A dinâmica social do endeusamento de um marginal e a demonização de uma jornalista

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O momento “gato de botas” do meliante Paulo Sérgio, cena utilizada pela esquerdalha para provocar comoção na patuléia. Será o choro verdadeiro? Então vejam as cinco imagens no final deste post…

Antes de tudo, que fique claro: dinâmica social é uma coisa, e engenharia social é outra. A dinâmica social não passa do estudo por trás de TODAS as interações humanas, já a engenharia social é a arte de influenciar comportamentos para obter benefícios. O que usarei aqui neste post é a dinâmica social para estudar um ato de engenharia social da esquerda.

Conforme eu já disse no passado, uma das estratégias da esquerda é a apologia e tolerância ao crime. As motivações para esta estratégia são as seguintes: (1) vingança contra o sistema, (2) manutenção da crença no homem, (3) capitalização durante apontamento de bodes expiatórios.

É mais ou menos um ciclo vicioso no qual se um criminoso comete um assassinato ou estupro, isso seria um ataque “contra o malvado sistema”. Enquanto isso, esquerdistas continuam dizendo que “o homem é bom”, portanto a sociedade é corrupta, e por isso o crime ocorreu. Pura capitalização política.

Entretanto, essa estratégia é uma das mais arriscadas para os esquerdistas, pois ela vai de encontro ao anseio da maioria absoluta da população. A maioria dos cidadãos que paga impostos quer ser protegida de um assalto, sequestro ou estupro. É por isso que a maioria apóia coisas como pena de morte.

Mesmo que a estratégia seja arriscada, existe um “ponto” no qual os esquerdistas avançam e tentam oficializá-la como o padrão de comportamento. É o momento em que vários criminosos se tornam objeto de reverência, especialmente quando pertencem à minorias. Tudo o que for cometido contra eles, incluindo um olhar torto, passa a ser uma blasfêmia.

Esse estágio ocorre em nível mais avançado nos Estados Unidos.

Veja abaixo um anúncio feito pela equipe política de George Bush, sobre Michael Dukakis, em 1988:

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Como se nota, o vídeo narra um fato, que não pode ser negado. Michael Dukakis apoiou os indultos de final de semana mesmo para criminosos condenados por assassinato em primeiro grau e que cumpriam prisão perpétua. Willie Horton, um dos bandidos favorecidos pelo indulto, aproveitou um desses finais de semana livre para assaltar um casal, esfaquear o marido e estuprar a esposa na frente dele. Como se nota, gente fina, gente muito fina esse Willie Horton. Ao menos para a esquerda norte-americana, claro, que se indignou contra esse anúncio e protestou milhões contra Bush.

O motivo do protesto? Segundo eles, o anúncio era preconceituoso e Horton só estava ali por ser negro.

Olhem só: o truque de se apegar ao fato de Horton pertencer à uma minoria serviu para os esquerdistas inverterem os valores e tentarem inserir na mente da patuléia a idéia de que denunciar e expor um criminoso pode ser um crime pior do que matar ou estuprar.

De qualquer forma, entra ano, sai ano, os esquerdistas norte-americanos repetem a execução de truques deste tipo. Isso já virou lugar comum por lá.

Mas no Brasil, isso não era um padrão de comportamento. Mas em termos de engenharia social, tudo tem que ter um começo. Os esquerdistas entenderam que a glorificação ao criminoso precisaria alcançar um novo estágio para que as táticas começassem a passar desapercebidas e serem aceitas pelo senso comum. É a luta por chegarmos a um momento em que muitos aplaudirão em pé um criminoso estuprando uma mulher, mas se revoltarão caso ele seja preso. Se ele for pertencente a uma minoria, o truque funcionará ainda com mais intensidade.

Pois bem. No post publicado ontem, “A repórter, o bandido e uma sequência incrível de chantagens emocionais da esquerda”, falei do caso de uma repórter baiana, Mirella Cunha, que ridicularizou um criminoso em uma delegacia, pelo fato dele não saber o nome correto do exame de corpo de delito, e confundi-lo com exame de próstata. Ela também insinuou que talvez o criminoso (Paulo Sérgio) realmente fosse estuprador. Quanto a isso não sabemos, mas o sujeito confessou formalmente ter assaltado sua vítima, levando dela o celular e uma corrente.

Sabemos com certeza que não estávamos diante de alguém inocente, mas de um criminoso perigoso em termos sociais. Não sei se ele era tão perigoso quanto era Willie Horton. Mas criminoso com certeza ele era. Só que o fato de Paulo Sérgio ser um criminoso confesso não é a única semelhança dele com Horton. Paulo Sérgio também é negro, o que permitiu aos esquerdistas começarem a chamar a jornalista de “racista”. (Embora não tenham prova alguma de racismo, pois qualquer um que cometesse tais erros seria ridicularizado da mesma forma)

Começou então um show de chantagens emocionais na mídia, com uso de pressão psicológica e a retórica do exagero. Enfim, para eles, Mirella alcançou um “novo estágio da barbárie” ou “um nível de atrocidade jamais visto”. Pois para a esquerdalha, não há nada mais abominável do que “rir do Paulo Henrique por ele não saber o que é um exame de próstata”.

Aliás, vejam o chororô de um grupo de jornalistas (no fundo, militantes esquerdistas): “Sob a custódia do Estado, acusados de crimes são jogados à sanha de jornalistas ou pseudojornalistas de microfone à mão, em escandalosa parceria com agentes policiais, que permitem interrogatórios ilegais e autoritários, como o de que foi vítima o acusado de estupro Paulo Sérgio, escarnecido por não saber o que é um exame de próstata”.

Quer dizer, sequestros, estupros e assassinatos são uma categoria de crime. Mas todos muito leves, se comparados ao crime MAIOR, que é rir de um bandido que tenha cometido tais tipos de crimes pelo fato dele não saber o que é um exame de próstata. É claro que essa turma tem os valores completamente invertidos.

O site “Geledés” divulga que a entidade Quilombo X vai pedir a revogação da prisão preventiva de Paulo Sérgio. Veja o que diz a ONG: “Estamos estudando a melhor forma de defender Paulo Sérgio. Não houve estupro, ele está desde 31 de março sem nenhuma assistência jurídica. O Paulo Sérgio estava em situação de rua quando foi preso, mas sua família tem residência fixa, em Cajazeiras 11 [bairro do subúrbio soteropolitano]…  . O garoto é totalmente hipossuficiente, largado pelo Estado. Ele é uma vítima social”.

Como não poderia deixar de ser, já transformaram Paulo Sérgio na vítima do caso. Quanto à mulher que teve seu celular e corrente roubados, ela é irrelevante para os esquerdistas. Para os pseudo-intelectuais, quem merece ser colocado em um pedestal é Paulo Sérgio. (Já vi até alguns defendendo uma enorme indenização para ele)

Não deixa de ser bizarro notar também que a organização Quilombo X defende a presunção de inocência de Paulo Sérgio. Mas como? Se ele próprio confessou o crime de assalto, não há mais presunção de inocência coisíssima nenhuma…

Nesse momento, esquerdistas estão comemorando a possível demissão de Mirella Cunha da Band (depois de tanto ataque de pânico moral da esquerda, junto com um absurdo e inaceitável silêncio da direita do outro lado, isso era inevitável).

Vídeos como o abaixo já rotulam Mirella Cunha de “a repórter mais sacana do mundo”:

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Enfim, estamos assistindo a um enorme teatro da esquerda. Um show de ilusões e trucagens no qual até alguns conservadores estão caindo feito patinhos.

Não entendem estes conservadores que se essa encenação “passar”, outras virão e no Brasil tende a ter implementada, via engenharia social, uma cultura no qual criminosos serão endeusados e transformados em ídolos, enquanto seus denunciadores correrão sério risco de vida.

A criação de uma categoria de “eleitos”, os criminosos violentos, que não podem ser criticados, será a glorificação da estratégia Apologia e Tolerância ao Crime, e a absorção, pelo senso comum, de que torcer para o bandido é “bacana e legal”.

Cabe aos conservadores revidarem com um apoio maciço à Mirella Cunha, levando a questão para o único estágio em que ela tem que ser discutida. E nesse estágio, há quem está do lado de Mirella Cunha e há quem está do lado do bandido. Sem meio termo. E as pessoas devem escolher o seu lado nesta contenda.

O silêncio dos conservadores no apoio à Mirella Cunha poderá custar caro à direita, pois a implementação da cultura de glorificação ao criminoso SÓ CAUSA BENEFÍCIOS à esquerda.

Por fim, veja algumas imagens, extraídas do vídeo da entrevista, mostrando o “extremo sofrimento” de Paulo Sérgio nas mãos da cruel repórter Mirella Cunha:

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10 COMMENTS

  1. “E nesse estágio, há quem está do lado de Mirella Cunha e há quem está do lado do bandido. Sem meio termo. E as pessoas devem escolher o seu lado nesta contenda.”

    Não senhor. Condeno os dois: ele pelo crime e ela por fazer uma pessoa de palhaço. Se tivesse que escolher um dos dois para ser absolvido, é óbvio que seria a repórter, mas “two wrongs don’t make a right”: o fato de o cara estar errado não faz com que a repórter esteja automaticamente certa. Sem falsas dicotomias, por favor.

    • A pergunta é: é proibido fazer alguém de palhaço quando este alguém comete um erro bizarro de conhecimento? É exatamente essa a questão que eu fiz. A Mirella Cunha não cometeu crime algum, e tentar transformar a ridicularização lícita de alguém em um crime é exatamente a relativização do caso. Para fazer o teatro, a esquerda está tentando transformar as brincadeirinhas de Mirella em um crime, com o objetivo de omitir a gravidade do crime de Paulo Sérgio. A questão é não deixar esse teatro da esquerda prosseguir, o que incluir defender a Mirella e mostrar à sociedade que o Paulo Sérgio é um criminoso perigoso. Isso não é falsa dicotomia, é uma tomada de posição em um cenário de guerra política. E não apoiar a Mirella, neste momento, significa permitir que a esquerda prossiga com essa encenação pífia.

      • Questão: Criminoso* merece respeito e seriedade? Criminoso tem que ser chamado de cidadão? As ações do criminoso devem ser tratadas apenas como acontecimentos rotineiros**?

        *ps: não estou falando de “ladrão de manteiga (ou galinha)” que no desespero da pobreza rouba algum alimento para sobreviver, esses merecem pena e ajuda e são facilmente identificáveis.

        ** ps²: Na minha cidade existe um programa policial em que o apresentador trata atos criminosos com certa descontração.

      • Bom, ok, cada um com sua opinião. Combater o “teatro da esquerda” é uma coisa, e concordo contigo que iso deve ser combatido, mostrando a total desproporção entre os “crimes” (sei que a atitude dela nem é crime, por isso as aspas). Mas daí a defender uma repórter que apela desse tanto pra conseguir audiência, já ultrapassa um limite que minha consciência não permite…

      • Qual é o “limite” que não pode ser ultrapassado? O de rir de alguém que comete um erro bizarro de conceito? Esse “limite” não pode ser ultrapassado somente se o foco da ridicularização for um criminoso? Detalhe mais sua abordagem, por favor.

      • O “limite” eu já deixei bem claro que é meu, pessoal, da minha consciência. E eu nunca deixei a entender que o problema é o cara ser bandido.

        O que eu acho é que chacotas desse tipo (com qualquer um, seja “bandido” ou “mocinho”) é uma apelação de mau gosto (talvez por isso eu não consiga me divertir com praticamente nada que passa na TV).

        Se ela gosta desse tipo de “humor”, que faça. Se você gosta, que assista dezenas de vezes e role de rir. Eu nunca vou pedir pra censurar esse tipo de reportagem, só acho de mau gosto (tipo o caso do Larry Flynt).

        Condeno os dois, com as devidas proporções: um pelo grave crime confessado e a outra por mau gosto, que não é crime (ainda, mas com essa esquerdalha no poder, não duvido que chegaremos lá em breve).

        Não quero colocar os dois no mesmo patamar ou mesmo inverter a gravidade como os esquerdistas estão fazendo. Só acho exagero seu exigir que eu defenda a repórter só porque o bandido tá errado. Isso não me parece fazer sentido.

  2. É bem por aí.
    Recentemente, o Deputado Tulio Isac quis criticar professores grevistas e cometeu um erro, ao sugerir que “exigimos” se escreveria corretamente com “j”. Riram da gafe dele na hora e nos dias seguintes. Boa parte da pauta do CQC consiste em ridicularizar políticos e todos acham bonito. Até hoje fazem chacota da Carla Perez por causa do “i de escola”.

    Mas basta zoarem um bandido confesso e ficam revoltados. Ou seja, claramente tem-se o raciocínio de que todo mundo pode ser zoado, mas bandido não. Se isso não é proteção a bandido, o que mais seria?

    (Agora, o que as imagens do fim tem a ver com o choro ser verdadeiro ou não? Ele chorou quando foi acusado de estupro (se foi por estar sendo injustamente acusado ou por medo de vriar boneca na cadeia, já é outra história); as imagens no fim são de quando a repórter estava fazendo piada com o exame de próstata…)

  3. Prezado Luciano, no fundo você é um otimista! Acredita que os conservadores ainda podem, de alguma forma, se opor ao monopólio esquerdista do pensamento! Eu já perdi essa esperança há muito tempo.
    Já fui esquerdista, quando era bancário. Naquela época, eu respirava esquerdismo e essa ideologia pautava minha vida. Eu era cheio de opiniões e rótulos para tudo. Os tempos se passaram, eu me esclareci, vi como são as coisas e, claro, tornei-me um conservador. Hoje, procuro estar sempre bem informado sobre os avanços da agenda progressista no mundo todo, mas não vejo por onde inicar uma luta política efetiva. Já participei do Fora Lula, de passeatas, petições anti-aborto etc. Mas não tem jeito: a vida burguesa do conservador o aliena. Como ela preza a família, a religião, os amigos, o trabalho – já que ele muitas vezes está na iniciativa privada e não instalado na burocracia do estado – não tem tempo para se mobilizar. Já os progressistas são infátigáveis, até porque ganham muito dinheiro em ONGs financiadas por dinheiro público ou por fundações privadas internacionais. O trabalho dele, que o sustenta, muitas vezes é a própria militância política!! Sem contar aqueles que, mesmo sendo burgueses como eu, acham chique ser de esquerda e frequentar os bares descolados da Vila Madalena. Parece que, intimamente, os conservadores sabem que já perderam a guerra cultural e aceitam esperar que os revolucionários morram de morte morrida, afogados em seus próprios planos diabólicos. Esse episódio da repórter e do bandido só mostra como, pelo menos no Brasil, um movimento conservador já morreu antes mesmo de ter nascido.
    Tem gente que se acha “de direita” com peninha desse bandido! Por essas e por outras que eu já joguei a toalha. Pra mim já está bom tamanho pelo menos entender o que realmente está por trás do terrível quadro de degradação moral da sociedade brasileira. A maioria das pessoas – tanto progressistas como conservadores – nem sabem porque são como são ou pensam o que pensam! O único território protegido do avanço da mentalidade humanista-progressista-esquerdista é a consciência individual e para isso seu blog tem sido de grande ajuda! Um abraço!

  4. Alguns comentários em relação ao vídeo que está linkado nesse post:

    “Bem feito. Agora essa fulana vai ter que se explicar com o Ministério Público Federal. Vamos ver se diante
    dos procuradores, que têm um nível superior ao dela, ela vai fazer isso. Vai ficar miudinha, caladinha. E é uma repórter tão boa que conseguiu se comportar pior do que um ladrão, de tão bom o nível que ela tem. Em nenhum momento o ladrão, que muitos aqui estão desclassificando, a tratou com o desrespeito que veio dela, da dita “camada de nível superior”. Quem é mesmo o criminoso?”

    “Esse FILHO DA PUTA merece ser punido e talvez tenha merecido o pau q levou. Mas isso não exime essa PUTA da falta de profissionalismo, noção, inteligência e responsabilidade dela, estando atras ou frete as câmeras. Queria ver essa “reporter” humilhar o Fernandinho Beiramar, ou um dos corruptos da família do ACM… ela iria estar chupando as bolas deles. Esse tipo d gente é conhecida, o nome disso é covardia, ignorância e falta de caráter. Ela e o bandidinho aí não são diferentes.”

    “Falo de caráter, covardia e ignorância, meu caro. Ou vc acha que ser vetor de ignorância é menos ruim que roubar um cordão e um celular? Ela teve oportunidades de ser mais consciênte.” > (claro que é menos ruim. Se somar as penas MÁXIMAS das supostas calúnia + injúria + 1/3 por ser na tv dá 3 anos e 6 meses. Só a MÍNIMA do roubo confesso já é de 4 anos)

    “RIDÍCULA ESSA REPÓRTER DE PONTA DE ESQUINA. NADA A VER ESSA DE ZOAR DO RAPAZ…” > (ela devia é dar uma medalha pra ele, certo?)

    “Provavelmente o ódio que ele já sentia por não ter porra nenhuma,por ter sido massacrado pelo poder público e pela sociedade,foi ainda mais insuflado.Lamentável,porque um de nós,ou de nossos familiares,poderá ser vítima da fúria desses e de outros milhares de jovens brasileiros que tiveram suas vidas sabotadas,por um país de MERDA! Brasil ,país SEM futuro!” > (coitadinho, a culpa é do sistema)

    • E a maior parte (senão todos) os revoltadinhos clamando por justiça e tomando as “dores” (na verdade inventando-as) devem de classe media para cima.

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