Como o ceticismo político não deixa passar erros em supostas análises sobre o ceticismo

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Depois de refutar dois posts cheios de delírios de Bruno Almeida, até que achei algo interessante a ser comentado por lá. Está no post “Pseudoceticismo: Introdução”, que aparentemente começa bem intencionado mas termina resvalando em alguns erros primários que não passam incólumes diante do ceticismo político (embora talvez passassem desapercebidos pelo ceticismo tradicional).

Observe o erro abaixo:

E como identificar um pseudocético? Simples, basta perguntar à pessoa como ela chegou à brilhante conclusão à qual ela chegou supostamente usando o ceticismo. A pessoa deve provar que partiu de uma dúvida e que as observações dela mostraram que faz mais sentido crer naquilo que ela alega. Se não conseguir montar este passo-a-passo então o alegado cético é pseudocético. Mas caso consiga, daí devemos partir para a análise dos argumentos, que poderão até estar errados, mas que pelo menos terão sido proferidos por alguém cético.

A fórmula, aparentemente correta quanto vista de relance, recai em um erro que a implode por completo, pois quando se pergunta a alguém como esta pessoa chegou a uma conclusão a respeito de um dado assunto, não estamos testando o ceticismo desta pessoa em um nível mais abrangente, mas apenas o ceticismo dela concernente a um assunto específico.

Por exemplo, suponha que Marcelo afirme duvidar que a Regina tenha matado a Catarina. Caso você questione ao Marcelo como ele chegou a essa conclusão, e ele apenas afirmasse duvidar veementemente do crime cometido por Regina, teríamos, sob a definição do blog do Mensalão, um pseudocético. Mas se Marcelo demonstrasse que partiu de uma dúvida e que as observações e os fatos mostraram ser mais racional duvidar do crime pelas mãos da Regina, então ele seria um cético.

Enfim, uma fórmula aparentemente fácil e que resolveria os problemas para sabermos se alguém é cético ou pseudo-cético, certo? Erradíssimo, pois esta aplicação acima somente testaria a credulidade e/ou ceticismo de Marcelo na questão específica do suposto crime de Regina contra Catarina, mas não faria nada a respeito de todo um universo de possibilidades de crenças que Marcelo poderia possuir.

Em termos mais simples, suponha que Marcelo tenha passado no teste de ceticismo no caso “suspeita do crime de Regina”, mas fracassado retumbantemente em outros testes de ceticismo como, por exemplo, definir uma proposta científica para acreditar na hipótese do governo global “bom e altruísta”. Até por que é fácil demais para alguém ser cético em relação a uma “issue” que não esteja relacionada a interesses particulares ou agendas políticas de si próprio.

Como exemplo, suponha que alguém apresente 25 casos de que realmente é um “cético de verdade” (praticamente um cético universal), questionando coisas como quiromancia, leitura na borra de café, jogo de ouija e afins. Mas, quando questionado a respeito de sua crença a respeito do Barack Obama, o sujeito pode aparecer com uma credulidade servil e emocionada. Logo, onde está o ceticismo de alguém que passou em 25 testes de ceticismo anteriormente?

Além de tudo, o próprio exibicionismo “cético” (termo que uso a partir de agora para definir a postura de alguém que resolve passar a maior parte do tempo tentando se declarar como “cético universal”) pode ser uma fachada para esconder crenças que essa pessoa possui. Nesse caso, ao ficar fazendo pose de cético, inclusive apelando para o uso extensivo de propagandas de auto-ceticismo, esta pessoa poderia estar lançando uma cortina de fumaça para que suas crenças não sejam questionadas pelos outros. O truque pode ser explicado da seguinte forma: se alguém fica publicamente conhecido como o “auto cético”, então ganharia o direito de não precisar ser questionado, já que ele questiona suas próprias crenças.

O exemplo mais gritante que posso apontar é o caso de Paul Kurtz, que dedicou grande parte de sua vida tentando apontar a si próprio como o mais completo exemplo possível de um “cético”. Enfim, o “cético universal”. Mas toda essa pose vai por água abaixo quando descobrimos que ele aceita sem nenhuma razão racional visível a hipótese de um governo planetário para salvar a todos. Podemos até suspeitar seriamente de que o ceticismo dele tenha sido uma encenação para esconder uma crença tão ridícula quanto a fé no governo planetário.

Mas segundo o blog do Mensalão, a seguinte afirmação seria “idiota”:

É, mas seu ceticismo é só mais uma alegação. Eu também estou cético quanto ao seu ceticismo.

Pelo contrário, esta é a única postura racional com a qual podemos tratar as pessoas que porventura tenham agendas políticas e interesses escusos. Por outro lado, alguém poderia passar facilmente no teste de ceticismo proposto pelo blog do Mensalão, mas ainda assim não precisar usar o ceticismo em questões envolvendo seus interesses pessoais e agendas políticas.

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1 COMMENT

  1. Oras bolas, o Bruno já mostrou que ele nega todas as evidências de que ele cometeu (eufemismo adiante) “erros de avaliação”. Portanto, ele não está qualificado para escrever nem sobre a postura cética e nem sobre o pseudo-ceticismo

    { no qual ele certamente se diplomou *com louvor* 😀 }

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