Esquerdistas tentam objetar os fatos apresentados por mim e, sem querer, aumentam as provas de que o nazismo é de esquerda

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Acima um discurso de Hitler, em 1934, para a Juventude Hitlerista.

Meu texto “Será o nazismo de extrema-direita? Not so fast, Junior…” realmente irritou os esquerdistas. E com razão!

O fato é que eu trouxe ali, de forma irrefutável (pois considerei a fonte mais primária que existe, a plataforma política do Partido Nazista), as evidências, e com isso doutrinadores de esquerda perdem uma de suas “bases” para propaganda política.

O leitor Alysson Vieira Lima trouxe as objeções feitas por um esquerdista no Facebook, que teria apontado “5 itens falaciosos”, os quais, segundo ele, invalidariam a afirmação de que o nazismo era “de esquerda”.

Como eu sempre digo, o que um cético político faz? Vai investigar as alegações, uma a uma.

Item Falacioso Nr. 1: Ataque aos lucros das empresas. Pesquise o capital social da Siemens, VW, BMW, Thyssen Krupp, Bayer, Mercedes Benz?

E quem foi que disse para o sujeito que o sistema de esquerda foi feito para REDUZIR o lucro das empresas? Não! O sistema de esquerda foi feito para aumentar o PODER das maiores empresas, especialmente na versão social democrata. Isso funciona pela excessiva taxação, que inviabiliza a vida das pequenas empresas, e melhora ainda mais a situação dos poderosos. Logo, o aumento do capital social das GRANDES corporações é um resultado esperado do sistema esquerdista.

É por isso que não surpreende o fato de que na Rússia, quando ocorreu a abertura, vários bilionários apareceram do dia para a noite. Não foi milagre. Os milionários sempre estiveram por lá. A diferença é que antes a imprensa era controlada, e posteriormente esse controle diminuiu.

Item Falacioso Nr. 2: Uso da guerra de classes. Pesquise sobre as SS (Staatzpolizei) , que era uma polícia política que reprimia movimentos operários em detrimento dos patrões, não havia luta de classe.

De novo isso é uma consequência ESPERADA do esquerdismo. Luta de classe, para esquerda, é somente um tipo de discurso que é utilizado até a OBTENÇÃO do poder. Depois do poder obtido de forma totalitária, obviamente a “luta de classe” não é mais permitida.

Totalmente diferente de um país de direita, onde aquilo que os comunistas chamam de “luta de classes” (e que na verdade não existe, sendo apenas a desigualdade econômica resultante do fato de existirem mais ou menos capazes) continua para sempre.

Ou seja, todos os dois itens até agora comprovam que o nazismo era esquerdista até a medula.

Item Falacioso Nr. 3: Estatização de empresas. Pesquise as mesmas empresas supracitadas no item 1 e vejam o quadro de diretores. Informação pública, já que são multinacionais atualmente.

Aqui há um erro grosseiro e uma ignorância histórica sem igual. Em 1930, o Deutsche Reichsbahn (responsável pelo transporte ferroviário alemão) era a maior empresa pública do mundo. Em 1932, o governo alemão estatizou a empresa Gelsenkirchen Mining Company, do setor de aço e mineração, que pertencia à multinacional norte-americana United SteelWorks. Até a crise de 1929, 40% do mercado financeiro era controlado pelo estado.

Tudo isso estava previsto na plataforma do partido nazista. Entretanto, como qualquer estudioso do esquerdismo sabe, uma hora o dinheiro acaba, e lá pelos idos de 1935-38, o estado alemão reverteu várias dessa estatizações, em um programa de austeridade, principalmente por causa dos gastos de guerra. Não é muito diferente do que está ocorrendo hoje na Europa, cuja crise foi causada, assim como na Alemanha, pelo agigantamento do estado.

O argumento do esquerdista é muito ruim pela distinção de emergência. Na lógica dele, a estatização só pode ser considerada como existente se tiver ocorrido para um pequeno conjunto citado de empresas. Mas quem disse que para haver estatização é preciso que seja nas empresas escolhidas pelo oponente? Como se nota, ele não veio preparado para o debate.

Item Falacioso Nr. 4: Inchamento do estado. Naquele momento, todo o mundo buscava a recuperação econômica, o pleno emprego. Até mesmo Reino Unido, EUA, e a Europa Ocidental como um todo, estavam investindo esforços e recursos públicos . Que o autor me prove que o estado Alemão Gastou mais que França e Reino Unido com relação ao funcionalismo público.

De novo, o sujeito inventa um novo critério. Na lógica dele, o inchamento do estado só existe se for maior que o da França e do Reino Unido na época. Mas se os países citados incharam o estado, isso não faz com que outros países deixem de ser esquerdistas. Pelo contrário. A denúncia feita pelos investigadores da esquerda é de que o esquerdismo é uma doença que corroeu toda a Europa, e hoje está corroendo toda a América do Norte e a América Latina. Logo, citar que França e Reino Unido “também incharam o estado” não serve como uma refutação ao fato de que a Alemanha também inchou o estado em um dado momento, de acordo com a plataforma de seu partido. (Entretanto, mesmo que Reino Unido e França se igualem no inchamento do estado à Alemanha, a plataforma alemã era mais socialista do que desses outros 2 países, pela quantidade de itens com os quais a plataforma do partido nazista se alinhava)

Item falacioso número 5 – Coletivismo, ao invés do individualismo. Bem, nem preciso me esforçar pra responder essa, já que empresas multinacionais que existem até hoje eram privadas, funcionavam nos moldes capitalistas (patrão e empregado), havia hierarquia e qualquer movimento operário era rapidamente sufocado pelas SS.

De que diabos ele está falando acima? Será que ele não estudou o significado de coletivismo? Coletivismo significa a noção de que não deve existir liberdade individual em um cenário onde as ações de um homem impactam sobre as de outro, e esta é a essência não apenas dos regimes da Alemanha Nazista, como também da União Soviética e da China, na mesma época.  O ato de se sufocar alguns (e não todos) movimentos operários, de acordo com parâmetros políticos, não significa fuga do coletivismo.

Em resumo, o sujeito identifica falácias não existentes não por ter feito uma investigação histórica, mas para implementar sua agenda política.

A plataforma do partido nazista não tem absolutamente nada a ver com nenhuma ideologia de direita, mas por sua vez implementa várias idéias retiradas do pensamento de esquerda. O máximo que um esquerdista poderia reclamar é “o nazismo não é igual ao marxismo”, com o que concordo por completo. Mas, como já falei várias vezes, marxismo não é a única forma de esquerdismo.

Por fim, Alysson me comenta a respeito da postura teatral do esquerdista:

Depois disso eu disse que ele tá falando de coisas externas e não do plano ideológico do partido. Aí ele apelou pra dizer que vc não tinha trabalhos publicados na área etc. Eu disse que isso era ad hominem. Aí ele falou que a tradução do texto das diretrizes do partido era ruim. Eu pedi uma melhor e ele me mandou estudar (ele disse que é da área da geografia).  Como não vejo alguém me mandar estudar como ofensa, fiquei tranquilo e fui pesquisar. Como minha universidade está em greve e não tenho condições de ir a biblioteca nacional agora. Queria saber de você que escreveu esse artigo, quais os historiadores sérios que defendem que nazismo é extrema esquerda.

Que Alysson me perdoe, mas ele foi ingênuo aqui.

Por exemplo, se um esquerdista em debate diz “Vai estudar”, a resposta deve ser “É você que tem que ir estudar e trazer as provas de sua alegação. O interessado em defender a esquerda é você, não eu!”. Mas que absurdo é esse? Quer dizer que agora um auditor tem que correr atrás das documentações para salvar a vida de um fraudador que está sendo investigado? Não! Este é o trabalho do investigado. Ou seja, o esquerdista fez um teatro e Alysson ingenuamente caiu. Minha dica é a seguinte: nunca deixe o adversário controlar o frame.

Em relação à “historiadores sérios”, basta que eu cite os livros “Lenin, Stalin e Hitler”, de Robert Gellatelly, e “Os Ditadores”, de Richard Overy, que demonstraram o quão aderente ao esquerdismo o nazismo era, enquanto ao mesmo tempo caminhava em direção oposta ao pensamento de direita.  Mas eu ainda suspeito que a maioria dos historiadores dirá que “nazismo é de direita”, mas sem apresentarem provas a este respeito. Neste caso, é uma gritaria de acadêmicos doutrinados pela esquerda que não apresentam provas de suas alegações, mas tentam ganhar o debate por repetição.

Ademais, para que eu preciso “ter trabalhos publicados na área” se outros já o fizeram por mim? É por isso que para comentar sobre o darwinismo eu não preciso “ter trabalhos publicados na área”. Existe um monte de trabalhos publicados no passado. O truque dele aí foi, digamos, bobinho. Aliás, a plataforma do partido nazista eu encontrei exatamente no final do livro “Fascismo de Esquerda”, de Jonah Goldbert, que é comentado por Rodrigo Constantino abaixo:

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Enfim, para dizer que tanto nazismo como fascismo são de direita, esquerdistas como o cara da “geografia” que tentou me refutar vão ter que melhorar a encenação, se quiserem trazer um pouco de dificuldade aos investigadores da religião política.

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66 COMMENTS

  1. Luciano, uma pergunta: O fascismo é uma ideologia de extrema-direita ou esquerda? Seria bom uns textos que definem direita/esquerda e suas variações(como a extrema-direita).

    • O fascismo tem a mesma “espinha dorsal ideológica” da esquerda, embora não seja o mesmo que comunismo.

      São como diferentes ramos que partilham o mesmo tronco de árvore.

  2. Valeu pelas respostas Luciano. No caso ai kara, eu não aceitei que ele ganhou só pq reclamou das fontes, percebi a fuga dele e sei que é ele que tem que provar que o nazismo é direita. A questão é que dada essa fuga eu não vi utilidade em continuar debatendo com ele e fui te perguntar a respeito, não para continuar o debate com ele que simplesmente cai no que diz o senso comum sobre o assunto sem apresentar provas, mas sim para quando for debater de novo essa questão ter uma base maior, não que os seus argumentos seja insuficientes, na verdade foram eles que me fizeram mudar de opinião sobre o nazismo, pois eu tbm pensava que era extrema direita, mas para evitar choradeiras como “Quantos trabalhos esse kara publicou?” ou “A tradução é ruim”. Ainda que isso afirmações como essas sejam uma fuga um tanto desonesta, continuar debatendo seria dar murro em ponta de faca. O debate em questão foi em um grupo que trata das eleições na minha cidade e ai o kara afirmou que partidos como PSTU e PSOL fossem a melhor opção e eu disse que não consigo ver esquerda com bons olhos e useu o nazismo como exemplo. Dai em diante entramos no debate em si, e esse kara mostrou mais uma vez que o esquerdismo é uma religião política!

      • Luciano, as esquerdas são solidárias entre si. O que elas querem é repartir o poder fraternalmente entre TODOS os *beneficiários*. Como você ousa duvidar do “altruísmo”, a mais sensacional descoberta do Prof. Auguste Comte? 😛

      • De novo essa tentativa canhestra de revisionismo? O nazismo é o epíteto da extrema-direita! Heinrich August Winkler, da Universidade Humboldt de Berlim, afirma que os nazistas eram contra tudo o que fosse de esquerda e que era impossível ser tão de direita quanto eles, ao promoverem “uma negação radical do Iluminismo”. Michael Kohlstruck, do Centro de Pesquisa sobre Antissemitismo da Universidade Técnica de Berlim, disse que “o Partido Nazista tinha ‘socialismo alemão’ no programa, claro, mas não era internacionalista, e sim baseado na perseguição, na exclusão e no extermínio”. Para ele, considerar o “socialismo” contido no nome do Partido Nazista como semelhante ao dos movimentos de esquerda é um “truque historiográfico”. “Dizer que o Partido Nazista era de esquerda é um disparate.” Mesmo incorporando elementos tanto da direita política quanto da esquerda política, o nazismo é indiscutivelmente de extrema-direita, escreveu o Prof. Peter Fritzsche, no livro “Germans into nazis”, 1998, como também ficou muito bem exemplificado no livro “Fascismo, uma história”, de Roger Eatwell (Viking/Penguin, 1996, pp.xvii-xxiv, 21, 26–31, 114–140, 352).

      • Pessoal, tentem refutar, mas não percam a vergonha na cara.

        Você trouxe OPINIÕES de historiadores (o que em um ambiente de marxismo cultural não significa absolutamente nada).

        Então vamos:

        1. Michael Kohlstruck disse que o “socialismo” do partido nazista era “truque historiográfico”. Ele que demonstre o truque.
        2. Se o socialismo alemão não era internacionalista, quem disse que todo esquerdismo precisa sê-lo?
        3. Usar a frase “Dizer que o Partido Nazista era de esquerda é um disparate” é um truque de encenação (a simulação de uma falsa indignação), mas não serve como prova.
        4. Dizer que o nazismo é “indiscutivelmente de extrema-direita”, como fez Peter Fritzsche, é o uso do recurso da ênfase.

        Enfim, melhorem os truques. Pq os seus estão mto ruinzinhos.

      • Haja baboseira!

        Não há um só estudioso que demonstre que o nazismo era um regime esquerdista que dê tanta importância ao nome do NSDAP.

        Agora o que eu gostaria era que os “iluminados” explicassem como um regime de extrema-direita pode conter elementos da “esquerda política” (sic) seja o que essa redundância signifique.

        Demais disso, assim como nem tudo que reluz é ouro nem toda REVISÃO histórica advem de revisionismo. Principalmente quando se trata de corrigir DISTORÇÕES motivadas por estupidez ideológica – leia-se: esquerdista, os maiores deturpadores da história. Um bom exemplo disso é a incrível mentira amplamente propagada até meados dos anos 90, segundo a qual teriam sido os americanos os responsáveis pelo afundamento dos navios brasileiros no começo da década de 40, para forçar o país a declarar guerra ao Eixo. Afora a imensa imbecilidade de um pensamento canhestro (=esquerdista), simplesmente nada havia a fundamentar essa afirmação idiota. Enfim, com a identificação de u-boats afundados na costa brasileira ficou patente a autoria das agressões e os mentirosos EStoriadores de esquerda (redundância) tiveram que – a muit ocontragosto – reescrever seus livrecos. Revisionismo, isso?

    • Quanta tosquice! Definitivamente, esquerdista padece de déficit intelectual sério.

      Apliquemos a ironia a outras casos (favor acionar Modo Irônico):

      Claro que é de direita! Se não fosse assim, porque os nazistas iriam perder tempo perseguindo judeus, ciganos, franceses, ingleses e invadindo países europeus tão esquerdistas como a Holanda, a Bélgica, a Inglaterra e a França de 1940 e, depois, serem combatidos por esquerdistas tão extremados como eram os americanos, não é mesmo?

      Saindo do modo irônico, é sempre importante lembrar a ESSENCIAL contribuição soviética para os triunfos nazistas de 1939/1940, época em que invadiu os países acima citados, começando com a Polônia – vergonhosamente repartida com os seus amiguinhos comunistas da hora – e passando ao restante, enquanto os amiguinhos comunistas da hora tratavam dos países bálticos e da Finlândia. Tudo num lindo sonho cor-de-rosa com anil …

  3. Luciano,

    Leia o texto contido neste link: http://ventosueste.blogspot.com.br/2006/04/o-fascismo-e-o-nazismo-eram-de-direita.html

    Estive pesquisando na net quais são as evidências que é apresentado ao público quando alguém afirma que o nazismo e o fascismo eram de direita.

    A maioria dos textos que eu li por ai apenas dizem, a titulo de ataque gratuito, que o nazismo e o fascismo são de direita sem apresentarem provas para tanto.

    Um ou outro texto apresentam evidências quando tocam no tema, mas são evidências indiretas. Explico.

    Imagina que alguém para provar que Hitler era mulçumano apresenta uma foto dele com um grande lider islâmico. Com isso o sujeito então conclui que Hitler era mulçumano.

    Um outro exemplo. Imagina que alguém para provar que o nazismo era direita cita uma frase de Hitler elogiando algum ícone da direita. Com isso o sujeito conclui que Hitler era de direita.

    Nenhum dos textos que já li é citado, como você diz, a plataforma política do Partido Nazista. Todos partem de exemplos de alianças, frases, elogios, dentre tantas outras evidências indiretas, para tentar provar que o nazismo e o fascismo eram de direita.

    Sendo assim é possível provar TRANQUILAMENTE que até o PT é de direita (o PSTU que o diga!).

    Ao meu ver os textos que você escreveu são deveras suficiente para encerrar o assunto, posto que foi apresentado ao público a plataforma política que coloca o nazismo e o fascismo no quadrante da esquerda, no entanto sugiro a você explorar um pouco mais o tema para que não fique dúvidas, refutando por exemplo o texto que compartilhei acima.

    Valeu.

    • Inclusive, esse tipo de argumentação rasteira (para não dizer imbecil, mesmo) é o mesmo que usam para “provar” que Hitler era cristão católico devoto. E nem adianta citar, in verbis, para esses bobões algumas das muitas declarações do führer achincalhando o cristianismo, que considerava, na linha de Rosemberg, “filósofo do nazismo”, um subproduto judaico, logo incompativel com o idela de supremacia ariana.

      Incrível como as tais “provas” apresentadas se baseiam em fotos que mostram clérigos fazendo a saudação QUE NÃO ERA NAZISTA e sim alemã em termos gerais. Além do mais, até os povos subjugados pelos alemães tinham que fazer essa saudação (o braço direito levantado), como se pode ver em fotos mostrando pessoas dos Sudetos em meio à marcha triunfal do exército nazi.

      Enfim, perfeita essa observação, Hélio.

      Ela se aplica, também, à música de Wagner, neste caso pelos judeus. Como Hitler e asseclas reverenciavam esse compositor (em detrimento de Beethoven, Mendelssohn e outros “menos arianos”), durante um bom tempo sua obra foi proibida em Israel. Levou algumas décadas para os israelitas se convencerem de que Wagner – conquanto antissemita – não era nazista. Invertendo a alegação falaciosa de que “se não é comunismo, não é esquerda”, pode-se afirmar – desta feita sem falácia – que se é antissemita não implica em ser nazista.

      • A questão é que Hitler era católico, assim como Himmler, Hans Frank, Ante Pavelic… Falácia é usar de semântica para deturpar o sentido das palavras e distorcer completamente aquilo que o nazismo realmente foi: a direita em sua pior forma!

      • Já desmascarei o truque de “Hitler ser católico”. Hitler declarou em suas “Cartas à mesa” que achava o cristianismo tão odioso quanto o bolchevismo. Mas mesmo que fosse católico, isso não tornaria o Hitler “de direita”. QUAL O SEU ARGUMENTO para PROVAR que o nazismo é de direita? Defendia livre mercado? Defendia que o estado deve ser enxuto? Defendia que o individualismo vale mais que o coletivismo? Defendia que todos os cidadãos devem ter os mesmos direitos e deveres? Não adianta tentar ganhar no grito, pois aqui se você não argumentar, passará vergonha todas as vezes.

      • Se ele realmente fosse “cristão”, não queimaria biblias junto com todos os livros que foram queimados durante a segunda guerra pelo seu partido. Só isso é o suficiente.

      • Hitler era católico por quê? Só porque foi batizado?

        Existe uma pletora de ateu militante imbecil e estupidamente anticatólica que também foi batizado e frequentou a Igreja quando criancinha. Por essa “evidência” aplicada a Hitler, eles também seriam católicos…

        Himmler católico?! Essa foi boa! Justamente, o mais PAGÃO DECLARADO de todos os nazistas… Durma-se com esse barulho!

        Hitler, Himmler e todo o establishment nazista eram ferrenhamente anticristãos com especial depreciação do catolicismo, a quem consideravam religião de homens fracos e obscurantistas.

        Pior deturpação não é a semântica, mas a dos fatos.

        O nazismo foi, com toda a certeza, sem a menor sombra de dúvida um regime ESQUERDISTA. Não o pior deles, talvez, considerando os outros regimes esquerdistas, socialismos soviéticos, do Sudeste Asiático e do Leste Europeu, além da tirania cubana. Todos eles, em maior ou menor grau manifestaram amplo repúdio ao Cristianismo, realizando esse ódio ou em supressões de direitos ou em massacres mesmo.

  4. “De novo isso é uma consequência ESPERADA do esquerdismo. Luta de classe, para esquerda, é somente um tipo de discurso que é utilizado até a OBTENÇÃO do poder. Depois do poder obtido de forma totalitária, obviamente a “luta de classe” não é mais permitida.”

    Mas os nazis eram contra a luta de classes ainda antes de chegarem ao poder (eles até costumavam dizer que “o marxismo era o capitalismo dos trabalhadores” e que a luta de classes era fruto da mesma mentalidade “materialista-judaica” que o capitalismo)

    “Em 1930, o Deutsche Reichsbahn (responsável pelo transporte ferroviário alemão) era a maior empresa pública do mundo. Em 1932, o governo alemão estatizou a empresa Gelsenkirchen Mining Company, do setor de aço e mineração, que pertencia à multinacional norte-americana United SteelWorks. Até a crise de 1929, 40% do mercado financeiro era controlado pelo estado.”

    Ou seja, a prova que os nazis eram de esquerda é de que, antes dos nazis chegarem ao poder, havia muitas empresas públicas???

    “Tudo isso estava previsto na plataforma do partido nazista. Entretanto, como qualquer estudioso do esquerdismo sabe, uma hora o dinheiro acaba, e lá pelos idos de 1935-38, o estado alemão reverteu várias dessa privatizações, em um programa de austeridade, principalmente por causa dos gastos de guerra. Não é muito diferente do que está ocorrendo hoje na Europa, cuja crise foi causada, assim como na Alemanha, pelo agigantamento do estado.”

    Para começar, é mesmo “reverteu várias dessas privatizações” que queria escrever? É que, pelo contexto, dá-me a ideia que quis escrever “reverteu várias dessas nacionalizações”.

    Portanto, os governos anteriores aos nazis nacionalizaram e os nazis privatizaram; essa é a grande prova que os nazis são de esquerda?

    quanto ao colectivismo, usar isso como argumento para colocar os nazis na esquerda não faz sentido nenhum – a direita tradicional também é colectivista; quem é que escreveu “não são os individuos que formam a sociedade, mas a sociedade que forma os individuos”?

    • Responderei ao seu texto em um post, no qual refutarei-o por completo. Já aviso que tratarei também do seguinte truque “Ou seja, a prova que os nazis eram de esquerda é de que, antes dos nazis chegarem ao poder, havia muitas empresas públicas???”.

      O truque funciona assim.

      1. A apresenta 10 indícios de que ocorre Y
      2. B seleciona em desses 10 indícios
      3. B diz “é só por causa desse incídio” que você diz que ocorre Y?

      A maioria do seu texto é esse truque.

    • Como já respondido antes, a totalidade do seu texto será refutada em um post que farei ainda nesta semana. Aliás, se a Alemanha Nazista já estava corroída pelo esquerdismo (aliás, o berço intelectal do esquerdismo é a Alemanha) antes do Partido nazista chegar ao poder, e o partido nazista seguiu essa linha até detonar todo o estado alemão pelo inchaço, isso não serve para comprovar que o Partido Nazista era “privatizador” em essência.

      • Que influência intelectual a Alemanha teve na Revolução Francesa (que é o “momento fundador” da esquerda)? Se calhar até é mais fácil descobrir influências alemãs no pensamento contra-revolucionário e conservador (pelo menos o Robert Nisbett, num livro que escreveu sobre “O Conservadorismo” tem essa opinião, pelo que me lembro).

      • Mais alguns truques em sua abordagem (realmente, você facilita o meu trabalho ao usar tantos truques e me permitir uma refutação dos todos eles, o que ocorrerá no meu post para te refutar, ainda nesta semana). O fato não é que a Revolução Francesa é o “momento fundador” da esquerda. na verdade, a Revolução Francesa era de fato um movimento revolucionário, mas que trazia ideais que no futuro foram abraçados pela direita e outros ideais abraçados pela esquerda.

  5. Diga-se que eu entretanto mudei de opinião sobre o que escrevi – há muita gente que defende a tese que foi a reforma protestante que criou a ambiente intelectual que deu origem à revolução francesa, logo realmente teriámos aí uma origem alemã.

    Quanto à sua tese que “esquerda e direita só fazem sentido APÓS a queda da monarquia, não antes”, não vejo porquê – afinal, pelo que sei, essa divisão surgiu quando (fez ontem 223 anos) se discutia se o veto real deveria ser definitivo ou suspensivo; durante a discussão, os defensores do veto suspensivo sentaram-se na esquerda e os defensores do veto definitivo na direita, e foi aí que a terminologia se estabeleceu (ainda durante a monarquia, que ainda i durar talvez um par de anos).

    E penso que a terminologia foi usada durante todo o século XIX, quando grande parte da Europa ainda era governada por reis (e noto que digo “governada”, não estou a falar de reis que o que fazem é andar de charrete), e frequentemente com a conotação “esquerda – supremacia do parlamento; direita – supremacia do poder real” (é verdade que com outras questões à mistura).

    • Desculpe-me, mas esse truque simplesmente não faz o menor sentido. Uma ideologia não se define “pela posição de cadeira”. O fato de um termo ter sido utilizado para se definir quem se sentou à esquerda, ou à direita em uma época, não tem ABSOLUTAMENTE NADA A VER com a ideologia de esquerda ou de direita que falamos quando julgamos o marxismo, por exemplo. O marxismo defendia a DITADURA do proletariado, que seria então a “direita” na sua concepção. Na boa, não faz o menos sentido usar manipulações semânticas que não tem utilidade informativa alguma. Aliás, esse truque já foi refutado por aqui há bastante tempo…

      • “Uma ideologia não se define “pela posição de cadeira”. O fato de um termo ter sido utilizado para se definir quem se sentou à esquerda, ou à direita em uma época, não tem ABSOLUTAMENTE NADA A VER com a ideologia de esquerda ou de direita que falamos quando julgamos o marxismo, por exemplo.”

        Tem tudo a ver – a terminologia esquerda-direita deriva do alinhamento parlamentar de “conservadores” à “direita” e “radicais” à “esquerda”, herdado dos tempos da revolução francesa; se você não está a falar disso, não está a falar da dicotomia esquerda-direita que tem sido utilizado nos ultimos 200 e tal anos, está a falar de outra tipologia qualquer que você inventou; eu não tenho nada contra as pessoas inventarem as suas próprias tipologias (eu próprio faço isso de vez em quando), mas, nesse caso, é preferivel darem-lhe uma designação original (p.ex., falar em cima-baixo, norte-sul, etc. em vez de esquerda-direita) em vez de aplicarem à sua nova tipologia uma designação já há muito estabelecida (já que isso pode dar confusões interpretativas).

        “O marxismo defendia a DITADURA do proletariado, que seria então a “direita” na sua concepção.”

        Como assim? Onde é que eu falei em “ditadura” no meu comentário anterior, seja para a atribuir à direita ou à esquerda? Voltando à tradição histórica, poderiamos dizer que tanto a esquerda como a direita tenderiam para o poder absoluto (de um lado o poder absoluto do rei, do outro o poder absoluto da assembleia), sendo o “centro” (girondinos/liberais/orleanistas/etc.) a defender o governo limitado e o equilibrio entre os vários poderes. No fundo, a “ditadura do proletariado” marxista pode ser vista como uma espécie de continução da ideia rosseauniana/jacobina do poder absoluto da assembleia ou da “vontade geral”, ficando portanto na esquerda (e isto que estou a escrever não é invenção minha – é o que os autores do que penso serem as suas áreas, liberais e conservadores, andam a escrever há mais de um século).

        Ainda a respeito da classificação do marxismo na esquerda, é porque tanto marxistas como conservadores o consideram como uma espécie de continuação da revolução francesa (independentemente da carga valorativa – boa ou má – que atribuem a isso).

      • Tem tudo a ver – a terminologia esquerda-direita deriva do alinhamento parlamentar de “conservadores” à “direita” e “radicais” à “esquerda”, herdado dos tempos da revolução francesa; se você não está a falar disso, não está a falar da dicotomia esquerda-direita que tem sido utilizado nos ultimos 200 e tal anos, está a falar de outra tipologia qualquer que você inventou; eu não tenho nada contra as pessoas inventarem as suas próprias tipologias (eu próprio faço isso de vez em quando), mas, nesse caso, é preferivel darem-lhe uma designação original (p.ex., falar em cima-baixo, norte-sul, etc. em vez de esquerda-direita) em vez de aplicarem à sua nova tipologia uma designação já há muito estabelecida (já que isso pode dar confusões interpretativas).

        Então eu lhe faço um desafio. Mostre aqui um trecho de filósofos DA ÉPOCA nomeando A SI PRÓPRIOS como “direita” ou “esquerda” naquela época. Note que não vale pegar o discurso de esquerdistas dizendo “olha, quem se sentava à direita da monarquia é direita”, que sabemos que isso é propaganda de oponente. Por exemplo, por que você escolheu a definição de “direita” dos que ficavam à “direita dos monarcas”, quando na verdade deveria ter escolhido a definição de direita daqueles que apoiaram a Declaração da Independencia dos Estados Unidos, que á ANTERIOR À Revolução Francesa? Ou seja, quem está “inventando tipologia” agora?

        Enfim, quem “estabeleceu” que direita é apoio à monarquia quando todos os filósofos da direita são contra o poder totalitário e exatamente por isso defendem o estado enxuto?

        É por isso que é fácil descobrir tuas fraudes, pois você entra em campo com alguém acostumado a decifrar os truques de esquerdistas, mas continua repetindo truques manjados e que são facilmente refutados.

        Como assim? Onde é que eu falei em “ditadura” no meu comentário anterior, seja para a atribuir à direita ou à esquerda? Voltando à tradição histórica, poderiamos dizer que tanto a esquerda como a direita tenderiam para o poder absoluto (de um lado o poder absoluto do rei, do outro o poder absoluto da assembleia), sendo o “centro” (girondinos/liberais/orleanistas/etc.) a defender o governo limitado e o equilibrio entre os vários poderes.

        É exatamente o oposto, como sempre. Não existe nada na filosofia de direita que defenda “poder absoluto do rei”. Quem defende a proposta de poder totalitário são e sempre foram os esquerdistas, exatamente por usarem o truque de dizerem “representar o povo”. Aliás, a idéia da defesa do “governo limitado e o equilibrio entre os vários poderes” é a direita, mas você tenta enganar a platéia dizendo que ela era de “centro”.

        No fundo, a “ditadura do proletariado” marxista pode ser vista como uma espécie de continução da ideia rosseauniana/jacobina do poder absoluto da assembleia ou da “vontade geral”, ficando portanto na esquerda (e isto que estou a escrever não é invenção minha – é o que os autores do que penso serem as suas áreas, liberais e conservadores, andam a escrever há mais de um século).

        É desculpa de esquerdista, pois como estão com as mãos sujas de sangue, tentam fingir que a direita defende o totalitarismo, quando é o oposto. O que você escreve de fato não é invenção sua, mas a repetição do discurso de propaganda esquerdista que hoje é vomitado ad nauseam nas academias, por causa a estratégia gramsciana. Mas concordo com você em um único ponto: sim, a ditadura do proletariado é uma continuação da idéia de Rousseau. Ou seja, o truque de dizer que “está do lado do povo, mas pedir o poder absoluto, dizendo que o poder será do povo”. Isso é esquerda! Justamente, o oposto da direita.

        Ainda a respeito da classificação do marxismo na esquerda, é porque tanto marxistas como conservadores o consideram como uma espécie de continuação da revolução francesa (independentemente da carga valorativa – boa ou má – que atribuem a isso).

        É por isso que a Revolução Francesa (aí eu concordo) pode ser um símbolo da esquerda, enquanto que a Declaração da Independencia dos Estados Unidos, junto com a proposta dos Pais Fundadores, um símbolo da direita. Mais um motivo para mostrar que Hitler está mais próximo das idéias de Robespierre do que de Thomas Jefferson…

  6. Em primeiro lugar, e começando pelo fim, é curioso que você vá buscar o Thomas Jefferson como “exemplo” da direita; porque não John Adams ou Alexander Hamilton (a terminologia direita/esquerda não existia na altura nos EUA, mas quando o “conservadorismo americano” começou a ser sistematizado nos anos 50 do século passado, eles mais ou menos foram reclamar retroactivamente a facção Adams/Hamilton como sendo os seus fundadores, contra a facção radical/populistas/francófila de Jefferson)?

    «Enfim, quem “estabeleceu” que direita é apoio à monarquia quando todos os filósofos da direita são contra o poder totalitário e exatamente por isso defendem o estado enxuto?” (…)»

    «Não existe nada na filosofia de direita que defenda “poder absoluto do rei”.»

    Desculpe lá, mas acho que você está a viver numa realidade paralela – então Joseph de Maiste, Louis de Bonald, Charles Maurras, Metternich, os miguelistas portugueses, etc. (isto é, conservadorismo tradicional da Europa continental) não defendiam a monarquia absoluta, ou algo muito parecido com isso?

    Mas quem são esses “todos os filósofos da direita (…) [que] defendem o estado enxuto” (e carrego no “todos”) que você está a falar? Haverá alguns (a tradição liberal, que, como já disse, só recentemente começou a ser considerada na “direita”) que efectivamente defendem o Estado mínimo (imagino que seja isso que quer dizer com “estado enxuto”; mas a maior parte dos filósofos conservadores (a tradição historicamente dominante na direita) não eram propriemente defensores do Estado mínimo

    • Já agora, mais uma coisa que me esqueci de dizer no meu comentário anterior – eram mesmo a área liberal/orleanista que se auto-proclamava como o “justo meio”, entre a direita legitimista e a esquerda republicana/jacobina, logo a sua localização como “centro” não é nenhuma invençao minha

      • De novo o truque da “posição de cadeira”. Acho que já deu o que tinha que dar, não? Vou te explicar pela última vez: você não está falando com aluno ingênuo que você poderia doutrinar em sala de aula, mas sim em um especialista dos truques da esquerda. Você só terá espaço aqui se VIER COM NOVOS TRUQUES, mas não com a repetição do mesmo truque. A utilidade de esquerdista neste blog é publicar TRUQUES, para que eu os desmascare.

        A origem de uma ideologia política tem que ser rastreada em LIVROS, escritos por AUTORES, que se ASSOCIEM a uma filosofia, e não a uma posição política contextual. Na sua fantasia, você está dizendo que a filosofia de direita se originou em uma sessão de parlamento. PFff…. Nunca vi tanta besteira junta. É nisso que dá ler Eric Hobsbawn.

        Agora, cadê a declaração? Algo como “aqui começa a filosofia de direita” ou “aqui começa a filosofia de esquerda”? Você não tem.

        Aliás, é uma burrice também comparar um sistema de pensamento com uma posição política contextual. Por exemplo, uma aliança com a monarquia para tentar evitar uma ação radical de tendências genocidas não tem a ver com um sistema de pensamento. Na verdade, é a busca pela ditadura “menos pior”.

        Então, em resumo: do que falo aqui é da filosofia de esquerda e da direita, e você usa o “truque da cadeira” para fingir que filosofia de direita se resume a “apoiar a monarquia”. Vá dizer isso a Edmund Burke!

    • A função de Thomas Jefferson foi puramente politica, pois, mesmo com suas posições pró-Revolução Francesa, teve que engolir o ato de publicar a Declaração da Independencia. Por isso o citei.

      Outra coisa: o conservadorismo americano de fato começou a ser sistematizado nos tempos de Russel Kirk, mas a tradição era muito anterior, e já vinha desde os tempos de Edmund Burke. Burke morreu em 1727 e Adam Smith em 1790.

      Desculpe lá, mas acho que você está a viver numa realidade paralela – então Joseph de Maiste, Louis de Bonald, Charles Maurras, Metternich, os miguelistas portugueses, etc. (isto é, conservadorismo tradicional da Europa continental) não defendiam a monarquia absoluta, ou algo muito parecido com isso?

      Claro que alguns chegaram a defender a monarquia, mas isso não era PARTE DO SISTEMA DE PENSAMENTO da direita, animal.

      É a mesma coisa que o apoio de conservadores à ditadura militar. Eles fizeram isso SOMENTE para evitar a ditadura comunista. Em tempos normais, o pensamento de direita é LIVRE mercado, estado mínimo, responsabilidade social, etc.

      Mas quem são esses “todos os filósofos da direita (…) [que] defendem o estado enxuto” (e carrego no “todos”) que você está a falar? Haverá alguns (a tradição liberal, que, como já disse, só recentemente começou a ser considerada na “direita”) que efectivamente defendem o Estado mínimo (imagino que seja isso que quer dizer com “estado enxuto”; mas a maior parte dos filósofos conservadores (a tradição historicamente dominante na direita) não eram propriemente defensores do Estado mínimo

      De novo, direita e esquerda não fazem sentido em um ambiente monarquista totalitário. Só fazem sentido APÓS a superação da monarquia. Aliás, direita e esquerda não fazem sentido na Coréia do Norte ou na China. Preciso dizer pq? Nós hoje conseguimos identificar a Coréia do Norte ou China como esquerda, mas lá mesmo esses conceitos não fazem sentido. Após a queda da monarquia, o liberalismo econômico foi abraçado pela totalidade dos conservadores.

      Enquanto você não largar o “truque da cadeira”, não vai sair do lugar mesmo.

      Aliás, o liberalismo se tornou o PADRÃO do pensamento conservador (de direita), e o partido nazista não podia alegar ignorância nessa época. A alternativa monarquista não existia mais e o partido teve que disputar as eleições. Logo, citar o apoio contextual de alguns pré-conservadores é puro truque psicológico.

      A questão é: estado direciona a economia? Os filósofos de direita diziam que não, e os da esquerda diziam que sim. O homem é perfectível? Os filósofos de direita diziam que não, os de esquerda diziam que sim.

      Em resumo, o que é esquerda e direita, sem os truques que professores de esquerda usam para doutrinar a garotada:

      http://lucianoayan.com/2012/08/28/direita-e-esquerda-origem-e-fim/

  7. Mas “direita” e “esquerda” SÃO posições politicas contextuais – basta ver o caso do liberalismo, que no seculo XIX tendia a se classificar na esquerda ou no centro (conforme os casos), e que desde a segunda metade do século XX tende a se situar à direita. O conteudo do liberalismo mudou? Não, o que mudou foi o mundo, logo a posição contextual do liberalismo no eixo esquerda-direita.

    Errado. Acho que você ainda não leu este blog. O truque de dizer que “esquerda e direita são contextuais” não funciona mais aqui também. Os dilemas humanos sempre existirão. Por exemplo: deve-se “crer no homem” conforme Rousseau pedia? Independente do período, a resposta é sim ou não. Aliás, foi Stalin ou Lenin (não lembro qual) que ficou conhecido pela “estratégia das tesouras”, que visava confundir o público com noções do que é esquerda ou direita para exatamente usar essa confusão para tomada de poder.

    E eu não digo que a filosofia de direita se resume a apoiar a monarquia – digo que era apenas o significado original da palavra; você é que parece cair no contrário e adoptar um conceito de direita em que De Maistre, Bonald, etc (isto é, a tradição conservadora e contra-revolucionária continental) ficam, pura e simplesmente, excluidos da tradição da direita.

    hahahaha

    Se for o significado original da palavra direita ou esquerda, estamos falando de “direção” apenas. Nota-se que esse recurso não serve.

    Eu fiz alguns desafios dos quais você fugiu:

    1. Exemplos de AUTO rotulação por gente como Le Maistre como sendo “de direita”

    Você tem essas evidências? Se tiver, traga.

    Não podemos mais aceitar terminologias de esquerdistas feitas SOBRE direitistas.

    Já agora, acho quie nem sequer faz grande sentido falar em “filosofia de direita” ou “filosofia de esquerda” – anarquismo, marxismo, liberalismo, conservadorismo, fascismo, etc., são filosofias (ou ideologias); “esquerda” e “direita” não são filosofias, são posições contextuais, e a mesma ideologia pode ficar na direita ou na esquerda conforme o contexto (como o exemplo que dei atrás do liberalismo) – num mundo em que só existisse o PT e o PSOL, o PT seria “a direita”.

    Pelo contrário, quanto mais filosofias e ideologias surgem, MAIS FÁCIL FICA para estudá-las cientificamente e encontrar alguns padrões. É exatamente o oposto do que você afirma.

    Aliás, em um mundo em que só existisse o PT e o PSOL, teríamos uma ditadura e enfim, a abolição dos conceitos direita e esquerda política, como era na monarquia.

    Já agora, responda-me só a uma questão simples para ver se, ao menos, consigo perceber o seu pensamento – você considera Joseph de Maistre como sendo “de direita” (uma questão que penso ser respondivel com um simples “sim” ou “não”)?

    Sim, é de direita, mas largamente superado por outros (inclusive anteriores a ele), de modo que ele nunca se tornou REFERÊNCIA para os filósofos conservadores que vieram daí em diante. Ex. Burke, Smith, etc.

    • «Exemplos de AUTO rotulação por gente como Le Maistre como sendo “de direita”»

      Um texto de Thomas Molnar elogioso para Charles Maurras e classificando Maurras na “direita” conta? Não é bem auto-rotução (é um a rotular outro) mas anda lá perto (e penso que tanto Maurras como Molnar contarão, mais ou menos, como “gente como De Maistre”).

      http://www.mmisi.org/ma/41_04/molnar.pdf

      E, após a revolução dinamarquesa de 1848, a facção até então absolutista derrotada reorganizou-se num partido chamado “Hoyre” (“direita”), antepassado longicuo do actual Partido Conservador dinamarquês.

      “Referências infimas, fraquinhas e pescadas à linha”, argumentará você. Mas:

      a) seria dificil encontrar textos de De Maistre (ou Bonald, ou Rivarol…) classificando-se de “direita”, já que era um termo (com esse significado) acabado de inventar. Duvido que que também Burke se tenha auto-classificado como “direita”, ou que Robespierre, Hebert ou Jean Varlet se tenham auto-classificado como “esquerda” (se a questão não fosse “direita” mas “conservador”, Bonald a escrever num jornal com esse nome contaria como auto-rotulação?)

      b) de qualquer maneira, a auto-identificação é menos frequente à direita do que à esquerda – tradicionalmente os liberais diziam que eram o “justo meio” e os conservadores tendiam a rejeitar a lógica de partidos e portanto, a ideia de direita vs. esquerda; só muito recentemente começou a ser usual a auto-identificação dos direitistas como “direitistas” (no fundo, a dicotomia direita/esquerda era, largamente, ela própria algo vindo do universo da esquerda)


      • Um texto de Thomas Molnar elogioso para Charles Maurras e classificando Maurras na “direita” conta? Não é bem auto-rotução (é um a rotular outro) mas anda lá perto (e penso que tanto Maurras como Molnar contarão, mais ou menos, como “gente como De Maistre”).
        http://www.mmisi.org/ma/41_04/molnar.pdf

        Nao, não conta. Erros de alguns direitistas na classificação (aceitando as categorias do oponente) ocorrem. Eu pedi textos DO PRÓPRIO DE MAISTRE se AUTO-ROTULANDO. Lembre-se: a fonte primária de um filósofo ou ideólogo é o PRÓPRIO ideólogo. Nessa altura do campeonato, eu não devia estar te explicando regras tão básicas…

        E, após a revolução dinamarquesa de 1848, a facção até então absolutista derrotada reorganizou-se num partido chamado “Hoyre” (“direita”), antepassado longicuo do actual Partido Conservador dinamarquês.

        Agora sim, um evento novo, que de fato eu não havia pesquisado. Quero mais fontes. Ainda assim não constituiria evidência, já que não sabemos quais os indivíduos de tal “facção”. É preciso estudar o material de suporte ideológico deles.

        “Referências infimas, fraquinhas e pescadas à linha”, argumentará você.

        Faltou a auto-rotulagem, pois sabemos que rotulagem do oponente não vale.

        Mas: a) seria dificil encontrar textos de De Maistre (ou Bonald, ou Rivarol…) classificando-se de “direita”, já que era um termo (com esse significado) acabado de inventar. Duvido que que também Burke se tenha auto-classificado como “direita”, ou que Robespierre, Hebert ou Jean Varlet se tenham auto-classificado como “esquerda” (se a questão não fosse “direita” mas “conservador”, Bonald a escrever num jornal com esse nome contaria como auto-rotulação?)

        Acabado de inventar quando? Qual a fonte? De onde origina-se a “invenção”? Fontes, por favor. Falamos aqui de investigação histórica…

        Mesmo que Burke não tenha se auto-classificado como “direita”, a maioria de seus ideais foi recuperado por autores da direita, muito antes do surgimento de Hitler (ou seja, adeptos da tese de “nazismo ser de direita” não poderão alegar que Hitler seria representante do conservadorismo, mas na verdade seguia o pensamento esquerdista).

        Ademais, o termo conservador, no sentido de direita (oposição à esquerda), é alinhado à CONSERVAÇÃO dos valores do princípio do iluminismo, em oposição a exacerbação populista e totalitária da Revolução Francesa.

        b) de qualquer maneira, a auto-identificação é menos frequente à direita do que à esquerda – tradicionalmente os liberais diziam que eram o “justo meio” e os conservadores tendiam a rejeitar a lógica de partidos e portanto, a ideia de direita vs. esquerda; só muito recentemente começou a ser usual a auto-identificação dos direitistas como “direitistas” (no fundo, a dicotomia direita/esquerda era, largamente, ela própria algo vindo do universo da esquerda)

        Aqui você quase acertou

        A lógica é:

        1. Havia o totalitarismo monárquico -> cenário onde não havia direita ou esquerda (pois no absolutismo não há duelos públicos de forma democrática)
        2. Surgiu o totalitarismo populista -> esquerda, fingindo um discurso de “liberdade”
        3. Como 2 é um truque para substituir 1, foi preciso definir uma oposição, na conservação dos valores originais do iluminismo, deturpados em 2

        3 = direita
        2 = esquerda
        1 = totalitarismo, onde não faz sentido esquerda ou direita, assim como não faz sentido lá na Coréia do norte

        Simples assim.

        Em 1922, quando surgiu o Partido Nazista, com seu discurso estatizante, populista, coletivista (todos os recursos que a esquerda sempre usou), a opção 3 (conservadorismo de direita, recuperação da origem do iluminismo), já estava disponível.

        Tentar recapitular aos “conservadores da monarquia” (uma opção que pode ser razoável, haja vista a visão genocida dos totalitarismos populistas) a posição 3 é uma desonestidade intelectual.

        O fato é que esquerdista aprende a fazer um discurso, totalitário e populista, e por causa disso sabe que tem as mãos sujas de sangue. Por isso, inventam que esquerdistas não marxistas eram de direita. Mas é um truque já desmascarado aqui.

  8. “A função de Thomas Jefferson foi puramente politica, pois, mesmo com suas posições pró-Revolução Francesa, teve que engolir o ato de publicar a Declaração da Independencia. Por isso o citei. ”

    O que escreve não faz grande sentido – em primeiro lugar, a Declaração da Independência foi publicada antes de ter havido Revolução Francesa e de Jefferson ter tido qualquer opinião sobre ela; e, em segundo, não me parece que haja grande contradição entre os ideiais da Declaração (que, basicamente, afirma o direito de os governados se revoltarem contra os governantes) e os da Revolução Francesa.

    “Outra coisa: o conservadorismo americano de fato começou a ser sistematizado nos tempos de Russel Kirk, mas a tradição era muito anterior, e já vinha desde os tempos de Edmund Burke. Burke morreu em 1727 e Adam Smith em 1790”

    Burke morreu em 1797, mas imagino que seja uma gralha; quanto ao Smith, ir associá-lo ao conservadorismo é um bocado um recrutamento postumo (creio que ele morreu antes de ter tempo de tomar partido sobre os conflitos politicos que tinham começado a surgir nessa altura).

    “Claro que alguns chegaram a defender a monarquia, mas isso não era PARTE DO SISTEMA DE PENSAMENTO da direita, animal. ”

    Bem, a defesa da monarquia era parte fundamental (se não A parte fundamental) das ideiais de um De Maistre ou de um Maurras (a obra principal deste último até se chama “Ensaio sobre a Monarquia”)

    “Após a queda da monarquia, o liberalismo econômico foi abraçado pela totalidade dos conservadores. ”

    Luciano, você está a sentir-se bem?

    Pelo menos na Europa continental (e na outra a monarquia não caiu, portanto não interessa para a discussão), o pensamento conservador, mesmo – ou sobretudo – depois da queda da monarquia foi tradicionalmente anti-liberal e anti-capitalista; grupos como os católicos sociais, a Action Française, etc., não eram nada liberais (o facto de muitas vezes a sua base de apoio ser uma nobreza provinciana falida também ajudava a esse anti-liberalismo e anti-capitalismo). Mesmo depois da segundo guerra mundial, a linha dos conservadores continentais era a “economia social de mercado” (ou mesmo o dirigismo gaullista), não o liberalismo económico. Se calhar só para ai nos anos 70/80 do século passado é que o liberalismo se tornou a doutrina económica dominente (e mesmo assim com reservas) entre o conservadorismo continental

    “Aliás, o liberalismo se tornou o PADRÃO do pensamento conservador (de direita), e o partido nazista não podia alegar ignorância nessa época.”

    Não? Olhe para os resultados eleitorais na Alemanha na Repuiblica de Weimar. Em todas elas, o Partido Nacional Popular Alemão (o partido da aristiocracia prussiana, nacionalista e protecionista, herdeiro do Partido Conservador dos tempos de Bismark) teve mais votos que o seu quase homonimo Partido Popular Alemão (o partido da direita liberal). Logo, na Alemanha de Weimar, o liberalismo não era nada o padrão do pensamento conservador.

    Já agora, mesmo na Grã-Bretanha (cujos conservadores são tradicionalmente mais liberais que no continente) , o Partido Conservador NÃO era, tradicionalmente, defensor do liberalismo económico – era um partido proteccionista: afinal, o actual Partido conservador foi criado pelo deputados tories que romperam com o governo de Robert Peel por este ter liberalizado a importação de cereais (enquanto os tories livre-cambistas se juntaram com os whigs para criar o Partido Liberal), e essa linha protecionista foi a dominante até à II Guerra mundial; e basta ver que a atitude de politicos e intelectuais conservadores do século XIX, como Disralei e Carlyle, face à economia liberal não era nada entusiasta.

    • O que escreve não faz grande sentido – em primeiro lugar, a Declaração da Independência foi publicada antes de ter havido Revolução Francesa e de Jefferson ter tido qualquer opinião sobre ela; e, em segundo, não me parece que haja grande contradição entre os ideiais da Declaração (que, basicamente, afirma o direito de os governados se revoltarem contra os governantes) e os da Revolução Francesa.

      E daí que a Declaração da Independência foi publicada antes de ter havido Revolução Francesa. Isso não proíbe alguém de ter suas crenças nos ideais revolucionários radicais.

      Aliás, existem várias contradições entre as duas declarações, uma delas é o caráter não totalitário da Independência norte-americana, assim como a ausência do anti-clericalismo.

      Seu truque aqui é pegar uma ou outra semelhança e falar que são “iguais”. rs.

      Não sei se vc percebeu, mas aqui esse tipo de truque não passa pelo crivo cético.

      Burke morreu em 1797, mas imagino que seja uma gralha; quanto ao Smith, ir associá-lo ao conservadorismo é um bocado um recrutamento postumo (creio que ele morreu antes de ter tempo de tomar partido sobre os conflitos politicos que tinham começado a surgir nessa altura).

      Agora, Edmund Burke ele “imagina que seja uma gralha”.

      Vamos agora aos fatos.

      O que você chama de conservadorismo “original” não é de direita, mas uma pré-esquerda, em que o totalitarismo era assumido como válido. Isso só pode ser possível pela mesma falha mental (justificável, na época, por causa da proibição de se pensar fora destas categorias) que levou ao esquerdismo.

      Aliás, aos demais leitores, percebam que Miguel Madeira não é um estudioso sério, mas um manipulador linguístico.

      Um texto engraçadíssimo do blog dele:

      “Ainda comentando este post de Filipe Faria, agora a respeito da questão da esquerda, da direita e do individualismo, eu diria que a(s) direita(s) tende(m) a cair para os extremos de individualismo e de anti-individualismo, enquanto a esquerda tende a uma posição intermédia.”

      Quer dizer, o cara vai invertendo conceitos e criando associações que não tem absolutamente nada a ver.

      Só por causa disso que uma mente aceita a idéia que a CONTINUAÇÃO do apoio à monarquia é … apoio ao estado mínimo.

      Claro que não faz o menor sentido e ele não faz isso buscando sentido, mas sim tentando implementar propaganda de esquerda.

      E eu ainda estava levando esse cara um pouco a sério…

      Bem, a defesa da monarquia era parte fundamental (se não A parte fundamental) das ideiais de um De Maistre ou de um Maurras (a obra principal deste último até se chama “Ensaio sobre a Monarquia”)

      É por isso que para a direita (no sentido de oposição à esquerda) só uma ou outra idéia de DeMaistre ou Maurras servem. No mais importante, que é o aceite do poder totalitário, ele é um inspirador dos esquerdistas.

      Luciano, você está a sentir-se bem?

      Eu sim, mas não digo o mesmo de vc…

      Pelo menos na Europa continental (e na outra a monarquia não caiu, portanto não interessa para a discussão), o pensamento conservador, mesmo – ou sobretudo – depois da queda da monarquia foi tradicionalmente anti-liberal e anti-capitalista; grupos como os católicos sociais, a Action Française, etc., não eram nada liberais (o facto de muitas vezes a sua base de apoio ser uma nobreza provinciana falida também ajudava a esse anti-liberalismo e anti-capitalismo). Mesmo depois da segundo guerra mundial, a linha dos conservadores continentais era a “economia social de mercado” (ou mesmo o dirigismo gaullista), não o liberalismo económico. Se calhar só para ai nos anos 70/80 do século passado é que o liberalismo se tornou a doutrina económica dominente (e mesmo assim com reservas) entre o conservadorismo continental.

      De novo o mesmo blá blá blá de sempre, com necas de evidências e a mesma manipulação semântica de sempre.

      O máximo que você mostrou é que o “conservadorismo” europeu sempre foi viciado em esquerdismo, mesmo aqueles que se opunham a outros tipos de esquerdismo. Aliás, não surpreende que a Europa tenha entrado em tantas dificuldades. Só pensam em inchar o estado, ou seja, só pensam sob as categorias ou da monarquia ou da esquerda. É claro que isso tem que resultar em m… mesmo.

      Não? Olhe para os resultados eleitorais na Alemanha na Repuiblica de Weimar. Em todas elas, o Partido Nacional Popular Alemão (o partido da aristiocracia prussiana, nacionalista e protecionista, herdeiro do Partido Conservador dos tempos de Bismark) teve mais votos que o seu quase homonimo Partido Popular Alemão (o partido da direita liberal). Logo, na Alemanha de Weimar, o liberalismo não era nada o padrão do pensamento conservador.

      Isso só prova que a Alemanha era mais um país europeu tão viciado em esquerdismo que até o “Partido Conservador” do início do século (quando o paradigma de “ou monarquia ou ditadura do proletariado” já havia sido quebrado) estava mais para o esquerdismo do que para o pensamento de direita.

      Alías, olhem que engraçado.

      Eu escrevi em meu texto que irritou os esquerdistas o seguinte:

      “Entretanto, especialmente do meio para o final, o que é vê é a essência do pensamento esquerdista, incluindo:

      •uso da guerra de classes
      •populismo
      •inchamento do estado
      •culto ao mesmo estado, é óbvio
      •limitação da atividade de imprensa
      •sistema de ensino público (para doutrinação no culto ao estado)
      •estatização de empresas
      •reforma agrária
      •ataque aos lucros das empresas
      •coletivismo, ao invés do individualismo”

      Já agora, mesmo na Grã-Bretanha (cujos conservadores são tradicionalmente mais liberais que no continente) , o Partido Conservador NÃO era, tradicionalmente, defensor do liberalismo económico – era um partido proteccionista: afinal, o actual Partido conservador foi criado pelo deputados tories que romperam com o governo de Robert Peel por este ter liberalizado a importação de cereais (enquanto os tories livre-cambistas se juntaram com os whigs para criar o Partido Liberal), e essa linha protecionista foi a dominante até à II Guerra mundial; e basta ver que a atitude de politicos e intelectuais conservadores do século XIX, como Disralei e Carlyle, face à economia liberal não era nada entusiasta.

      Como sempre, manipulações surgem do vosso lado. Protecionismo é apenas a proteção do sistema econômico do país, e pode continuar com o livre mercado sem problemas, enquanto você confunde com o livre comércio misturado com internacionalismo. Em relação ao protecionismo inglês, este estava de fato associado ao pensamento de direita, ao invés de Hitler, claramente esquerdista.

      Aliás, creio que o padrão anunciado neste blog mais uma vez se repete: “Politicamente, apoio o Bloco de Esquerda, e sou, simultaneamente, contra o poder do Capital e contra o poder da burocracia estatal (por exemplo, sou contra a privatização das escolas, mas também contra a sua governamentalização, defendendo escolas geridas democraticamente por alunos, pais, professores e/ou funcionários – claro os vários itens desta “receita” terão de ter pesos diferentes em situações diferentes). Em termos estritamente ideológicos, durante muito tempo fui trotskista, mas, actualmente, tenho vindo a simpatizar cada vez mais com o anarquismo (e, já agora, umas pitadas de georgismo e distributismo…).”

      É claro que temos alguém cujas mãos estão sujíssimas de sangue por causa de 150 milhões de mortos nos regimes da Rússia, China e Cambodja, e tenta compensar um pouco inventando a historinha de que o nazismo era de direita. 🙂

      • «Um texto engraçadíssimo do blog dele:

        “Ainda comentando este post de Filipe Faria, agora a respeito da questão da esquerda, da direita e do individualismo, eu diria que a(s) direita(s) tende(m) a cair para os extremos de individualismo e de anti-individualismo, enquanto a esquerda tende a uma posição intermédia.”

        Quer dizer, o cara vai invertendo conceitos e criando associações que não tem absolutamente nada a ver. »

        Por acaso leu o post do Filipe Faria (num dos principais blogs da direita liberal portuguesa) que deu origem ao meu post? Percebe-se melhor no contexto

        http://oinsurgente.org/2012/08/12/a-politica-do-inatismo/

        «Só por causa disso que uma mente aceita a idéia que a CONTINUAÇÃO do apoio à monarquia é … apoio ao estado mínimo. »

        Onde é que eu disse isso? No meu post das 6.00 de 30 de Agosto digo claramente que a direita liberal/orleanista e a direita tradicionalista/legitimista são coisas diferentes. E o tal meu post que você achou tão engraçado gira exactamente à volta da diferença entre conservadores e liberais, portanto não estou pondo as coisas no mesmo saco (nesse tal post eu até referi a teoria de Murray Rothbard de que o liberalismo clássico seria o oposto polar do Acien Regime…)

        «Protecionismo é apenas a proteção do sistema econômico do país, e pode continuar com o livre mercado sem problemas, enquanto você confunde com o livre comércio misturado com internacionalismo. Em relação ao protecionismo inglês, este estava de fato associado ao pensamento de direita, »

        Proteccionismo pode continuar com o livre mercado sem problemas????????????

        “Em termos estritamente ideológicos, durante muito tempo fui trotskista, mas, actualmente, tenho vindo a simpatizar cada vez mais com o anarquismo (e, já agora, umas pitadas de georgismo e distributismo…).”

        É claro que temos alguém cujas mãos estão sujíssimas de sangue por causa de 150 milhões de mortos nos regimes da Rússia, China e Cambodja,

        Na Rússia ainda vá lá (pelo meu passado trotskista), pelo menos até 1923; mas na China e Cambodja?? Mais lógico seria responsabilizar-me (como “semi-anarquista”) pelas execuções sumárias do lado republicano na Guerra Civil de Espanha.

      • Por acaso leu o post do Filipe Faria (num dos principais blogs da direita liberal portuguesa) que deu origem ao meu post? Percebe-se melhor no contexto
        http://oinsurgente.org/2012/08/12/a-politica-do-inatismo/

        Li. Tem algo de interessante por lá. Comprarei o livro citado.

        Onde é que eu disse isso? No meu post das 6.00 de 30 de Agosto digo claramente que a direita liberal/orleanista e a direita tradicionalista/legitimista são coisas diferentes. E o tal meu post que você achou tão engraçado gira exactamente à volta da diferença entre conservadores e liberais, portanto não estou pondo as coisas no mesmo saco (nesse tal post eu até referi a teoria de Murray Rothbard de que o liberalismo clássico seria o oposto polar do Acien Regime…)

        Ou seja, oposições à esquerda, mas uma é “oposto polar” da outra? não sei se você percebeu, mas há algo de muito errado em sua forma estreita de pensar na questão (somente sob categorias monarquistas e esquerdistas).

        E tudo bate com o que tenho afirmado. Essa idéia de associar “conservadorismo com defesa da monarquia” só tem sentido em um ambiente onde não se é permitido pensar fora da categoria monarquista ou da esquerdista, pois só se considera essas duas opções. Isso é sintoma tanto de contaminação do esquerdismo como da monarquia no senso comum.

        Aí é que vocês surgem com o quadrado redondo. Seria o mesmo que definir que existem dois ateísmos, mas um acreditando em Deus e outro não. Simplesmente não faz sentido.

        Proteccionismo pode continuar com o livre mercado sem problemas????????????

        Um governo pode ao mesmo tempo proteger o seu mercado de outros países que queiram conquistar território lá (ex. venda de serviços chineses nos Estados Unidos) e ainda assim permitir o livre mercado nos Estados Unidos. Note que eu falei de uma POSSIBILIDADE, não uma necessidade.

        Protecionismo, aliás, é bem diferente de ESTATIZAÇÃO.

        Na Rússia ainda vá lá (pelo meu passado trotskista), pelo menos até 1923; mas na China e Cambodja?? Mais lógico seria responsabilizar-me (como “semi-anarquista”) pelas execuções sumárias do lado republicano na Guerra Civil de Espanha.

        O que ocorreu na China e Cambodja senão a mais pura manifestação do esquerdismo? 🙂

  9. “Acabado de inventar quando?”

    Você sabe muito bem quando é que a terminologia esquerda/direita surgiu, não preciso de lhe estar a explicar.

    “Ademais, o termo conservador, no sentido de direita (oposição à esquerda), é alinhado à CONSERVAÇÃO dos valores do princípio do iluminismo, em oposição a exacerbação populista e totalitária da Revolução Francesa.”

    Isso pode fazer algum sentido para o conservadorismo anglo-saxónico; não faz de maneira nenhuma sentido para o conservadorismo continental, que era de inspiração anti-iluminista.

    “1. Havia o totalitarismo monárquico -> cenário onde não havia direita ou esquerda (pois no absolutismo não há duelos públicos de forma democrática)
    2. Surgiu o totalitarismo populista -> esquerda, fingindo um discurso de “liberdade”
    3. Como 2 é um truque para substituir 1, foi preciso definir uma oposição, na conservação dos valores originais do iluminismo, deturpados em 2

    3 = direita
    2 = esquerda
    1 = totalitarismo, onde não faz sentido esquerda ou direita, assim como não faz sentido lá na Coréia do norte”

    Em primeiro lugar, eu não chamaria “totalitarismo” à monarquia do Ancien Regime – o rei podia ser quase ominipotente (no sentido de não partilhar o seu poder com ninguém) mas não era ominipresente (no sentido de micro-gerir as existências dos seus subditos e dos corpos intermédios). Penso que o termo “autoritarismo” faria mais sentido.

    Portanto, refazendo o seu esquema:

    1. Monarquia tradicional
    2. “Totalitarismo” populista
    3. Governo limitado, separação de poderes, estado minimo

    3 = direita orleanista (atualmente colocada na direita, mas inicialmente considerada como centro ou centro-esquerda)
    2 = esquerda
    1 = direita legitimista

    [O conservadorismo anglo-saxónico, à maneira de Burke, e alguns raros continentais, como Tocqueville, é uma espécie de ponto intermédio entre a posição orleanista e a legitimista]

    • Você sabe muito bem quando é que a terminologia esquerda/direita surgiu, não preciso de lhe estar a explicar.

      Eu falei da terminologia esquerda/direita AUTO-DECLARADA pelos filósofos DA ÉPOCA em que os conceitos foram utilizados. Foi aí que faltaram suas evidências.

      Isso pode fazer algum sentido para o conservadorismo anglo-saxónico; não faz de maneira nenhuma sentido para o conservadorismo continental, que era de inspiração anti-iluminista.

      Essa idéia de “dividir” conservadorismos também é uma bobagem, pois após a queda da monarquia, até os girondinos, que eram contra a monarquia, se tornaram oponentes aos jacobinos. Ou seja, na ausência de monarquia, as opções eram duas: crer em projetos de remodelação da sociedade ou descrer deles.

      Em primeiro lugar, eu não chamaria “totalitarismo” à monarquia do Ancien Regime – o rei podia ser quase ominipotente (no sentido de não partilhar o seu poder com ninguém) mas não era ominipresente (no sentido de micro-gerir as existências dos seus subditos e dos corpos intermédios). Penso que o termo “autoritarismo” faria mais sentido.

      Por causa do autoritarismo, ainda tínhamos uma idéia baseada em categorias criadas pelos revolucionários de esquerda e pela monarquia, portanto é difícil catalogá-las como “direita de fato”. É por isso que o Ancien Regime só pode ser qualificado como centro.

      3 = direita orleanista (atualmente colocada na direita, mas inicialmente considerada como centro ou centro-esquerda)
      2 = esquerda
      1 = direita legitimista

      [O conservadorismo anglo-saxónico, à maneira de Burke, e alguns raros continentais, como Tocqueville, é uma espécie de ponto intermédio entre a posição orleanista e a legitimista]

      Vamos brincar de neurolinguística? “Atualmente colocada na direita” por quem?

      Inicialmente “considerada como centro ou centro-esquerda” por quem?

      Note que essas respostas detonam muitos paradigmas seus, pois, de novo, você pensa sob categorias esquerdistas.

      O fato é que uma posição de estado INTERVENTOR só pode ser oposta por uma posição de estado NÃO INTERVENTOR.

      O flerte de alguns “conservadores” (que nada tinham a ver com a conservação do iluminismo original) com a monarquia só fazia sentido em um momento em que se pensava SOB CATEGORIAS MONARQUISTAS.

      É por isso que a oposição ao teísmo seria o deísmo em uma época em que se pensava sob CATEGORIAS TEÍSTAS, mas após isso, podia-se pensar de forma mais ampla, e finalmente o ateísmo se opõe ao teísmo.

      É exatamente por isso que somente após a queda do paradigma monarquista, e o surgimento do paradigma ESQUERDISTA, pode-se definir uma oposição para discussão sobre coisas como:

      (a) crença no homem
      (b) projeto de remodelação da sociedade
      (c) planificação da sociedade, com promessa de “igualdade social”

      E coisas do tipo.

      E nesse momento a direita surge com o raciocínio de OPOSIÇÃO de fato aos cânones centrais da esquerda como um todo.

      Sob um novo paradigma, alguém só pode se declarar ateu se NÃO ACREDITAR EM DEUS.

      Assim como se declarar de direita se NÃO ACREDITAR NOS PROJETOS DE REMODELAÇÃO DA SOCIEDADE COM BASE NA CRENÇA NO HOMEM, ou seja, toda a esquerda.

      Isso já estava disponível nos tempos de Hitler.

      • Tem razão; não sei – nem sei quando a direita legitimista/tradicionalista se começou a dizer “de direita”, nem quando a direita liberal/”orleanista” se começou a dizer “de direita”. E você, sabe?

        Não, não sei ao certo. Mas é fato que podemos investigar retroativamente e enfim definir um PADRÃO de comportamento, pensando fora das categorias criadas tanto pelos monarquistas como pelos revolucionários da esquerda.

        Atenção, eu já falei isso mais de uma vez: aqui você não impõe as categorias da esquerda, mas terá que estudar direita e esquerda de forma identificável tanto por filósofos da esquerda como da direita.

        Do lado do fascismo, há um texto de Mussolini do principio dos anos 30 identificando-se com a direita; para a direita conservadora católica, temos a CEDA espanhola dos anos 30 chamando-se “de direita”; eu tenho uma vaga ideia de Oswald Spengler, algures na primeira metade do século XX, se ter dito “de direita”; provavelmente também alguns autores da direita liberal se terão chamado “de direita” por essa época ou mesmo antes

        O problema é que essa classificação de “fascismo como de direita” não tem uma base filosófica, e pequenos discursos políticos momentâneos não valem. Aliás, até o Lula parece que se declarou de direita, não?

        É preciso de um critério mais objetivo, enfim, um PADRÃO.

        A idéia de fascismo ser de direita já foi refutada:

        https://direitasja.wordpress.com/2012/03/11/quando-o-fascismo-era-de-esquerda/

    • Após a revolução francesa, este é o ÚNICO conservadorismo a fazer sentido. De novo:

      1. Antes da queda da monarquia, NÃO HAVIA sentido em falar de direita ou esquerda
      2. Posição de cadeira não é o mesmo que sistema filosófico ou definição de um sistema ideológico
      3. Usar “conservação de monarquia” como “conservação dos valores originais do iluminismo” é uma manipulação semântica (como sempre, vinda da esquerda) tão grande quanto comparar “mudança biológica” (evolução) com “mudança de apartamento” (nada a ver com Darwin).

      Segue um texto para esclarecimentos.

      http://lucianoayan.com/2012/08/30/os-3-paradigmas-deste-blog-para-criancas-a-partir-de-10-anos-de-idade/

      OBS.: Há dois posts teus que estão por serem publicados (ainda hoje), pois aqui texto de esquerdista encontra somente com a resposta anexada. Portanto, nada do que você escreveu foi vetado. Há um post seu, inclusive, de ontem. Será publicado.

      • “Após a revolução francesa, este é o ÚNICO conservadorismo a fazer sentido.”

        Bem, você acabou de deitar para o lixo quase 200 anos de história do pensamento politico (tradicionalmente até é mais comum considerar que é o conservadorismo americano que não é bem um conservadorismo no sentido clássico, do que considerar que os conservadorismos europeus não existem ou não fazem sentido…); para alguém que me parece considerar-se um “conservador” (você não o disse especificamente, mas penso que deixou implicito), demonstra um grande desprezo pelas tradições historicamente consagradas…

      • É exatamente o oposto. O que se fala aqui é de uma antropologia das idéias políticas que hoje vemos, e onde elas se originaram. O que ocorreu no tempo da monarquia foram ALGUMAS IDÉIAS que puderam ser aproveitadas no pensamendo conservador de direita (auto-declarado de direita, diga-se) que veio posteriormente, e que já estava disponível nos tempos de Hitler.

        Claro que nem tudo que Hobbes ou DeMaistre disseram era bobagem e algo pode ser aproveitado, mas o surgimento de Edmund Burke e Adam Smith foram muito mais influentes para os AUTO-DECLARADOS de direita.

        Note que você somente joga por categorias criadas pela esquerda, o que, em termos de INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA, não serve.

  10. Já agora, vou deixar aqui umas passagens da entrada “Direita”, da Polis – Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado (uma enciclopedia “dirigida” pela Universidade Católica Portugues. O autor do artigo é Jaime Nogueira Pinto, um dos principais intelectuais da direita portuguesa (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jaime_Nogueira_Pinto), que é mais ou menos sócio-correspondente da Heritage Foudation, ou coisa assim.

    “Noção prévia

    (…) a terminologia dicotómica direita/esquerda tem raizes nos alvores das modernas instituições parlamentares e toma por critério histórico original a localização espacial por grupos ou tendências nas assembleias legislativas (…)

    Bastaria a enunciação desta origem «geométrica» para dar conta da relatividade histórica-espacial destas noções…”

    Parece-me que o autor é também da opinião que esquerda ou direita é contextual.

    “História

    Para Raymond Aron, a França é a pátria do antagonismo direita/esquerda, identificadas ali, historicamente, a primeira com os principios monárquicos, católicos, tradicionalistas, contra-revolucionários, e a segundo com os principios republicanos, anticlericais, progressistas, revolucionários…”

    O autor não diz explicitamente onde vai buscar isso, mas como o unico livro de Aron referido na biografia do artigo é “O ópio dos intelectuais” deve ter sido aí; pelos vistos JNP e Aron (ambos de impecáveis credenciais direitistas) consideram que a defesa da monarquia tradicional era a bandeira original da direita

    “Aproximação descritiva (…)

    Propriedade e antieconomicismo – Atravez das distinções, sobretudo de raiz filosófica, da tradição conservadora anglo-saxónica, profundamente privatista e até libertária na economia, e a tradição nacionalista e estatizante continental, o pensamento de Direita sempre se afirmou contrário a formas extremas de socialismo…”

    Note-se o “extremas” a seguir a “formas”, e a referência à “tradição nacionalista e estatizante continental” – ou seja, há tanto uma direita defensora do liberalismo económico, como uma defesensora do intervencionismo (mesmo que não “extremo”)

    • note-se que eu ter citado esse artigo enciclopédico não quer dizer que concorde com o que lá vem, ou com tudo o que lá vem (seria pouco provávcel uma concordancia dessas entre um direitista e um radical de esquerda) – era só para apresentar um autor consagrado da direita a tentar defini-la.

      • O problema é que a religião política (esquerda) é tão influente na Europa que alguns historiadores da direita (mesmo alguns que vivam nos Estados Unidos, mas influenciados pelos academicos europeus) acabam caindo nas manipulações de categorias da esquerda, e pensem sob categorias da esquerda.

        O engraçado é que tal catalogação NUNCA VEM respaldadas por fontes primárias, uma análise investigativa do uso dos termos (ao invés de rotulagem do oponente), ou até mesmo argumentos embasados.

        Por exemplo, suponha que alguém defina que em uma dada época não existisse a opção de solteirisse para uma mulher, então todas seriam casadas. Mas as que não se casassem com o chefe, seriam chamadas de opostas às casadas com o chefe. Mas depois se descubra que a opção de solteirisse é viável, e então não se pensa mais sob as categorias das casadas. Daí, estar casada com o chefe da tribo não é mais a OPOSIÇÃO à estar casada com o chefe da tribo, mas sim uma solteira, quando falamos da opção casamento.

        É por isso que digo que quando se pensa somente sob categorias monarquistas e esquerdistas, tem-se um estreitamento mental e um engano linguístico que não confere com a realidade.

    • Já agora, vou deixar aqui umas passagens da entrada “Direita”, da Polis – Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado (uma enciclopedia “dirigida” pela Universidade Católica Portugues. O autor do artigo é Jaime Nogueira Pinto, um dos principais intelectuais da direita portuguesa (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jaime_Nogueira_Pinto), que é mais ou menos sócio-correspondente da Heritage Foudation, ou coisa assim.

      Se alguém cai no truque da esquerda e pensa sob as categorias da esquerda, isso prova o que? Acho que você ainda não está acostumado com debates com o uso do ceticismo, não? Preciso te ensinar o guia de falácias?

      “Noção prévia

      (…) a terminologia dicotómica direita/esquerda tem raizes nos alvores das modernas instituições parlamentares e toma por critério histórico original a localização espacial por grupos ou tendências nas assembleias legislativas (…)

      Bastaria a enunciação desta origem «geométrica» para dar conta da relatividade histórica-espacial destas noções…”

      Parece-me que o autor é também da opinião que esquerda ou direita é contextual.

      Desculpe, mas opinião não serve. Aqui temos que apresentar fatos e argumentos, pois é um debate onde o ceticismo político é a regra.

      Direita ou esquerda seria contextual SE E SOMENTE SE não fosse possível definir um PADRÃO no pensamento esquerdista, e uma consequente OPOSIÇÃO a este pensamento, assim como é possível definir um PADRÃO no pensamento teísta, e uma consequente OPOSIÇÃO a este pensamento. Em ambos os casos, no que diz respeito às suas crenças centrais, é claro.

      “História

      Para Raymond Aron, a França é a pátria do antagonismo direita/esquerda, identificadas ali, historicamente, a primeira com os principios monárquicos, católicos, tradicionalistas, contra-revolucionários, e a segundo com os principios republicanos, anticlericais, progressistas, revolucionários…”

      O autor não diz explicitamente onde vai buscar isso, mas como o unico livro de Aron referido na biografia do artigo é “O ópio dos intelectuais” deve ter sido aí; pelos vistos JNP e Aron (ambos de impecáveis credenciais direitistas) consideram que a defesa da monarquia tradicional era a bandeira original da direita

      “Aproximação descritiva (…)

      Propriedade e antieconomicismo – Atravez das distinções, sobretudo de raiz filosófica, da tradição conservadora anglo-saxónica, profundamente privatista e até libertária na economia, e a tradição nacionalista e estatizante continental, o pensamento de Direita sempre se afirmou contrário a formas extremas de socialismo…”

      Note-se o “extremas” a seguir a “formas”, e a referência à “tradição nacionalista e estatizante continental” – ou seja, há tanto uma direita defensora do liberalismo económico, como uma defesensora do intervencionismo (mesmo que não “extremo”)

      Se era a “bandeira original da direita”, por que foi abandonada tão fácil?

      A resposta é simples. A defesa da monarquia NUNCA FOI “bandeira da direita”, mas simplesmente um apoio político contextual de pessoas que eram contra-revolucionários em um período ONDE NÃO FAZIA SENTIDO uma terminologia esquerda ou direita.

      Claro que alguns caíram no truque de pensar sob as categorias da esquerda, mas o máximo que você trouxe aqui foi citação do mesmo truque, opiniões, mas poucos fatos e estudos antropológicos do pensamento de direita ou esquerda. Aliás, história investigativa, nem pensar né?

      • O seu argumento parece estar a entrar no terreno da não-falsificabilidade: basicamente, se eu citar um esquerdista, você vai dizer que categoria criadas por esquerdistas não servem; se eu citar um direitista, você vai dizer que ele foi influenciado pela esquerda.

        Ma já lhe ocorreu que um direitista não-liberal poderia achar o mesmo de sí? Que tinha sido tão influenciado pelo pensamento de esquerda que só conseguia pensar em termos de socialismo vs. liberalismo (que os direitistas não-liberais considerem braços do mesmo ramo)?

        «Se era a “bandeira original da direita”, por que foi abandonada tão fácil?»

        Como tão fácil? Até aos anos 70 do século XIX, o tradicionalismo monárquico foi uma força politica relevante em França (quase 80 anos a seguir à revolução), e a monarquia só não foi restaurada em 70 e tal porque o conde de Chambord (o herdeiro legitimista) se recusou a aceitar a bandeira tricolor, dizendo que só aceitaria o trono com a bandeira da flor de lis. Mesmo perdendo a influência de massas, as ideias monárquicas tradicionalistas continuaram influentes intelectualmente até à segunda guerra mundial (via a Action Française).

        Saindo da França para o conjunto da Europa, durante todo o século XIX os partidos que tinham “Conservador” no nome (isto é mais fácil de provar do que “direita”) costumvam, nos países que eram monarquias, defender as prerrogativas reais contra as do parlamento. Só no principio do século XX, sobretudo após a I Guerra Mundial, é que as monarquias, ou foram abolidas, ou remetidas a um papel simbólico (tirando a inglesa, em quase todas as outras o rei continuava a ser um ator politico relevante até então).

      • O seu argumento parece estar a entrar no terreno da não-falsificabilidade: basicamente, se eu citar um esquerdista, você vai dizer que categoria criadas por esquerdistas não servem; se eu citar um direitista, você vai dizer que ele foi influenciado pela esquerda.

        O meu padrão é simplesmente usar uma forma científica de estudarmos o que é direita ou esquerda, ao invés de discursos e atribuições de oponentes. Vou mostrar o motivo disto logo abaixo.

        Ma já lhe ocorreu que um direitista não-liberal poderia achar o mesmo de sí? Que tinha sido tão influenciado pelo pensamento de esquerda que só conseguia pensar em termos de socialismo vs. liberalismo (que os direitistas não-liberais considerem braços do mesmo ramo)?

        Claro que ele pode achar o mesmo de mim, e em um duelo de argumentos eu mostrarei que ele ainda pensa sob categorias do monarquismo ou da esquerda. É por isso que o sistema de pensamento tratado aqui por DIREITA é oponente ao pensamento da esquerda assim como o ateísmo é oponente ao teísmo em termos de crença. É uma categorização lógica.

        Aquilo que você define como “conservadorismo não-liberal” é nada mais que uma mistura de idéias que pode tanto ser definida como algo que influenciou no futuro o conservadorismo de facto, como também ser chamado de pré-esquerdismo, pois tem mais similaridades com a esquerda do que com a direita. Mas, de novo, isso é fruto de se pensar de acordo com as categorias da esquerda.

        Como tão fácil? Até aos anos 70 do século XIX, o tradicionalismo monárquico foi uma força politica relevante em França (quase 80 anos a seguir à revolução), e a monarquia só não foi restaurada em 70 e tal porque o conde de Chambord (o herdeiro legitimista) se recusou a aceitar a bandeira tricolor, dizendo que só aceitaria o trono com a bandeira da flor de lis. Mesmo perdendo a influência de massas, as ideias monárquicas tradicionalistas continuaram influentes intelectualmente até à segunda guerra mundial (via a Action Française).

        É por isso, aliás, que sempre consideramos a França uma referência de esquerdismo, pois não há pensamento fora destas categorias por lá.

        Saindo da França para o conjunto da Europa, durante todo o século XIX os partidos que tinham “Conservador” no nome (isto é mais fácil de provar do que “direita”) costumvam, nos países que eram monarquias, defender as prerrogativas reais contra as do parlamento. Só no principio do século XX, sobretudo após a I Guerra Mundial, é que as monarquias, ou foram abolidas, ou remetidas a um papel simbólico (tirando a inglesa, em quase todas as outras o rei continuava a ser um ator politico relevante até então).

        Note que aí você se traiu. Note… “partidos que tinham ‘conservador’ no nome… nos países que eram monarquias”. Ou seja, é o mesmo que se declarar como solteiro, mesmo sendo casado, em um território onde não se consegue pensar em solteirice. Mas o fato é que solteiro possui um significado, que só não pode ser apreendido em um ambiente que pensa sob as categorias dos “casados absolutistas”.

        Esse é o problema de seu sistema de pensamento, e por isso é incapaz de tratar a questão de direita X esquerda de uma forma mais científica, como tenho feito.

  11. Finalmente, arranjei algo que talvez lhe sirva – um livro do principe de Polignac (um dos lideres dos “ultras” nos anos 20 do século XIX em France) decrevendo as facções politicas na época e identificando a “direita” e a “extrema-direita” com os defensores (em diferente grau) da autoridade real

    http://books.google.fr/books?id=ti4JAAAAQAAJ

    (pagina 194)

    [Não sei se já enviei este comentário ou não; se estiver repetido, claro, pode apagar o que está a mais]

    • Aguardo uma transcrição do material, pois não consegui acessá-lo. Vamos estudar o contexto, embora pelo que vi aqui Jules de Polignac era um MEMBRO da monarquia. por enquanto, a evidência é bem vaga.

  12. “D’aprés cettet nouvelle classification, cinq fraction disaviet la Chambre des Députés: l’éxtréme droite, dont le zèle monarchique était souvent intempestif e um peu exigent; la droite soutenant les prérogatives de la couronne selon la Charte; le centre droit donnat cest votes au ministére dont il recevait ou attendait des emplois; le centre gauche, plaçant la Chartre avant le roi, e l’invoquant sans cesse, comme si quelque danger la menaçait; enfim la gauche, fidéle à son ancient programme de 1815, e net reconnaissant d’autre souveraineté que celle que émanait du peuple.”

    Ou, na página 168,

    “Cependant la session de 1815 venait de souvrir: les opinions politiques se classaient on pouvait en indiquer les diverses fractions par les places qu occupaient dans la Chambre législative les députés qui leur appartenaient: j’ adopte cette classification, elle servira de dénomination aux partis. A la droite siégeaient les royalistes; à la gauche étaient assis leurs plus fougueux adversaires; le centre était occupé par les députés revêtus d emplois, et par ceux qui de bonne foi ou feignant de l être, soutenaient le système ministériel. La droite défendait la monarchie; la gauche exploitait la Charte; le centre appuyait tous les ministères. La première fraction, plus nombreuse que les deux autres, votèrent les projets de loi apportés parles ministres, tant que ces projets leur parurent utiles à la stabilité du trône; elle rejeta ceux qui tendaient à fortifier les idées révolutionnaires. La gauche, au contraire, repoussa les mesures qui devaient consolider la monarchie et n’accueillit que celles qui pouvaient réintégrer la révolution dans la société; le centre, accordait tout; le ministère, froissé, irrité, venait échouer contre les deux principes opposés qui se partageaient la Chambre, il désirait le maintien de la légitimité, mais avec les idées du jour. Ni la droite ni la gauche ne pouvaient reconnaître une semblable alliance: chacune d’elles rejetait la seule chose que l autre voulût accepter”

    Pode-me dizer que, em nenhuma dessas passagens Polignac se diz explicitamente “de direita”; mas, se um politico e autor “royaliste” identifica “direita” com a defesa dessa posição, está implicitamente a se auto-classificar na direita, acho eu.

    Até porque, de qualquer maneira, não é muito frequente alguém com um posicionamento politico conhecido e claro escrever algo dizendo especificamente “sou de direita” ou “sou de esquerda” – acho que normalmenta alguém só escreve uma coisa dessas quando há dúvidas sobre o seu posicionamento e ele vem esclarecer a dúvida; o que normalmente as pessoas que se consideram de direita/esquerda fazem é escreverem textos a falar da direita/esquerda com um tom ou num contexto em que se vê que se identificam com a direita/esquerda. P.ex., se alguém escreve “a direita tem que se mobilizar para derrotar a esquerda e salvar a civilização” (como, com outras palavras, o Spengler mais ou menos escreve), em principio identifica-se como de direita; ou se alguém que passou a vida a defender X, escreve “a direita caracteriza-se por defender X” (como é o caso de Polignac), penso que também conta como auto-identificação.

    • Não sei se você percebeu, mas a própria citação de “direita” neste caso tem a ver não com uma posição filosófica, mas com uma preocupação POLÍTICA MOMENTÂNEA de proteção contra o movimento revolucionária. Em nenhum momento ele define isso como PARTE DA IDEOLOGIA de direita. Não é esse tipo de prova que foi solicitada.

      DE NOVO, não adianta CITAR ALIANÇAS POLÍTICAS CONTEXTUAIS.

      O que te pedi foram autores que defendiam a filosofia da direita (assim como há vários que defendem a filosofia de esquerda, incluindo Marx) na qual essa associação não é “uso de alianças políticas”, mas sim uma defesa objetiva de uma ideologia. Note que a ideologia que deu origem a revoluçao francesa é o iluminismo radical, e podemos fazer um RASTREAMENTO de todo o esquerdismo lá contido, ao contrário do iluminismo original.

      A abordagem de Polignac não tem absolutamente nada disto.

      Os fatos são os seguintes, e elaborarei um texto para responder seu post e definitivamente desmascarar os truques:

      1. Aqui esquerda e direita são tratadas de forma CIENTÍFICA, ou seja, um padrão de comportamento aliado a um conjunto de idéias, por outro lado suas fontes são sempre “hearsay”, sem o mínimo de ceticismo, no máximo são declarações de pessoas que vivem sob categorias da monarquia e/ou monarquia+esquerda.
      2. Aqui sempre que alguém ouvir falar de direita saberá do que estou falando, e de esquerda também. Ao contrário de seu método, no qual uma solteira pode ser casada ao mesmo tempo, ou um ateu pode ser teísta ao mesmo tempo. Você usa manipulações linguísticas ao invés de estudar os fatos. Isso explica-se por você ter sido vítima de doutrinação acadêmica em marxismo.

      Minha próxima resposta a você será no próximo post, creio que perdi muito tempo contigo nesta seção de comentários, e o número de evidências apresentados por você (em relação ao que foi solicitado) é igual a zero. Espere meu post, e somente após você entender o que está lá, tente arrumar novas evidências.

      • Confesso que não percebo onde você quer chegar – pediu-me exemplos de gente como De Maistre a auto-rotular-se como de direita; eu arranjei-lhe um politico monárquico do principio do seculo XIX a dizer que a direita eram os defensores das prerrogativas reais. Não temos aqui a defesa objectiva de uma ideologia (neste caso, a autoridade do rei)?

        Quanto à fonte ser um hearsay, desde quando é que um politico da época é um “hearsay”? O que queria que eu fizesse? Que me metesse numa máquina do tempo para ir ver em directo?

      • Eu acho engraçado notar que esquerdistas não sabem ler. Eu citei um texto aqui, e você teve a oportunidade de ler. Não leu por que não quis, ou se leu, fingiu que não leu para continuar pregando sua agenda. Pior para você.

        Mas, mesmo que você finja não ler, os leitores aqui poderão ver o que eu já citei.

        O texto está citado em http://lucianoayan.com/2012/08/28/direita-e-esquerda-origem-e-fim/ e é de autoria de Olavo de Carvalho:

        “Proponho ao leitor, hoje, uma breve investigação de história das idéias. Ela pode ser um tanto trabalhosa no começo, mas renderá bons frutos para a compreensão de muitos fatos da vida presente.

        A inconstância e a variedade dos discursos ideológicos da esquerda e da direita, para não mencionar suas freqüentes inversões e enxertos mútuos, tornam tão difícil apreender conceptualmente a diferença entre essas duas correntes políticas, que muitos estudiosos desistiram de fazê-lo e optaram por tomá-las como meros rótulos convencionais ou publicitários, sem qualquer conteúdo preciso.

        Outros, vendo que a zona de indistinção entre elas se amplia com o tempo, concluíram que elas faziam sentido na origem, mas se tornaram progressivamente inutilizáveis como conceitos descritivos.

        Apesar dessas objeções razoáveis, as denominações de esquerda e direita ainda servem a grupos políticos atuantes, que, não raro imantando-as com uma carga emocional poderosa, as utilizam não só como símbolos de auto-identificação mas, inversamente, como indicadores esquemáticos pelos quais desenham em imaginação a figura do seu adversário ideal e a projetam, historicamente, sobre este ou aquele grupo social.

        Quando surge uma situação paradoxal desse tipo, isto é, quando conceitos demasiado fluidos ou mesmo vazios de conteúdo têm não obstante uma presença real como forças historicamente atuantes, é porque suas várias e conflitantes definições verbais são apenas tentativas parciais e falhadas de expressar um dado de realidade, uma verdade de experiência, cuja unidade de significado, obscuramente pressentida, permanece abaixo do limiar de consciência dos personagens envolvidos e só pode ser desencavada mediante a análise direta da experiência enquanto tal, isto é, tomada independentemente de suas formulações verbais historicamente registradas.

        Dito de outro modo: a distinção de direita e esquerda existe objetivamente e é estável o bastante para ser objeto de um conceito científico, mas ela não consiste em nada do que a direita ou a esquerda dizem de si mesmas ou uma da outra. Consiste numa diferença entre duas percepções da realidade, diferença que permanece constante ao longo de todas as variações de significado dos termos respectivos e que, uma vez apreendida, permite elucidar a unidade por baixo dessas variações e explicar como elas se tornaram historicamente possíveis.”

        OBSERVAÇÕES MINHAS:

        * Eu deixei bem claro que usos CONTEXTUAIS E MOMENTANEOS do termo direita não servirão
        * Uma defesa filosófica ideológica (não de uso político para um momento), portanto, seriam indícios de que “a direita se constitui disso”
        * Esse tipo de cuidado, que envolve tratar os fenômenos da esquerda e da direita de forma científica, evita exatamente o erro ao qual você tenta induzir o leitor, de pegar “duas direitas”, tão opostas entre elas que uma delas está mais próxima da esquerda do que da direita
        * Em resumo, não adianta dizer que teísmo é uma forma de ateísmo, somente por que em um período histórico não se pensava fora das categorias do teísmo. Mas você não vai entender, de novo…

  13. «O problema é que essa classificação de “fascismo como de direita” não tem uma base filosófica, e pequenos discursos políticos momentâneos não valem.»

    Não me parece que um texto escrito (provavelmente por Giovanni Gentile, mas assinado por Mussolini) especificamente com o propósito de definir “a doutrina do fascismo” seja um pequeno discurso momentáneo:

    http://www.polyarchy.org/basta/documenti/fascismo.1932.html

    http://pt.scribd.com/doc/61968043/MUSSOLINI-Benito-a-Doutrina-Do-Fascismo (tradução)

    Embora é verdade que a referencia ao fascismo como “de direita” é apenas uma pequena frase no meio do texto.

    • Não sei se você percebeu, mas o texto é muito mais esquerdista do que de direita. É típico de um momento histórico especifico no qual se opor ao marxismo era “de direita”. Foi por isso, aliás, que Lenin escreveu “Esquerdismo, Doença mental do Comunismo”.

      http://pt.wikipedia.org/wiki/Esquerdismo,_Doen%C3%A7a_Infantil_do_Comunismo

      Mas isso é apenas trucagem retórica.

      Veja, eu entendo seu drama, você NÃO CONSEGUE pensar fora destas categorias.

      A diferença minha é que eu vejo o esquerdismo “por fora”, mas sua mente jamais conseguirá abstrair isso. Mas no meu post detalharei mais o terrível drama que o acomete.

  14. Eu li o texto e até achei que ia de acordo com o que EU tinha escrito (nomeadamente a observação de que o liberalismo tinha começado por ser de esquerda e depois passado para a direita) – quando reparei na sua observação final, até pensei que fosse discordar desse ponto, mas não discordou (só referiu a questão religiosa)

    Vamos lá ver – você primeiro exige-me que eu defina “direita” com base nos autores auto-proclamados de direita; e depois diz-me que “a distinção de direita e esquerda (…) não consiste em nada do que a direita ou a esquerda dizem de si mesmas ou uma da outra”?

    Nota: quanto a eu pegar “duas direita”, eu até me inclino mais para a teoria do Rene Remond das “três direitas” (legitimista – tradicionalista; orleanista – liberal; bonapartista – populista/nacionalista).

    Voltando à discussão filosófica “de direita” – o correcto para isso seria pegar em todos os movimentos que, ao longo do tempo, se proclamaram (ou foram proclamados e não reclamaram disso) “de direita” e tentar perceber o que eles teriam em comum. Duvido é que seja possível encontrar esse algo comum, além da rejeição das posições da esquerda.

    Poderia-se argumentar, como me aprece que tem feito (e eu quase que tendo a concordar,) que o traço filosófico comum à direita seria o cepticismo face à natureza humana e aos projectos de reforma social. Porque é que eu, quase tendendo a concordar, não concordo? Porque pelo menos alguns liberais não me parecem ter cepticismo nenhum – eles defendem o liberalismo económico com o mesmo entusiasmo que os socialistas defendem o socialismo: com argumentos essencialmente racionalistas (do género “o raciocinio lógico demonstra que o liberalismo é o melhor sistema”, e não “duzentos anos de história demonstram que o liberalismo é o melhor sistema” – sobretudo os economistas da Escola Austríaca, se há coisa com que não podem, é com argumentos empiristas) e considerando que o liberalismo é o sistema que permite ao “génio humano” resolver os problemas que afligem a humanidade; isto é, á sua maneira eles são optimistas, progressistas, racionalistas, antropocêntricos, etc. Mas fará sentido considerá-los “de esquerda”, quando em termos de politicas concretas defendem o mesmo que grande parte da “direita”?

    Um ponto final – você pode argumentar que a tal associação “direita=monarquia tradicional” era apenas uma posição momentânea e não algo implicito na filosofia profunda da direita; mas penso que o mesmo pode ser dito da associação “direita=liberalismo económico” que você estava a tentar fazer (o próprio facto de ter havido politicos e autores auto-proclamados de direita anti-liberais demonstra isso).

    • Eu li o texto e até achei que ia de acordo com o que EU tinha escrito (nomeadamente a observação de que o liberalismo tinha começado por ser de esquerda e depois passado para a direita) – quando reparei na sua observação final, até pensei que fosse discordar desse ponto, mas não discordou (só referiu a questão religiosa)

      Nota-se uma dificuldade tua (talvez por vicio em historicismo absoluto) em pensar cientificamente. Não existe isso de “liberalismo ser de direita ou de esquerda”, mas sim que o liberalismo FOI incorporado ao ideário ideológico do pensamento de direita quando conveniente.

      Aliás, a inversão do sujeito objeto é característica do pensamento de esquerda: http://www.olavodecarvalho.org/semana/071029dc.html

      (é por isso que o debate entre eu e você, aí sim, é um legítimo embate entre esquerda X direita, incluindo aí todos os truques que nós, da direita, mapeamos nos esquerdistas)

      Vamos lá ver – você primeiro exige-me que eu defina “direita” com base nos autores auto-proclamados de direita; e depois diz-me que “a distinção de direita e esquerda (…) não consiste em nada do que a direita ou a esquerda dizem de si mesmas ou uma da outra”?

      Mais um truque de simulação de falso entendimento. Falei desta estratégia já: http://lucianoayan.com/2012/02/24/estrategia-de-esquerda-simulacao-de-falso-entendimento/

      Quem estudar de fato a política sabe que há uma distinção entre partidos políticos e UMA IDEOLOGIA POLÍTICA.

      É por isso que hoje em dia pode-se ver um partido dizer que apóia a esquerda, por causa do cristianismo, e outro dizer que não apóia… por causa do cristianismo.

      Fica evidente que existe um nível de discussão que não tem o objetivo de fazer QUALQUER SENTIDO (o da atuação da política profissional), e outro que tem um sentido lógico, que é aquele dos escritos FILOSÓFICOS, ou mesmo análises INTELECTUAIS destes escritos. Estes textos, sim, tem o objetivo de ter qualquer sentido.

      Designações usadas por políticos profissionais, como se vê na política profissional, por sua vez não são análises ideológicas, filosóficas, etc., são discursos de CARÁTER EMOCIONAL.

      Era isso que o texto queria dizer.

      Você mistura as duas coisas, e é por isso que fica fácil achar “três direitas”, assim como eu acharia “cinco esquerdas”, mas sendo que eu acharia uma esquerda de direita, e você uma direita de esquerda. Ou seja, ficar preso ao discurso da política profissional significa a busca do quadrado redondo ou da chuva seca, e é isso que você tem tentado fazer, ao invés da pesquisa científica do que significam tais termos.

      Nota: quanto a eu pegar “duas direita”, eu até me inclino mais para a teoria do Rene Remond das “três direitas” (legitimista – tradicionalista; orleanista – liberal; bonapartista – populista/nacionalista).

      Está vendo que você se apega PRINCIPALMENTE à política profissional? É por isso que você não consegue sequer iniciar uma discussão a respeito do assunto, pois ficou tão acostumado a usar recursos de confusão proposital do assunto (talvez por influencia de doutrinação escolar), que não tem como acompanhar a discussão. É por isso que suas “três direitas” são tão diferentes uma da outra, que uma delas é mais próxima da esquerda, em termos filosóficos, do que da direita.

      Na boa, não é para isso que a linguagem humana foi feita. A linguagem foi feita para DAR SENTIDO à nossa comunicação…

      Voltando à discussão filosófica “de direita” – o correcto para isso seria pegar em todos os movimentos que, ao longo do tempo, se proclamaram (ou foram proclamados e não reclamaram disso) “de direita” e tentar perceber o que eles teriam em comum. Duvido é que seja possível encontrar esse algo comum, além da rejeição das posições da esquerda.

      Por que duvida? Na verdade, não é tão difícil quanto você pensa.

      Mas de novo, e vou deixar isso mais explícito no meu texto que vai detonar quaisquer truques.

      Basta estudar os momentos históricos.

      1. Havia um período em que se pensava sob categorias monarquistas, e se aceitava um poder absoluto e totalitário <- pensamento sob categorias monarquistas
      2. Surgiu um período em que se pensava sob categorias monarquistas e esquerdistas, com estes últimos pedindo poder absoluto e totalitário, e geralmente mais sanguinário, por causa da autoridade moral de "estar ao lado do povo" <- pensamento sob categorias monarquistas e esquerdistas
      3. Um terceiro período, onde se "testaram" os dois tipos de totalitarismo, no qual se estabeleceu uma forma de pensamento que questiona tanto 1 como 2 <- pensamento fora das categorias monarquistas e esquerdistas

      É claro que existiu um período histórico no qual algumas pensavam "ou é monarquia ou é ditadura dos que fingem representar o povão", e até tomaram POSIÇÕES POLÍTICAS de apoio a monarquia. Em outros casos, alguns autores cujas idéias inspiraram o pensamento de direita (somente quando ele foi efetivamente criado, e isso foi após o estabelecimento definitivo da esquerda) viveram em um tempo monárquico e PENSAVAM SOB CATEGORIAS MONARQUISTAS.

      Mas, como já mostrei, isso não define de forma científica o que é o posicionamento de direita. E nem de esquerda.

      Abaixo, você reconhecerá o que seria uma definição do pensamento de direita (versus o de esquerda), mas lança uma objeção infundada.

      Poderia-se argumentar, como me aprece que tem feito (e eu quase que tendo a concordar,) que o traço filosófico comum à direita seria o cepticismo face à natureza humana e aos projectos de reforma social. Porque é que eu, quase tendendo a concordar, não concordo? Porque pelo menos alguns liberais não me parecem ter cepticismo nenhum – eles defendem o liberalismo económico com o mesmo entusiasmo que os socialistas defendem o socialismo: com argumentos essencialmente racionalistas (do género “o raciocinio lógico demonstra que o liberalismo é o melhor sistema”, e não “duzentos anos de história demonstram que o liberalismo é o melhor sistema” – sobretudo os economistas da Escola Austríaca, se há coisa com que não podem, é com argumentos empiristas) e considerando que o liberalismo é o sistema que permite ao “génio humano” resolver os problemas que afligem a humanidade; isto é, á sua maneira eles são optimistas, progressistas, racionalistas, antropocêntricos, etc. Mas fará sentido considerá-los “de esquerda”, quando em termos de politicas concretas defendem o mesmo que grande parte da “direita”?

      Já foi amplamente denunciado neste blog o truque psicológico “dono da razão” (ver aqui: http://lucianoayan.com/2012/02/02/rotina-dono-da-razao/)

      Há alguma armadilhas no que você escreveu, mas é fácil desarmá-las:

      1. Demonstrar entusiasmo com algo não é o mesmo que abdicar da razão. (aliás, de onde você tirou essa idéia absurda?)
      2. Quem considera que liberalismo permite ao ‘gênio humano’ resolver os “problemas que afligem a humanidade” estão, mesmo que estejam na direita, caindo nos truques utópicos da esquerda. Isso é o risco de mimetizar as táticas do adversário. O truque de fingir validação da utopia foi PATENTEADO pela esquerda. O correto, para um direitista é NÃO PROMETER corrigir estes problemas, mas fazer o melhor possível, e só.
      3. O argumento esquerdista NUNCA é racionalista, mesmo alegando sê-lo. Aliás, o tal “futuro projetado” jamais foi provado em termos racionais, mas puramente emocionais. Ou seja, a postura mais irracional é a esquerdista, e é fácil demonstrar isso. Se quiser, eu te lanço um desafio para você provar RACIONALMENTE a validade do anarquismo. Vai ser divertido.

      Um ponto final – você pode argumentar que a tal associação “direita=monarquia tradicional” era apenas uma posição momentânea e não algo implicito na filosofia profunda da direita; mas penso que o mesmo pode ser dito da associação “direita=liberalismo económico” que você estava a tentar fazer (o próprio facto de ter havido politicos e autores auto-proclamados de direita anti-liberais demonstra isso).

      O problema é que quando estudamos o FATOR CONECTOR de todo o pensamento de direita, vemos que o liberalismo econômico é uma consequência obrigatória do ceticismo em relação ao homem, pois a escolha de poderes balanceados, limitando a ação do estado, tem como um de seus objetivos principais evitar a aquisição excessiva de poder por parte dos que tomam conta do estado. Se um “autor de direita” for contra o liberalismo econômico, signfica que ele caiu nas categorias da esquerda.

      Note que a única coisa que está sendo feita aqui é a análise das essências do pensamento de esquerda e direita.

      De novo:

      1. Esquerda e direita não faziam sentido na monarquia totalitária
      2. Para manter o totalitarismo, mas com discurso de apelo ao povo, surgiu a esquerda (enquanto forma de pensamento e sistema filosófico)
      3. Para fugir do totatitarismo, estabeleceu-se uma filosofia de direita para contrapor a esquerda

      Isso explica por que o ateísmo se estabeleceu como oposição ao teísmo muito tempo depois, pois em um tempo se pensava sob categorias do teísmo. Isso não implica que o ateísmo era “um tipo de teísmo”.

      Veja que se torna divertido encontrar os truques linguísticos nos quais os adeptos do historicismo absoluto caem.

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