Da defesa de uma nova era. A era dos intelectuais do conhecimento.

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Relembrar é viver mesmo! Estou neste momento escrevendo um texto que finalizará o meu livro (não peçam previsão, mas está quase lá), que é o primeiro de uma trilogia, e neste momento estou concluindo um texto sobre Gestão de Conhecimento e o que isso tem a ver com investigações céticas.

Eis então que recobrei a fonte original de inspiração para a tonalidade deste blog no mapeamento de técnicas dos oponentes.

Na época, eu era um “chato” ao questionar alguns darwinistas, e realmente fui um pentelho ao atazanar alguns dizendo que faltavam evidencias para a macro-evolução (enquanto eu não apresentava objeções à micro-evolução). De qualquer forma, esta foi uma “frente” de questionamento na qual aqueles a quem eu questionava, os darwinistas, levavam vantagem. A rapidez com que cada objeção era tratada, assim como cada argumentação era rebatida com “isso já foi explicado antes” (com a respectiva citação desta refutação), de fato me impressionou.

Não demorou para que eu descobrisse que eles tinham, em sua maioria, uma fonte poderosíssima ao seu dispor. Era o site Talk Origins, e sua subpágina “An Index to Creationist Claims” simplesmente trazia rebatidas a todas as objeções criacionistas ao darwinismo, assim como à ataques feitos à teoria de Darwin.

Querem ver? Associe Darwin a Hitler, e eles podem responder com  este verbete.  (Tudo bem que usam o truque falacioso de associar Hitler à religião cristã, quando ocorreto seria associá-lo ao humanismo, mas isso é questão a ser resolvida em outras bases de conhecimento)

Em relação a ideia da rejeição da teoria pelo fato de ter lacunas inexplicáveis, uma resposta ótima está aqui.

E assim sucessivamente, praticamente tudo o que criacionistas já falaram contra o darwinismo é rebatido neste índice.

Isto é uma base de conhecimento, nos moldes que Nonaka e Takeuchi ensinaram em sua obra seminal “Criação de Conhecimento na Empresa”, na qual o conceito de base de conhecimento, de forma organizada e com facilidades de busca, deveria ser usado para aumentar a competividade das organizações.

Com a inspiração de Nonaka e Takeuchi, foi dali que tirei a ideia de criar uma lista de técnicas utilizadas pelos neo ateus, e que posteriormente incluiu também algumas técnicas esquerdistas. Aliás, esta é uma seção que prometo retomar em breve, assim que terminar alguns textos que estou escrevendo sobre ceticismo político. Quando retornar, provavelmente trarei os verbetes de forma mais organizada.

Nas organizações, o poder do uso de bases de conhecimento é tamanho que podemos saber com clareza que quando uma organização não possui domínio de seu conhecimento (e consequente não-disponibilização para uso contínuo deste conhecimento), enquanto outra já consegue fazer isso, a primeira tende a perder para a segunda em termos de competividade  na maioria absoluta dos casos.

Recentemente, eu soube que havia uma equipe de 15 profissionais que mantinham um sistema, sendo que apenas 1 deles detinha o conhecimento de negócio necessário para definir futuras atualizações no software. De imediato, iniciou-se um “KT” (Knowledge Transfer), para que mais 3 pessoas possuíssem esse conhecimento, de forma simplificada, documentada e de fácil acesso. (Claro que tudo funcionando de acordo com as regras de segurança da organização)

Outro exemplo: quando uma área de Segurança da Informação não tem capacidade de mapear seu conhecimento sobre padrões de ataques sofridos, todos entram em  pânico a cada tentativa de invasão de rede. Já aquelas organizações com alta maturidade em sua gestão de conhecimento, na maioria dos casos identificam o padrão, obtem a resposta da base de conhecimento (em muitos casos, implementada através de um sistema), e fazem a ação de contenção com rapidez.

De todas as idéias que trouxe neste blog, a noção de gestão de conhecimento (fundamental para a conscientização, que gerará as respostas ágeis) é uma das que considero  mais poderosas. É a partir dessas bases de conhecimento (com  facilidade de acesso, diga-se) que enfim se pode compreender o real significado da expressão “conhecimento é poder”.

Se os esquerdistas possuem um arsenal de truques para dominar o território contra os conservadores, pode-se criar uma base de conhecimento destes truques. Se usam o jogo de rótulos de forma eficiente, uma outra base de conhecimento (ou até subdivisão da mesma base) pode se especializar em um verbete para cada rótulo utilizado.

E não dependam apenas deste blog!

Criem outras bases, sejam individuais ou não. Se vários blogueiros precisarem se juntar para criar uma base única, ótimo. Se surgirem 3 ou 4 grandes bases de conhecimento na Internet, melhor ainda! Se surgir uma base especializada em neo ateísmo, e outra em humanismo, e ainda uma outra em marxismo, tanto melhor.

Enfim, uma cultura de gestão de conhecimento é uma das melhores apostas que podemos fazer.

No mundo corporativo, o domínio da arte de gerir o conhecimento já é algo que pode por si só estabelecer a diferença entre fracasso e sucesso.

Se competimos por espaço na mente da platéia dentro  do contexto da guerra cultural, usar bases de conhecimento de fácil acesso para mapear todos os truques contidos no discurso esquerdista (em qualquer nível, seja neo ateísta, marixsta, humanista, etc.), com consequentes respostas e dicas de neutralização, é um diferencial competitivo.

Se existem os profissionais do conhecimento nas organizações (aqueles que são identificados pela facilidade com que facilitam a gestão do conhecimento), por que não pensar em uma era dos intelectuais do conhecimento?

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5 COMMENTS

  1. Oi, Ayan.

    Muito obrigado pelo link “An Index to Creationist Claims”. Gostei muito da estrutura de topificação.

    Repassei para amigos tedeístas e criacionistas para copiá-lo integralmente acrescentando-lhe tréplica para cada item.

    Será uma variação do “bom combate” do apóstolo Paulo.

    Grande abraço.

  2. Mas cara, você ficou louco? Se publicar um livro, a seita humanista vai descobrir que é você e vai começar a fazer ameaças terroristas na sua casa por telefone! O que será desse blog sem você? Melhor não publicar nada e se manter anônimo!

    • Já eu sempre apoiei essa ideia e achovque você deve ir fundo nela. Algumas de suas séries aqui, com pouquíssima edição e alguma revisão, já seriam livros prontos. Tem todo o meu apoio.

      E este post aqui é mais um que vai para os favoritos. Eu sempre pensei, com meus botões, que o que sempre faltou à direita foi um autor que registrasse o contexto de guerra cultural (que do lado da esquerda, é uma guerra de extermínio, porque o que querem – como todos os totalitários – é suprimir a divergência) e teorizasse a respeito de uma estratégia para disputá-la e vencê-la. Sem, obviamente, descaracterizar o que é direita, sem deturpar seu conteúdo mínimo e sua essência primeva, sobre a qual Olavão falou muito bem naquele texto que você postou há pouco tempo.

      Quando a direita aprender a desenvolver e aplicar as táticas de contraguerrilha e e contra-inteligência cultural, desnudando a esquerda de sua mística falsamente positiva, justa e redentora, sobrarão apenas onconteúdo, a substância de cada um dos perfis da esquerda. E no conteúdo, na substância, na verdade objetiva, eles não têm a menor chance.

      Quando se joga luz sobre a treva, a treva… desaparece.

  3. Só para fazer o contraponto, existe o site http://www.trueorigin.org/ que, apesar de não tão organizado quanto o http://www.talkorigins.org/, possui suas respostas a alguns tópicos deste último.

    Confesso que li pouco dos dois sites. Também não sou nenhum especialista no assunto, mas uma coisa me vem a cabeça:

    O darwinismo (digo aqui no sentido amplo, englobando seleção natural e tudo o que foi descoberto posteriormente), nos últimos anos, elevou-se da condição de teoria razoavelmente coerente para dogma irrefutável na mente das pessoas, principalmente dos neo-ateístas. A partir daí ganhou essa conotação política, através da qual os sujeitos todos advogam pela ideia e fazem saltos lógicos sem nunca terem lido mais do que 5 livros ou uns 3 sites sobre o assunto.

    Basta o indivíduo, que tem dúvidas – sobre religião, principalmente – topar com um argumento sedutor e apoiado por milhares de pessoas para abraça-lo, sem mesmo tê-lo estudado e refletido sobre seu conteúdo.

    Se é verdade ou não eu não sei. Há uma comunidade científica toda que diz que sim, mas acredito haver também uma série de argumentos contrários igualmente pertinentes mas que, por não terem o mesmo poder político de persuasão, são desconsiderados.

  4. Luciano, posso dar uma sugestão? Creio q a maioria dos seus leitores são cristãos, mas me corrija se eu estiver errado. Porque é daí q parte a minha questão: o q tenho percebido é uma parcela de cristãos q aceita tomar parte na guerra política e outra q não aceita tomar parte. A parcela q aceita, é formada por aqueles q coadunaram suas doutrinas com o conteúdo deste blog. Ótimo! E a parcela q não aceita é formada por aqueles q olham o conteúdo com desconfiança, talvez por falta de conhecimento. Aí já não é bom (embora seja impossível agradar a todos). Sendo assim, o q vc acha de fazer um artigo se colocando no lugar dos cristãos e dando seu ponto de vista de como o cristão deve coadunar sua doutrina com o ceticismo proposto neste blog? Sei q já existem dicas sobre essa questão em meio aos seus artigos dirigidos ao público cristão, mas o q acha de reformular a mensagem dentro desse novo paradigma evoluído q vc adotou? Quando digo evoluído, me refiro a visão panorâmica da guerra política.
    Aah, antes q eu me esqueça: No seu livro existe algum recado específico para o público cristão? Eu acharia isso bastante oportuno. O q acha?
    Abcs. Jeremias

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