Você sabe com quem está falando? Se não sabe, deveria saber.

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Imagine que sua amiga de trabalho deliciosa chegue lhe contando que o noivo dela prometeu “amor eterno”, dizendo que o que importa nela é o seu conteúdo, não o seu exterior. Em retorno, você diz: “Como sabe que ele realmente gosta de seu conteúdo? Estatisticamente, temos evidências em contrário, e posso te passar um material da psicologia evolutiva que refuta essa ideia. Por que você não duvida dele?”. Considerando que a afirmação do namorado dela automaticamente daria vantagem a ele, isso seria um exemplo de ceticismo político? Sim, mas seria mais ainda um exemplo de estupidez.

Primeiro, o diálogo acima não funciona nem como cantada e nem como um exemplo de “debate”, até por que as boas práticas da interação sexual dizem para buscarmos o efeito no aspecto psicológico, ao invés da argumentação racional. Segundo, sua amiga nem de longe é sua adversária intelectual. Ela é sua companheira de trabalho, e sua meta em relação a ela deveria ser estabelecer o melhor relacionamento possível.

No ambiente político, temos amigos e inimigos. E em nosso cotidiano, temos oportunidades para implementações céticas que valem ou não a pena.

Defino uma oportunidade para uma implementação cética como todo momento no qual você pode fazer um questionamento cético. Em suma, quando qualquer alegação da outra parte aparece. Entretanto, uma vez vi um diretor executivo afirmar o seguinte: “Uma pena a declaração do Colin Farrell, que parece não se preocupar com problemas sociais. Por isso não me decepciono com o Brad Pitt, que é mais ‘engajado’ em problemas sociais”. Obviamente, isso merecia uma ridicularização, após um questionamento incisivo. O problema é que será que vale a pena ridicularizar alguém que está em uma mesma empresa que você e em uma posição hierárquica superior? Claro que não. Creio que já é o suficiente para entendermos o conceito de oportunidade no que diz respeito ao ceticismo.

Se já ficou claro este conceito, devemos entender a postura de amigos e inimigos. Se uma alegação política é toda aquela que, se aceita, traz vantagem para a pessoa ou o grupo que a propaga, temos que entender: esta alegação vem do lado “amigo” ou do lado “inimigo”. Se a oportunidade valer a pena, e a alegação vier do lado “inimigo”, e for inválida ou ao menos questionável, então enfim temos uma situação em que o ceticismo não só pode, como deve ser aplicado por completo.

Ao usarmos o framework aqui proposto, evitamos o risco de nos tornarmos “monstros do ceticismo”, ou seja, aquelas pessoas que tem sua vida prejudicada, sendo consideradas “excêntricas” ou “anti-sociais”, por causa de sua forma incisiva de questionamento.

O ceticismo político não foi desenvolvido para você prejudicar sua vida social, nem para perder amigos, ou mesmo colocar sua vida profissional em risco. Muito pelo contrário, todo o framework aqui desenvolvido tem por meta fazer com que você não seja mais enganado por fraudes linguísticas e truques retóricos que venham de seus adversários ideológicos, no contexto da guerra política, e enfim permitir que você, caso queira, possa atuar neste campo de batalha, obtendo resultados.

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4 COMMENTS

  1. Muito sábio da parte de Luciano, elucidar a prática do ceticismo, como deve ser, que postura adotar, o q se deve evitar. Enfim, são macetes q vc adquire com a experiência, mas q podem ser aprendidos de ante-mão com o autor do blog para q o praticante de ceticismo não saia frustrado na hora de aplicar, na hora da verdade. 😉

  2. Luciano, seu post veio tarde demais!
    Já estou praticando até com atendentes de telemarketing que me ligam! ( E confesso que é bem divertido =D )

    Abs!

  3. Podemos dizer que tal coisa é ridícula, é a mesma coisa que uma cultura paleolítica inventar um sinal, um marco, ou qualquer coisa que indique que o mundo vai acabar em 2050, e la vem um grupo dizer que isso é um sinal de que Jesus está voltando, que tudo isso confirma as profecias nas Escrituras, e que todos vamos penar no inferno.

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