Da arte de aprender com as técnicas e métodos do inimigo

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Imagem de propaganda sobre os Certified Ethical Hackers, profissionais especializados em conhecer as artimanhas dos hackers para que sua organização possa se defender mais fácil de fraudes.

Há duas direções principais que tomo ao ler materiais de esquerdistas. Uma é encontrar, mapear e denunciar as fraudes. Outra, a meu ver ainda é mais importante, é aprender como eles pensam, e até aproveitar os estudos úteis (embora utilizados para causas equivocadas) que eles fizeram. Vou falar desta segunda categoria agora.

Recentemente, adquiri o livro “Discurso e Poder”, de Teun A. Van Dijk, e estou terminando sua leitura. O livro, como não poderia deixar de ser em se tratando de um material esquerdista, promove uma campanha injustificada, achando que qualquer manifestação contra excessos da imigração em países europeus é “racismo”. A partir daí, ele ressignifica medidas anti-imigratórias como “racismo” e segue nessa toada até o final. Mas essas são apenas suas rotinas.

Por outro lado, Dijk faz um mapeamento de estruturas de discursos (as quais são apartidárias, assim como o método de ceticismo político é), o qual é utilíssimo. Futuramente, pretendo até trazer uma adaptação deste material, utilizando o mapeamento feito por ele, o que pode facilitar bastante a investigação de discurso que podemos fazer em materiais de esquerdistas. Aliás, acho bem mais didática abordagem de Dijk em relação ao que Foulcault havia feito em “A Ordem do Discurso”.

Outro autor que eu conhecia apenas por suas diatribes contra os Estados Unidos e a direita em geral era Noam Chomsky. Entretanto, muitos adeptos da PNL afirmam que os primeiros estudos do que significa Estrutura Superficial e Estrutura Profunda na relação com a linguística são de Chomsky. É claro que já baixei um material que confirma essa tese, e logo em seguida encomendei seus livros que tratam deste assunto, pois a própria PNL sempre foi um campo de estudo fascinante para mim. Pesquisar na fonte, no entanto, é o ideal.

Ao fazer a tradução da “Arte da Guerra Política”, de David Horowitz, acabei conhecendo o material de Saul Alinsky, especialmente o livro “Rules for Radicals”, que contém todo um programa de ataque ao conservadorismo. É praticamente uma cartilha que pode também ser adaptada por completo contra os esquerdistas. Aliás, recentemente vi Olavo de Carvalho citar Saul Alinsky, um dos mentores de Barack Obama, mas pouco se conhece dele em Terra Brasilis.

Claro que eu não poderia deixar de citar Antonio Gramsci, com sua estratégia gramsciana. Aqui cabe uma confissão: tentei ler “Os Cadernos do Cárcere”, mas o fiz pulando etapas, pois ele gasta muito tempo com sua pregação bate-estaca marxista e manifestações de revolta “contra as elites”, e gasta pouco tempo falando do método. Livros como “A Concepção Dialética da História” são mais interessantes e focados. Mesmo assim, pude ler outras obras, como “A Revolução Gramscista no Brasil”, de Sergio Augusto de Avellar Coutinho, e “A Nova Era e a Revolução Cultural – Fritjof Capra e Antonio Gramsci”, de Olavo de Carvalho, que são de leitura mais rápida e breve do que as eternas ladainhas do cárcere.

Nesses quatro exemplos (Dijk, Chomsky, Alinsky e Gramsci) temos autores de esquerda que criaram métodos que podem ser usados por pessoas de ambos os lados. Os métodos são a Nova Análise Crítica do Discurso (Dijk), a Gramática Transformacional (Chomsky), a Cartilha para a militância (Alinsky) e a Estratégia Gramsciana (Gramsci). Ao conhecer os quatro métodos a fundo, começamos a ter uma entendimento muito mais profundo daquilo que tem ocorrido no Ocidente, no qual hoje temos coisas como tolerância ao crime (ou seja, o Estado nada fazendo contra criminosos), ao mesmo tempo em que pagamos impostos inacreditavelmente abusivos (no Brasil, hoje se paga o dobro do que no tempo de Tiradentes).

Mais até do que esse entendimento, podemos ter o conhecimento de métodos, que tem sido ardua e sistematicamente utilizados contra nós. Ao conhecer os métodos, divulgando-os em linguagem simples para que o maior número possível de pessoas tenha consciência dos recursos utilizados pelos esquerdistas, permitimos, enfim, que a conscientização conservadora ocorra.

A meu ver, a conscientização conservadora passa pelo fato de não mais clicarmos em emails de phishing achando que eles vieram por engano. Nas organizações, se descobrimos o que são os emails de phishing, quais seus riscos, de que forma os hackers criam estes recursos e coisas do tipo, finalmente temos uma forma de prevenção contra fraudes.

Já vi conservadores dizendo algo do tipo: “Ah, se é de esquerdista, não quero nem ler”, no qual eu respondo com um legítimo retortio argumenti, a la Schopenhauer: “Exatamente por ser de esquerdista, é que eu quero ler”. Mas é claro que vou priorizar o material dos esquerdistas que criaram métodos e desenvolveram técnicas, ao invés de meros usuários destas técnicas, como são os colunistas da Carta Capital, por exemplo.

Ao estudar os métodos dos esquerdistas, divulgando-os (sim, em breve vocês terão mais novidades, pois estes métodos serão todos apresentados aqui, a não ser a estratégia gramsciana, que já está manjada), estou enfim cada vez mais próximo das minhas raízes, que focam na combinação da análise investigativa do discurso político com a perspectiva de um investigador de fraudes.

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4 COMMENTS

  1. Postura interessantíssima. Eu mesmo, sendo ateu, achei esse site exatamente ao procurar por algum exemplo de crítica minimamente consistente ao ateísmo. Apenas recomendo que se evite o enquadramento dos discutores como ‘inimigos’, como aqui é colocado e em outros posts: não considero incitar a polarização uma atitude positiva em uma discussão.

    • Excelente objeção Danilo, tratarei-a em um texto ao qual darei o nome de “Do momento adequado para mapear os opositores como inimigos”. Abs,LH.

      • Concordo com isso também.

        Já “narrei” o texto (sim, todos os meus textos são narrados, e depois convertidos em textos escritos), e vou citar isso que vc falou na transcrição.

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