Os 3 paradigmas deste blog: para crianças a partir de 10 anos de idade

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Será que eu conseguiria uma forma de explicar todo o paradigma deste blog de uma forma acessível às crianças? Sendo isso possível, poderíamos pensar em uma forma de ensinar desde a tenra idade as pessoas na arte da precaução contra a picaretagem intelectual.  De qualquer forma, essa é uma tentativa inicial.

Os 3 paradigmas são:

  1. Ceticismo Político
  2. Investigação da Religião Política
  3. A Dinâmica Social da Guerra Política

Vamos começar a diversão!

1. Ceticismo político

Talvez você já tenha ouvido um professor de ciências dizer que “é cético” ou “da razão” e que “luta contra a superstição”. Provavelmente dirá que cultua a “ciência”.

Talvez você tenha pensado: “encontrei um cético!”.

Em muitos casos ele vai insistir para você ler “O Mundo Assombrado pelos Demônios”.

Só que isso não é ser “cético”, de forma universal, mas sim apenas cético em relação aos fantasmas, lobisomens, deuses e mitologias.

O livro acima fala de ceticismo só contra… espíritos, quiromancia, paranormal e coisas desse tipo.

Mas seu autor também acreditava em muitas coisas, das quais falarei nas partes 2 e 3 abaixo. A maioria de seus leitores também acredita nessas mesmas coisas.

Acontece que há o uso no termo “cético”, no caso do livro acima, que tem a ver com verbos não especificados.

Veja exemplos abaixo:

  • Eu sou
  • Eu faço
  • Eu vendo
  • Eu compro
  • Eu questiono

São 5 exemplos de verbos, em relação aos quais o objeto é omitido. Daí não dá para entender como a ação é feita.

Foi por causa deste mesmo truque que muitos se definiram como “céticos” ao invés de “céticos em relação ao paranormal”.

Mas por que esses caras queriam convencer os outros que eram “céticos” de forma universal ao invés de declararem a verdade, apenas dizendo que eram “céticos em relação ao paranormal”?

Aha, é aí que entra a política…

Não, não é isso que você está pensando. Política não é aquela coisa irritante que fica enchendo seu saco na TV por causa do horário gratuito para propaganda eleitoral.

Isso é só política profissional.

Política significa, aqui, a arte de um grupo ou pessoa levar vantagem sobre outro grupo pessoa.

Isso vale até para a política profissional, claro. Quando um grupo X consegue aprovar aumento de impostos, que o grupo Y não queria, o primeiro levou vantagem sobre o segundo.

Se você entendeu o que é política, fica fácil entender agora o que é uma alegação política.

É toda alegação que, se aceita, irá resultar em vantagem para a pessoa ou o grupo que a propaga.

Onde estão as alegações políticas? Em qualquer lugar.

E nao são alegações como dizer que Jesus Cristo andou sobre as águas ou de que há um dragão na garagem. Essas, alias, não necessariamente são alegações políticas.

Agora, relembre o que ocorreu na Rússia, com o genocídio marxista…

Tudo que aconteceu na União Soviética (junto com os milhões de mortos nos Gulags) só foi possível por que em uma época pessoas ACREDITARAM na alegação de que uma ditadura do proletariado iria “criar o mundo justo”.

Essa é uma perfeita alegação política, pois, se aceita, daria vantagem ao grupo que alega defender “o proletariado”.

Sim, eu sei, muito provavelmente você já viu seu professor de história com esse discurso, igualzinho o do Stalin ali acima, e é exatamente disso que tou falando!

Para não esquecer, portanto…

Dá para acreditar em muito, mas muito (muito mesmo) mais coisas do que apenas coisas ligadas ao sobrenatural.

Dá para acreditar que a ditadura do proletariado funcionaria, que o governo global será lindo e que o Carl Sagan era um cético preocupado com a ciência e com as escolhas que você tomará.

Sagan quer que você faça as escolhas certas, questionando as coisas certas, seguindo a orientação dele, pois ele já se “auto questiona”. Não é fantástico?

Infelizmente, hoje em dia nossa cultura nos ensina a questionar algo somente se for sobrenatural, mas como mostrei, dá para se acreditar em muito mais coisas do que apenas o sobrenatural.

Por isso precisamos de um ceticismo “power”, que é o ceticismo político. É o ceticismo que prioriza as alegações políticas.

A própria afirmação “sou cético” (com o uso do verbo não especificado) pode convencer a platéia de que alguém já se auto-questiona, e portanto deve-se acreditar em tudo que ele diz. Não caia neste truque!

Questione tudo, inclusive discursos como esse.

2. Investigação da Religião Política

Se você já entendeu o que é ceticismo político, reforço a idéia de que ele é apartidário.

Ele serve para você questionar tanto o professor que diz que “os praticantes de latrocínio são injustiçados” como alguém que diz “que é da razão”.

Uma expansão do uso do ceticismo político que acho útil é para questionar aquele pessoal que você já viu na rua fazendo manifestações por qualquer besteira (como feminismo radical, imposição da cultura gayzista, etc.), e que geralmente atende ao mesmo padrão. São os esquerdistas.

Antes, falarei de religião…

Pessoas rezando, doutrinas sendo seguidas, um crucifixo na parede… tudo isso tem a ver com a religião tradicional. Todos acreditam em Deus. Você acredita? Eu não. Te respeito, se você acreditar.

Por outro lado, religião política significa crer no homem.

Ei, ei, espere aí. Todos acreditam que o ser humano existe!

Sim, eu sei, mas a crença no homem é uma expressão para designar a crença em que o ser humano superará suas contingências (naturais) para enfim modelar um mundo justo e igualitário.

Lembrou que foi por isso que todos deram poder ao Stalin? Também foi por isso que, de acordo com o que você aprendeu nas aulas de história, todos deram poder absoluto ao Hitler, ao Mao e ao Pol Pot.

Eu sei que pode parecer ridículo “crer no homem”, e tua mãe talvez tenha lhe dito para não confiar em estranhos.

Os religiosos políticos não só acreditam em alguns estranhos, como também acham que deve ser dado a eles o poder de forma totalitária. Seja com a ditadura do proletariado ou um governo global.

Por isso, eles devem ser questionados.

Sabe o que Carl Sagan propõe em relação aos paranormais? Exatamente o que proponho que deve ser feito em relação a todos os religiosos políticos.

A crença no homem deve ser contestada, e se você não cabulou as aulas de biologia deve saber que somos apenas mais um dentre os demais animais, e temos uma série de instintos, e por causa deles é que você fica doido quando vê aquela garota deliciosa no colégio. (Se você for menina, abstraia para a situação oposta)

Se alguém diz que o ser humano pode deixar de ser competitivo, gregário e terrorialista, deverá provar a mudança biológica que resultará nisso. Questione-o e você notará que sempre a idéia da religião política é baseada em fé cega.

Por favor, estude guias de falácias e a dialética erística antes de sair questionando, pois os religiosos políticos são cheios de truques retóricos e artimanhas, sempre prestes a tentar te enganar.

Enfim, se você já viu o James Randi no Fantástico questionando um paranormal, já sabe que você pode fazer algo parecido com seu professor de História que vive falando a favor do marxismo.

Peça para ele provar que o ser humano pode dominar sua natureza para superar o capital (e até a política).

Fazer isso é usar o ceticismo político especificamente para questionar a religião política.

Não se esqueça: esquerda e religião política são a mesma coisa.

Detalhe: seja tão exigente e detalhista como James Randi seria. Se quiser ler um pouco mais, veja aqui.

3. A Dinâmica Social da Guerra Política

Não, dinâmica social não foi feito para pegar mulher. O pessoal que tenta pegar mulher com um conjunto de técnicas e chama isso de dinâmica social está na verdade praticando ENGENHARIA SOCIAL junto com PNL.

Dinâmica social é muito mais que isso.

De um jeito fácil para você não esquecer: é o estudo das interações humanas, em todos os detalhes, incluindo o estudo de como os seres humanos estão programados biologicamente para reagirem a estímulos vindo da outra parte.

Tem a ver com PNL? Não, não tem, mas se alguém quiser desenvolver algo na linha da engenharia social, a PNL pode ser mais útil.

Mas para que a dinâmica social é importante aqui?

É simples.

Se existe a religião política, que domina tanto o território ocidental, temos que estudar os instintos humanos que estão relacionados ao aceite das idéias deles.

Algumas perguntas que podemos tentar responder com a dinâmica social: Por que o discurso de dizer que “luta pelos oprimidos” funciona tanto? Por que alguém tenta tanto dizer que é “da razão”? Qual o efeito psicológico que o populacho tem quando alguém diz que “representa a ciência”?

Recomendo um monte de livros sobre a natureza dos instintos humanos.

Esse aqui é um dos mais simples e menos “chatos” de ler.

Importante: dinâmica social é uma coisa e psicologia evolutiva é outra, mas estudar a primeira com os conhecimentos da segunda é MUITO MAIS LEGAL!

Se os humanos são máquinas interagindo, saber as reações instintivas destes humanos torna tudo mais compreensível e nos poupa muito tempo. Ou você vai querer estudar o mecanismo de um carro sem saber o funcionamento de suas peças principais?

Hoje em dia, temos uma guerra política, entre o pessoal da esquerda e da direita. Estes últimos querem pagar menos impostos, além de defender responsabilidade social, punição para criminosos e possuem medo de sistemas ditatoriais. Isso é tudo que os esquerdistas querem! Por isso, estamos em guerra.

Aha, agora você entendeu por que seu professor de história e geografia (provavelmente) é um inimigo, não?

Eu falo “provavelmente” por que nem todos são doutrinadores da esquerda, mas a maioria sim.

Se você dominar a dinâmica social, terá muitas chances não apenas de se ver livre do domínio psicológico destas pessoas, como também combatê-las.

Atenção, agora: você pode escolher o que fazer com a dinâmica social.

Por exemplo, você pode combater seus adversários politicamente, tentando jogar o jogo político.

Neste caso, você disputará um “espaço” na mente e coração dos que estão ouvindo.

Assim como pode nem lutar para ocupar este “espaço”, mas apenas desmascarar o adversário.

Vou dar um exemplo de cada:

  1. Conquistando o espaço: Você diz para os outros colegas que é o verdadeiro defensor dos oprimidos, ao invés do seu professor picareta, e que os oprimidos dependem de suas idéias (que dão oportunidades para todos) ao invés do sistema opressor defendido pelo outro.
  2. Apenas desmascarando o adversário: Você pode dizer que o seu professor mente, pois o esquerdismo só tem beneficiado os sistemas ditatoriais, e que a idéia de “sociedade sem classes” não tem evidência científica.

No primeiro caso, você teria tentado tomar o lugar dele, e no segundo não teve essa pretensão, apenas desmascarando-o.

Nos dois casos, entender as reações do público que está assistindo é essencial e é para isso que a dinâmica social serve.

Conclusão

Tudo o que este blog defende se resume aos 3 paradigmas acima.

Muitos adversários deste blog aparentemente não entendem absolutamente nada do que está escrito aqui. Se entenderem, a tendência é que simulem um falso entendimento apenas para lançarem críticas ou desaforos.

Todos esquerdistas odeiam este blog, mas jamais o refutam, e nunca se concentram nas idéias centrais defendidas aqui.

Entretanto, agora, não há mais desculpas, pois com este texto a proposta deste blog está declara em tons tão cristalinos que dificilmente alguém poderá alegar “entender errado”.

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10 COMMENTS

  1. Luciano, uma correção gramatical:

    “São 5 exemplos de verbos, para os quais o advérbio é omitido. Daí não dá para entender como a ação é feita.”

    Acho que você quis dizer “o OBJETO é omitido”, ao invés do advérbio.

    Advérbio entra para alterar o sentido do verbo, como “lentamente”, “muito”, etc., agora o objeto é o que completa a ação designada pelo verbo, quando este não é intransitivo, é claro, por exemplo: “Eu sou corinthiano”.

    Entendo que o sentido que você pretendeu passar foi o de que se você não completa a oração “sou cético” com “em relação a algo” ela não faz sentido e passa a ser uma jogada política. No gramatiquês, se você exige que a expressão “em relação a algo” deva necessariamente acompanhar a palavra cético para que ela tenha sentido, então ele é um complemento nominal do substantivo cético (que entra como objeto da oração “eu sou”).

    Enfim, sei que é chato falar de gramática, mas é para que não deslizemos na língua e sejamos claros nos nossos argumentos.

    No mais, o texto está muito bom. Continue o trabalho sobre os seus paradigmas, desmascarando sempre os esquerdistas podres!

    Abraços

    • Falando em correções, existe uma falha já bem antiga, e que, penso eu, não valeria o esforço de tentar consertar (a menos que haja um modo automatizado pra se fazer isso), mas enfim…
      É que, desde os tempos do blog “Neo-Ateísmo, Um Delírio”, o Luciano quase sempre trata o PREFIXO *neo* como se este fosse um ADJETIVO. Oras, se é prefixo, então ele deve se juntar (com ou sem um hífen) à palavra que ele modifica, então o certo é escrever *neo-ateísmo / neoateísmo*, *neo-ateu(s) / neoateus*, em vez de “neo ateísmo” ou “neo ateus”.

      Just my 2 cents :– \

  2. Crianças *a partir dos 10 anos* ???

    Seu, seu,… seu preconceituoso 😛

    Mas obrigado por me mostrar a foto do tal James Randi, eu não sabia que ele é o Jô Soares do Hemisfério Norte 😀 , afinal eu parei de assistir ao Fantástico Show Do Tédio em 1981 🙂

  3. A ideia é ótima! Sei que vai parecer papo de esquerdista, mas vou falar assim mesmo: algo assim poderia mudar o mundo.

    Imagina as crianças entrando no segundo grau com capacidade de questionar a pregação ideológica dos professores! Seria o terror dos esquerdistas! Isso tem o poder potencial de virar o jogo em uma única geração.

    O problema é que – obviamente – o governo nunca incluiria um item desses no currículo escolar.

    Agora a crítica: pra dez anos acho que não dá, tá muito complexo. Mas pra adolescentes acho que já tá legal. Taí uma linha de ação que os conservadores poderiam explorar: criar centros gratuitos para esse tipo de palestra. É trabalho de formiguinha, os esquerdistas fariam um barulho danado, não resolveria 100% o problema, mas já seria um bom começo…

  4. “Todos esquerdistas odeiam este blog, mas jamais o refutam, e nunca se concentram nas idéias centrais defendidas aqui.

    Entretanto, agora, não há mais desculpas, pois com este texto a proposta deste blog está declara em tons tão cristalinos que dificilmente alguém poderá alegar “entender errado”.”

    O próximo comentarista esquerdista q passar por aqui vai ter q engolir isso.

  5. “e temos uma série de instintos, e por causa deles é que você fica doido quando vê aquela garota deliciosa no colégio. (Se você for menina, abstraia para a situação oposta)”

    KkkkkkkkkkKKKKKKKkkkkkkkkk, a partir dos 10 anos? Rrsrsrs… divertido 🙂

  6. Dúvida:
    Luciano, agora q tenho utilizado a abordagem do ceticismo político, percebo q meus adversários esquerdistas são forçados a ficarem no banco dos réus em vez de ficarem como vítimas. Mas a reação mais comum q tenho notado, é eles dizerem assim: nós acreditamos nos médicos, nos professores, etc. logo, acreditar no homem é necessário. No q eu respondo: Eu não acredito no médico enquanto pessoa e sim enquanto profissional da saúde. Logo, não creio no homem e sim no conhecimento científico. Se vcs creem no médico enquanto pessoa, o problema é de vcs.
    Luciano, no meu lugar, como vc responderia a essa aparente objeção?

  7. Caro Luciano,

    Se for útil, para nós evangélico/protestantes a definição teológica de fé é; “a firme convicção de coisas que não se vêem nem podem ser provadas”. Exatamente como a utopia comunista ou ecológica.
    E se os comunistas agem por fé, sim, é uma religião.
    Se “a religião é o ópio dos povos”, então “o marxismo é o crack dos intelectuais”.

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