Rotina: Simulação de apartidarismo com proposição de falso acordo

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Considerando a estratégia Esquerdismo Invisível, focada em tentar demonstrar ao público uma neutralidade que não se possui (para aumentar as chances de suas idéias serem absorvidas) mesmo quando uma agenda particular está sendo defendida, é possível utilizar alguns recursos para simular essa imparcialidade. Se não uma imparcialidade no conjunto das ideologias de esquerda ou direita ao menos em algumas questões centrais do debate político.

Para tentar esconder a parcialidade, o esforço será feito através da proposição de um acordo que aparentemente atenda a “ambos os lados” da discussão, e, tendo sido originado a partir de um esquerdista, este poderia ser considerado como o “neutro” na discussão.

Pude encontrar um exemplo fantástico no discurso de um esquerdista durante um congresso. Após o discurso, demonstrei a outras pessoas o truque que havia ali. Observem:

Veja como os políticos (todos) são medíocres. Nos Estados Unidos, republicanos e democratas ficam brigando pelo poder e entrando em discussão para discutir quaisquer picuinhas. Não seria este o momento de ambos deixarem suas divergências para o lado, sentarem-se à mesa e aproveitarem o caso do massacre ocorrido em um cinema em Denver (no qual morreram 12 pessoas, enquanto assistiam ao filme Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge), para então aprovarem uma lei geral de desarmamento?

O truque realmente é fantástico! É brilhante, pois com o uso de tonalidades adequadas de voz, assim como uma certa encenação, é possível convencer a platéia menos “treinada” de que realmente essa opção atenderia a “ambos os lados”, e portanto seria a opção natural a ser tomada por ambos.

O problema é que essa proposta não é o acordo, mas a manifestação do desejo dos esquerdistas. Até por que na questão do desarmamento, mesmo que os cidadãos comuns fossem proibidos de comprar armas (que estariam acessíveis apenas a policiais e criminosos), aqueles com desejo de cometer crimes poderiam comprar armas no mercado negro. Ou seja, o desarmamento não seria o fator que evitaria um massacre no cinema, por exemplo. Logo, o discurso de dizer que “por causa da possibilidade de um cidadão comum comprar armas, existiu o massacre do cinema” é uma falácia.

Nota-se que os esquerdistas pensam dia e noite em tomada de poder totalitário, e, se isso ocorrer, os cidadãos não deveriam reagir, pois isso dificultaria os trabalhos do governo. Pessoas desarmadas, no entanto, não poderiam reagir, pois seria estúpido brigar contra um governo armadíssimo apenas com socos. Sim, a direita tem motivos de sobra para não aceitar “acordos” com esquerdistas em relação ao desarmamento.

Outro ponto a ser notado no discurso citado é a sutileza com que o sujeito declara que “ambos os lados não prestam”, mas mesmo assim ele toma o partido de uma ideia que só atende a um dos lados. Isto não passa de uma simulação com o objetivo de tornar mais verossímil a encenação de imparcialidade.

Uma dica utilíssima para neutralização da rotina: não adianta alguém se dizer apartidário em uma questão. Quando alguém está promovendo um alegado “caminho do meio”, estude se a proposta contida no discurso atende a uma agenda política ou não.

Isso já é o suficiente para descobrirmos se estamos diante de um picareta ou não.

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2 COMMENTS

  1. Esse sistema de doutrinação que você descreve é muito semelhante ao da dialética hegeliana, que utilizada com um “facilitador” é utilizada para se atingir um consenso (geralmente induzido pelo facilitador).
    Veja uma matéria em http://www.espada.eti.br/diaprax.asp para ver como eles tem utilizado isso para enfraquecer a fé nas igrejas.

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