Qual o papel (de fato) dos neo ateus como atores da esquerda na guerra política?

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Ao estudarmos a guerra política, sabemos que a esquerda hoje em dia é o lado que melhor a empreende, tanto no Brasil como nos Estados Unidos. A direita agora está aprendendo aos poucos o que significa participar desta guerra. Mas o caminho ainda é longo.

Este blog começou há uns 3 anos denunciando o movimento neo ateu, e poucos meses depois ampliou seu leque de desmascaramento para denunciar toda a esquerda (da qual o neo ateísmo é apenas uma pequena parte). Hoje em dia, utilizo o ceticismo político e a dinâmica social como ferramentas para, através de um ceticismo implacável, desnudar todas as fraudes cometidas pela religião política, definição que pode ser utilizada com justiça para todo o sistema da esquerda.

Desde o início, o aprendizado contínuo de como funcionam as rotinas dos esquerdistas, assim como a leitura de seus melhores estrategistas, como Lenin, Gramsci e Alinsky, ampliou o paradigma de análise, no qual conseguimos facilmente descobrir os papéis dos diversos cães de guerra da esquerda na guerra política, como já falei no texto Os cães de guerra da esquerda.

Mas ainda temos um enigma: se na guerra política, os líderes esquerdistas precisam misturar um diálogo no qual propõem paz e esperança juntamente com a denúncia aos oponentes, por que os neo ateus utilizam unicamente a veia do ataque fraudulento, recheado de discurso de ódio? Tecnicamente, não há diferença entre o anti-semitismo que antecedeu o Holocausto com o discurso neo ateu, diga-se, de passagem. Isso traria um problema teórico, pois o comportamento neo ateu ao que parece não segue os ditames da guerra politica, certo? Errado. O fato é que na guerra política os beneficiários centrais não podem fazer o “trabalho sujo”. Pelo contrário, eles precisam aparecer nas câmeras de televisão como pessoas compassivas e que lutam por justiça. Mas nada impede que outros façam o trabalho sujo por eles.

A agenda esquerdista tem muitos pontos em conflito com os conservadores, especialmente os conservadores religiosos, e por isso é preciso de um grupo que se suje de lama o suficiente e baixe o nível do debate, criando a maior quantidade de fraudes quanto possível, para criar um sentimento público (em ateus militantes) de ódio profundo contra a religião tradicional. Esse ódio profundo, assim com foi feito na campanha anti-semita na Alemanha, é o combustível que dará aos neo ateus motivação para lutar.

Mas observe os políticos de esquerda que se beneficiam dessa cultura de ódio criada pelos neo ateus. Eles JAMAIS utilizarão o discurso de ódio. Ao contrário, aparecerão nas câmeras de TV como bons moços que lutam “pelo estado laico”, e nada mais que isso. Vão capitalizar politicamente, conseguirão apoiar leis que beneficiem o gayzismo, em total oposição ao que os conservadores religiosos querem, mas ainda assim não dirão em público que “a religião é o maior mal da humanidade”. Esse é o “trabalho sujo” a ser feito pelos neo ateus. De preferência, sem dar a aparência de ser feito pelos beneficiários.

Alguns poderiam perguntar: “Nesse contexto, até Daniel Fraga, que é de direita, estaria fazendo o ‘trabalho sujo’ da esquerda?”. Sim, claro que sim. Mas é para isso que os idiotas úteis servem, para lutar por uma causa que jamais lhes beneficiará. O benefício, como sempre, cai nas mãos do beneficiário, com os resultados das idéias defendidas pelo funcional sempre sendo muito diferente daquilo que ele planejou.

Claro que não cometerei o exagero de dizer que Richard Dawkins e Sam Harris são ingenuos. Na função de arquitetos do discurso neo ateísta, obviamente em termos políticos, mesmo quando ambos morrerem, os donos do poder irão garantir um futuro polpudo para os seus filhos.

Recentemente, por exemplo, vimos que a CUT prometeu ir às ruas para defender os réus do Mensalão. Assim como os neo ateus, este é um outro grupo funcional (mesmo que inclua alguns beneficiários na liderança), que sai para fazer o “trabalho sujo”, para que os donos do poder saiam beneficiados. O padrão é exatamente o mesmo.

Nesses dois casos, é bom ressaltar que temos envolvidos tanto beneficiários como funcionais. Vagner Freitas, presidente da CUT, tanto quanto Dawkins e Harris, faz parte do seleto grupo de pessoas que se beneficiam sendo “amigos do poder”, e portanto podem estar envolvidos nessa por ingenuidade mas também por esperteza, e podemos apostar com segurança na última opção. Já os seguidores da CUT e dos neo ateus, estes sim, estão sendo massa de manobra em torno de idéias que obviamente jamais terão os efeitos planejados por eles.

No caso, enquanto os militantes neo ateus parecem acreditar que estão construndo um “mundo laico, e de ciência”, na verdade estão cada vez mais ignorando o método científico e ajudando a criar um panorama de ódio aos religiosos que é similar ao ódio aos judeus criado pelos nazistas nas décadas que antecederam o Holocausto – no caso, estão fazendo isso com mais facilidade pelo fato de que, por serem ateus, estão se associando a uma “minoria”, e portanto adquirindo licença para atacar sem sofrer nenhuma consequência. Isso pode ser notório no exemplo das recentes fraudes (veja aqui e aqui) que publiquei, feitas pelos neo ateus da ATEA.

Mas não se deixe enganar. Não é pelo fato de serem massas de manobra, ingênuos e meramente cordeirinhos que seguem pastores que estamos diante de pessoas que não devem ser contra-atacadas, muito pelo contrário. Essa própria características deles, de “seguidores de um ideal”, aliado à total falta de escrúpulos que possuem, os tornam pessoas perigosíssimas, que devem ser combatidas, ridicularizadas, processadas judicialmente (quando cabível) e depois lançadas à rejeição social. (Notem que defendo isso em relação aos neo ateus, e não aos ateus, obviamente, até por que sou um deles)

Então, vamos aos fatos. Na guerra política, é realmente o ideal aparentar ser compassivo enquanto se ataca os oponentes. Entretanto, é preciso de um grupo específico de pessoas que contra-ataquem os neo ateus, de maneira especializada nesta ação. Isso por que é preciso neutralizar um grupo de pessoas que serve apenas para fazer o “trabalho sujo” dos esquerdistas, e portanto não possuem freios no momento de apelar aos expedientes mais baixos. Por esta características dos neo ateus, alguns dos princípios da guerra política devem ser repriorizados.

Em uma disputa eleitoral, por exemplo, provavelmente iríamos priorizar o princípio 6 (“Se posicionar do lado do povo”). Só que neste caso, como lidamos com um grupo que resolveu fazer briga de lama, temos que usar em especial o princípio 3 (“Na guerra política, o agressor geralmente prevalece”).

Isso significa aproveitar cada e menor oportunidade para implementar um rótulo pejorativo aos neo ateus, demonstrar suas mentiras (e ser enfático ao expor que eles são mentirosos), mostrar o risco social que eles significam (não tenha medo de compará-los aos anti-semitas do prenúncio do Holocausto, pois eles assumiram publicamente que irão gerar o mesmo tipo de ódio contra todos os religiosos) e, enfim, criar uma base de conhecimento pública, para todos os que não compartilhem dos neo ateus, que permita que todos consigam saber que, quando virem um neo ateu pela frente, estão diante de alguém nocivo em termos sociais. Alguém para quem se pode apontar o dedo e sentenciar: “culpado”.

Enfim, o que deve ser feito é entender que o papel deles é irem para lutar na lama, e com isso deixar que a sujeira respingue em seus oponentes. Mas se recusar a lutar é inaceitável, portanto, se o outro lado tem o objetivo de fazer sujeira, a sua missão (caso você adentre à guerra política) passa a ser outra. A de botar o pé na cabeça deles e deixá-los enfiado na lama até o pescoço.

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2 COMMENTS

  1. Olá, Luciano, tudo bem? Eu criei uma página no facebook recentemente com o título Neo Ateísmo Exposto basicamente para rebater as publicações da ATEA, que diga-se de passagem exploram a ignorância das pessoas. Eu gostaria de fazer uso dos seus posts, publicando-os na página. Tudo bem? Eu colo o link diretamente da sua página.

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