Por que a dinâmica social na guerra política é tão importante para o predomínio da verdade

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Uma pergunta: você se importa com a verdade? Não precisa me responder. Responda a si próprio. Até por que de acordo com o meu paradigma de ceticismo político, se alguém diz que está “do lado da verdade” ou ao menos é um “buscador da verdade”, automaticamente se torna um alegador sob investigação.

Se você respondeu (a si próprio) positivamente, agora tenho outra pergunta: você se importa com que a verdade predomine sobre uma mentira? Um exemplo pode ser o de ver um grupo acusado injustamente de ser o responsável pela “crise econômica”, e portanto está para ter todos seus membros deportados do país. Caso eles sejam de fato inocentes e morram na cadeia, a mentira terá vencido, mas se forem inocentados, ao menos nesse caso, a verdade terá prevalecido.

Logo, existem duas situações acima. Alguém poderá se importar com a verdade, mas não dar a mínima para  ela vencer uma mentira, assim como poderá se importar com o fato de que a verdade suplante a mentira.

Vamos agora ao terceiro passo. Supondo que você tenha respondido positivamente às duas questões anteriores, há uma nova: você agiria de forma a ajudar que a verdade prevaleça sobre a mentira? Por exemplo, ao ver alguém mentindo no jogo político dizer, para a platéia, que ele é um mentiroso, e forma a neutralizar o efeito da mentira. Essa é uma forma de ação.

Enfim, se você respondeu afirmativamente às três questões, temos uma situação em que você não apenas se importa com a verdade, mas quer que ela predomine sobre a mentira e ainda faria algo em prol disto.

Mas, ainda assim, os esquerdistas estão ganhando de lavada na guerra política, pois usam a mentira em enorme quantidade e ainda assim saem incólumes, pois aprenderam há muito tempo a jogar o jogo político. Se não usam metodologias como a dinâmica social (ou talvez até a utilizem), ao menos utilizam outras, como desconstrucionismo, historicismo absoluto e inversão de significados (como Chomsky ensinou), que estão fazendo com que eles levem vantagem. Recentemente, descobri o material de Saul Alinsky, que fornece uma cartilha para uma ação política da esquerda – algo como um Maquiavel da esquerda. Alinsky foi guru de vários esquerdistas radicais americanos, incluindo Hillary Clinton e Barack Obama.

Quer dizer, do outro lado temos pessoas que estão mentindo o tempo todo e usam técnicas para isso, e deste lado, mesmo que se importem com a verdade, isso não está sendo muito útil, pois as técnicas do outro lado estão prevalecendo. Em resumo, mesmo que os conservadores se importem em divulgar argumentos verdadeiros, isso não fará muita diferença, pois o frame está sendo controlado pela esquerda, devido ao uso extensivo de estratégias, técnicas, rotinas e metodologias para vencerem o jogo político. Se o argumento nosso vence o deles, isso ainda não significa muito em termos políticos.

Quando apresentei a proposta de usar a dinâmica social para entendermos o que está acontecendo em nossa comunicação com eles (e deles conosco), isso pode ter parecido um tanto polêmico, pois significaria, de uma vez por todas, a vacuidade da política, e, como isso não fosse suficiente, de quase toda filosofia pós-iluminista.

Foi quando alguns puristas me disseram que preferiam não participar do jogo político, ficando em paz apenas com sua consciência, sabendo que seus argumentos eram verdadeiros. Este é o tipo de perfil que posso dizer que, mesmo se preocupando com a verdade, não parece se importar em que ela prevaleça. E, mesmo que se importe, por causa de sua decisão anterior, naturalmente não fará nada para essa verdade suplantar a mentira do outro lado.

O que quero dizer aqui é que a dinâmica social, antes de nos tornar hedonistas e pessoas cujos “meios justificam os fins”, nos dá uma chance de fazemos alguma coisa em prol do que tomamos por verdadeiro. Por sua vez, ao renegarmos metodologias que nos permitam jogar o jogo político, a constatação impiedosa e inexorável é que, mesmo que você acredite na verdade, não estará fazendo nada em prol dela. E inclusive chega a aparentar que não se importa.

Hoje em dia, o debate filosófico padrão pode até significar uma exposição de argumentos, mas ultimamente pouco tem servido para fazer a verdade de um lado prevalecer sobre a mentira do outro. Pode até ser um discurso que alivie a consciência dos envolvidos, e não se pode esperar mais do que isso do debate em que os aspectos políticos são ignorados.

Já a prática da dinâmica social permite que um grupo dizendo mentiras (usando as devidas técnicas) sobressaia sobre um grupo que está falando a verdade. Portanto, sem riscos de eu soar repetitivo, ressalto que a lógica desse cenário não permite dupla interpretação: sendo assim, a recusa de atuar de acordo com as regras do jogo, faz com que alguém, mesmo que se importe com a verdade, seja tecnicamente igual a alguém que não se importa tanto ou pelo menos não faz nada para que a verdade prevaleça. Mas, se o outro lado joga o jogo, somente ao entrar em campo, de acordo com as regras do jogo político, você poderá enfim fazer sua verdade superar a mentira do outro.

Com tudo isso, a dinâmica social como norteador da guerra política não é uma ferramenta para manipulação da verdade. Pelo contrário, é uma forma eficientíssima de termos alguma chance de fazer a verdade prevalecer sobre a mentira.

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2 COMMENTS

  1. O grande problema que vejo é que poucas pessoas conhecem a Dinâmica Social,Sejam elas de direita e que estão dentro da guerra politica,ou seja a platéia que acompanha um debate.
    Eu mesmo,por exemplo,não conhecia a Dinâmica Social antes de conhecer o blog,a mais ou menos 3 meses.
    Aí fica difícil de pô-la em pratica num debate como investigador de alegações,pois ao meu ver,é preciso entender bem o que realmente é a Dinâmica Social(o que eu ainda estou aprendendo,e tudo o que sei é o que está neste blog).E na minha opinião,poucas pessoas sabem da Dinâmica Social e que ela pode ser aplicada na guerra politica.

    • Exato, VetMid, e é por isso que faço este trabalho aqui. Para divulgar a dinâmica social. Meu objetivo é preencher uma lacuna que vejo hoje na atuação conservadora em debates políticos. Mesmo com melhores argumentos, os conservadores não conseguem ganhar o debate. Na tentativa de solucionar este enigma, pesquisei vários autores e, sem querer parecer presunçoso, creio ter encontrado a resposta.

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