Como descobrir picaretas que usam a adoção de rótulos positivos a priori no mundo corporativo e o que isso tem a ver com o ceticismo

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Recentemente, indiquei a contratação de um gerente de projetos, que foi contratado sob o cargo de “Especialista”.

Ele ficou um pouco indignado no começo, pois ia exercer a função de Gerente de Projetos e não de Especialista, mas essa seria a sua primeira experiência na função.

De início, lhe indiquei: “Olha, eu sugiro que você primeiro execute a função, demonstre publicamente que é um Gerente de Projetos, e posteriormente você pode ser reconhecido como tal”.

Ele realmente mostrou desempenho e não demorou para ser oficializado como Gerente de Projetos.

No mundo corporativo, é assim que as coisas funcionam. (Isso, é claro, quando a política corporativa não estraga tudo, mas isso é assunto para uma futura série de textos, sobre ceticismo corporativo)

De que adianta alguém alegar ser algo se ainda não comprovou merecer o rótulo requisitado?

É como no exemplo que citei daquele gerente sênior de projetos que ficou conhecido como “o teórico”. Minha dica para ele: “Primeiro mostre serviço, e mate esse rótulo, mas com trabalho, e não com reclamações de que ‘não é justo'”. Novamente, deu certo.

Acho que é assim que deveríamos fazer com todos aqueles que usam truques da nova filosofia para obter rótulos positivos e assim vencerem debates.

Se alguém chega dizendo “Eu sou do lado da razão, o outro é do lado da fé”, basta exigir a ele: “Você não demonstrou que está do lado da razão mais do que seus oponentes estão, apenas está alegando isso! Que tal você provar que é mais racional que a média?”

Um exemplo de prova de que alguém é mais racional que o outro seria a vitória no duelo de argumentos. Mas se o alegador da suposta racionalidade cometer mais falácias que a outra parte no debate, terá que aguentar a humilhação de ser exposto em público como irracional.

Note que com um mero questionamento a alegação feita por alguém usando o truque Dono da Razão para fins de marketing pessoal é reduzida a pó.

Outro exemplo é quando aquele militante de esquerda chega propagando, empolgadíssimo: “Estou do lado dos pobres, e você não”. Basta exigir de volta: “Então demonstre que você está mais do lado dos pobres do que eu!”.

Não demorará para você demonstrar que o sujeito afirmando “estar do lado dos pobres” está na verdade do lado dos poderosos burocratas, em um estado inchado, e que muitas das migalhas dadas aos pobres por este estado inchado poderiam ser fornecidas por ações voluntárias… dos próprios esquerdistas.

Em suma, no mundo corporativo alegar possuir um rótulo é irrelevante. O negócio é mostrar serviço.

Essa regra deve valer para o duelo cético na guerra política. À qualquer alegação que envolva a adoção de um rótulo positivo, deve-se responder com um questionamento enfático e impiedoso.

Não tenha medo de magoar os outros, pois no mundo corporativo é assim que as coisas funcionam. Sem querer, você poderá até estar ensinando ao outro uma coisa ou duas a respeito de como realizar (antes de galhardear) feitos ao invés de demonstrar falsas virtudes.

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