“A Arte da Guerra Política”, de David Horowitz

10
365

Recentemente, um de meus inimigos da Internet disse que minhas maiores influências estão entre G.K. Chesterton, C. S. Lewis e William Lane Craig. Sinto decepcioná-lo, mas nem um desses 3 estão entre minhas influências. Entretanto, ao identificar erradamente minhas influências, a figura se esqueceu de encontrar minhas REAIS influências, e dentre elas posso citar Schopenhauer, John Gray, Nietzsche (sim, Nietzsche), Olavo de Carvalho, os autores da dinâmica social, e, é claro, David Horowitz.

Aliás, se há um autor que foi responsável por uma MUDANÇA em meu paradigma, este é Horowitz. Um ex-marxista que ficou decepcionado com a esquerda ao ver como ela tinha a única utilidade de obtenção de poder para uns poucos, em troca da fé dos funcionais, Horowitz é muito mais do que um comentarista político. Ele é um ESTRATEGISTA político que hoje em dia fornece inclusive consultoria para alguns candidatos republicanos.

De todos os livros de Horowitz, o mais importante para mim foi “The Art of Political War”, publicado em 2000. Com 224 páginas, a obra contém na verdade um ensaio sobre a arte da guerra política, tomando espaço apenas em 80 destas páginas. O restante é composto de ensaios diversos, denunciando temas como o vitimismo adotado pela esquerda na cultura norte-americana, assim como demais conflitos ideológicos. O que me interessa, para análise, são especialmente as 80 páginas que falam da arte da guerra política.

Horowitz defende a idéia de que os esquerdistas jogam muito bem na guerra política, mas em sua concepção os conservadores ainda estão engatinhando nesse quesito. Segundo ele, os esquerdistas entram em debate para falar ao coração da platéia, e enquanto isso os adeptos da direita debatem como se estivessem em um debate formal em Oxford. Obviamente, estes últimos saem do debate.

Vejam quando ele apresenta os princípios da arte da guerra política que, segundo ele “a esquerda compreende muito bem, mas a direita não”:

1. Política é guerra conduzido por outros meios
2. Política é uma guerra de posição
3. Na guerra política, o agressor geralmente prevalece
4. A posição é definida pelo medo e esperança
5. As armas da política são símbolos que evocam medo e esperança
6. A vitória fica para aquele que demonstra estar do lado do povo

Primeiro, uma ressalva. A política é contextual: regras não podem ser aplicadas de forma rígida e resultarem em sucesso. Se é verdade que o agressor geralmente prevalece, há momentos em que isso não vai acontecer, e é importante reconhecer estes momentos. Se a política é guerra, é também verdadeiro que uma mentalidade de guerra produz hipocrisia e auto-moralização. Para ser eficaz, você precisa se levar a sério e trazer soluções ao mesmo tempo. Se política é guerra, é também uma combinação de blackjack, jogo de dados e poker. Politicamente, é melhor ser visto como um pacificador do que como um fomentador de guerras. Mas nem sempre isso é possível. Se forçado a lutar, então lute para vencer.

Esses princípios tem sido aplicados neste blog, na medida do possível, embora as vezes eu reconheça que o uso do termo “guerra política” pode não ser politicamente adequado. Entretanto, o que importa é demonstrar como os conflitos políticos tem ocorrido e preparar as pessoas para eles.

Nos comentários da Amazon, muitos esquerdistas ficaram indignados com a obra. Um deles disse que Horowitz é um “ser humano assustador”, mas ele não faz nada além de mostrar as estratégias que a esquerda JÁ UTILIZAVA. Em todos os exemplos, ele nos mostra casos reais do uso da arte da guerra política pelos esquerdistas. Ora, se a abordagem de Horowitz é assustadora, então ela o é por causa da esquerda ser assustadora, e então é preciso jogar de acordo com (algumas das) regras que eles já usam.

Por exemplo, a guerra de processos foi mapeada neste livro. O autor simplesmente diz que, se o outro lado está lançando processos, ao invés de ficar indo em público “pedir desculpas e se dizendo inocente”, lance processos em quantidade em direção ao outro lado também. Este é o princípio 3 (“Na guerra política, o agressor geralmente prevalece”).

Enfim, em termos de esclarecimentos, o livro de Horowitz fornece insights poderosos.

Caso queira comprá-lo, este é o link para a Amazon. Também está nos planos uma possível tradução do livro para este blog.

Anúncios

10 COMMENTS

  1. «
    Recentemente, um de meus inimigos da Internet disse que minhas maiores influências estão entre G.K. Chesterton, C. S. Lewis e William Lane Craig.
    »

    Isso é fácil de explicar, ele ainda pensa que você é o Snowball 🙂

  2. A esquerda sabe muito bem usar o jogo emocional para ganhar a platéia, a estratégia mais usada é a dinâmica “opressor-oprimido”.
    Use um grupo oprimido para se revoltar ( afim de implantar a revolução em prol do “mundo melhor”) contra o seu opressor, se este grupo não existe, faça um acreditar que é.
    Por exemplo, ateus não são de fato oprimidos no ocidente ( não em escala significante), mas…

    Eu cogitei a possibilidade do Snowball ser você, devido as “denuncias”, mas é grande a diferença de estilo.
    Um esquerdista que acha Horowitz assustador, nada mais viu que seu próprio reflexo.

    • Olá Veltman, aqui vão alguns.

      “Social Dynamics”, de Steven Durlauf e Peyton Young
      “The Complete Social Scientist. A Kurt Lewin Reader”, de Martin Gold
      “Resolving social conflicts; selected papers on group dynamics”, Kurt Lewin
      “Games people play”, Eric Berne

      Além disso, dá para usar até o material dos PUAs, e, é claro, todo o “core” da psicologia evolutiva, para complementar o conhecimento.

      Aliás, uso até o Girls Gone Wild para estudo comportamental. 🙂

  3. Ola Luciano,
    tenho tres perguntas rapidas :
    – o que voce acha do C.S. Lewis?
    – David Horowitz tem alguma ligação com o partido republicano?
    -Ja leu disinformation de Mihai Pacepa?Se sim, o que achou?

    Obrigado e estou na espera da saida do livro pois perdi o tempo do crowdfunding.
    abçs

    • Não li o suficiente de C.S. Lewis para opinar. Na época em que era cristão, eu li o “Cristianismo puro e simples”. Mas é pouco para avaliá-lo.
      Sobre horowitz, sim, ele já deu consultoria ao partido republicano, em especial para o Karl Rove.
      O livro do Mihai Pacepa é muito bom, e deveria ser leitura obrigatória.

      Abraços,

      LH

Deixe uma resposta