Técnica de propaganda: Estudos científicos revelam…

2
64

Última atualização: 26 de janeiro de 2013 – [Índice de Propaganda][Página Principal]

Mapeei duas formas principais de se alegar algo para parecer mais “científico” e ganhar debates. A primeira envolve utilizar o mais estrito método científico para testar uma alegação extraordinária oposta à sua, mas somente utilizar o método para estas questões, e não contra suas alegações. A segunda se baseia em citar pesquisas científicas, em muitos casos controversas, apenas para validar seu ponto de vista político.

Em relação ao primeiro caso, realmente temos um truque inventivo, e que, por isso mesmo, tende a passar desapercebido. Imagine que alguém questione qualquer evento paranormal, e sempre exija a aplicação do método científico para avaliar qualquer alegação do tipo. Se a aplicação do método científico está correta, qual o problema? O problema é que o paranormal é algo que ele não crê, e portanto não há apego emocional dele à validação positiva. Por isso, é fácil para ele exigir o uso do método científico. Mas para o aceite de outras crenças (que são as que ele quer validadas), será que ele exigiria o método científico também? Se não exigir, então temos o caso do uso seletivo do método. Ou seja, é um crivo exigente, mas que só vale para as crenças do oponente, não as dele.

Para entender o quão inventivo é o truque (e extremamente eficiente, diga-se), imagine que um Gerente X queira que todos os parâmetros de auditoria sejam seguidos para avaliar a área de um rival, o Gerente Y. Ora, se é exigido o máximo de critérios de investigação, qual o problema? O problema é que a auditoria, aplicada da forma mais correta quanto possível, será feita somente para a área a qual ele se opõe, não para a área dele.

Uma outra forma de se usar trabalhos científicos de forma política é citar papers que sustentem visões políticas, mesmo que seja pouquíssimo embasados cientificamente (ainda que tenham passado por uma revisão de pares, o que não é muito difícil em tempos de politização na academias). Exemplos são estudos que dizem coisas como: (1) Conservadores são menos inteligentes que esquerdistas, (2) Ateus são mais inteligentes que teístas, (3) Quem é homofóbico, tem mais chances de ser gay do que aqueles que não são.

Esse tipo de “estudo” sempre acaba omitindo fatos, usando dados propositalmente mal levantados e superficiais, além de usar manipulações linguísticas. Por exemplo, suponha que basta alguém não acreditar que a viadagem é tão válida e útil para a nossa espécie que a heterossexualidade, que será rotulado pela esquerda de “homofóbico”. Mas um estudo poderia tratar  de homofóbicos de fato, como pessoas que realmente possuem incapacidade sequer de ficar perto de um homossexual em um elevador (este seria um exemplo de “fobia”). Logo, o estudo não avalia conservadores, mas sim provavelmente gays que estão em negação, e, portanto, não serviria como evidência contra os conservadores. Mas é assim que a pesquisa é utilizada pela esquerda!

No exemplo de “ateus” e/ou “esquerdistas” serem mais inteligentes que teístas e/ou conservadores, isso poderia ser facilmente comprovado por uma pesquisa de rua. O problema é que quanto maior o Q.I., maior a chance de alguém conseguir chegar às universidades e, enfim, sofrer doutrinação em humanismo e outros esquerdismos em geral. Esse tipo de viés que inviabiliza pesquisas de “grupos mais inteligentes” apenas por seleção de rua é omitido ou da pesquisa, ou ao menos da matéria panfletária que faz o uso da pesquisa supostamente científica.

Portanto, algumas regras de ouro que devem ser seguidas quando este tipo de alegação for feita pela outra parte:

  1. Avalie se a “pesquisa” é uma pesquisa mesmo, ou apenas uma forma de se realizar propaganda política em academias, forjando dados e usando manipulações linguísticas;
  2. Mesmo que a pesquisa seja válida, avalie se a matéria está distorcendo o que a pesquisa de fato diz e usando manipulações para implementar agenda;
  3. Avalie se o método científico é usado pela outra parte para todas as principais questões relevantes, e não apenas para avaliar aqueles de quem ele não gosta;
  4. Em dúvida, exija um portfolio de debates onde esta pessoa tenha aplicado o método científico.

O motivo para este tipo de alegação ter se tornado um padrão é o fato de que a expressão “ciência”, por si só, tem o poder de “desligar” o cérebro das pessoas que estão acompanhando o debate. Portanto, muito cuidado!

Anúncios

2 COMMENTS

  1. E quando idéias de esquerda mistura-se com religiões do oriente médio, acaba formando ou composto altamente explosivo, como estamos vendo agora…

  2. Acho que o “periódicos bule” (ou bule acadêmico, sei lá) é um ótimo exemplo de uso seletivo da ciência. Por lá os caras se esforçam para traduzir N artigos acadêmicos que possam corroborar a ideologia deles.

Deixe uma resposta