A Arte da Guerra Política – III – A prática

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Estes foram os princípios. Aqui estão alguns exemplos de como eles funcionam (e como não funcionam).

Verdade na Rotulagem

“Incentivos aos ricos às custas dos pobres” é a frase de impacto dos Democratas que define os Republicanos como porcos mesquinhos e inimigos dos pobres. É uma mentira que tem sido imposta ao eleitorado através de um milhão de repetições. É o canto que permeia qualquer afirmação de um Democrata no Congresso e qualquer postura esquerdista na mídia.

Qual é o canto Republicano? Não há nenhum. [1]

A primeira arma a ser inserida no arsenal Republicano é uma frase de efeito que define os Democratas e neutraliza este ataque. O slogan Democrata é efetivo pois aplica todos os princípios: Não é um argumento que possa ser refutado; é uma imagem que grava a si mesma na mente como um todo auto-evidente. Ela define os Republicanos como egoístas, mesquinhos e corruptos. Também define os Republicanos como inimigos das pessoas. Essa afirmação não precisa ser defendida pois não se preocupa em justificar a si própria.

Uma imagem ou frase de efeito é a forma crucial de poder de fogo político. É um míssil coletor de votos. Se amplificada por televisão ou rádio, é como um míssil teleguiado que percorre centenas ou até milhares de quilômetros para atingir um alvo específico. Pense em você próprio como separado do eleitorado por oceanos de estática. Notícias locais e internacionais, questões de família, demandas profissionais, assuntos de negócio, entretenimento, e outras distorções que geram essa desordem de ondas entre você e seus eleitores. A frase de efeito, como um míssil teleguiado, passa por tudo isso. Isso é o que a torna decisiva.

Nem contra-argumentos e nem a razão podem combater o míssil de guerra dos Democratas. As pessoas alcançadas pela frase de efeito lançada pelos Democratas nunca irão ouvir os contra-argumentos ou as evidências que refutam a calúnia imposta por eles. A estática é grande demais; a desordem de informação é demasiadamente densa. Nunca subestime a dificuldade de alcançar as pessoas com uma mensagem política. A única resposta efetiva para uma frase de efeito é outra frase de efeito, um míssil político teleguiado.

Aqui há uma sugestão para uma frase de efeito Republicana: “Impostos para os burocratas, tirados dos bolsos do povo”.

Esta é uma resposta aos Democratas. Nada mais longo que isso irá fazer o trabalho. “Taxas para os burocratas, tiradas dos bolsos do povo” resume todo o significado das políticas dos Democratas. Se os trilhões gastos pelo estado de bem social fosse para as pessoas pobres ao invés dos burocratas, não haveriam pessoas pobres; se os milhões da educação fossem para a sala de aula e pagassem professores para que efetivamente ensinassem (ao invés de meramente aparecem para o trabalho), não haveria crise da educação. [2]

O princípio da frase de efeito pode ser aplicado para as outras questões políticas da mesma forma. Os Republicanos deveriam rotular suas propostas com linguagem que lhes dê vantagem. Infelizmente, os Republicanos não prestam atenção suficiente em detalhes como esse. Observe a proposta Republicana entitulada “Proposta de Redução de Gastos na Educação”, que fracassou na sessão legislativa em 1998. Seu próprio nome projeta uma imagem de frugalidade que se adequa à imagem negativa criada pelos Democratas sobre os Republicanos, rotulando-os como mesquinhos contabilistas. “Proposta de Redução de Gastos na Educação” soa como a ideia de pessoas sovinas: “Vamos gastar menos na Educação”. Ao rotular sua própria proposta dessa maneira, os Republicanos fizeram o trabalho dos Democratas por eles. Eles reforçaram a imagem negativa e colocaram o alvo em suas próprias cabeças mesmo antes que os Democratas começassem a atacar a Proposta de Redução de Gastos na Educação – como se fosse “incentivos para os ricos às custas dos pobres”.

Pessoas abastadas, é claro, não precisam de redução de impostos para enviar seus filhos para a escola privada. Trabalhadores americanos precisam. Então por que não dizer isso? Por que não chamar esta legislação de “Proposta de Educação para os Americanos Trabalhadores”? E por que não lembrar os eleitores a cada chance que você tem que na verdade são os legisladores democratas que enviam seus filhos para escolas privadas, negando aos trabalhadores americanos e aos pobres o mesmo privilégio. Os Republicanos se queixam de que os Democratas usam a política de “guerra de classes” contra eles. Mas os Democratas vão usar a luta de classes enquanto ela funcionar. A única forma de detê-lo é usar o mesmo recurso contra eles [3]. Impostos para os burocratas, tirados dos bolsos do povo: as políticas dos Democratas significam escolas privadas para as elites esquerdistas e miséria educacional para os trabalhadores americanos. Isso é um míssil coletor de votos.

Há uma diferença profunda entre “proposta política” e “política” – distinção que normalmente não é percebida pelos Republicanos. Uma proposta política não á automaticamente boa política, especialmente se é facilmente deturpada pela oposição e difícil de ser explicada ao eleitor comum. Uma boa proposta política pode se tornar má política se está identificada com o porta-voz errado.

Considere a proposta de Steve Forbes da alíquota única, que iria taxar todos a uma taxa uniforme de 17% sem quaisquer válvulas de saída. Provavelmente é uma boa idéia. A proposta elimina grandes burocracias, fornece um corte de impostos em todos os sentidos, e permite aos pagadores de impostos saber exatamente o quanto o governo está lhes retirando.

Mas olhe quem está apresentando a proposta. Steve Forbes possui um valor pessoal de quatrocentos milhões de dólares. Isso facilmente o coloca facilmente no grupo daqueles que atualmente pagam 39,6%. Seu plano de impostos iria cortar sua contribuição ao “bem estar geral” em cerca de 23%. Mas alguém que está no grupo dos que pagam 18% iria ter apenas uma redução de 1% em seu plano. A redução do pagamento de impostos de Forbes, por sua vez, iria resultar em milhões de dólares. Como Steve Forbes poderia querer vender um corte de taxas para si próprio que excede a renda total da maioria dos Americanos? Nao poderia. [4]

A única razão pela qual Steve Forbes permaneceu tanto tempo como candidato é que ele nunca teve que concorrer contra um Democrata. Os Republicanos não iriam usar a retórica da guerra de classes contra ele. Os Democratas sempre farão isso. “Sr. Forbes, você poderia dizer aos americanos como pode justificar um abatimento de milhões de dólares de impostos em prol de si próprio? Em seu website, você diz que uma família com 4 pessoas cada ganhando 36.000 dólares vai ter uma redução de impostos em torno de 16.000 dólares, e enquanto isso você tem milhões de redução. Como isso pode ser justo? Ou americano?”

Não há nenhuma resposta que Steve Forbes poderia dar em trinta segundos para convencer a grande massa de eleitores que tem rendas médias que ele se preocupa com o povo. Forbes tem outro problema. Ele tem um olhar de coruja e uma personalidade cerebral. Não tem simpatia pessoal e não é  “um dos caras” – alguém que você esperaria encontrar tomando cerveja em um bar local ou jogando boliche. Isto é tanto um problema como é sua riqueza na conexão com os eleitores médios, tendo que deixar-lhes a impressão de que ele entende o povo e se preocupa com seus problemas.

Steve Forbes pode continuar indo para lugar algum como candidato, mas nenhum membro de seu staff político bem pago lhe dirá isso. Se Forbes realmente queria mudar o sistema de impostos, deveria pegar os cinquenta milhões de dólares ou mais que gastou na tarefa impossível de se eleger e ter usado para eleger outros para fazer o trabalho que ele queria feito. A tratamento da questão dos impostos é um problema real para os Republicanos. Cada iniciativa de corte de impostos em linhas gerais vai beneficiar as faixas de renda superiores, pois eles pagam uma taxa maior e portanto terão um alívio maior da carga tributária.

Questões e propostas não são os únicos itens que podem ser rotulados para efeito positivo. Indivíduos e partidos podem ser rotulados da mesma maneira. Claramente é difícil rotular um partido inteiro, então os Democratas se agarram a uma ala extrema do Partido Republicano e dizem que o partido em si é prisioneiro do elemento extremo. A “Direita Cristã” tem sido demonizada por ativistas de esquerda e se tornou um símbolo de intolerância, fanatismo e hostilidade às minorias. A partir disso, esquerdistas passaram a usar a Direita Cristã para demonizar o Partido Republicano como um todo.

Os Democratas são tão adeptos de aplicarem estigmas aos seus oponentes Republicanos que eles nem sequer precisam usar as palavras “Direita Cristã” para obter seu resultado. Considere uma correspondência típica assinada pela senadora californiana Barbara Boxer solicitando fundos para o oponente do congressista Republicano James Rogan. Rogan foi alvo dos Democratas por que era um dos gerentes da Casa no processo de impeachment. Antes de se tornar Republicano, Rogan foi um Democrata de John F. Kennedy e um membro do comitê central do Partido Democrata da Califórnia. Ele explicou que trocou de partidos por causa da oscilação excessiva para a esquerda dos Democratas e não por causa de alterações drásticas em seus próprios pontos de vista. Em 1999, desafiou o presidente Republicano do comitê judiciário, que era seu mentor, e se opôs a uma proposta que esse presidente havia criado tentando restringir o conteúdo sexual nos filmes de Hollywood. Ainda assim Boxer escreveu: “Você pode não ter ouvido falar ainda do congressista James Rogan antes do impeachment. Mas confie em mim, o julgamento de impeachment não foi uma aberração na carreira de Rogan. James Rogan é um dos membros mais radicais da ala da direita em todo o Congresso”. [5]

Normalmente, a resposta republicana para tais ataques é tentativa e defensiva – “Eu não sou um extremista” – e consequentemente destinada ao fracasso. Os Democratas rotulam os Republicanos de “ala da direita”, significando “intolerantes, extremos”. É claro que é difícil, se não impossível, desprovar uma negativa. Enquanto você está ocupado se defendendo, a oposição está no ataque. Este é o motivo pelo qual a melhor defesa é sempre o ataque. Mas você não pode atacar a não ser que esteja preparado, e os Republicanos não possuem um rótulo correspondente para impor aos Democratas.

Será que isto ocorre por que os Democratas não possuem uma ala radical? Dificilmente. Há uma esquerda mlitante no Partido Democrata que possui enorme influência e inclui tipos como Maxine Waters, Barney Frank, James Carville, e Sidney Blumenthal. Durante os anos de Clinton, quarenta membros do Congressional Black Caucus assinaram um “pacto”  com o líder americano racista e anti-judeus, Louis Farrakhan, mas os Republicanos não fizeram nada a este respeito na época, e agora isso está esquecido. Por outro lado, uma simples palestra feita pelo Representante Bob Barr e o Senador Trent Lott ao obscuro Conservative Citizens Countils, associado em nome e algumas pessoas com o defunto de longa data White Citizens Councils, pode ser efetivamente usado por Democratas para desacreditar os Republicanos e acusá-los de alinhamento com racistas. [6]

Há também uma vasta ala socialista na Coalizão Democrática (embora apenas alguns poucos membros iriam publicamente identificarem-se desta maneira). As  uniões governamentais que representam professores e empregadores não estão apenas vivenciando conflitos de itneresse (interesses especiais que elegem seus próprios empregados, fazendo lobby para aumentarem seus próprios salários). Eles também são a vanguarda socialista do Partido Democratico, cuja única agenda consistente é expandir o já enorme governo. Em adição, 58 Democratas congressistas já identificaram a si próprios como um “Progressive Caucus”, o qual é formalmente aliado com os “Socialistas Democráticos” e outras organizações da esquerda radical.

Não é difícil surgir com um rótulo para os Democratas: esquerdistas. O Partido Democrático é o partido da esquerda. [7]

Mas ninguém chama os Democratas de esquerdistas, mesmo que os Republicanos sejam casualmente identificados como direitistas pelos Democratas e a mídia. Mesmo Republicanos conspiram contra eles próprios e caem na armação se juntando à charada quando chamam os Democratas de “liberais” ao invés de “esquerdistas”. “Liberal” é uma palavra cuja raiz é “liberdade”, não “controle governamental”, que é a agenda Democrata (de que forma são os modernos liberais de fato “liberais” em qualquer caso, exceto em suas atitudes a respeito e drogas e sexo?). Nós precisamos de regras de verdade na rotulagem para partidos políticos. Mas os Republicanos não deveriam esperar que os outros fizessem a correção. Eles deviam empregar “esquerda” e “esquerda radical”, além de “extrema esquerda” como rótulos reflexivos para descrever aqueles que pertencem para o que é agora chamado de “ala liberal” do Partido Democrático.

Esquerdistas possuem uma história que os associa de forma precisa aos experimentos em governos inchados e soluções socialistas. A expressão “liberal”, por outro lado, induz ao erro de conectá-los a Adam Smith, James Madison e John Locke. Estes eram os campeões filosóficos dos mercados livres e democracia política, não controle governamental e nivelamento econômico. Os legisladores Republicanos deviam praticar a arte de referenciar Democratas como Maxine Waters como “minha oponente da extrema esquerda”, ou “meus colegas de esquerda Bernie Sanders e Barney Frank”. Eles deviam parar de culpar a mídia por descrever esquerdistas como “liberais”, enquanto os próprios Republicanos deixam seus oponentes fora do gancho. [8]

A destruição de Newt Gingrich

A destruição de Newt Gingrich pelos Democratas foi um exemplo clássico de uma batalha política empreendida com sucesso. Não teve nada a ver com argumentação intelectual ou princípios políticos, nem poderia. Você não pode paralisar um adversário vencendo-o o no debate político; você pode fazer isso apenas se seguir a injunção de Lenin: “Em conflitos políticos, o objetivo não é refutar os argumentos de seu oponente, mas extirpá-lo da face da Terra”. [9]  Não iremos tão longe quanto Lenin, mas destruir a efetividade de seu oponente é uma prática comum e razoável. Difamações pessoais podem cuidar disto, e os Democratas são muito bons nisso.

Newt Gingrich foi algo raro na política Republicana – um genuíno lider de massas. A vitória eleitoral de Gingrich com larga vantagem em 1994 foi o resultado de mais de uma década de organização de um movimento político de base, incluindo seleção e treino de candidatos, além do desenvolvimento de uma mensagem política. Foi na verdade mais que uma mensagem política: foi um chamado à transformação do governo; era uma visão política inspiradora.

Por esta mesma razão, Gingrich precisava ser neutralizado. Mesmo antes dele se tornar Presidente da Câmara, Gingrich foi definido como o líder Republicano mais efetivo, e portanto alguém que precisava ser destruído. “Newt é o centro nervoso e a fonte de energia”, explicava um estrategista Democrata que entendia os termos da guerra política. “Ir atrás dele é como tirar dos Republicanos tanto comando como controle”.

Enquanto Gingrich estendeu um ramo de oliveira aos democratas em seu discurso inaugural como Presidente da Câmara, já era uma das metas dos Democratas paralisá-lo, e depois matá-lo politicamente, de forma a retirá-lo do campo de batalha. A peça central do ataque Democrata foi uma campanha de calúnias endereçada por um Comitê de Ética direcionado a definir Gingrich permanentemente como indigno de sua função. Eles conseguiram isso com um pretexto falso, em um congresso que os Republicanos controlavam. Os achados do Comitê de Ética – que afirmavam que Gingrich tinha violado as regras do Congresso – forneceram um “fato” que apareceu para validar as calúnias dos Democratas. Isso lhes permitiu definir Gingrich como o inimigo do bom governo – e, portanto, um inimigo do povo. Era o equivalente à morte política.

As chaves para este resultado foram as acusações formais de ética que os democratas registraram praticamente desde o dia em que ele assumiu o cargo. Eventualmente, os Democratas apresentaram 74 acusações seaparadas contra Gingrich, 65 das quais foram sumariamente descartadas pelo comitê. O número de acusações por si só já é algo significativo, revelando o quão profundamente este era um caso de “mostre-me o homem e eu vou encontrar seu crime”.

Em circunstâncias similares, os Republicanos nunca pensariam em registrar acusações formais que eles saberiam jamais terem chance de irem à frente, muito menos acusações falsas. Só que os Democratas entendiam que as acusações formais eram apresentadas em público, mas descartadas em privado – ou ao menos onde o público não iria prestar atenção. Mesmo que as acusações fossem rejeitadas, ainda assim elas eram úteis para a estratégia. Um pouco da lama sempre acaba respingando no alvo. Os golpes continuamente enfraqueciam Gingrich, ficando cada vez mais difícil para ele se defender. O grande número de acusações manteve Gingrich – normalmente um líder agressivo – fora de equilíbrio, agindo na defensiva.[10]

Eventualmente, os irresponsáveis Republicanos que pertenciam ao Comitê de Ética cederam à pressão dos Democratas e Gingrich foi forçado a admitir uma acusação frívola. Mas isso foi o suficiente. O líder foi condenado a uma multa de 300.000 dólares. Três anos depois, o IRS inocentou Gingrich da acusação inventada, mas a batalha já havia sido perdida há muito tempo. Gingrich não era mais Presidente da Câmara. Ele foi maculado como sendo um homem com padrões éticos deficientes e permanentemente neutralizado, e os Republicanos e o país perderam um líder.

O que os Republicanos poderiam ter feito? Eles poderiam ter lembrado que estavam em uma guerra. Eles poderiam ter respondido olho por olho a esta flagrante ação para destruir seu líder. Ao invés de permanecerem assistindo e acompanhando os Democratas o bicarem até a morte, eles podiam ter criado uma sala de comando e um plano para combatê-los na mesma moeda. No dia em que a primeira acusação foi registrada contra Newt Gingrich por David Bonior, o “chicote” dos Democratas (e um membro oficial da ala da esquerda militante do partido), os Republicanos deviam ter registrado a primeira acusação contra Bonior. E eles deviam ter registrado acusações, uma a uma, até que os Democratas desistissem de seu ataque.

Os Democratas empregaram a mesma ação agressiva e sem escrúpulos para neutralizar a investigação do Presidente Clinton pelo promotor Kenneth Starr. Eles atacaram o promotor especial e o colocaram na defensiva. Eles foram para cima de Kenneth sem descanso até tornar cada palavra e cada acusação que ele fez automaticamente suspeita aos olhos do eleitorado; as pesquisas refletiram o sucesso das ações dos Democratas. A estratégia de ataque Democrata foi o equivalente político a uma defesa anti-mísseis. Se os Republicanos tivessem lutado com metade da tenacidade para defender um líder inocente em comparação ao que os Democratas fizeram para defender um presidente culpado, o panorama político hoje seria dramaticamente diferente.

Vencendo com uma questão derrotada

Com uma estratégia adequada, você pode até vencer uma eleição com uma questão retardatária em um estado perdido. As eleições de Novembro de 1998 na California foram um desastre não mitigado para o Partido Republicano, uma derrota sem paralela no estado desde os anos 30. O candidato republicano ao cargo de governador perdeu para seu oponente por vinte pontos, sendo derrotado em virtualmente todas as partes do estado. Após 16 anos de domínio Republicano, apenas dois Republicanos obtiveram vitórias minguadas em escritórios estaduais.

Os resultados na comunidade hispânica foram até piores do que no restante da população. A desconfiança hispânica em relação aos Republicanos foi aprofundada sobre duas eleições como resultado de iniciativas eleitorais contra a imigração ilegal. Essa alienação pode ser evidenciada no fato de que em 1998 o candidato a governador Republicano obteve apenas índices entre 17% a 23% do voto Hispânico (números que variavam de acordo com a pesquisa de boca de urna). Esse desempenho desastroso ocorreu apesar do fato da campanha estadual republicana ter tido melhor financiamento do que a oposição Democrata, com a primeira gastando 43 milhões de dólares e a segunda apenas 33 milhões, apesar do fato dos Republicanos terem lançado mais candidatos latino-americanos do que os Democratas, e apesar do fato de que o candidato Republicano fez um esforço extra em direção à comunidade hispânica, incluindo uma campanha publicitária de televisão toda em espanhol.

Mas cinco meses antes, uma iniciativa eleitoral patrocinada pelo Republicano Ron Unz em uma questão latino-americana, no mesmo estado, teve um resultado diametralmente oposto. A iniciativa de Unz para terminar com a educação bilíngue foi denunciada pelos maiores jornais e figuras do establishment na California, por todos os Democratas, e até pelo candidato republicano a governador. A campanha antibilíngue conseguiu levantar apenas 1,5 milhões de dólares e não conseguiu sequer financiar um anúncio de televisão, enquanto a oposição levantou 4,8 milhões de dólares e financiou uma forte campanha televisiva. Ainda assim, mesmo com todos esses obstáculos, a campanha antibilíngue obteve sucesso em uma vitória por larga maioria de votos, com 61% a favor da iniciativa e 39% contra. A iniciativa recebeu 35% dos votos hispânicos – duas vezes o que o candidato a governador iria receber cinco meses mais tarde.

Como isso pôde acontecer? A resposta é que os patrocinadores da iniciativa antibilíngue seguiram os princípios da guerra política, especialmente o mais básico: posicionaram-se do lado do povo. Eles se auto-definiram como amigos das crianças hispânicas que estavam tentando aprender nos Estados Unidos e melhorar suas vidas. Como resultado, eles ganharam a simpatia e apoio não apenas dos hispânicos que queriam que suas crianças tivessem uma chance na vida, mas também de todos aqueles que viam os filhos de imigrantes como azarões da sociedade e que também mereciam um tratamento justo.

Na primeira conferência de imprensa, Unz e seus co-patrocinadores disseram que eles estavam respondendo a uma demonstração de pais hispnânicos na prefeitura. Um grupo de pais latinos havia organizado um protesto para pedir que suas crianças fossem ensinadas em Inglês, um privilégio que os programas “bilíngues” atuais negavam a eles. Como estudos revelaram, os programas de educação bilíngue implementados no sistema escolar eram basicamente programas de trabalho para adultos que falavam espanhol. Eles eram monolíngues, não bilíngues, e muitas das crianças neste sistema nunca aprendiam Inglês. Os proponentes hispânicos queriam que suas crianças fossem retiradas destas programas de aprendizado de língua espanhola de forma que pudessem ser ensinadas em Inglês e um  dia obterem trabalhos decentes e um direito de participar do sonho americano [11]. Os patrocinadores da iniciativa bilíngue presentes na conferência de imprensa eram um professor ativista latino e uma freira Episcopal que tinha criado o seu próprio programa para ensinar crianças hispânicas na língua inglesa.

Haviam muitos argumentos que poderiam ser feitos para ensinar imigrantes hispânicos em Inglês. O bilingualismo poderia ser visto legitimamente como uma ameaça à unidade nacional. O Canadá é um exemplo evidente do que pode acontecer com um país com mais de uma língua oficial. Mas tal posicionamento da iniciativa iria convidar a resposta de que ela era anti-imigrantes e serviria para perseguir um segmento vulnerável da comunidade (crianças imigrantes pobres). Isto seria utilizado nas mãos da oposição de esquerda e seria fácil para eles rotularem os patrocinadores e a própria iniciativa como inimigos das crianças, minorias e dos pobres. Se fosse posicionada desta forma, a iniciativa teria fracassado.

Mas uma vez que a imagem de uma mão auxiliadora para um grupo em desvantagem foi estabelecida na mente do eleitorado californiano, a vitória estava garantida. Pesquisas iniciais obtidas antes que a oposição iniciasse sua campanha de difamação mostraram a initiativa ganhando uma média geral de 80 a 83 por cento dos eleitores hispânicos. Nem mesmo uma campanha de 4,8 milhões de dólares tentando manchar seus proponentes como “xenófobos” e “racistas” poderia talhar esse número para menos de 60 por cento. Isto é o que uma posição estrategicamente estabelecida no campo de batalha pode realizar.

Conservadorismo compassivo

Quando os Demoratas falam politicamente, toda palavra é um apelo a “mulheres”, “crianças”, “minorias”, “trabalhadores americanos” ou “os pobres”. Isto imediatamente prepara o campo de batalha de uma forma que favorece a vitória deles. Todos os americanos se consideram oprimidos: pergunte ao Bill Gates; se importar com as minorias e os vulneráveis é se preocupar com eles. Muitos americanos são tolerantes e compassivos: se importar com minorias e oprimidos significa ressoar com o senso americano do que há de melhor neles próprios. Tomar o lado dos anjos é bom quando você está indo para o campo de batalha.

Outra vantagem da retórica Democrata é que ela fala diretamente aos americanos sobre coisas que eles compreendem – as vidas concretas de seus companheiros, seres humanos. Ao falar a respeito de mulheres, crianças, minorias, trabalhadores americanos e os pobres é criada a conexão. Isso estabelece um elo entre o falante e o ouvinte, aparentemente vindo do coração. Se isso é feito de forma aparentemente sincera, isso identifica imediatamente o falante como um amigo. Os Republicanos, em contraste, tendem a falar em linguagem abstrata a respeito de doutrinas legais e orçamentos econômicos. Eles soam como se fossem homens de negócio, advogados e contadores. Eles argumentam sobre as virtudes das alíquotas únicas contra as taxas de valor agregado. Eles falam a respeito de ganhos de capital e cortes de taxas. Eles falam a partir da mente, não do coração.

Muitos americanos não sabem o que “capital” significa, muito menos um ganho de capital. Se você tivesse uma hora (ao invés de trinta segundos) e fosse capaz de explicar a eles por que taxas sobre ganhos de capital significam taxação duplicada, isso provavelmente não faria diferença alguma. Quando você tivesse finalizado sua argumentação, a maioria deles iria encolher os ombros e dizer “Deixe-os pagar de qualquer forma. Eles são ricos o suficiente”. Eles não tem idéia de como a economia funciona, o que um sistema de incentivos significa, ou porque a bolsa de valores é mais do que um cassino de apostas. Falar a respeito de cortes de taxas em ganhos de capital somente é importante para aqueles que entendem esses conceitos, e eles já são em sua maioria Republicanos.

Os Democratas sabem como usar um orçamento para alcançar os corações das pessoas. A derrota nas mãos dos Democratas durante as negociações de orçamento em 1998 foi algo que quebrou a espinha dos Republicanos em termos políticos e lhes custou muitos votos nas eleições para o congresso que se seguiram. Ao final de 1998, Bill Clinton era um presidente fragilizado e uma figura que causava desgosto em nível nacional. Mas sua estratégia política indo para as negociações de orçamento foi clássica: ele se posicionou como um defensor dos fracos e vulneráveis e posicionou seus oponentes como advogados dos fortes e avarentos que não se importavam com o povo.

“Nós temos um superávit orçamentário pela primeira vez em uma geração”, teria tido o Presidente Clinton. “Vamos mostrar que nós nos importamos. Vamos dar um bilhão de dólares às crianças. Melhor ainda, de forma que todos possam notar nossa preocupação com os desafortunados, vamos quebrar os limites orçamentários. Vamos quebrar nossa promessa de não gastar mais do que temos. Então não vamos cortar nenhum outro programa para pagar por este. Vamos apenas adicioná-lo ao pacote de educação já existente na proposta”. Sua verdadeira mensagem era essa: “Não importa quão ruim eu seja, quão embaraçosso e de mau gosto eu possa parecer a você, lembre-se disso – Eu ainda sou um Democrata que se importa. Eu sou tudo o que fica entre as crianças desamparadas e esses Republicanos mesquinhos que nem sequer sonhariam em quebrar os limites de orçamento para ajudar as crianças pequenas. Eu ainda sou a única esperança que essas crianças tem de conseguir o que elas querem”. Uma estratégia vitoriosa. Mas a única forma pela qual Clinton poderia fazer a estratégia funcionar politicamente seria se os Republicanos aparecessem para executar seu papel familiar como os malvados, os avarentos que diriam: “Nós não temos dinheiro”.

Obviamente, os Republicanos sabiam que não muito do dinheiro da educação alegado por Clinton iria chegar às crianças. Iria, é claro, para os cofres dos burocratas da educação; iria também para os bolsos dos professores do Sindicato, cujos membros são pagos (no atual sistema controlado pelo Sindicato) não pela qualidade de seu ensino, mas apenas por aparecerem em sala de aula. Em resumo, o plano de Clinton era dinheiro de impostos para os burocratas, tirado do bolso do povo. Mas mesmo esta frase de impacto, caso os Republicanos a tivessem usado, teria sido derrubada pela frase de impacto com a qual Clinton estava contando: “Democratas querem mais dinheiro para educação; Republicanos querem menos”. E esta seria a maneira como o jogo ocorreria. Não haveria debate público. Haveria apenas essa frase de efeito nos jornais da manhã e nos noticiários da noite: “Presidente propõe mais dinheiro para educação. Republicanos pedem menos”. Se os Republicanos recusassem a concordar com mais dinheiro, perderiam.

Então, o que os Republicanos fizeram? Ao menos eles aprenderam o suficiente para não dizer “Não há dinheiro”. É uma péssima resposta que lhes custaria caro. O que eles disseram foi: “Onde está o dinheiro?” – como se Clinton tivesse que reponder. Foi um aperfeiçoamento em relação ao desempenho Republicano no passado, mas o resultado foi exatamente o mesmo.

Uma resposta Clintonesca para a questão Republicana pode ser facilmente imaginada: “Estamos falando de uma proposta de quinhentos bilhões de dólares. Você quer dizer que não há nem um pouquinho para as crianças?”. Não há uma resposta vitoriosa para esta questão. Não há resposta, de forma alguma. Os Republicanos entenderam isso em poucas horas e admitiram o inevitável, assinando a proposta. Politicamente, foi um desempenho Republicano típico: eles conseguiram aparentar serem mesquinhos, estúpidos e fracos, tudo ao mesmo tempo.

O que eles poderiam ter feito para prevenir esta derrota? Eles poderiam estabelecer sua posição do lado das crianças e definido seus oponentes Democratas como inimigos das crianças. Eles poderiam ter dito: “Nós queremos 10 bilhões de dólares para as crianças, não a mixaria de 1 bilhão que você está sugerindo. Mas nós queremos em forma de bolsas de estudo para crianças de cidades do subúrbio e do interior, que vocês aprisionaram em escolas públicas perigosas e fracassadas”. Isto teria abalroado Clinton contra os sindicatos dos professores, o maior grupo de interesse do Partido Democrata, além de ser o grupo que lidera a oposição à reforma para melhoria das escolas. Isso teria posicionado os Republicanos como advogados dos oprimidos, desafortunados dentre as crianças americanas. Isto teria exposto os Democratas (cujas próprias crianças são bem ensinadas em escolas privadas) como opressores hipócritas das minorias e dos pobres.

Por que será que nenhum Republicano se lembra de informar às pessoas que os Democratas e demais esquerdistas tem controlado todos os grandes sistemas de ensino principais por mais de sessenta anos? Se existe uma crise nacional de educação, Democratas e seus esquerdistas são os responsáveis. Por que Bill Clinton, Ted Kennedy e Jesse Jackson deviam enviar seus filhos às escolas privadas enquanto previnem que pais de crianças do interior e do subúrbio tenham o mesmo privilégio de escolha? Se a condição desastrosa de nossas escolas tem prejudicado as vidas de muitos milhões de crianças pobres e oriundas de minorias, os Democratas são os responsáveis. Se educação é a escala crucial para o sucesso dos imigrantes, os Democratas tem negado a milhões de filhos de imigrantes o uso desta escada. [12]

Pela criação de um sistema paternalista que não serve aos segmentos mais pobres e necessitados da sociedade, por infligir altos impostos e regulamentos que limitam oportunidades econômicas, os Democratas e esquerdistas arruinaram as vidas das minorias e dos pobres. Os Republicanos tem uma solução. Eles tem como objetivo reviver essas oportunidades, para libertar as minorias através da escolha educacional, através de políticas que restauram os degraus inferiores para a escada do sucesso. Esta é a mensagem que os Republicanos precisam levar ao povo americano, e para as comunidades do interior. Se corajosamente defendidas e vigorosamente utilizadas, essas idéias podem guiar os Republicanos a serem uma maioria nacional.

David Horowitz

***

 [1] Não sei se Horowitz estudou Dinâmica Social. É fato que o material de Kurt Lewin tenha sido absorvido especialmente e inicialmente pelos esquerdistas, e Horowitz foi um esquerdista radical no passado. Talvez tenha estudado. Independente do que ocorreu, tudo isso está 100% alinhado com a Dinâmica Social, pois é entendido o básico do ser humano: capturamos nossas impressões a partir de mensagens e estímulos de apelo emocional, pois aquilo que afeta o nosso sistema límbico profundo é o que nos fará tomar decisões. É claro que pessoas mais treinadas para o debate intelectual (e estas são raríssimas), buscam uma análise do argumento em questão para tomarem suas decisões. São exemplos nos quais o néo cortex também assume um papel, no qual o protagonista ainda é o sistema límbico profundo, para a tomada de decisão. Chegarmos a essa conclusão nos mostra que ou o nosso discurso é adaptado para atingir as massas, ou então é feita a opção pela derrota, e não há um argumento que possa ser feito contra isso.

[2] Obviamente, isso é muito efetivo. Outro ponto extremamente importante é lembrar ao povo que a redução radical de impostos não significa que as pessoas estejam desamparadas, muito pelo contrário. Grupos para ação voluntária poderiam ser estabelecidos, especialmente pelos esquerdistas. Se estes últimos se preocupam com o povo, então que façam ações voluntárias, nas quais ao mesmo tempo eles poderão dar assistência aos necessitados (assim como os adeptos da direita farão), sem inchar o estado. Ao mesmo tempo, outra capitalização poderosíssima que pode ser feita é lembrar que os esquerdistas podem ser desafiados a fazer este tipo de ação. Já falei isso no texto “Batendo onde dói: Como questionar o status social de alguns esquerdistas e como eles o utilizam para criar a ‘justiça social'”.

[3] Essa é uma outra constatação que não pode ser negada. Quando Marx criou o conceito de guerra de classes, isso se tornou tão enraizado no imaginário popular que não pode mais ser descartado. Entretanto, na guerra de classes, sempre podemos nos posicionar. Um exemplo pode ser visto na questão da causa gay, onde os gayzistas (da esquerda) dizem que estão do lado dos gays, mas os conservadores poderiam mostrar que na verdade os gayzistas estão do lado de alguns malucos que querem transformar sua opção sexual em causa política. E muitos gays não querem isso. Querem apenas viver em paz e ter seus direitos assegurados. É quando os conservadores deviam mudar o discurso e, ao invés de afirmarem que os gays são “algo anti-natural”, poderiam agir de forma compassiva com eles, mas dizer que a proibição à crítica é intolerável. Deveria ser afirmado aos gays que, assim como um heterossexual pode criticar um gay, um gay tem todo o direito de ter repulsa ao comportamento heterossexual. Neste caso, estaríamos nos posicionando a favor da liberdade de expressão tanto dos gays como dos heterossexuais. Note que neste caso, estaríamos criando novas “classes”: a do gay tradicional e do gay militante, assim como podemos criar as “classes” do ateu tradicional e do neo ateu. Enfim, guerra de classes deve deixar de ser algo ignorado pelos conservadores, mas um método a ser considerado no debate político.

[4] Uma outra proposta igualmente fracassada pôde ser vista no ambiente político nacional, em 1989, quando Guilherme Afif Domingos (na época do Partido Liberal) apareceu com a proposta de redução dos impostos, criando uma alíquota única de 10%. Embora sem o “ar de coruja” de Steve Forbes, Afif foi facilmente rotulado como “mesquinho, ganancioso” pela esquerda e retirado do debate público. Era uma época onde ainda existiam propostas de uma direita no cenário político brasileiro, algo que está extinto atualmente.

[5] Isto também ocorreu nas eleições em que Lula, após eleito, concorreu com Geraldo Alckmin. Ocorreu também quando Dilma concorreu com José Serra. Ambos eram de uma moderação no discurso que chegava a dar pena, e não conseguiam fazer um ataque sequer ao oponente. Enquanto isso, Lula e Dilma aproveitaram para pintá-los ao público como “representantes das elites”, “opressores” e adeptos, pasme, do “fascismo”. Como se vê, Horowitz nos explica que muito do que acontece no cenário político tem a ver não com um duelo entre esquerda e direita, mas com melhores e piores usuários dos parâmetros da guerra política. E os esquerdistas (no Brasil, especialmente os mais radicais) desenvolveram essa arte primeiro. Embora tanto PSDB como PT sejam partidos de esquerda, o último domina a arte da guerra política de maneira muito, mas muito melhor.

[6] Um exemplo pôde ser visto no recente alinhamento de intelectuais de esquerda com o ditador do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Alinhamento este que é endossado pelo próprio PT. Entretanto, quando alguns skinheads se manifestaram a favor de Jair Bolsonaro em uma manifestação, isto foi usado pela esquerda marxista como uma evidência de que “a direita é nazista”. Detalhe: quem pede o extermínio de judeus é Ahmadinejad, muito mais que os ingênuos skinheads de periferia. Mas na guerra política, quem usa as conexões do adversário para capitalização política de forma mais eficiente, é quem ganha a batalha. E, mais uma vez, os petistas levaram vantagem. Uma lição a ser aprendida.

[7] Sim, eu já sei o que você deve estar pensando: “Foi daqui que o Luciano tirou a idéia do verbete ‘Sou liberal’, mapeado como rotina de controle de frame”. Sim, foi.

[8] Em seu livro “Bias”, Bernard Goldberg denunciou o extensivo uso do termo “ala da direita” pela mídia para se referir aos Republicanos, enquanto o termo “liberal” era usado para se referir aos Democratas. Entretanto, o que Horowitz denuncia aqui é que, mesmo que a mídia de esquerda faça isso (e isso não passa de estratégia política), alguns Republicanos também aceitam o rótulo, o que é uma ingenuidade sem igual. Se você ler os livros de Ann Coulter, normalmente uma excelente autora conservadora, bizarramente ela continua recaindo no erro político de chamar os seus oponentes de liberais, ao invés de esquerdistas.

[9] Como eu sempre afirmo, Lênin é muito mais importante do que parece para a esquerda, incluindo a esquerda norte-americana. Se vamos investigar a esquerda, é claro que temos que investigar Marx, Rousseau, Comte, etc. Mas sinto que há um “gap” e pouca investigação a respeito de Lênin. Por exemplo, Marx ainda não defendia o uso da mentira para atacar seus inimigos, mas Lênin foi o criador dessa lógica (adaptada de Maquiavel), apreendida por toda a esquerda mundial. Da minha parte, planejo ainda para este ano um estudo mais aprofundado da lógica de Lênin, seu discurso e suas orientações aos militantes, que explicam muito (mas muito mesmo) do por que os esquerdistas são tão desonestos.

[10] A lógica presente nesta constatação é a mesma que está na estratégia Guerra de Processos, mapeada neste blog. O processo tem vários efeitos, e um deles é o fato de que ao ser lançado, muitos que estão acompanhando as notícias entendem que ele já é um sintoma de que o objeto do processo é automaticamente culpado. Isso pode ser observado nos vários processos lançados contra a Igreja Católica. A maioria deles não vai dar em nada, mas a notícia mostrando “o lançamento de processos” já é um ganho político para o lado que está processando. Outro fator envolve o tempo no qual a parte processada gasta para se livrar destes processos, o que tem a ver com diminuição da habilidade de combate do oponente. Vamos a um exemplo. Em um debate público sobre a questão “homofobia”, sempre que querem os esquerdistas lançam processos contra um conservador – os exemplos de Silas Malafaia são mais que evidentes. Entretanto, os próprios cristãos poderiam lançar processos de volta acusando-os de “denunciação caluniosa”. Uma quantidade muito grande de processos será necessariamente noticiada pela imprensa. Um exemplo está nesta notícia que pesquei no blog do Cavaleiro do Templo: “MPF dá entrada em ação que permite a ‘cura’ de gays”. Enfim, uma ação judicial, mesmo que não dê em nada, já teve a divulgação em termos de notícia, e serve como um estímulo ao próprio grupo. Por exemplo, hoje em dia existem ações de grupos neo ateus querendo a retirada de símbolos religiosos de repartições públicas, o que poderia gerar ações judiciais em retorno dizendo que os cristãos estão sendo vítimas de preconceito religioso. O questionamento poderia ser: “Por que todos os símbolos podem, incluindo a bandeira gay, mas não os símbolos de uma religião?”. Quanto mais processos, melhor.  Esses processos, como já apontei, fazem com que o lado processado também gaste um tempo hercúleo tentando se livrar deles. Isto é a base do princípio 3, “Na guerra política, o agressor geralmente prevalece”.

[11] A forma pela qual Horowitz trata os esquerdistas, como pessoas que ajudam a retirar oportunidades dos desafortunados com suas iniciativas burocráticas, é muito inteligente. Agora falamos do princípio 4, “Posição é definida por medo e esperança”. É preciso dizer ao eleitorado que eles devem ter medo da eleição dos esquerdistas, pois a mera presença dessas pessoas no poder significa retirada de oportunidades dos pobres.

[12] É a sequência do que afirmei anteriormente. É essencial apontar os esquerdistas como “o inimigo” das pessoas oprimidas, do cidadão comum. Um exemplo é na questão do crime. Sempre que um menor comete um crime (e já tenha sido preso por algo similar), todos os crimes posteriores deste menor são de co-responsabilidade dos esquerdistas. É por causa do apoio ao crime, pelos esquerdistas, que muitos menores estão nas ruas podendo assaltar, matar e estuprar. E as vítimas pertencem ao povo.

Outro exemplo pode ser visto nas declarações mentirosas de neo ateus dizendo que “os ateus são mais inteligentes”, como se vê abaixo:

Eu não concordo com toda a resposta de Leonardo Bruno, pois o problema não está na ciência, mas no uso DETURPADO que neo ateus fazem da ciência. Mas ele está correto em denunciar os neo ateus como perigosos com suas idéias eugenistas, e a criação de memes de Internet usando essas citações dos neo ateus podem ter um efeito político que beneficie os religiosos. É só saber aproveitar.

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