Técnica: Self-selling grupal

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Última atualização: 05 de agosto de 2010 – [Índice de Técnicas][Página Principal]

O self selling pessoal é uma técnica que fala da auto-promoção feita pela pessoa. Quando um ateu diz que é “mais racional’, ele não comprova que é mais racional, mas sim que ele tenta se vender ao próximo como “mais racional”. Entretanto, o julgamento da sua racionalidade deverá ser feito na investigação de tudo que ele declarar.

O self-selling grupal é praticamente a mesma coisa, com a diferença que a auto-promoção é lançada ao grupo a que se pertence, seja um grupo corporativo, ideológico ou o que valha.

Imagine uma área de Controle de Faturas de uma empresa, que adicione em seu lema a idéia de “máxima qualidade no processamento de faturas”. Logo, por isso não é preciso que auditorias sejam realizadas nesta área.

Na verdade, a “máxima qualidade” é uma promessa, portanto, uma alegação, ao passo que o comportamento nem sempre traduz a alegação. Muitas vezes pode até ser o oposto.

Em um exemplo, suponhamos que eu crie 3 sistemas filosóficos: bonismo, justicismo e acertismo. No primeiro, todas as decisões devem ser tomadas por que são boas, ao passo que no segundo as decisões devem ser tomadas por serem justas. No acertismo, as decisões são tomadas por serem acertadas, pois seria um terceiro sistema baseado nos dois outros.

Pronto! Está resolvido o problema? Basta eu dizer que sou acertista, bonista e justicista? Claro que não.

Esse tipo de truque (o de inserir tons automaticamente elogiosos em lemas embutidos na doutrina) é a já manjada mania de realizar o apelo à autoridade, com a criação de um “label” que automaticamente seria gravado na mente popular, para evitar que este grupo seja julgado.

Ideologias como iluminismo, brights e outras também utilizam-se dos mesmos recursos. No caso dos iluministas, diz-se que os membros da ideologia são “iluminados”, portanto representam a sabedoria. No caso dos “brights”, seriam “brilhantes”, portando novamente tentam usar o rótulo para advogar em causa própria. Algo como “eu sou uma pessoa boa, pois minha filosofia diz que tenho que ser bom, portanto não posso fazer alguma coisa má”.

Recentemente, no caso do humanismo secular, vi um deles alegar que não poderia ser “a favor da ditadura”, pois o humanismo secular “defende liberdade”. Quer dizer, todo mundo diz que defende liberdade, logo…

Em todos os casos, naturalmente, basta simplesmente mostrar que a auto-atribuição de um rótulo não significa a comprovação de posse deste atributo.

Assim como no self-selling individual, o self-selling grupal pode ser usado de forma comparativa. Neste último caso, o grupo a que se pertence é aquele que receberá os atributos elogiosos e o grupo oposto receberá os atributos pejorativos.

Exemplos:

  • Nós, comunistas, somos da igualdade, ele, um capitalista, é a favor da desigualdade
  • Nós, comunistas, somos a favor da justiça, ele, um capitalista, é a favor da injustiça
  • Nós, humanistas seculares, somos a favor da liberdade, portanto, ele, um obscuro medieval, é a favor da prisão
  • Nós, neo ateus, somos a favor da ciência, portanto ele, um religioso, é a favor do fim da ciência

E sempre na mesma toada, como sempre focado em obter apelo à autoridade.

O importante é observar o comportamento da outra parte, e mostrar que o auto-julgamento é irrelevante como argumento.

Aliás, essa é a essência básica do ceticismo: eliminar o apelo à autoridade.

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2 COMMENTS

  1. Mats,

    Tem algum tempo que eu quero te fazer uma pergunta. Acompanhei aquele seu debate com o MallMal (Malleu Maleficarum) sobre a imperfeição do DI (salvo engano era o tal nervo laríngeo recorrente.

    Acontece que ele fez um post prometendo uma resposta e até hj, incrivelmente nada!

    Sabes se alguma coisa decorreu?

    Achei um tanto estranha a situação e tenho voltado lá com alguma regularidade pra encontrar a tal resposta e ele nao postou mais.

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