A Arte da Guerra Política – IV – O que fazer

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Que passos devem ser dados para remodelar o Partido Republicano como uma potencial maioria eleitoral americana?

O primeiro seria parar de ficar reclamando que a vida é injusta. A mídia é escandalosamente tendenciosa contra os conservadores. Noventa por cento dos executivos da imprensa de Washington votaram em Clinton e sempre mostram como são capazes de distorcer as notícias em qualquer publicação para favorecê-lo. Os Republicanos precisam entender que essa é a realidade. Eles têm que parar de choramingar a respeito e, em seguida, direcionar suas mentes para a construção de estratégias políticas que estejam baseadas na realidade.

Se a mídia está contra você, você tem que superá-los e endereçar a comunicação diretamente ao povo americano [1]. Isso significa que cada grande iniciativa política deve ser acompanhada por uma campanha de mídia baseada em anúncios televisivos de trinta segundos. Estes podem ser pagos por grupos com ou sem fins lucrativos, mas são absolutamente necessários para criar uma base de opinião pública para as iniciativas das propostas conservadoras. Esta é a única maneira pela qual o campo será retomado pelos conservadores.

A proposta de Clinton para um plano de saúde nacional não foi derrotada pelos líderes Republicanos, mas por uma campanha de propaganda televisiva de 35 milhões de dólares na qual “Harry e Louise” explicavam para os americanos que os Clintons estavam querendo lhes retirar o médico da família. Esta foi uma demonstração exemplar de como as visões dos Republicanos podem alcançar o povo americano mesmo passando por cima da massificação engendrada pela mídia de esquerda. A idéia fracassada dos orfanatos de Newt Gingrich poderia ter sido ajudada (embora não muito) pela mudança da palavra “orfanato” para “centro de cuidados dos jovens”, como alguns sugeriram. Apenas uma campanha de cinquenta milhões de dólares na televisão explicando o quão iluminada e progressiva pode ser uma abordagem “Boys Town” causaria o efeito necessário.

Na política, temos que considerar os alvos como se fossem móveis. Você não pode lutar as guerras do ano passado e esperar vencer as guerras atuais – a não ser que seu oponente esteja adormecido ao leme. Ao remodelarem sua agenda incluindo nela dinamismo econômico, livre comércio, orçamentos equilibrados, reforma da previdência, atitudes duras contra o crime, e ainda mantendo suas preocupações que já trazem a assinatura Democrática com mulheres, crianças, minorias, os trabalhadores americanos, e os pobres, os Democratas de Clinton fizeram a festa e tornaram-se um adversário muito mais difícil. Qual deveria ser a resposta Republicana?

Atualmente, os Republicanos estão identificados com alíquota única, oposição aos aumentos no salário mínimo, oposição a mais dinheiro para educação, oposição a mais dinheiro para a saúde e pesquisas científicas. Se isto é combinado com uma oposição ao aborto, intolerância percebida com a minoria homossexual e uma fervorosa promoção da religião organizada, o perfil resultante dificilmente será a plataforma de um moderno partido da maioria. Tal partido não pode mais sequer vencer uma candidatura ao governo em um estado do Cinturão Bíblico como a Carolina do Sul! E tal partido perde o cargo de governador por vinte pontos em um estado no qual teria obrigação de vencer, como é o caso da Califórnia. Para vencer agora, os candidatos Republicanos devem fugir desta imagem criada em seu partido, assim como Democratas (até as “triangulações” de Clinton) fizeram. O Partido Republicano pode remodelar a si próprio como um partido da maioria focando nas seguintes cinco agendas:

I – Prevenção militar

Se a administração Clinton foi capaz de demonstrar algo, é que aos Democratas não pode ser confiada a segurança nacional. A evisceração do orçamento da defesa pelo governo, além de sua incapacidade para concluir uma defesa antimísseis, a erosão da credibilidade militar dos EUA, a dependência diplomática em relação a ONU e a OTAN, o multilateralismo, o acordo sobre o controle de armas, e outras fracassadas panacéias da esquerda são  reflexos de um pensamento político praticamente incurável [2]. Junte a isso tudo a solicitação de fundos ilegais da China comunista para campanhas Democratas, com enormes falhas de segurança permitidas pela administração Clinton, e ainda por cima com a transferência irresponsável de tecnologia a potenciais inimigos militares, particularmente a China.

Estes fatores fazem que segurança e defesa sejam uma óbvia questão central de uma campanha Republicana nacional. O mundo é um lugar mais perigoso, apesar e por causa das implementações de Clinton devastando as forças militares norte-americanas (as implementações de Clinton são quatro vezes maiores que as implementações combinadas dos últimos cinquenta anos, que incluíram a Guerra Fria). Como a presidência de Clinton nos demonstrou amplamente, os Democratas não tem o realismo focado necessário para lidar com ameaças à segurança nacional. Isso faz com que uma Casa Branca Republicana seja um imperativo nacional.

Mas lembre-se: você precisa de uma campanha de televisão de 50 milhões de dólares para transformar em realidade para os eleitores que o que é real na vida: crianças norte-americanas irão morrer e nossa civilização estará em jogo, se não melhorarmos o nosso aspecto militar, desenvolvermos uma defesa antimísseis, e defendermos agressivamente nossos interesses de segurança

II – Dando às minorias um direito de participar do sonho americano

Paternalismo de bem estar social, regulações, impostos e cotas, excessivo crime urbano, menores expectativas de desempenho, além de burocracias escolares que chegam a causar metástase no ensino estão oprimindo pessoas pobres, minorias, e crianças, eliminando todas suas oportunidades. As políticas e princípios dos Republicanos – menores impostos, padrões únicos, escolha escolar, ruas seguras, e responsabilidade individual fornecem os degraus necessários na escada do sucesso. Ao capacitarmos as minorias, pessoas pobres e trabalhadores americanos colocando o dinheiro da educação diretamente em suas mãos, seja através de bolsas de estudo ou vouchers escolares, este é o passo mais importante e significativo que os Republicanos podem dar para libertar o povo das correntes que os esquerdistas lhes colocaram. [3]

III – Prestação de contas e estabelecimento de padrões para os gastos do governo

Os Republicanos não são contra mais dinheiro para escolas. Eles são a favor de mais dinheiro para escolas e contra desperdiçar dinheiro nelas. Eles querem o dinheiro indo para a educação de crianças e não para que esta educação seja substituída por sistemas escolares fracassados, e muito menos que esse dinheiro sirva para forrar os bolsos de burocratas da educação. Se os Democratas propõem 100 bilhões de dólares para gastos escolares, os Republicanos deviam propor 150 bilhões de dólares – mas apenas para escolas que implementem um teste padronizado de professor (com a penalidade para não aprovação sendo a demissão), que exijam um aumento anual em testes de desempenho dos estudantes, que eliminem programas bilíngues que só fracassam na preparação de estudantes na língua inglesa, que ensinem fonética baseada em leitura, que não ensinem “nova matemática” e que exijam a expulsão de alunos indisciplinados.

Esta é a maneira de definir a agenda educacional Republicana (Clinton jamais poderia assinar tal proposta) [4]. Com isso, os Republicanos terão compreendido tanto o lado do senso comum como da compaixão envolvendo a questão.

IV – Crime

Esta é uma questão onde os esquerdistas não podem controlar a exposição da mídia, pois as estações locais devem reportar o crime para manter seus índices de audiência.

Na California, a esquerda lançou uma campanha contra a lei dos três crimes [5], pois o terceiro crime que levaria o criminoso a uma prisão perpétua poderia ser não violento [6]. Onde está o Partido Republicano? Por que não está alardeando que os americanos tem o direito de dizer que um criminoso violento está sob observação: se ele já cometeu um crime violento, outro crime violento vai mantê-lo fora de nossas ruas por toda a vida. Os Republicanos deviam estabelecer essas iniciativas eleitorais por todo o país, incluindo uma lei de dois crimes, caso ambos os crimes sejam violentos.

Criminosos que utilizam uma arma para cometer um crime deveriam automaticamente ter 10 anos adicionados a sua sentença. “Tempo difícil para o crime armado” [7]. Os Republicanos deviam apoiar os programas de exílio apoiados pela NRA para remover criminosos armados de comunidades obedientes a lei. A proteção de cidadãos que cumprem a lei contra ameaças de segurança em sua casa e ao redor é simplesmente a principal responsabilidade do governo.

V- Responsabilidade individual

Responsabilidade individual significa que indivíduos devem conseguir empregos e posições educacionais baseados no mérito, não por causa de raça ou gênero. É o princípio básico americano de não-discriminação e justiça para todos.

O Partido Democrata dá suporte a preferências raciais, assim como à política de segregacionistas anteriores ao Ato dos Direitos Civis. É tempo de colocar abaixo a discriminação estabelecida pelo governo de uma vez por todas;  é tempo de restaurar um padrão único para todos os americanos. Este é o princípio mais básico de uma cultura cívica multi-étnica.

O PARTIDO REPUBLICANO pode ser um partido da maioria, mas apenas se respeitar o senso comum do povo americano, se recuperar o otimismo de Reagan (“é manhã na América”), diversificar os rostos apresentados ao público eleitor, lembrar que a questão não envolve simplesmente o quanto você gasta mas sim como você gasta em atividades decisivas em relação ao voto, e jamais esquecer que o eleitorado americano é muito grande e (no que diz respeito à política) muito ruim ao escutar. Acima de tudo, os Republicanos precisam se lembrar de sua herança como o partido de Lincoln, do princípio, dos oprimidos, o partido do Sonho Americano.

David Horowitz

***

[1] Se há um cenário no qual as coisas estão melhores do que na época em que “A Arte da Guerra Política” foi escrito, este é o cenário da mídia alternativa, através da qual grupos conservadores tem feito sua voz ser ouvida – muito do sucesso do Tea Party se deve também à essa mídia alternativa.

[2] Há alguns tempos em mapeei a estratégia de esquerda “Ambição Global”. Isso significa que um esquerdista dificilmente pensa na proteção de seu país, mas na ampliação dos horizontes até a criação do que ele define por governo global. Naturalmente, essa preocupação está mais nos progressistas do que nos marxistas, mas toda a agenda humanista é baseada na busca do governo planetário, como já evidenciei aqui. Tecnicamente, por ser beneficiário, eu não vejo que Clinton acredite nessa besteira, e nem mesmo Obama. Mas eles precisam dar respostas aos seus funcionais, que constituem a base de seu eleitorado, e estem acreditam piamente em um governo global. Isso torna os Democratas incapazes de pensarem em termos de segurança nacional, pois, para que segurança nacional em um mundo global onde “todos são irmãos”? Mas, em termos de guerra política, muitas vezes os próprios Democratas se superam. Por exemplo, a recente morte de Osama Bin Laden, em 2011, por uma força militar norte-americana foi uma ação tipicamente Republicana, não Democrata, mas foi encabeçada por um presidente Democrata. Como isso pode ocorrer? Simplesmente, Obama agiu contra seu coração (e seu partido), mas a favor de uma tentativa de reeleição.

[3] A abordagem de Horowitz aqui é impecável. Ele simplesmente pega o uso da expressão “libertar”, usada pelos esquerdistas (que se auto-denominam “liberais”), e usa contra eles, definindo a ação que apoia como algo que vai “libertar o povo das correntes que os esquerdistas lhes colocaram”. Só posso dizer: aprendam com o Horowitz.

[4] Esta seria uma jogada de mestre, pois os Democratas são reféns do Sindicato dos Professores, que por causa deste alinhamento, garantem muita doutrinação escolar em doutrinas esquerdistas. A proposta Republicana iria atacar o núcleo da força dos Democratas, e obviamente estes não poderiam recuar. Aliás, creio que vocês já notaram que algo semelhante ocorre no Brasil, certo? Temos todos os componentes aqui: sindicatos alinhados ao governo, escolas em “quantidade” mas nenhuma qualidade, doutrinação escolar em esquerdismo, etc.

[5] Como sempre, é claro, esquerdistas odeiam leis como essa. Um site de juristas do Brasil, neste caso contaminado pela mente esquerdista, publicou o seguinte texto: “Por todo o exposto, sem ter a menor pretensão de se esgotar o tema, entende-se que as leis denominadas “Three Strikes Laws” apresentam inúmeras desvantagens, tais como: 1) condenação de réus que cometeram crimes não violentos por períodos, muitas vezes, superior aos de réus que cometeram crimes violentos; 2) aumento explosivo da população carcerária e, conseqüentemente, do custo de manutenção dos presos; 3) incentivo ao uso da violência na prática da terceira infração penal, uma vez que ela será praticamente irrelevante no cálculo da pena, ao se considerar que a terceira condenação do réu garante a prisão perpétua, seja pela prática de invasão de domicílio ou homicídio; 4) violação dos direitos humanos, em especial, dos princípios da vedação das penas cruéis, individualização da pena e dignidade da pessoa humana; e 5) não há comprovação estatística de que as “Three Strikes Laws”causam, de fato, a redução da criminalidade e da reincidência.”

Todos os pontos, de 1 a 5, são facilmente refutáveis. Vamos lá: (1) A “Three Strikes Law” é baseada em três crimes sérios (e a maioria destes são crimes violentos), portanto a idéia de que “réus que cometeram crimes não violentos” podem ter pena superior ao de “réus que cometeram crimes violentos” é uma bobagem sem fim. O que importa, no caso, é se são 3 crimes sérios ou não. (2) O aumento explosivo da população carcerária é irrelevante, pois a pessoa que ficar presa pela “Three Strikes Law”, poderia ir presa 1, 2 ou até mais anos depois por mais crimes, ou seja, isso não causaria aumento significativo de presidiários, apenas retardaria um pouco mais a presença do bandido violento por lá, dando o direito dele cometer mais crimes violentos. (3) Aqui o sujeito diz que haveria um “incentivo” ao uso da violência na prática da terceira infração, mas a idéia é justamente a oposta. É estabelecer uma punição forte para que isso evite a prática da terceira infração. De onde o esquerdista tirou essa idéia eu não sei. (4) Se há “violação dos direitos humanos” no caso de mandar um criminoso que cometeu três crimes sérios para pena perpétua, há muito mais violação em manter um criminoso violento nas ruas matando pessoas inocentes. Como sempre, para esquerdistas, Direitos Humanos só para bandidos. (5) É dito que “não há comprovação estatística de […] redução da criminalidade e da reincidência”. Bem, é tecnicamente impossível que alguém encarcerado por toda a vida consiga cometer um novo crime, a não ser que fuja da prisão. Como se nota, lógica não é o forte da esquerda.

O que importa (e o motivo pelo qual eu quis citar este texto aqui) é mostrar que esquerdista é igual em todo lugar, seja na China, na Tunísia, no Brasil ou nos Estados Unidos.

[6] Ué, mesmo que o terceiro crime não fosse violento, ainda poderia ser um crime grave. A justificativa esquerdista para ser contra essa lei é bem ruinzinha.

[7] A tradução não ficou essas maravilhas, mas foi o melhor que deu para fazer. No original é “Hard time for armed crime”.

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