conservador, pois abortar forçadamente é contra a natureza da gravidez, contra a natureza da coisa é o que posso dizer contra a verdade.

    Você disse: “Em relação aos direitos dos gays se casarem e adotarem crianças, eu acho aceitável”.

    O casamento homossexual também é anti-natural, e deve ser tratado com distinção do matrimônio que é a união entre homem e mulher com fins de gerar filhos, ou seja, uma família natural. Filhos é algo que a união homossexual não pode fazer, o natural é a criança ter pai/homem e mãe/mulher. Portanto, penso que o conservador não deve promover adoção para solteiros, nem para casais homossexuais, pois na verdade não é solteiro ou em união homossexual que se consegue filhos.

    Não pretendo entrar na discussão sobre aborto e casamento homossexual, mas demonstrar como vejo o que é o pensamento conservador, ou seja, um servo da verdade.

    Bem.. é isso.

    Se você viu algum erro meu de definição ou raciocínio, e tiver paciência, mostra-me.

    Valeu pelo teu esforço nesse blog, até mais.

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