O que é o investigacionismo?

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Eu não posso me definir como um “criador” do método investigacionista, que mencionarei aqui, apenas alguém que deu um nome a um conjunto de atitudes que já pôde ser visto no passado.

Por exemplo, aprendi muito ao ver os textos  de James Randi (mais do que suas aparições no Fantástico) quando ele desmascarava charlatães em seu website, JREF. Embora hoje em dia eu possa questionar facilmente quando ele se auto-denomina cético (deveria ser um cético quanto ao paranormal, apenas), o método de questionamento usado por Randi sempre foi de meu agrado.

Outro aspecto que incorporei no investigacionismo veio especificamente da auditoria de investigação de fraudes. Através de itens como análise de agenda e análise de vested interest, fica mais fácil encontrar os padrões nos quais as ações criminosas se encaixam.

Investigacionismo é, portanto, uma mistura dessas duas influências em um modo de como interpretamos e analisamos um texto ou discurso que tenha conotações políticas.

É claro que temos que lidar com a terminologia. Por isso, segue a definição de investigacionismo: método através do qual um texto ou qualquer tipo de discurso com possíveis conotações políticas e/ou ideológicas é investigado com a perspectiva da busca de fraudes. O sucesso do investigacionismo é definido pela quantidade de fraudes identificadas.

Eis que alguém poderia objetar: mas não é injusto colocar alguém sob suspeita e até mesmo investigação mesmo sem ter certeza de que essa pessoa é culpada?

Não, não é injusto. O errado seria atribuir definitivamente o rótulo de CULPADO a alguém sob investigação. Mas suspeitos todos podem ser.

Vamos ao ceticismo corporativo, do qual falarei amanhã em mais detalhes. (Sim, estou fechando as pontas de minha terminologia, e na quarta-feira farei uma compilação de TODA a terminologia que envolve meu método de ceticismo político)

No mundo corporativo, se alguém diz que é formado em Harvard, suspeitamos até que esta pessoa mostre evidências de que realmente é formada lá. Se diz que é uma mola propulsora de resultados, suspeitamos até que os resultados apareçam. Note bem: SUSPEITAMOS. O que não é o mesmo que imputar a culpa. Se suspeitamos já podemos buscar as fraudes.

A polícia, quando investiga um crime, também define várias pessoas como suspeitos, e, ao final da investigação, alguns deles se mostrarão como culpados. Mas a busca da fraude, do logro, deve sempre existir. Até por que se não buscarmos algo, diminuímos a chance de encontrar esse algo.

Em um debate dialético, obviamente o investigacionismo não é tão urgente. Mas hoje em dia praticamente não existem mais debates dialéticos. Em seu lugar, temos discursos políticos. Até aquele seu amigo que usa camisa do Che Guevara, quando adentra um debate ideológico, está agindo de forma funcional para gerar benefícios para os beneficiários da tomada de poder esquerdista. Confiar na honestidade dele é algo que você pode fazer por sua conta e risco.

Depois que no passado Trotsky e Lenin disseram que o logro e a mentira eram armas essenciais do debate político promovido pelos marxistas, e esta noção foi absorvida por todos os movimentos esquerdistas, o investigacionismo deixa de ser uma postura defensável. Torna-se, na verdade, obrigatória.

Uma objeção poderia surgir na possível consideração de que poderia não haver nada de novo no investigacionismo. Não seria o ato de fazer questionamentos básicos um substituto para o investigacionismo? Não, não é. O investigacionismo toma por base que a AÇÃO PRINCIPAL de um analista de um texto adversário envolve encontrar o máximo de fraudes que for possível. É quase um exercício de auditoria, no qual o achado de não-conformidades (caso elas existam) se torna parte central da atividade. Deixar passar as não-conformidades é sinônimo de fracasso.

Estou devendo um texto (uma sequência de minha refutação à OTF), que provavelmente publicarei ainda esta semana. Para se ter uma idéia, encontrei 4 fraudes (entre rotinas, falácias, truques diversos e recursos psicológicos) só no primeiro parágrafo. Esse nível de detalhe na busca de fraudes é o que define o investigacionismo.

Para aceitar o investigacionismo é preciso entender que não há problemas em definir alguém como suspeito. Não se deve confundir jamais um suspeito com um culpado. Quando sou parado em uma blitz, não vejo problema algum em mostrar minha carteira de motorista e a identidade ao policial. Se ele pediu minha identificação, é por que não acredita a priori que estou com minha situação em dia. E você pode ter certeza, ele vai buscar pela fraude e pelo logro.

A partir do momento em que encaramos a busca de fraudes como saudável, passamos a nos especializar nisso. Daí uma série de outros frameworks são importantes, como os já citados análise de agenda e análise de vested interest, como também um bom guia de falácias, o domínio da dialética erística e um bom conhecimento da arte da guerra política, conforme definida por David Horowitz.

Também já vi uma crítica dizendo que não podemos esperar o pior do ser humano, sob o risco de nos tornarmos amargos. É possível que isso aconteça, mas em contrapartida reduzimos enormemente as chances de nos decepcionarmos.

Aliás, hoje em dia eu me decepciono quando NÃO encontro fraudes em textos de meus adversários. Por sorte (ou será azar?), quase nunca me decepciono.

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