Estudando um padrão de indignação ante ao questionamento

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O ceticismo lançado quanto a uma crença, especialmente quando ocorre em direção a alguém que não costuma ser questionado, tende a gerar uma sensação de espanto como se a vítima do questionamento quisesse lhe dizer: “Como você ousa fazer tal questionamento?”

Se antes costumávamos ouvir leitores de Carl Sagan reclamando dessa postura vinda dos adeptos do sobrenatural e dos UFO’s,  podemos denunciar o mesmo comportamento quando questionamos os seguidores da religião política. Mesmo que aleguem serem donos do ceticismo (especialmente quando executam a rotina Auto Cético), ficam indignados ante ao menor questionamento de suas crenças.

Um exemplo pode ser encontrado neste post, Mais uma refutação ao poderoso OTF: Como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera daí mesmo é que não sai nada, onde questionei o argumento OTF.

A resposta de Dalila (defensor do OTF) ao questionamento  foi uma reação indignada:

Tá certo. O Loftus manipula categorias e ilude seus leitores, mesmo assim angaria o respeito de ambos os lados do debate teísmo vs ateísmo, tem seus livros adotados em cursos introdutórios de filosofia da religião tanto seculares quanto cristãos, e só o MBA Blackbelt tupiniquim é capaz de desmascará-lo.

Agora, imagine um fã de Uri Geller enquanto seu ídolo é questionado a respeito da existência do paranormal:

Tá certo. O Geller manipula a percepção de sua audiência e mesmo assim angaria o respeito de todos os lados da questão materialismo X sobrenatural, tem seus programas assistidos em vários países, e só o MBA Blackbelt tupiniquim  é capaz de desmascará-lo.

Basicamente o padrão será exatamente o mesmo, incluindo o uso de “respeito de todos os lados” que normalmente não passa de uma invenção, e a citação de “adeptos” de todo o mundo a favor da idéia (geralmente esses “adeptos” são irrelevantes). O estilão é sempre o mesmo, e reflete que o sujeito está indignado ao ver sua crença questionada.

Uma regra de ouro que recomendo aos que resolverem aplicar o ceticismo defendido aqui é não se deixar impressionar com essas manifestações de indignação. Elas tem um único objetivo: tentar te convencer, por pressão psicológica, a acreditar na crença que você está questionando. Esse espanto (algumas vezes espontâneo, algumas vezes simulado) pode até impressionar alguns, mas não deve ser este o motivo pelo qual você deixará de questionar alguém.

Por exemplo, hoje tive a oportunidade de almoçar com um marxista e conversar um pouco sobre filosofia. Ao passar uma boazuda, citei que as ancas dela eram impressionantes, no que ele respondeu: “Você está tratando ela como uma mercadoria”, no que eu disse “Sim, e esse é um instinto humano”. Segundo ele, no entanto, esse não é um instinto humano, mas uma “mania” que aprendemos a ter. É claro que não perdi a oportunidade para citar todas as evidências mostrando que há evidências científicas para demonstrar por que os homens se atraem por mulheres de bunda grande, assim como explicações muito convincentes para mostrar por que esse instinto é útil.  Para aceitar essa idéia, obviamente é preciso antes ter questionado (e rejeitado) a noção de que a atração sexual na espécie humana é gerada não por instinto, mas por “aprendizado”. Todo marxista acredita que todos os nossos comportamentos tem origem no aprendizado, mas não em instintos naturais, e essa alegação absurda dá sustentação à todo pensamento marxista. Ao questionarmos essa alegação, marxistas se sentirão indignados.

Aliás, para manter a amizade, não estendi a discussão, e após assistir ao espanto do amigo, disse “talvez você esteja certo” e deixei para lá. Obviamente, eu não faria isso em uma discussão política, na qual continuaria exigindo evidências de que “aprendemos” a ter nossos instintos, incluindo o da atração.

Faço isso com extrema naturalidade pois após um bom tempo de experiência com questionamentos, aprendi a ignorar manifestações de espanto ante ao questionamento. Alguém pode fazer o dramalhão que quiser enquanto o estou questionando. Não será isso que me demoverá do questionamento. A não ser, é claro, em casos de amigos e familiares que nutram dependência psicológica excessiva da crença questionada.

Portanto, não adianta algum petralha vir com expressões como “Como ousa questionar o governo de Fernando Lugo? Ele é do povo, eleito pelo povo, então há pessoas X, Y e Z que estão contra a deposição dele!”. Do meu lado, já tenho uma espécie de “blindagem” em relação a esse comportamento.

Mostre ao James Randi um fã do Uri Geller espantado com o questionamento ao sobrenatural, e você verá que o dramalhão não surtirá efeito e o questionamento continuará implacável.

Enfim, James Randi já passou da idade de ter medo de cara feia. Eu também.

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4 COMMENTS

    • Olha, não tinha visto, mas não me surpreende. Em breve, logo após o término da tradução da arte da guerra política, vou trazer um materia meio bombástico, a análise dos textos do Saul Alinsky, militante norte-americano que foi tema de dissertação da Hillary Clinton e é base da propaganda do Obama. E lá se explica muito bem a opção pelo crime da esquerda.

      • Luciano, vc pelo jeito eh muito fraquinho com seus argumentos, vc retirou meu comentario sobre a bobagem q foi dita sobre um dos livros do Sam Harris, eu entendo, afinal algumas pessoas naum suportam serem confrontadas.

      • Não me lembro de ter retirado seu comentário. PAra fazer um teste se isso é verdade ou não, me diga qual o CONTEÚDO de teu comentário. Qual era o objetivo dele? Qual suposto erro ele apontava? Aguardo. Ah, este blog está aberto a toda e qualquer OBJEÇÃO, portanto sua alegação final é fantasiosa.

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