Investigando os “céticos do paranormal”, que se auto-declaram como “céticos universais”

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Tempos atrás, este blog desvendou o erro cognitivo, que perdura por três séculos, relativo ao uso equivocado do termo ceticismo. Fundamental para clarear esta abordagem foi o texto “Os Fazedores e os Checadores OU A Origem da Rotina Cético Universal”.

Eis que recentemente recebi um link comprovando minha teoria por completo. O fato é que o blog Ceticismo Aberto fez um concurso  para sortear o livro “Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas?”, de Michael Shermer, e apresentou os ganhadores. São 5:

  • Vitor Moura, Rio de Janeiro
  • Talita Nieps, São Paulo
  • Renato Uchôa Brandão, Tocantins
  • Patrícia Bueno, São Paulo
  • Ricardo Ferro, Bahia

Conforme previsto, todos eles (100% da amostra) apresentaram suas declarações de ceticismo não a alegações eco-terroristas, defesas da ditadura do proletariado ou mesmo a promoção do governo global, mas somente a declarações que envolvem alegações de médiuns, tentativas de se provar o paranormal ou discursos de pastores.

O que deduzimos disso? É que na verdade temos pessoas que são “céticos do paranormal”, mas querem convencer a platéia de que são “céticos universais”, ou seja, julgadores imparciais de tudo.

Além desses cinco, outros tantos (mais de uma dezena) postaram seus comentários no site, usando o mesmo tipo de declaração, demonstrando ceticismo em relação ao sobrenatural e ao paranormal, e entitulando isso de “o ceticismo”.

Antes que eu chame todos de desonestos intelectualmente, para não fazê-lo terei que evocar a tese da cadelinha manca, que explica que provavelmente eles receberam afagos em sua estadia nas redes sociais sempre que tem usado o truque do “cético universal”. Quer dizer, ou eles são viciados em usar um rótulo (“cético universal”) que nada tem a ver com a realidade, de acordo com a tese da cadelinha manca, ou são desonestos intelectuais praticantes de fraudes retóricas.

A melhor forma de desafiar essas pessoas é exigir evidências de que são, de fato, céticos universais. E a melhor tática para fazê-lo é exigir uma RELAÇÃO de atos de ceticismo cometidos por eles nas redes sociais. Você pode pegar qualquer um dos cinco da lista e perguntar: “Me mostre cenários onde você comprovadamente tenha executado ações de questionamento cético!”.

A resposta provavelmente vai incluir, no caso dos fraudadores (ou iludidos), uma lista de questionamentos que eles fizeram em relação ao paranormal e ao sobrenatural. No que você pode questionar em retorno: “Mas é só isso que você questiona? Em relação a ONU, algum questionamento? Em relação ao humanismo, nenhum questionamento também?”.

Esse teste irá revelar, de forma letal, que o tal “ceticismo universal”, rótulo ao qual eles se apegam apaixonadamente (junto com o uso da rotina auto cético), não passa de um truque para enganar os outros, ou para propagar falhas cognitivas. Que pessoas dediquem suas vidas a mentir, é algo que já não me surpreende mais. Sempre lembrando que o caso da “cadelinha manca” explica que alguns talvez não estejam mentindo, mas apenas equivocados, e mesmo assim repitam o discurso somente pelo “afago” que recebam.

Se algum deles ficar surpreso, durante o questionamento, explique a ele, pacientemente, que ceticismo não é apenas “questionamento ao paranormal e ao sobrenatural”, mas a quaisquer coisas, e que não adianta ele ser cético em relação a espíritos, mas ser crédulo em relação ao governo global, por exemplo. Para tornar tudo mais caótico para a mente do alegador do “ceticismo universal”, apresente o caso de Paul Kurtz, que se declara líder dos céticos, mas é um crente retinto no governo global.

Após a explicação, se o alegador continuar com a rotina “cético universal”, a partir daí chame-o de safado, fraudulento e intelectualmente desonesto, pois o outro já saberá que está praticando uma fraude. Antes disso, por questão de caridade, a boa educação convém chamá-lo de enganado.

Faça o teste e divirta-se.

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2 COMMENTS

  1. Semi-OT:

    Deixando para mais tarde espinafrações maiores aos “céticos profissionais” 😛 , o erro número zero deles é concluir que no campo do (assim-chamado) paranormal, “tudo é fraude, porque existem muitas fraudes nesse campo” >_<

    Já que a página "Criticando o pseudoceticismo" foi finalmente varrida do mapa, há algumas semanas coloquei um link mais-que-apropriado nas minhas iniciais 😉

  2. Mas também tem um ponto. Eu não os defino como “céticos profissionais”, pois isso lhes daria o rótulo de céticos universais, são “céticos anti-paranormal”, que não só podem como devem ser questionados. Eu não tenho crenças no sobrenatural, mas é óbvio que muitos desses “céticos anti-sobrenatural” possuem agenda política, pois são humanistas travestidos de “céticos universais”.

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