Uso de wingmans, jogos políticos e mitomania: O modus operandi da humanista Asa Heuser

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O discurso de abertura de Asa Hauser no Congresso Humanista serve como comprovação das teorias deste blog. Sim, o humanismo é uma doutrina hipócrita feita para hipócritas, que aprendem a mentir com um sorriso no rosto. Não é ilícito comparar os líderes humanistas a psicopatas, portanto. Não vejo por que deveríamos julgar Asa Heuser de maneira diferente.

A totalidade do discurso humanista é um discurso de auto-venda, além de sempre estarem prontos para vender uma alegação de suporte ao esquerdismo. Esta alegação é “o homem é perfectível”, que tem suas origens no discurso de Rousseau.

Aliás, quando falo de humanismo, não falo do gênero literário, mas sim do humanismo moderno, um sistema filosófico que é embasado na crença no homem. Ou seja, um discurso para dar suporte à crenças em coisas como ditadura do proletariado, estado de bem estar social e governo global, mecanismos através dos quais os “problemas estarão resolvidos”.

Segundo Asa, os ateus tem um modelo de ação: “Pensamos, avaliamos e analisamos todos os argumentos, e a partir disso algumas pessoas chegam à conclusão de que o ateísmo é o que faz mais sentido para elas.”. Enfim, um discurso de auto-venda desde o início, pois não sabemos cientificamente se o ateu “pensa mais” para chegar ao ateísmo. Aliás, o meu ateísmo se deve ao fato de eu ter “sentido” que a Dinâmica Social funciona de forma coesa com a Psicologia Evolutiva  em termos explicativos, e portanto não consigo mais visualizar o ser humano como um animal “à parte” dos outros animais, no que diz respeito aos componentes básicos que configuram uma espécie.

O discurso acima dela é o uso da rotina “Dono da razão”, que já mapeei aqui. (Prestem atenção que Asa não faz outra coisa senão usar rotinas, ao invés de usar lógica e razão, que, bizarramente, ela alega defender)

Segundo ela, humanismo é “razão a serviço da compaixão”. Ela conclui que “humanismo é compaixão”, adicionando que “vai além”, dizendo que “humanismo é empatia”. Aliás, tentar comparar a razão (uso do neo córtex) com a empatia (uso do sístema límbico profundo) já um indício de uma vigarice intelectual absoluta.

Concordo quando ela define empatia como a capacidade de “se colocar no lugar do outro e entender como ele/ela se sente”, o problema é a conclusão ridícula e obviamente desonesta: “Se formos capazes de fazer isso, já não conseguimos agir de maneira a causar infelicidade e sofrimento.”

Na verdade, todos os animais complexos são empáticos (talvez não os répteis, pois estes são deficientes quanto ao sistema límbico profundo), e ainda assim animais causam infelicidade a outros. Basta estudar a relação presa-predador, na natureza. Leões, golfinhos, piranhas e tubarões são todos animais que possuem empatia, em maior ou menor grau.

Qualquer um que tenha estudado Darwin sabe que a empatia é um componente do ser humano, assim como o são o instinto predatório, o territorialismo, o gregarismo e outros. Enfim, não é a empatia que fará que deixemos de “causar infelicidade e sofrimento”. Na verdade, durante as interações humanas, os componentes empatia e predação estão presentes nos seres humanos, e, enfim, serão executados conforme o momento, o cenário e as restrições. O homem que divide o seu prato de comida com o outro, pode esfaqueá-lo quando estiver perdido no mar e notar que a comida está acabando.

Entender isso é entender o ser humano como ele é, ao invés de mentir a respeito do animal humano apenas para capitalização política.

E um exemplo de capitalização política feito por Asa está na seguinte declaração: “Quando agimos de maneira insensível, ridicularizando e agredindo alguém por suas convicções e crenças, em 99% dos casos as pessoas vão se afastar. Isso não ajuda em nada, muito pelo contrário.”

Ué, mas o Bule Voador não é um blog composto por vários neo-ateus, que endossam as idéias de Richard Dawkins e Sam Harris?

Eu já expliquei o verdadeiro papel dos neo-ateus na guerra política. E segundo Dawkins, os religiosos tradicionais devem ser ridicularizados. Ele afirmou: “Caçoe deles […] Ridicularize-os! Em público!”

No texto A Retórica do Ódio – Pt. 1 – O Enigma do Ódio (e já aviso que a parte 2 não foi feita e nem será), Sam Harris afirma:

Então, ridicularização pública é um princípio. Uma vez que você deixa de lado o tabu que é criticar a fé e exige que as pessoas comecem a falar com sentido, então a capacidade de fazer as certezas religiosas parecerem estúpidas fará nós começarmos a rir na cara das pessoas que acreditam aquilo que Tom DeLays, que Pat Robersons do mundo acreditam. Nós vamos rir deles de uma maneira que será sinônimo de excluí-los do nossos salões do poder.

Ao menos nesta questão (mas só nessa), Harris e Dawkins não são hipócritas, e lançam sua carta de intenções, permitindo que os oponentes dos humanistas (não apenas os cristãos, com também ateus que não caíram na lábia dos adeptos do governo global) também os ridicularizem em retorno.

Asa, por sua vez, é hipócrita, pois não tem um histórico de denúncias a gente como Harris e Dawkins, mas finge ser tolerante. Na verdade, os leitores destes dois autores atuam como “wingmans” para gente como Asa. O papel dos wingmans ficou famoso no filme Top Gun: um wingman é um piloto que dá suporte a outro em ações perigosas. Na Dinâmica Social, um wingman é aquele que faz o seu serviço sujo e lhe dá apoio. (Um amigo seu pode ser um “wingman”, e enquanto você tenta pegar a HB10 na balada, ele poderá fazer uma piada em relação a um possível adversário, como, por exemplo, rir da camisa dele – enfim, enquanto você transmite a imagem de “isento”, ele faz o seu serviço sujo)

Em resumo, Asa Heuser faz seu jogo político e aparece dizendo defender a “gentileza”, mas é parte de uma associação que tem como wingmans todos os leitores de Richard Dawkins e Sam Harris.

Conseguimos com tudo isso aprender uma coisa: os humanistas estão em novos estágios do jogo político. Um estágio avançadíssimo no qual eles conseguem até fazer uso de wingmans de forma coordenada, enquanto agora colocam líderes para simularem “tolerância” em público. Engraçado que o par de Asa no Bule Voador, Eli Vieira, em 2008 dizia que uma criacionista “não merecia ser ouvida”, conforme vocês podem ver aqui. (E com printscreens, para que ele não delete)

Agora, Eli e Asa podem fazer a pose de “bons moços”, pois seu wingmans fazem seu serviço sujo.
É claro que não podemos respeitar este tipo de gente, que levou a picaretagem intelectual a novos níveis de baixaria e desonestidade.

Em relação a esta dupla, basta estudarem o passado de ambos, assim como o histórico de amigos, os grupos com os quais eles se aliam. A investigação sempre mostrará que este blog está certo ao definir os humanistas como pessoas até mais perigosas e nocivas para a sociedade do que os marxistas. E tudo correndo conforme o previsto, pois já mapeei um truque parecido em um texto de 2010, sobre a estratégia gramsciana:

Notemos, no entanto, que esse discurso agressivo não é a única forma de ataque à religião. Se a estratégia Gramsciana permitir predições, podemos até já ter uma sugestão de novos movimentos culturais no futuro. Como exemplo, que tal o surgimento de uma oposição ecumênica ou ateísta ao neo ateísmo? Lembrem-se de que falei da estratégia das tesouras. Vejamos como ela funcionaria nesse caso: após um certo tempo, a agressividade dos neo ateus geraria rejeição não só dos religiosos mas também de alguns ateus. Isso seria a brecha para a criação dos “ateus amenos pró-religião” ou “espiritualistas ecumênicos” (ou qualquer tranqueira deste tipo), com a aparência pública de dar uma resposta aos neo ateus, dizendo que a religião não é má, e que os neo ateus são radicais demais. Este novo grupo lançaria livros, e criaria um “debate” entre duas posturas sobre religião. Uma ecumênica e a outra neo ateísta. Uma a favor da religião (mas universal), e outra a favor da eliminação da religião. Este novo grupo poderia até extender umas idéias de Daniel Dennett do livro “Quebrando o Encanto” (pois ele, assim como Sam Harris, quer a religião universal). Em termos públicos, estes novos ecumenistas e os anteriores neo ateístas fariam os principais debates, retirando da discussão os cristãos tradicionais. Logo, Richard Dawkins debateria com um desses novos ecumenistas, mas não com William Lane Craig. O público veria “os dois lados” e se sentiria tentado a ir para um dos dois. Obviamente, nos dois casos a religião estaria sendo atacada, mas muitos nem perceberiam.

Como se nota, tudo previsível. E ainda temos o agravante de que duelar com humanistas é o mesmo que duelar com psicopatas, e portanto temos que ter uma atenção ainda maior, e investigá-los ainda mais.

Com certeza, veremos que o alinhamento entre os “humanistas de linha de frente, tolerantes” atuam em conjunto com os “humanistas radicais, da ala dawkinista”, quase como podemos ver na cena abaixo, do filme Top Gun:


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7 COMMENTS

  1. Ayan, vc não acha q o termo Esquerdista q vc usa para classificar não somente os partidaristas,mas também os da filosofia completa (marxismo, humanismo, socialismo, gramscianismo, neo-ateísmo e etc.) pode ser um termo leviano (na conceituação) na guerra política. Exemplo: aqui onde moro, o candidato do PT é mais competente e trnasparente q o do PSDB comprovadamente corrupto. Conheço também dois vereadores do PT q são católicos praticantes. Estive lendo este artigo aqui (creio q vc conheceu o falecido autor q era cientista político, bispo anglicano e esquerdista partidário, mas neste artigo aquihttp://www.ultimato.com.br/revista/artigos/320/ateucracia-e-heterofobia ele defende uma postura essencialmente direitista. Sei de vários casos como esse. Se puder dê uma explicação. Valeu.
    Ps: Sou de direita, e da área de humanas (História). Seu blog tem me ajudado, mas ainda estou consolidando as ideias. Abração.

  2. O link de “A Retórica do Ódio – Pt. 1 – O Enigma do Ódio” aponta para a página errada,

    “Dawkins é bem claro em relação ao que deve ser feito com católicos. E, pelo princípio da reciprocidade, que seja feito em dobro em relação aos humanistas.”

    Como castigo, você vai beber Fanta Uva SEM GÊLO 😀

  3. ““Pensamos, avaliamos e analisamos todos os argumentos, e a partir disso algumas pessoas chegam à conclusão de que o ateísmo é o que faz mais sentido para elas.””
    Discordo que essa frase seja auto-venda pura e simples. Qualquer pessoa ao analisar qualquer crença pode “pensar, analisar e avaliar os argumentos”, do contrário é bom provável que não aderiria à crença (não li o orginal, mas não parece pelo excerto que ela dê exlusividade desse modelo de ação aos ateus) . Acho que o grande erro dela é dizer “avaliar TODOS os argumentos”, se é que me entende. É uma afirmação bem estulta, se tomada ao pé da letra.

    Para além disso, fiquei especialmente interessado na questão de que a empatia não garante patavinas na questão de buscar o bem comum ou, mais especificamente, de deixar de causar dano e sofrimento.
    A tal da empatia é um poderoso elemento no discurso ou da fundamentação de uma ‘nova’ moral e/ou para enxotar a “moral cristã” (e o cristão) da discussão de questões morais.
    Valeria um post sobre isso ou a indicação de livros sobre.
    Eu tenho interesse.
    Att

  4. Há dois dias ouvi sobre um livro chamado The Irrational Atheist: Dissecting the Unholy Trinity of Dawkins, Harris, And Hitchens, de Theodore Beale, que é uma resposta às alegações neo-ateístas de Dawkins, Harris e Hitchens. Fui à página do livro na Amazon ( The Irrational Atheist ), e notei um grande número de reviews negativos. Quase cheguei a considerar isso uma evidência de que o livro não fosse bom, mas quando li os reviews comecei a perceber um padrão de discurso neo-ateísta comum em reviews de livros que pretendem responder autores neo-ateus – em que se acusa o autor de cometer diversas falácias e não dominar os tópicos que aborda.

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