Técnica de propaganda: Self-selling pessoal

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Última atualização: 14 de julho de 2010 – [Índice de Técnicas][Página Principal]

Self-selling é um termo usado para definir alguém que “se vende” (em termos de imagem). Curiosamente, este ato tornou-se uma mania obsessiva de alguns neo ateus em debate. Grande parte do tempo ele está “se vendendo”.

Esse termo é comumente utilizado no mercado para definir, por exemplo, quando uma atendente de eventos diz ser bilíngue, simpática e extrovertida. O cliente pensa: “Uau! É quem precisamos para ficar em nosso stand nos eventos comerciais”.

Mas será que ela é mesmo assim? Para isso, precisamos checá-la, e por isso fazemos uma entrevista em inglês com ela. Também podemos colocá-la em contato com outras pessoas e obter uma avaliação externa. Será que ela realmente comprova ser simpática, extrovertida e bilíngue?

Note o que é importantíssimo: qualquer atitude de self-selling é uma ALEGAÇÃO, e como tal deve ser colocada sob escrutínio cético.

No debate é exatamente a mesma coisa.

Vamos ver uma definição mais aprofundada de self-selling:

Self-selling é o ato de promover sua habilidade diante dos outros, de forma a obter algum tipo de vantagem de sua popularidade. É um ato de aumentar o valor de si próprio perante os outros, de forma que sua “marca” seja valorizada. É diferente da promoção de um produto, pois é uma promoção de si próprio. O ato de dizer “esse carro é o melhor” não é self-selling, mas dizer “eu sou o melhor vendedor” sim. Quando uma prostituta diz “eu faço tudo”, é um self-selling. Naturalmente, o ato de self-selling em si não configura a validação das qualidades promovidas, pois alguns podem mentir durante este ato. Neste caso, seria a propaganda enganosa de si próprio.

Como mostrado anteriormente (na série “Desvendando a Ilusão do Neo Ateísmo”, na parte 7), grande parte dos leitores de Dawkins e Sagan sofrem altas cargas de auto-ajuda, e portanto podem acreditar que possuem algumas qualidades que eles realmente não possuem. O uso destas “qualidades alegadas” em debates pode ser um mecanismo psicológico, que iluda a outra parte. Mas se os questionarmos, podemos aos poucos descobrir se as qualidades que o neo ateu atribui a si próprio são verdadeiras, ou se o “self-selling” dele foi mentiroso.

Mostrei tempos atrás o exemplo de um debate em que o neo ateu Matt Dilahunty ganhou de seu interlocutor somente por que usou o self-selling e o teísta que estava na linha não percebeu.

Era só questionar o self-selling (Dillahunty disse: “a diferença minha é que olho para as evidências, e você não”). Bastaria ter feito esse desafio aqui para ver se a alegação dele é válida ou não. (Até agora nenhum neo ateu passou pelo desafio)

Há dois tipos de self-selling, e novamente as categorias são as mesmas utilizadas no mercado corporativo: self-selling pessoal e comparativo.

O self-selling individual se baseia unicamente em tentar vender ao outro suas qualidades pessoais, com este “vendedor” olhando para si próprio. Logo, ele diz: “Eu sou racional”, “Eu só aceito evidências”, “Eu só chego à conclusões pela razão”, “Eu só aceito o método científico”, “Eu represento a ciência”. Veja que em todos estes exemplos ele não está olhando para os outros, mas para si próprio.

O self-selling comparativo é focado em comparar o “vendedor” com os outros. Vejamos as alegações: “A diferença entre eu e o religioso, é que ele não muda de opinião contra os fatos, e eu sim”, “A diferença entre minha fé e do religioso é que a dele não exige evidências, a minha fé exige evidências”, “Eu estou do lado da razão, e você não”, “Eu sou alguém que é capaz de ter dúvidas, o religioso não é”, “Eu sou diferenciado por que cheguei às conclusões através da busca do conhecimento, ao contrário do religioso”. Aqui, portanto, ele executa sempre uma comparação, colocando geralmente dois atributos, um para si próprio e o outro para o religioso. E, naturalmente, ele vai dizer que é melhor, como em qualquer ato de self-selling.

Como se nota, muitos neo ateus aparentam arrogantes em discurso quando na verdade estão apenas fazendo o truque de self-selling.

Todo leitor de auto-ajuda aprende a fazer self-selling, mas isso não passa, novamente, de truque psicológico.

Eu não estou dizendo que o self-selling em si seja desonesto. Conheço um amigo que diz: “Eu tenho 12 certificações em TI”. E ele tem mesmo! Ele escaneou todas elas e colocou-as em seu website. Logo, nem todo self-selling é falso.

Mas, em debates, quando questionamos os neo ateus, dificilmente o self-selling sobrevive à investigação. Neste caso, é um self-selling mentiroso.

Todos os atos de self-selling devem ser submetidos ao questionamento, pois são ALEGAÇÕES, em que alguém tenta vender ao público a idéia de que ele é melhor.

Deixar o self-selling sem questionamento é pedir para perder um debate.

Questionar é a melhor forma de obrigá-los a se focarem nos argumentos e deixarem o self-selling de lado.

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4 COMMENTS

      • Conheci este blog a pouco tempo e estou gostando muito.
        Os ateus militantes gostam de dizer que religião é sinônimo de atraso científico. Mas “esquecem” que foram os religiosos (e não os ateus) quem lançaram as bases da astronomia, medicina, artes, agricultura, arquitetura e etc. Eles apontaram seus rudimentares instrumentos para o infinito procurando sinais dos deuses e encontraram a astronomina; procuravam o “néctar dos deuses” (e coisas do tipo) nas flores e plantas descobrindo então a medicina natural, precursora da moderna medicina; para reverenciarem Deus/deuses, criaram os magníficos templos e desenvolveram a escrita e a matemática, estimulando a arquitetura… Os primeiro livros impressos no mundo foram o Jikji (budistas coreanos) e a Bíblia de Gutenberg… Enfim a lista de contribuições da religião para a ciência é muito extensa.
        Mas os ateus, que tando criticam a religião, não produziram quase nada de bom para a ciência quando dominaram metade do mundo em um passado não muito distante.

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